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12 de janeiro de 2025

Red Hot Squid Day Radiohead

Building 650
Squid

É interessante ver como o legado de grandes artistas refletem nas gerações que vieram após o seu surgimento. Mesmo com personalidade de sobra, a banda Squid mostra parte do que os fazem tão interessantes atualmente com a ótima Building 650.

Longe do ápice da banda, a canção é trabalho que tem a marca indiscutíveis deles ao ser uma arrojada, explosiva, adulta e refrescante mistura de art rock, post-punk/grunge e rock alternativo. Entretanto, a canção parece beber na fonte direta de três grandes nomes do rock: Red Hot Chili Peppers, o Green Day e, em menor grau, o Radiohead. Começa com certa essência dos primeiros, especialmente na áspera performance do vocalista Ollie Judge, passa por certa estrutura ouvida nos dias de glorias do segundo e termina com um toque de contemplação do terceiro. Em nenhum momento, porém, Building 650 se torna uma colcha de retalhos baratos, mas, sim, termina com uma canção extremamente sólida e com a personalidade do Squid bem exposta e delimitada. É um caminho curioso, mas que funciona devido a habilidade da banda em remendar perfeitamente todas essas influencias em uma canção que tem a cara e o DNA do Squid. 
nota: 8

7 de abril de 2024

O Redundante Maravilhoso

Fugue (Bin Song)
Squid


Nem sempre entregar mais do mesmo é uma coisa negativa. Ainda mais quando o nível é tão alto como são os trabalhos da banda Squid que entrega outro acerto em Fugue (Bin Song).

Dentro do nível médio da banda, a canção é uma das suas menos inspiradas devido a parecer não ter nada de realmente excitante ou novo que já não tínhamos vistos. Entretanto, a banda prova o tamanho do seu alcance ao entregar uma refinada e sólida como concreto jazz rock/art rock que não alcança o espaço sideral, mas plana além das nuvens. Acredito que o grande trunfo Fugue (Bin Song) é a sempre impressionante instrumentalização que é a marca básica da banda. Existe um cuidado na construção complexa de todos os arranjos que mesmo que a canção não seja como um todo genial sempre haverá genialidade nesse quesito em algum momento. E o Squid acerta até quando não acerta.
nota: 8



21 de outubro de 2023

Colosso Livre

Undergrowth
Squid


Depois de um começo “contido” para promoção do novo álbum com o lançamento de Swing (In A Dream), o Squid aciona o detonador para entregar a esplendorosa Undergrowth.

Apesar de ser uma das canções sonoramente mais lineares, deixando um pouco de lado a profusão cacofônica, a banda entrega um verdadeiro colosso instrumental ao erguer um verdadeiro colosso. Misturando art rock, funk, punk e toques de experimental, Undergrowth é uma canção pegajosa, grandiosa, apurada, ácida e transcendental que com seus mais de seis minutos e meio vai nos levando em uma jornada interrupta que não tem não grandes altos ou arrombos de tirar o folego, mas que conquista pela viagem do que exatamente pela chegada. A performance Ollie Judge também tem essas mesmas características ao deixar o seu entorno falar mais que a sua própria presença. Talvez a composição seja o ponto baixo em Undergrowth, pois não tem uma conexão tão rápida e profunda que outras canções da banda. Entretanto, o resultado final da canção é tão impressionante que isso fica meio de lado ao frigir dos ovos. E assim o Squid continua a ser uma banda simplesmente colossal.
nota: 8,5

7 de abril de 2023

Um Colosso Imperfeito

Swing (In A Dream)
Squid

Uma das melhores bandas surgidas nos últimos tempos, o Squid se prepara para o lançamento do sempre decisivo segundo álbum intitulado O Monolith. E como primeiro single foi lançada Swing (In A Dream).

É necessário dizer que se comparando com os lançamentos dos singles do álbum anterior, especialmente a genial Narrator, a canção perde certo impacto devido a não ter a mesma força descomunal. Swing (In A Dream) é, dentro da discografia da banda, um trabalho mais modesto sonoramente. Isso não quer dizer que não seja algo no mínimo sensacional. O seu instrumental intricado, energético e texturizado é de uma qualidade impecável ao ter a construção de belíssimas nuances de jazz que adicionam um verniz maduro estupendo para a explosiva mistura de post-punk e art rock que a banda vendo desenvolvendo de maneira impecável. Talvez o ponto que Swing (In A Dream) peque de verdade é na sua boa, mas reduzida e levemente insonsa composição. A banda já mostrou que é capaz de entregar letras “soco na cara” com a mesma estrutura, deixando o single um pouco menos impressionante. Felizmente, Squid prova que consegue criar uma canção espetacular até mesmo quando é imperfeita.
nota: 8

10 de outubro de 2021

As Loucas Aventuras do Squid

Paddling
Squid

Em Paddling, single de Bright Green Field, a banda Squid parece querer fazer o publico entrar em um transe hipnótico que ajuda a entender toda a grandiosidade da sonoridade da banda.

Com um pouco mais de seis minutos, Paddling é uma mistura bem azeitada, rica, eletrizante e impressionante de rock, punk, indie rock e toques de rock industrial que poderia desandar em uma suruba sem sentido, mas, felizmente, ganha um corpo extremamente bem definido devido a extraordinária instrumentalização. Boa parte da qualidade vem da segura e forte produção de Dan Carey que consegue manter tudo no rumo certo quando parece que vai descambar para algo que passa a linha da exploração sonora para o ruído indesejado. E mesmo não sendo a melhor faixa do álbum, Paddling é o tipo de canção que conquista de forma irremediável.
nota: 8,5

12 de fevereiro de 2021

New Faces Apresenta: Squid

Narrator
Squid & Martha Skye Murphy


Descobrir novos nomes para resenha aqui no blog é algo que nos últimos anos parece ter ficado preso a artistas pop, pois quando encontro algum artista que foge desse nicho, o mesmo já está bem longe de ser chamado de “new face”. Todavia, o artista de hoje consegue se enquadrar fora do eixo pop e, também, ser um novo nome a ser realmente descoberto. Formada em 2017, a banda britânica Squid irá lançar o primeiro álbum esse ano e como single foi lançada a sensacional Narrator.

É melhor dizer que o som da banda não é para qualquer um, pois o Squid é uma banda de post-punk nada comercial. Entretanto, tirando esse pequeno obstáculo, Narrator é uma viagem densa, complexa e inesquecível que irá mexer sentidos de vários níveis. Na sua versão original, o single tem quase oito minutos e meio de uma construção que mistura post-punk, toques de post-disco, funk e rock alternativo para criar uma jornada psicodélica, surpreendente e inesperada que começa em um caminho para chegar em outro completamente diferente e, queridos leitores, apoteoticamente genial. Especialmente a sua parte final em que o arranjo dá uma quinada sombria e de uma força descomunal. O vocalista Ollie Judge é como um anfitrião que vai enlouquecendo em uma crônica sobre sentimentos cruéis e completamente confusos que tem a contraparte a presença da cantora Martha Skye Murphy em passagens realmente significativas sem precisar ser um verdadeiro dueto. Espero que Narrator não seja apenas um lapso de genialidade, mas que o Squid repita a qualidade no seu promissor álbum de estreia.
nota: 8,5