31 de maio de 2013

Os Fantasmas do Passado de Kelly

Dirty Laundry
Kelly Rowland


Todos que acompanham a trajetória da Kelly Rowland sabem qual é o motivo da carreira dela nunca deslanchou de verdade: Beyoncé. Não importa como tudo foi orquestrado nas carreiras solos delas, principalmente bem no começo, o que interessa é que essa dinâmica afetou muito Kelly que sempre foi deixada de lado a fazendo uma artista de "segundo escalão". O que ninguém sabia até hoje era como são os sentimentos de Kelly em relação a todo isso. Até hoje, já que em Dirty Laundry Kelly abre o coração e entrega uma canção estupenda ao falar sem medo de expor sentimentos densos e multifacetados. Ainda mais se levarmos em conta que estamos diante de uma artista inserida em uma indústria que vive de
aparências e quanto mais bela a fachada é, melhor.

Segundo single do próximo álbum de Kelly, Talk a Good Game, Dirty Laundry é um desabafo sobre o que parece ter sido o pior período da vida dela: logo após o sucesso inicial da carreira solo da Beyoncé com ela tentando lidar em ser a "sombra" da irmã. Kelly fala abertamente da sensação de ser preterida e tentar lidar com a mistura de sentimentos estando feliz pelas conquistas da "irmã" e ao mesmo tempo inveja pelas mesmas conquistas. Contudo, como se diz aqui no interior: o buraco é bem mais embaixo. Dirty Laundry também é sobre um relacionamento abusivo que ela vivenciou na mesma época e como isso afetou sua vida, em especial sua relação com a Beyoncé. Fica claro que Kelly sofreu abusos psicológicos e físicos do namorado da época (especulações falam do ex-jogador de futebol americano Roy Williams, mas ele nega). Muito dos problemas emocionais que Kelly passou em relação a gangorra emocional com Bey foi devido a esses abusos emocionais do namorado (ela afirma que ele dizia que ninguém a amava, principalmente a "irmã") combinado com os físicos gerou uma bomba que poderia ter destruído a vida de Kelly, mas ela conseguiu superar e, eu acredito que Dirty Laundry, é a coroação dessa volta por cima.

Como escrevi antes, só da coragem de Kelly em fazer e lançar uma canção tão pessoa já é motivo de admiração, mas Dirty Laundry não se apóia em um desabafo. Com a carga emocional mais que presente, a composição se mostra um trabalho técnico sensacional sabendo unir toda essa força com uma construção primorosa e escolhas simples e poderosas para expressar exatamente sentimentos tão duros e íntimos. A produção do The-Dream é inspirada: um down-tempo R&B com uma batida crua que sem mostra perfeita para criar uma atmosfera intimista, mas sem perder a qualidade instrumental com um belo piano ao fundo. A performance de Kelly é magistral sempre contida, mas com uma carga emocional que podemos sentir em cada modulação. Com Dirty Laundry, Kelly teve que voltar ao inicio da carreira solo tanto musicalmente, quanto pessoalmente para fazer a melhor música da sua carreira.
nota: 8,5

Primeira Impressão

Side Effects of You
Fantasia

Entre os centenas de ex-American Idol's, em especial entre os vencedores, uma das mais interessantes e não valorizadas é a vencedora da terceira edição Fantasia. Contudo, ela foi ofuscada pela Jennifer Hudson depois do programa que, curiosamente, foi eliminada na época pela própria Fantasia. Com uma história de vida antes e depois do reality com altos e baixos e uma personalidade bastantes forte, o que mais chama atenção nela é a sua qualidade artística e sua voz única e completamente diferente.Uma boa amostra disso está no álbum lançado por ela recentemente, Side Effects of You.

Quarto álbum da carreira dela desde que venceu o American Idol, Side Effects of You tem como um dos trunfos a postura firme de Fantasia em se manter fiel ao estilo que a consagrou: o R&B. Em um atual cenário aonde qualquer um venda a alma para uma "farofa pronta" para conseguir se manter relevante, a cantora mostra personalidade em continuar "insistindo" em um estilo com pouco repercussão de mercado. Com apenas um produtor para quase todas as faixas (Harmony Samuels que vem ganhando notoriedade no meio nos últimos anos), Side Effects of You mostra uma sonoridade sólida e bem executada, embora sofra com alguns momentos não tão inspirados como poderiam ser. Com algumas pitadas de hip hop e outros estilos ligado ao soul aqui e ali, o produto ajuda a construir um álbum bastante coeso que é levado a vida pelas performances de Fantasia. Não basta apenas uma voz como a dela, apesar de ajudar bastante, mas é necessário habilidade de interprete para conseguir passar emoção verdadeira. Isso Fantasia tem de sobra. A cantora é o que se chama de "contadora de história": por trás de sua voz a gente consegue sentir toda a carga emocional que a cantora já passou positivamente e negativamente e, o mais importante, ela usa toda essa experiência para encher a canção de verdade seja qual for o tema. Basicamente falando sobre amor e corações partidos, Fantasia dá contornos mais emocionais e verdadeiros mesmo com algumas composições sendo um pouco genéricas. O mais curioso é que a melhor canção é a única que não é produzida por Samuels: Side Effects of You que dá nome ao álbum é uma produção de Naughty Boy com composição da inglesa Emeli Sandé. A faixa é uma ótima balada R&B que desconstrói clichês tanto na produção quanto na composição se encaixando perfeitamente em uma performance sensacional da cantora. Ainda também há a dançante old-fshion Get It Right, as R&B/hip hop Supernatural Love e Without Me com a Kelly Rowland e Missy Elliott e Lose to Win com uma vibe oitentista. Uma álbum que não é perfeito, mas que mostra o talento de uma artista que sabe se valorizar sem precisar de artifícios "sujos" para isso.

2 Por 1 - Fantasia

Lose to Win
Without Me (feat. Kelly Rowland & Missy Elliott)
Fantasia


Primeiro single do álbum Side Effects of You, Lose to Win se apropria da canção Nightshift de 1985 do grupo de soul The Commodores e sua atmosfera dos anos oitenta. Isso poderia dar muito errado se Lose to Win ficasse com uma cara datada, mas a produção acerta ao modernizar a elegante batida sem perder sua essência. A boa composição fala sobre aquele ponto quando descobrimos que a pessoa amada não nos ama da mesma maneira e, então, tomamos consciência que chegou a hora de seguir em frente. Acompanhada da performance contida, mas pontual de Fantasia Lose to Win tem cara de vencedor de Grammy na categoria R&B.

Como segundo single foi lançado a canção Without Me. O único do problema da canção é que ele poderia ter tirado mais da união das três artistas (Fantasia, Rowland e Missy) que são ótimas. Tirando isso, as atuações delas são boas e compatíveis com a interessante produção que mistura R&B com hip hop em uma cadência lenta e bem urbana que dá bastante personalidade para a canção. O grande destaque é a composição honesta que fala o que muita gente queria falar para aquela pessoa que a gente ajudou e não deu valor: sem mim, você não seria nada. Claro, a canção até poderia ter sido melhor, mas é um presente para quem gosta de um bom R&B.

nota
Lose to Win: 8
Without Me: 7,5

30 de maio de 2013

Uma Escolha

Jump Right In
Zac Brown Band 

Com tantas músicas boas no álbum Uncaged qual será o motivo que a banda country Zac Brown Band escolheu uma das canções menos inspirada para o terceiro single?

Jump Right In é uma "feel goood song" misturando country com toques de música caribenha que dá o toque despretensioso para a canção. A produção é até boa, mas não é tão boa como a banda costuma entregar. A composição sobre se divertir se mostra assim da média só que não escapa de cair de cair em vários momentos genéricos como o uso de "la la la la" e outros clichês. Uma pena que essa tenha sido a escolha para single. Quem sabe na próxima?
nota: 6,5

29 de maio de 2013

Primeira Impressão

Random Access Memories
Daft Punk

Falei recentemente sobre o quanto drástico pode ser a reação de diferentes críticos sobre um determinado trabalho. Naquela ocasião (nesse caso o Primeira Impressão do álbum da cantora Dido) comentei que ao contrário da recepção da maioria dos critícos especializados, eu iria dar uma posição bastante positiva sobre o CD. Mais uma vez esse desencontro entre visões vai acontecer. Só que vai ser ao contrario. O tão alarmado novo álbum do duo de DJ's franceses Daft Punk, Random Access Memories vem sendo classificado como uma "obra prima" da música eletrônica. Além disso, há também uma parte da impressa que o descreve como a revolução do estilo. Então, depois de ouvir com bastante cuidado fiquei a todo o momento pensando: "apenas isso é o motivo de tanto alarde?".


Devo admitir que fiquei um pouco receoso em ouvir o álbum pensando que como não conhecia mais profundamente o som deles poderia criar barreiras para avaliar da maneira mais adequada. Contudo, lembrei que recentemente avalie o trabalho do David Bowie nas mesmas condições e adorei o álbum. Então, não seria isso que iria atrapalhar meu olhar sobre Random Access Memories. Sem essa amarra me deixei levar sem medo, mas no final o que eu ouvi não condiz com que está sendo propagado por aí. O mais estranho para mim em Random Access Memories é que o trabalho do Daft Punk não é de perto ruim: a produção, se olharmos de uma maneira bem analítica no quesito mais técnico do trabalho, é excelente. Donos de uma experiência imensa, o duo mostra sua qualidade na construção de intrincados e acachapantes arranjos. Mais que cuidado, mas sim, respeito com a música. Tudo muito lindo, mas tudo muito chato. O grande problema do álbum é a sua sonoridade: em busca de renovar o som deles, o duo olha para o passado, mais precisamente para o final dos anos '70 e começo dos '80, e dão sua visão para a disco e o funk feitos naquela época. Só que ao invés de injetar novas camadas para criar algo excitante e novo, eles repetem velhas sonoridades com um verniz que tira toda a graça que os estilos possuem. O álbum é um exercício de paciência com canções arrastadas e sem brilho que nem mesmo a qualidade técnica ajuda muito. Não consigo ouvir os arrombos de criatividade que li sobre o álbum em nenhum segundo. Nem mesmo a presença de lendas da música de vários estilos ajuda o resultado final que ainda peca no sentido do conteúdo das cações já que ele é recheado de composições belas, mas artificiais que parecem feitas para quem gosta do estilo só quer quer parecer inteligente. Posso estar errado? Sim. O tempo vai dizer, mas por enquanto essa é a minha opinião sobre Random Access Memories: um álbum superestimado que não conquistou esse que voz fala.

28 de maio de 2013

New Faces Apresenta: "A Garota Que Quer Ser Várias Garotas"

Work
Iggy Azalea


Devo admitir que demorei a prestar atenção no trabalho da novata Iggy Azalea por um motivo: eu pensei que era um alterego da Azealia Banks. Até descobri que Iggy não era a Azealia foi preciso notar que mesmo sendo duas mulheres que fazem rap e tendo um caminho bem parecido, elas tem muita coisa diferentes.

Australiana, branca, cara de modelo e seguindo uma sonoridade com uma forte influência do rap norte Southern, Iggy ganhou destaque depois que ganhar fama com clipes independentes que criaram bastante polêmica como a de Pu$$y. Depois de algumas mixtape lançadas, a rapper assinou um contrato com uma gravadora e vai lançar seu primeiro álbum intitulado The New Classic e como single a canção escolhida como single foi Work. É aqui, então, que começa as grandes diferenças entre as duas: enquanto Azelia tem uma personalidade única e distinta, Iggy parece um remendo de várias artistas. A rapper é uma mistura dos vocais da Ke$ha, certa atitude da Lady GaGa, um gosto fashion estilo Rihanna, a bunda da J.Lo e a beleza da Shakira. Mesmo com uma personalidade ainda em construção, Iggy mostra futura em uma performance segura e com uma "marra" divertida. A composição falando sobre o começo da carreira dela é boa só que ainda falta técnica para ela saber refinar suas ideias e tirar o melhor delas. O melhor da canção é a produção que soube unir o aspecto hip hop com uma roupagem pop sem perder o seu DNA e criando uma batida viciante. É esperar para descobrir se Iggy Azalea vai fazer um nome para sim ou vai depender de comparações com outras cantoras/rappers.
americano em especial o
nota: 7

27 de maio de 2013

Primeira Impressão

Demi
Demi Lovato

 O quarto álbum assim como a carreira da Demi Lovato tem um grande e único problema: falta de direção para a cantora. Vou tentar explicar: Demi precisa urgente de um produtor/compositor com uma visão bastante inovadora e com um talento especial para dar uma direção na carreira dela que a faça quebrar as barreiras que ela está presa. Algo como a Linda Perry foi para a Christina Aguilera ou o Paul Epworth para a Adele (por favor, não estou comparando o talento ou a carreiras das três apenas dando exemplos!).

Intitulado apenas Demi, o CD da jovem cantora é um trabalho pop teen razoável que tem como principal defeito essa falta de direção que expliquei anteriormente. Com a produção de vários nomes completamente desconhecidos, o álbum perde em personalidade no momento que várias faixas têm vislumbres de influências diferentes como eletrônico com uma pegada mais dark e britpop só que não são exploradas como deveriam e deixando vários momentos bem genéricos. O bom de Demi é que vemos um cuidado maior na hora da construção "real" dos arranjos mostrando que houve um trabalho com instrumentos verdadeiros e não apenas batidas fabricada em computadores. Enquanto de um lado vemos as canções mais dançantes errarem em composições batidas e com pouca criatividade, do outro vemos as canções mais lentas ganhando letras acima da média ao mostrar a vulnerabilidade de Demi como na canção Warrior, que vem a ser a melhor do álbum e da carreira dela, e em menor grau Shouldn't Come Back. Agora vou ao ponto que Demi mais precisa de uma pessoa para guiar ela: a voz. A cantora não é exatamente o que eu chamo de uma boa cantora pelo motivo que na maioria das vezes ela realmente grita para tentar chegar ao mesmo nível da canção, mas mesmo assim ela acaba sendo engolida pela canção. Dá para perceber todas as vezes que ela força a voz para ela "ficar maior" do que é. Quando ela se contém em um tom que não precisa extrapolar ela consegue bons resultados com na já citada Warrior. Contudo, Demi precisa de alguém que a oriente sempre nesse caminho ajudando ela evoluir e também sempre escolhendo a melhor canção para ela mostrar isso. Quem sabe um dia ela não encontre o caminho certo?

26 de maio de 2013

Para Corações Derretidos

The Woman I Love
Jason Mraz

 Tem momentos que a gente apenas precisa ouvir um belo clichê para ser feliz. Esse clichê é a canção The Woman I Love do Jason Mraz.

A delicada e fofinha mistura de pop com toques de folk constrói uma canção tão miguxa que fica difícil de não se encantar. Falando sobre o amor que sente pela mulher amada, Jason pode até se mostrar meloso só que ao unir o simples arranjo com a composição a canção se torna uma cativante canção de amor. Além de performance segura de Jason despejando carisma. Canção feita para os corações mais derretidos.
nota: 7