7 de junho de 2020

Primeira Impressão

Mundo Novo
Mahmundi

Rewind 1

Primeira Impressão

Mahmundi
Mahmundi


Existe luz na escuridão. Essa é uma das verdades sobre a vida, mesmo que muitos não possam acreditar. E no meio do atual situação do cenário mainstream musical brasileiro ainda existe coisas que são realmente boas e, principalmente, completamente diferentes do que está em alta. Claro, há a necessidade de "cavar" um pouco para descobrir, mas a recompensa pode ser tão agradável como o conhecer a carioca Marcela Vale, conhecida artisticamente como Mahmundi.

Depois de ganhar destaque perante a critica especializada quando lançou de forma independente o seu primeiro EP em 2012. Venceu alguns prêmios como, por exemplo, o Prêmio Multishow de Música em 2014 com a música Sentimento. Esse ano a jovem, que já foi técnica de Áudio no Circo Voador, lançou o seu primeiro álbum que leva o seu nome artístico. Mahmundi é uma pequena perola musical que, mesmo com alguns erros, mostra que o MPB ainda tem novos nomes para carregar o seu legado. 

Mahmundi tem uma deliciosa e revigorante sonoridade MPB vintage que busca a sua principal fontes de inspiração no que foi feito na metade nos oitenta e começo dos anos noventa. Tanto é que as suas músicas foram comparadas com o da Marina Lima e do Guilherme Arantes, que tinham uma atmosfera que sempre parecia invocar um dia na praia que acaba com um luau regado a refrescantes bebidas envolta da lareira. A adição de sintetizadores é o principal direcionador para essa sensação, mas a cadencia lenta e as influências de New Wave, pop e música eletrônica colaboram para a construção dessa sonoridade. Nas mãos de Mahmundi o resultado é muito interessante, pois não soa como uma mera cópia mal ajambrada e, sim, uma revitalização decente desse estilo que marcou uma época. Além disso, o MPB de Mahmundi não sofre com o problema de ter parado no tempo. Na verdade, o álbum consegue ter esse toque old e manter uma atmosfera moderna e refrescante. Produzido pela própria cantora com supervisão do Miranda, conhecido por ser jurados de vários programas de música na TV, o álbum conta com uma ótima instrumentalização que resulta em um resultado extremamente profissional que se mostra bem superior à muitos artistas novos. Claro, isso tem haver com a falta de recursos e de apoio que esse outros artistas enfrentam, mas Mahmundi parece ser mais do que apenas "dinheiro": existe uma sensibilidade melódica impressionante que ajuda a pavimentar o talento da jovem. 

O problema, porém, é que a sonoridade de Mahmundi ainda precisa ser "cozinhada" mais tempo nesse caldeirão de referências para dar mais sabor e consistência, deixando de lado a linearidade vista nesse álbum que deixa-o um pouco arrastado. Além disso, uma ousadia aqui é ali também viria a calhar, principalmente, nas suas composições. Não há dúvidas que a jovem é uma compositora talentosa e com ideias bem executadas, mas falta ainda um toque especial para elevar os seus trabalhos. Talvez maturidade artística que vem com o tempo seja o melhor remédio. Todavia, não existe nenhum problema com a doce, envolvente e carismática de Mahmundi que é quase uma brisa fria em um dia quente. Ente as melhores faixas do trabalho estão Meu Amor, Calor do Amor, Quase Sempre, Sentimento e, a melhor de todas, Azul. Mahmundi é uma luz na escuridão, mas um luz tão brilhante que chega a dar esperança no futuro da MPB.


Rewind 2


Primeira Impressão

Para Dias Ruins
Mahmundi


Existe uma regra que é uma das mais antigas aqui no blog que deveria ser mais bem absorvida pelo público em geral: sucesso não é sinônimo de qualidade e qualidade nem sempre terá o sucesso que merece. Medir um álbum apenas pelas suas vendagens e desempenho dos singles é a mesma coisa que avaliar uma receita pela beleza do prato que está sendo servida. E é por isso que muita coisa boa produzida atualmente no Brasil passa meio de despercebido por boa parte do público que parece ter olhos apenas para o que está em alta, perdendo pérolas como é o caso da cantora Mahmundi que lançou o seu ótimo segundo álbum intitulado Para Dias Ruins.

Depois de lançar o seu primeiro e muito bem recebido primeiro álbum em 2016, Mahmundi ainda não encontrou exatamente o sucesso comercial e ainda está "presa" em um nicho conhecido por um número restrito do público. E isso nem é algo ruim para a carreira da jovem cantora, pois a qualidade de Para Dias Ruins supera qualquer falta de sucesso comercial. E o melhor: a cantora solidifica fortemente a sua sonoridade sem perder o bonde da evolução. Fazendo uma sonoridade que quase ninguém faz nos dias de hoje, Mahmundi entrega um delicioso e luminoso trabalho new wave, R&B, pop e MPB em uma atmosfera que remete aos anos oitenta e os trabalhos da Marina Lima e Guilherme Arantes. Sem ir muito longe do que apresentou no álbum anterior, mas aprimorando o principal motivo de critica até então que era a linearidade das canções. Em Para Dias Ruins, a diversidade sonora é melhor trabalho, criando um álbum mais rico e com cada canção tendo personalidade própria. Ainda não é um álbum genial, mas a produção refinadíssima e e de uma maturidade atípica para o atual cenário musical nacional é uma cereja redonda e suculenta em cima do álbum. 

Gostoso de ouvir do começo ao fim, Para Dias Ruins é o tipo de álbum que conquista rápido, mas fica na nossa lembrança por muito tempo devido a sua sincera e simples temática central. Falando de amor e amar, Mahmundi entrega letras tão fofas e bonitinhas que fica difícil de não cantarolar por aí algumas das canções, ainda mais combinadas com as carismáticas melodias compostas. Ainda falta mais aprofundamento nas letras como um geral para elevar as mesmas, mas cada uma é um verdadeiro acerto de forma e conteúdo, transformando a cantora em uma das melhores artistas contemporâneas no Brasil. Dona de uma voz tão delicada e linda como a pétala de rosa, Mahmundi carrega cada canção com simpatia e carisma tão próprio que consegue criar uma empatia quase instantânea com o público. Como dito anteriormente, Para Dias Ruins é um álbum tão gostoso que é fácil de ouvir do começo ao fim, mas existem alguns destaques a synthpop/R&B Outono, a romântica MPB pop Tempo Pra Amar, a delicinha Vibra e a quase bossa nova com toques de pop Eu Quero Ser O Mar. Os maiores destaques do álbum ficam por conta da balada pop acústica As Voltas e dançante e suculenta R&B/dancepop/hip hop Imagem. Feito para se ouvir em qualquer ocasião de dias bons ou ruins, o álbum prova que sucesso comercial deveria ser algo deixado em segundo plano para o reconhecimento de artistas tão bons como é o caso de Mahmundi.

5 de junho de 2020

Rewind

Como parte da Black Artists Weeks decide criar esse especial para resgatar canções e álbuns de artistas negros que precisam ser relembrados devido a sua importância atemporal. Começo com uma canção que já tem o seu lugar no panteão de grande hinos apesar de ter sido lançada apenas há dois anos.


Baseado em Fatos Reais

This Is America
Childish Gambino

"Como você pode ser um artista e não refletir os tempos?". Essa é uma das frases mais celebres de uma das maiores artistas de todos os tempos: a lendária Nina Simone. Em um momento da história em que o passado parece continuar a repetir no presente, essa frase nunca foi mais verdadeira e atual. Felizmente, ainda existem artistas que seguem essa quase lei universal como é caso do Childish Gambino ao lançar a espetacular This Is America.

Para quem não se lembra, Childish Gambino é o pseudônimo/alter-ego do ator/diretor/roteirista/produtor/comediante/rapper/cantor/compositor e criador da aclamada série Atlanta Donald Glover. Resumidamente: o cara do momento. Recentemente, durante uma apresentação sua no programa Saturday Night Live, Childish Gambino lançou o single This Is America, quebrando a internet em pouco tempo ao ser o tapa de luva na cara da sociedade que a mesma estava precisando já tem algum tempo. 

Refletindo pesadamente sobre a atual sociedade americana, This Is America é uma obra que já pode ser considerada atemporal. Primeiramente, o cometário social na sua debochada, ácida, inteligente e pontual composição é algo que deixa um gosto amargo na boca, mas assim com um remédio é necessário para a gente refletir profundamente sobre a atual situação da sociedade não só americana, mas, também, de outros países como o nosso Brasil. O melhor, porém, é que as indiretas não são apenas para um ou outro lado, mas, na verdade, This Is America é uma metralhadora para todos os lado sem dó e nem piedade. E a canção nem precisa de intrigadas e complexas construções sintáticas para alcançar tal feito. Em segundo, trabalhada como se fosse uma peça de artesanato musical, This Is America é uma sensacional trap riquíssima com influência de gospel e indie, sendo ornamentada por nuances, texturas e mudanças sonoras que ajuda a criar uma sensação de desordem e tumulto que combina perfeitamente com o genial clipe se transformou em uma parte importante do impacto cultural que This Is America já está alcançando. Forte candidata em vencer os prêmios de música e clipe do ano, This Is America é uma das canções que já podem entrar para a posterioridade imediatamente, ajudando a colocar Donald Glover/Childish Gambino mais perto de se tornar um dos maiores artistas de todos os tempos.
nota: 8,5

Curto e Grosso

CUTIE PIE!
JPEGMAFIA

Acredito que não seja segredo para ninguém que um dos principais gêneros musicais que expressam a voz da comunidade negra é o rap. Uma pena, porém, que em questão de qualidade, o atual cenário seja tão discutível. Felizmente, ao analisar com mais cuidado, sempre há ótimos nomes para descobrir e admirar como é caso do rapper JPEGMAFIA. É um bom lugar para começar é ótimo single CUTIE PIE!.

Com menos de dois minutos e meio, JPEGMAFIA consegue entregar uma canção tão complexa sonoramente que realmente deixa na poeira a maioria dos artistas mainstream no topo das paradas seja qual for o gênero. Começando com uma batida direta, consistente e com uma pegada do hip hop/rap dos anos oitenta para desaguar de forma natural e orgânica em uma interessante psicodelia que mistura funk com música eletrônico, CUTIE PIE! é um trabalho revigorante e de uma inteligência de produção impressionante. Com um flow curto e grosso, o rapper entrega uma performance de uma força calculadamente contida sem precisar recorrer a efeitos vocais para dar personalidade. Seria tão auspicioso ouvir novamente canções como CUTIE PIE! fazendo sucesso comercial. Quem sabe as coisas não mudam nos próximos tempos.
nota: 8

Iza Internacional

Let Me Be The One
IZA & Maejor

Acredito que está bem claro que a IZA tem todo o potencial para uma carreira internacional que fuja completamente dos esteriótipos que existem quando um artista brasileiro começa a trilhar essa estrada. A canção Let Me Be The One é uma possibilidade válida para o que pode ser a sonoridade da cantora no mercado internacional.

Canção tema da campanha #BeTheOne da ONU e da Fundação Humanity Lab para dar visibilidade para refugiados, Let Me Be The One é uma simpática reggae/pop que consegue envolver sem maiores percalços, mas sem exatamente marcar quem ouve. O que realmente ajuda a canção a ter destaque é a presença iluminada da Iza em uma performance segura, elegante e deliciosa. A brasileira rouba a cena, mesmo com a presença sólida do rapper americano Maejor. Colocando todo o seu carisma de forma esplendorosa, Iza parece entender qual caminho deve seguir para se torna a verdadeira diva brasileira a estourar mundialmente. Fé que esse será o seu futuro.
nota: 7

4 de junho de 2020

Primeira Impressão

Heaven To a Tortured Mind
Yves Tumor

Black Artists Weeks

Decidi que essa semana e a próxima serão dedicadas para a ressaltar e exaltar apenas artistas negros nacionais e internacionais. Com a minha pequena e modesta plataforma irei jogar luz em artistas atuais e/ou atemporais que ajudam a criar as inúmeras vozes da comunidade negra através da música. Espero que gostem e lembrem-se: #VIDASNEGRASIMPORTAM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!