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4 de janeiro de 2026

Um Encontro Quase Inusitado

Zombie
YUNGBLUD & The Smashing Pumpkins


Um dos nomes mais surpreendentes de 2025 foi o YUNGBLUD, que vem colhendo ótimos frutos como resultado do lançamento do álbum Idols, como, por exemplo, três indicações ao Grammy. Outro fruto é poder contar com o respeito de veteranos, como é o caso da banda The Smashing Pumpkins, com quem o britânico regravou a sua canção Zombie.

Single lançado no ano passado, a canção é “uma competente, sólida e cativante power balada pop rock/rock alternativo” que mostra claramente a evolução artística do cantor. A versão com a presença da banda não altera praticamente nada da produção, mesmo soando um pouco mais “pesada” devido à presença instrumental e à sonoridade dos convidados. Isso é interessante, pois dá a essa versão de Zombie uma sensação de algo mais profundo e poderoso.

Todavia, a regravação erra no momento em que os versos cantados pelo vocalista Billy Corgan são exatamente os mesmos da versão original, deixando uma impressão estranha de que faltou certa personalidade verdadeira para a canção, criativamente falando. Vocalmente, Billy consegue se adaptar à canção, ao mesmo tempo em que impõe sua marca, mas também faltou mais polimento para criar realmente uma fusão entre todos os envolvidos. É um trabalho que mostra apenas o quanto de potencial o YUNGBLUD possui.
nota: 7,5

29 de junho de 2025

Uma Balada de Respeito

Zombie
YUNGBLUD


Já estabelecido que a nova fase do Yungblud é o seu renascimento artístico, o cantor continua a surpreender com o lançamento de Zombie.

A canção não tem nada de diferente ou ousado, mas, sim, demonstra a grande e natural maturidade do artista na sua nova era ao entregar uma competente, sólida e cativante power balada pop rock/rock alternativo. E isso é algo que poderia resultar em uma canção apenas mediana ou boazinha, mas que ganha um verniz sensacional devido à construção robusta de um instrumental. É o tipo de canção que realmente não se escuta com tanta facilidade atualmente, produzida de maneira tão honesta e competente. Entretanto, o grande destaque da canção é a sensacional presença vocal do Yungblud, que entrega uma emocional e emocionante performance que consegue elevar a boa composição de Zombie para o nível certo, deixando bem clara toda a sua significação. E assim temos mais uma peça para a transformadora virada de carreira do Yungblud.
nota: 8

15 de junho de 2025

Realmente Uma Nova Era

Lovesick Lullaby
YUNGBLUD


Com o lançamento de Lovesick Lullaby, segundo single de Idols, YUNGBLUD começa a comprovar que a qualidade de Hello Heaven, Hello não foi um ponto fora da curva, mas sim o seu novo caminho.

Apesar de menos inspirada, a canção é madura, muito bem executada e com personalidade, sobre uma mistura de pop rock/punk com britpop que resulta em uma composição atemporal e, ao mesmo tempo, dotada de um frescor verdadeiro. É também despretensiosa, pois o cantor não tenta desesperadamente se apresentar como um roqueiro maduro e evoluído. Essa maturidade é entregue de maneira fluida e natural, deixando clara sua evolução artística. A composição de Lovesick Lullaby é um trabalho que se encaixa perfeitamente na atmosfera da canção, transmitindo toda a descontração genuína da batida. Entretanto, o grande destaque da música é, de fato, a presença magnética e adulta de YUNGBLUD, que entrega o tom perfeito ao demonstrar versatilidade e uma carga imensa de personalidade. Com dois acertos seguidos, o artista vai criando o hype para, possivelmente, lançar o álbum de virada de carreira mais incrível dos últimos tempos.
nota: 8

6 de abril de 2025

O Começo da Maturidade

Hello Heaven, Hello
YUNGBLUD


Acredito que um artista de talento começa a realmente mostrar todo o seu potencial quando começo a amadurecer pessoal e artisticamente, mesmo que seu começo não tenha sido exatamente o mais inspirado. Com Hello Heaven, Hello, o cantor YUNGBLUD parece que irá seguir por esse caminho.

Não apenas a melhor canções do cantor até o momento, o single é realmente uma grande canção que deve facilmente integrar as melhores do ano. Com cerca de nove minutos, a canção é uma inspirada, épica, refinada e madura art rock/britpop com influencias de glam rock e post-grunge com uma estrutura épica e um instrumental realmente impressionante. Quase como duas canções unidas por um fio bastante claro sonoro, Hello Heaven, Hello funciona perfeitamente do começo ao fim devido a condução magistral de uma produção que conseguiu entender a sonoridade base do Yungblud e, ao mesmo tempo, teve a capacidade de aprofunda-la de maneira desconcertante e inteligente. E o cantor segura perfeitamente em uma performance raivosa, emocional e completamente embebido na sua personalidade. Tenho que apontar que a composição ainda soa clichê e sem um aprofundamento temático que possa realmente acompanhar o mesmo nível da produção, mas a letra é um trabalho bem escrito e bem finalizado. Espero de verdade que a carreira do Yungblud possa seguir nessa mesma toada, pois acho que se continuar assim teremos um artista realmente em transformação artística.
nota: 8,5



25 de fevereiro de 2024

Maduro

When We Die (Can We Still Get High?) (feat. Lil Yachty)
YUNGBLUD

É bem interessante perceber que um artista ainda em começo de carreira está amadurecendo artisticamente e isso reflete em seus trabalhos novos. Assim vejo o atual momento da carreira do Yungblud com o lançamento da boa When We Die (Can We Still Get High?).


Tenho plena consciência que o britânico é visto como um verdadeiro caso de “ame-o ou odeio-o”, mas tenho simpatia por ele desde o lançamento da ótima The Funeral. Apesar de não ser melhor que a canção citada, o novo single mostra que o jovem está amadurecendo artisticamente ao entregar uma power balada pop rock com elementos de ssychedelic rock poderosa, surpreendente e, alguns momentos, devastadora. Não é exatamente criativa já que esse tipo de canção já foi feito na mesma toada centenas de vezes, mas When We Die (Can We Still Get High?) é sincera emocionalmente e com um instrumental primoroso, especialmente na parte final em que temos um poderoso solo de guitarra e um clímax sensacional. Vocalmente, Yungblud entrega uma ótima performance dentro do seu alcance vocal enquanto o Lil Yachty é uma boa surpresa, mesmo que sua participação não acrescente nada ao final da canção. Uma voz feminina poderia dar um contraste bem interessante caso fosse usada. De qualquer forma, a busca pela maturidade pode levar o Yungblud a começar a ganhar um respeito que muitos não tem pela sua carreira.
nota: 7,5

21 de junho de 2022

Nostalgia Na Medida Certa

The Funeral
YUNGBLUD


Existem algumas surpresas que realmente surgem do nada para arrancar um sincero sorriso dos meus lábios. E isso foi o caso de The Funeral do britânico YUNGBLUD.

Parte da nova geração que vem fazendo o emo pop/rock renascer, Dominic Richard Harrison, nome de batismo do cantor, pode até cair nos mesmos lugares comuns dos seus contemporâneos, mas tem em The Funeral uma prova cabal que pode ir bem além do esperado. Bebendo diretamente da fonte dos anos oitenta, a canção é uma deliciosa, surpreendente e viciante mistura de punk rock/pop, synthpop e new wave que tem como principal fonte de inspiração nomes como The Cure e Billy Idol. Na verdade, a canção parece uma homenagem/releitura de Dancing with Myself de Idol com um toque mais elétrico e moderninho, mas que não é tão na vista como no caso de Skin Of My Teeth. Entregando uma ótima performance sem precisar ser um grande cantor, YUNGBLUD tem na sombria, rebelde e divertida composição outro ponto alto da canção, especialmente no grudento e marcante refrão. Sabendo usar a nostalgia de forma correta, YUNGBLUD tem uma pérola em mãos que pode até ser a exceção, mas, felizmente, é um ótimo ponto fora da curva.
nota: 8