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4 de julho de 2021

Obra de Arte Nacional

I míssil
Linn Da Quebrada


Consolidando-se cada vez com uma parte importante da indústria musical, a música queer também é diversa em relação a variedade de sonoridades feitas. Em I míssil, a cantora Linn Da Quebrada entrega uma obra espetacular que não apenas se torna uma das melhores canções nacionais do ano, mas como uma forte candidata ao topo de melhores do ano na categoria geral.

Não espere nada mainstream no single, pois a produção de BADSISTA entrega o que mais se aproxima de uma canção art pop. Escolho dizer em proximidade no instante momento que I míssil é bem mais que apenas um gênero, terminando como uma fusão celestial de MPB, eletrônico, jazz, art pop e toques de ritmos brasileiros. A textura sonora da canção é de uma delicadeza reconfortante sem perder a pungência e a imensa dose de personalidade quase artesanal que é aplicada na construção do genial arranjo. Fugindo na contramão da tendência de rápido e rasteiro do atual pop nacional, I míssil é uma construção melódica e deliciosamente elegante de mais de cinco minutos que traz referencias de atmosferas de uma sonoridade dos anos oitenta da MPB como a Mariana Lima que remete também a trabalhos de nomes notórios do atual cenário indie/art pop como, por exemplo, FKA twigs. Envolvente desde a primeira nota, Linn entrega uma performance aveludada, sensual e cativante ao declamar uma fervilhante e poética composição primorosa sobre desejo e saudades que mostra ser inteligente, sucinta e com a dose certa de brincadeiras gramaticais. Uma pena que essa verdadeira preciosidade deve terminar para muitas como a melhor música de 2021 que você não escutou, mas isso não quer dizer que a Linn Da Quebrada não precise ser louvada por esse sublime momento.
nota: 8,5

14 de novembro de 2019

Representatividade Brasileira

Alavancô
Karol Conká & Gloria Groove & Linn da Quebrada

É nos tempos difíceis que passa uma sociedade que o brilho no final do túnel fica ainda mais forte. No Brasil, um desses brilhos que estão aumentando a sua força são aqueles vindos de artistas com as origens mais diversas possíveis. Um encontro de três vozes importantes dessa geração acontece na canção Alavancô.

Unindo uma mulher negra, uma drag queen e uma mulher trans negra, Alavancô é um deleite para aqueles que acreditam que a música seja um dos mais importantes espaços de representação em uma sociedade. E, felizmente, esse não é o único motivo para ficar feliz em relação a Alavancô, pois canção é de fato uma boa canção. Uma mistura bem azeitada de rap/hip hop com a sonoridade brasileira e um toque de tango, a canção é um trabalho divertido, forte e com personalidade suficiente para carregar as três artistas. Com boas performances e uma composição que sabe passar a sua mensagem de forma elegante e poderosa, especialmente o sensacional verso da Linn, Alavancô é o tipo de canção que ajuda a gente acreditar que uma nova era musical está chegando ao Brasil. Pena que precisa da sociedade se afundar mais lama para tal movimento acontecer.
nota: 8