Charlie Puth
O quarto álbum da carreira de Charlie Puth, Whatever's Clever!, não é apenas o melhor disparado de sua carreira, mas também o trabalho em que vemos mais claramente o que Taylor Swift viu nele para dizer que o cantor deveria ser “um artista bem maior”. E isso se deve a um álbum que claramente tinha a possibilidade de ir a outros lugares.
Sem dúvida nenhuma, o álbum é o melhor da carreira do cantor de longe, mostrando não apenas uma evolução, mas também um amadurecimento como artista de maneira geral. O maior e melhor acerto do álbum, produzido pelo artista ao lado de BloodPop, conhecido pelos trabalhos com Lady Gaga, é acertar o tom das principais influências que o inspiram: o soft rock, pop rock e yacht rock dos anos oitenta vindos de nomes como, por exemplo, Billy Joel, Kenny Loggins, Michael McDonald, entre outros.
É tanto que dois dos nomes citados aparecem como convidados em uma canção. E, assim como suas influências, o resultado do álbum é uma mistura de divertimento, breguice, romance, clichês e uma boa dose radiofônica que, sinceramente, funciona melhor do que o esperado devido ao carinho colocado em cada produção e em cada canção, algo que se liga ao fato de serem trabalhos tecnicamente muito bem feitos. É preciso apontar que o resultado final soa meio aguado quando comparado aos materiais de inspiração, especialmente quando a canção não acerta em todas as qualidades possíveis que poderia ter. Todavia, quando isso acontece unido a um toque de ousadia, Whatever's Clever! entrega momentos realmente inspirados, como é o caso de Home.
Uma refinada e simpaticíssima mistura de sophisti-pop com pop soul que faz a gente abrir um sorriso verdadeiro ao ouvir. Todavia, o grande acerto da canção é a presença magnífica da lenda japonesa Hikaru Utada, que adiciona uma carga gigantesca de personalidade e charme à faixa, fazendo dela uma das melhores da carreira de Puth. Outro acerto do álbum é a ótima utilização das participações especiais, que valorizam cada uma delas de maneira à altura de suas presenças. E é tanto que outro ponto alto está em mais uma parceria, mas dessa vez com a sensual e marcante Coco Jones, que coloca uma dose cavalar de sentimento e sensualidade na envolvente Sideways. Todavia, apesar disso, o álbum também é um veículo para Puth ter seus momentos vocais de destaque.
A voz do cantor se encaixa perfeitamente nesse tipo de canção como uma luva. E ele aproveita para explorar bem todas as possibilidades de seu timbre e de seu bom apuro técnico para entregar suas performances mais coesas, maduras e divertidas até o momento em sua carreira. Não que sejam geniais, mas cumprem perfeitamente o que Puth deseja para toda a atmosfera do álbum. Em Beat Yourself Up, “o single conta com uma das performances mais encantadoras de Charlie, que encontra não apenas o tom perfeito para a canção, como também adiciona uma vivacidade radiante capaz de equilibrar toda a sua atmosfera”.
Apesar de ser uma boa faixa, a canção também deixa claro o ponto baixo de Whatever's Clever! como um todo: a composição. Apesar de boa, a música deixa a desejar por faltar um “refrão verdadeiramente avassalador” que a eleve a outro patamar. E as composições são basicamente assim: boas, mas com a sensação de que falta algo para dar um passo maior e colocar as canções em outro nível. De qualquer forma, o álbum tem outros momentos que valem a pena ouvir, como a presença do sax de Kenny G na sentimental Cry, a cadência gostosa de New Jersey com a participação de Ravyn Lenae, o bom abre-alas em Changes e, por fim, a união dos já citados Kenny Loggins e Michael McDonald em Love in Exile, que parece perfeitamente um cover de uma canção dos anos oitenta.
Whatever's Clever! é esperto o suficiente para apostar nas melhores qualidades de Charlie Puth. E isso basta para resultar em um álbum muito melhor do que o esperado.


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