10 de fevereiro de 2014

Dancing On My Own

Crying for No Reason
Katy B


Desde que a Robyn lançou a já clássica Dancing On My Own foi inaugurado um sub-estilo no pop: o dance pop para corações machucados. Se encaixando nessa categoria está o novo single da inglesa Katy B, a sensacional Crying for No Reason.

Assim como na canção de Robyn o foco não está centralmente na produção, mas o grande destaque de Crying for No Reason é sua preciosa composição. Aqui Katy faz um sincero e melancólico pedido de desculpas a quem ela magoou. Só que mais que apenas se desculpar a letra mostra toda a jornada dentro da mente da autora em que releva toda a culpa que sente. Um trabalho realmente tocante. Claro, se a canção fosse uma balada tradicional o efeito da composição poderia ser esvaziado, mas o produtor Geeneus dá para a produção um arranjo surpreende ao saber pesar dosar toda a emoção já estabelecida com um arranjo comovente seja pela força ou por se dançante sem cair em armadilhas como, por exemplo, se tornar uma "farofa". Katy canta Crying for No Reason de maneira tão delicada e ao mesmo tempo mostrando tanta emoção que fica difícil não se deixar levar pela voz dela. E assim dançar sozinho e chorando ao mesmo tempo.
nota: 8

8 de fevereiro de 2014

Em Pé de Novo

Talk Dirty (feat. 2 Chainz)
Jason Derulo


Não é só fisicamente que o Jason Derulo está se colocando em pé novamente. O cantor está conseguindo emplacar mundialmente a canção Talk Dirty que já alcançou o número seis na Billboard.

O single não é a sétima maravilha do mundo, mas tem algumas qualidades. A produção acerta em cheio em dar para a canção um verniz mais ousado fazendo uma canção dançante, mas original ao colocar boas pitadas de funk ao melhor estilo James Brown. Apesar disso, Talk Dirty se perde na sua machista composição que não saí do esquema de falar de sexo de maneira rasa e boba. O ápice da falta de delicadeza é o rap do 2 Chainz. Completamente dispensável. Se ao menos fosse outra composição Talk Dirty poderia se bem mais interessante.
nota: 6

7 de fevereiro de 2014

Primeira Impressão

Dirty Gold
Angel Haze


Descobrir artistas novos é uma das coisas que me faz ainda continuar a acreditar na força da música. A última que "caiu" no meu colo foi a rapper americana Angel Haze.

Depois de cair nas graças da critica com o lançamento de algumas mixtape, Angel assinou um contrato com a Universal. Só que para o lançamento do seu álbum debut ela entrou um conflito com os executivos da gravadora sobre a data de lançamento. Então, depois de uma séria de mensagens no Twitter mostrando a seu desapontamento Angel resolveu "vazar" o próprio álbum no finalzinho do ano passado, quase três meses da data oficial. Com isso, o lançamento de Dirty Gold foi adiantado para 30 de Dezembro. As vendas nos Estados Unidos chegaram ao "incrível" vendagem de menos de 1 mil cópias e nem apareceu na Bilboard 200. Infelizmente, esse número não reflete no potencial que podemos ouvir no trabalho de Angel Haze no álbum.

Dirty Gold é um álbum que poderia ser genial, mas se perde em certos momentos quando perde a oportunidade de sair do lugar seguro e deixar Angel brilhar como deveria. Porém, isso não quer dizer que Angel não consiga  deixar sua marca. Como rapper ela é uma força que dever ser reconhecida. Seguindo um caminho mais tradicional tendo como influência nomes como Eminem e Kanye West, Angel entrega performances sólidas ao longo de todo o álbum. Há uma força primaria na forma como ela faz "diz" as palavras que consegue cativar quem ouve convencendo do talento dela. As composições são boas como um todo, mas não há momentos de puro brilhantismo seja na forma em que as palavras são colocados ou nos temas que Angel discorre sendo entre eles amor, religião e a sua própria vida como os problemas com sua mãe. Não há, porém, momentos fracos só que faltou elementos mais poderosos para incrementar as canções como, por exemplo, a boa Angels & Airwaves. O maior problema enfrentado por Angel são as produções que caminham no toada que parece faltou ousadia para dar para Dirty Gold uma sonoridade mais conceitual e menos previsível. A parceira em Battle Cry com a cantora/compositora Sia é boa, mas parece faixa feita para tocar nas rádios e fazer Angel estourar no mainstream. Uma pena já que boas canções como Echelon (It's My Way), Black Synagogue e Black Dahlia poderiam ser momentos inesquecíveis. Um momento em que é possível captar as possibilidades da sonoridade de Angel é a canção New York incluída na versão deluxe. Ainda no começo da carreira Angel ainda pode se tornar a rapper que ela tem a capacidade de se tornar. Só o tempo dirá.

6 de fevereiro de 2014

O Curioso Caso de Um DJ

Hey Brother
Avicii


O DJ/produtor Avicii é um cara curioso. Depois de emplacar o sucesso Wake Me Up, um dos singles lançados do seu álbum True segue o mesmo esquema: country pop/eletrônico. O mais curioso ainda para o Avicii é que Hey Brother mantém a qualidade sem mudar a direção do que o DJ fez com Wake Me Up, mas com qualidades únicas.

A voz da canção é cantor de bluegrass Dan Tyminski. Isso dá para o single uma dimensão diferente ajudando a fazer a fusão entre estilos parecer ainda mais natural. Além disso, a voz marcante de Dan aliada com a sua ótima interpretação dão um tom bem forte para a canção sem precisar utilizar nenhum recurso vocal. A produção Avicii é um trabalho interessante no momento que não dá espaço para nenhuma das influências se sobressair dosando tudo em um arranjo inspirado. Outra característica extremamente positiva é a composição que pega o elemento emocional para construir uma letra com uma mensagem realmente positiva. Resumidamente: precisamos de mais cara curiosos como o Avicii.
nota: 8

5 de fevereiro de 2014

Era Uma Vez uma Canção da Disney

Once Upon A Dream
Lana Del Rey


Em um passado não muito distante havia um mundo encantado de princesas, príncipes, fada e, por que não, bruxas malvadas construídos para acalentar gerações com toda a magia possível que poderia ser "reimaginada" pelos estúdios Disney. Anos se passaram, as crianças não são mais as mesmas e parece que há uma urgência em apresentar para esse novo público todas as histórias que fizeram a alegria de seus avós décadas atrás. Mais ou menos assim é a ideia que parte o mais novo filme da Disney Malévola estrelado por Anjelina Jolie e que pretende contar a história da Bela Adormecida pela visão da bruxa má. Para "embalar" essa versão foi convocada a cantora Lana Del Rey para fazer um cover de Once Upon A Dream que é uma das canções originais do filme de 1959.

A nova versão não consegue apagar o versão original, mas o trabalho de produção aqui consegue dá o tom perfeito para o que pretende ser o novo filme. A atmosfera de Once Upon A Dream com Lana é uma mistura de fantasia com um lado sombrio bem elaborado se fundindo com o estilo da cantora criando um trabalho perfeito para ser tema da nova visão de A Bela Adormecida. Só que o que realmente carrega a canção são os vocais estilizados de Lana que lembram uma gravação dos anos quarenta/cinquenta. Além disso, a performance contida dela mostra as nuances de sua voz dando personalidade para a faixa. Não é a reinvenção da roda, mas para os parâmetros de qualidade Disney já uma evolução.
nota: 7

4 de fevereiro de 2014

A Garota do Momento

Team
Lorde

Depois das duas vitórias no Grammy ninguém pode negar que neozelandesa Lorde é a "garota do momento". E se não bastasse todo esse buzz causado pelo sucesso de Royals, Lorde consegui emplacar
mais um single do seu álbum Pure Heroine a canção Team.

O single começa com uma "introdução" minimalista ressaltando apenas a voz de Lorde e vai crescendo aos poucos com a adição do arranjo. Esse começo já seria o suficiente para Team, pois é tão impactante e marcante que o resto da canção parece quase dispensável apesar de ser um trabalho muito bom. Lorde continua a procurar seu espaço no que se diz a respeito a quem é ela como cantora, mas aqui ela entrega um pouco do que ela pode conseguir ao longo do ganho anos e com o acumulo de experiência. A composição é um tributo interessante ao país de origem de Lorde e aos seus amigos mostrando a sua versão mais urbana e "mundana" da sua própria realidade. Bem construída e com refrão viciante. A produção acerta na atmosfera mais "animada" sem perder a direção da sonoridade criada para Lorde. Se Lorde ainda será a "garota do momento" daqui alguns anos apenas o tempo dirá, mas ela está pavimento o caminho direitinho para isso.
nota: 7,5

3 de fevereiro de 2014

Faixa Por Faixa

CD: Stronger
Artista: Kelly Clarkson
Gênero: Pop rock
Vendagem: Cerca de 1,8 milhão de cópias
Singles/Peak na Billboard: Mr. Know It All (10°), Stronger (What Doesn't Kill You) (1°) e Dark Side (42°).
Grammy
Vitórias

2013
Best Pop Vocal Album

Indicações
2013
Record of the Year e Best Pop Solo Performance (Stronger (What Doesn't Kill You))

Ano: 2011


1 de fevereiro de 2014

Primeira Impressão

The River & the Thread
Rosanne Cash


Nem sempre filho de peixe é peixinho, mas quando a maçã cai perto da arvore de origem podemos ter uma grata surpresa. A cantora country americana Rosanne Cash é filha da lenda Johnny Cash. Com uma carreira com mais de trinta anos é a prova viva que talento pode ser transmitido por DNA. Seu último, e sensacional, álbum The River & the Thread foi lançado no começo do mês comprovando minha teoria.

The River & the Thread tem como a sua principal qualidade as composições de Rosanne e o produtor do álbum John Leventhal. Falando sobre as viagens no Sul dos Estados Unidos, Rosanne discorre habilmente sobre as idas e vindas, as saudades, as jornadas físicas, mentais e espirituais que todos fazem em algum momento da vida. Usando de suas próprias experiências pessoais a cantora consegue tocar diretamente no coração de qualquer um em qualquer lugar já que todos os sentimentos mostrados são reais e  universais. Além disso, a excelência que as letras são construidas mostra o cuidado em criar momentos de verdadeira poesia como nas belíssimas Etta’s Tune ou em The Long Way Home. A produção faz de The River & the Thread um excepcional álbum de country com uma direção mais tradicional e com influências de folk, blues e um pouco de rock. Mesmo seguindo certa linearidade sonora com a maioria das canções em uma mesma toada o trabalho de produção é primoroso na adição de nuances perfeitas dando a personalidade necessária para cada música. Porém, The River & the Thread não são para todos os gostos já que o country não é tão apreciado abaixo da linha do Equador. Vocalmente, Rosanne não lembra nada a voz cavernosa e poderosa de seu pai sendo bem contida, doce e delicada. Mesmo assim consegue transmitir toda a imensidão de sentimentos em performances emocionantes como em Night School ou Tell Heaven.  Um álbum para quem realmente gosta de música boa. E uma ótima plataforma para conhecer mais do trabalho de Rosanne e de seu pai (esse sendo simplesmente obrigatório para fãs de música).