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4 de fevereiro de 2024

O Sample Que Saiu Pela Culatra

Whatever
Kygo & Ava Max


Não tem problema com o uso do sample quando é feito direito. Esse não é o caso de Whatever do DJ Kygo com a Ava Max.

Usando a base de Whenever, Wherever da Shakira, a canção perde a canção de criar algo divertido ao ser basicamente uma massificada EDM/house/dance-pop que parece feita em uma linha de produção que não agrega novo ou mesmo divertido para a canção. Parece que estamos escutando uma canção feita dezenas de vezes com a mesma batida, estrutura e melodia. O uso do sample que poderia ser o diferencial para dar personalidade fica diluído e completamente dispensável. Whatever tem, porém, alguma qualidade devido a performance segura da Ava Max que continua a estar em canções que estão aquém do seu talento. Um desperdício sem tamanho.
nota: 5,5

5 de junho de 2021

Potencial Viral

Gone Are The Days (with James Gillespie)
Kygo

Atualmente não é necessário que uma canção faça sucesso de cara ao ser lançada, pois com a ascensão de redes sociais como Instagram e, principalmente, o Tik Tok é possível que músicas se tornem sucesso depois de virarem virais. E vejo isso acontecendo com Gone Are The Days do DJ Kygo.

Dono de sucessos como It Ain't Me da Selena Gomez e o remix de Higher Love da Whitney Houston, o DJ norueguês entrega a sua canção mais madura em Gone Are The Days. Longe de farofadas, o single é uma sóbria power balada mid-tempo com base de piano que peca pela falta de originalidade, mas acerta na construção segura, densa e controlada. E não poderia ser diferente já que a composição narra o difícil fim de um amor que parece tocar em tópicos como, por exemplo, depressão e saúde mental. Bem escrita do começo ao fim, a canção tem um toque emocionante que ajuda a vendar para públicos que normalmente não consumiriam um trabalho do Kygo. Entretanto, o ponto principal de Gone Are The Days é excepcional performance do desconhecido James Gillespie que toda a montanha russa emocional que a composição necessita sem exageros e imprimindo a sua personalidade. Juntando todos esses elementos é fácil notar que caso a canção seja descoberta em um momento viral tem todas as chances para se tornar um sucesso comercial.
nota: 7

25 de agosto de 2020

Há Coisas Boas Em Ser Mediano

What's Love Got to Do with It
Kygo & Tina Turner

Depois da surpreendente versão remix de Higher Love com a voz da Whitney Houston, o DJ Kygo aposta em uma versão remix do clássico What's Love Got to Do with It. Dessa vez, porém, o resultado não passa de apenas mediano, mas, felizmente, existe uma ótima notícia: a volta aos holofotes da lendária Tina Turner.

Ao contrário do remix com a voz de Whitney de uma canção que originalmente foi lançada como bônus de um álbum nos anos oitenta e que quase ninguém conhecia, What's Love Got to Do with It é uma das canções mais conhecidas da mesma década, faturando os Grammys de Canção e Gravação do Ano. Além disso, a canção é uma das assinaturas da lendária carreira da Tina Turner ao fazer dela um dos maiores nomes da música mundial. Por isso, qualquer mudança no original aqui será sentida de forma profunda e significativa. E isso acontece nesse remix que não vai além de um mediano tropical house que qualquer DJ/produtor poderia entregar. Existe, porém, dois lados bons do remix What's Love Got to Do with It: o primeiro, Kygo não alterou a melodia icônica da canção e, também, não adicionou muitos efeitos vocais na voz de Tina, deixando quase como na versão original e, o segundo, o remix é a chance da Tina Turner voltar aos holofotes para uma nova geração ter a oportunidade de conhecer a lenda. E isso já é algo para celebrar.
notas
Remix: 6
Original: 10

10 de julho de 2019

Whitney Forever

Higher Love
Kygo & Whitney Houston

Lançamentos póstumos sempre terão a minha desconfiança, pois, normalmente, os mesmo são apenas verdadeiros caças níqueis para lucrar sobre a imagem do artista morto. Poucos trabalhos podem ser considerados bons nesse quesito e quase sempre são aqueles que o artista trabalhou intensamente antes da sua partida, deixando apenas certas partes inacabadas. Felizmente, a versão da canção Higher Love do Steve Winwood entoada pela eterna Whitney Houston remixada pelos DJ Kygo consegue fugir desses problemas sem grandes problemas.

O principal ponto que faz do lançamento algo válido é o fato que a gravação foi realmente gravada pela Whitney e, não, uma demo "achada" ou "esquecida" que ganhou um tratamento para ver a luz do dia. Na verdade, a versão original pode ser ouvida como bônus na versão japonesa do álbum I'm Your Baby Tonight de 1990. Então, não é nenhuma novidade, mas ganha um ar modernoso devido o trabalho de remixagem do Kygo. Na mãos do DJ, a canção se transformou em uma decente EDM/electropop que não acrescente em nada no gênero, mas acerta no quesito de maior importância: a voz de Whitney. No alto do seu infinito talento vocal, Higher Love é entoada de forma poderosa e primorosa e a produção sabe quais os momentos utilizar qualquer efeito vocal. Dessa forma, o público sente muito bem toda o talento vocal que a cantora possuía e a transformou em uma das vozes mais reconhecidas de todos os tempos. E, mesmo não sendo genial, Higher Love é um bom tributo a figura da cantora. 
nota: 7,5

11 de maio de 2018

Minhas Regras

Kids in Love (feat. The Night Game)
Kygo

Kids in Love
Maja Francis

Desde que eu criei o blog sempre tive o cuidado em "dar nomes aos bois", isto é, sempre creditar todas as músicas aos seus participantes de fato, sejam eles artistas e/ou compositores ou/e produtores. Pesquiso sempre as informações técnicas para não deixar pontos importantes passarem ou errar alguma coisa em relação a canção resenhada. Então, acredito que em alguns momentos posso tomar certa liberdade para, digamos, mudar as regras para uma música em particular. Esse é caso de Kids in Love do DJ Kygo e explico o por quê a seguir.

Lançada como single do seu álbum de mesmo nome no final do ano passado, Kids in Love é uma comum e quase chata demais EDM com pop rock, devido a participação da banda The Night Game, que parece ter saída de algum b-side de uma banda dos anos oitenta na sua versão remix. Até aí tudo bem, pois seria mais uma na multidão se não fosse pelo fato de conter uma verdadeira pérola escondida. Usada como backvocal para incrementar os vocais, a cantora Maja Francis resolveu lançar a sua versão solo para a canção. Então, Kids in Love é elevada de uma maneira impressionante.

A versão de Maja Francis pega a melodia e a letra apenas para reconstruir em uma eficiente e sensacional dream pop de uma delicadeza emocionante. Bem menos clichê e com uma batida que beira o minimalismo pop, a versão de Kids in Love não poderia ter a mesma força contra a sua original caso não fosse a presença de Maja. Dona de uma das vozes mais únicas que ouvi nos últimos tempos, a cantora é dona de uma timbre agudo e fino, mas que tem uma vibrato e uma presença muito interessantes. É a cantora que dá para a canção a emoção que a letra sobre primeiros amores merece, ajudando a dar mais substância para a canção. Longe de ser genial, a versão de Maja é a que deveria ser considerada a verdadeira versão de Kids in Love. Na verdade, aqui no blog será dessa maneira, pois a de Kygo é, a partir de agora, a "regravação".
notas
Maja Francis: 7,5
Kygo: 5,5