20 de março de 2016

A Força da Emoção

Piece By Piece
Kelly Clarkson

Tudo começou em 2005 quando Kelly Clarkson lançou Because of You, single do seu segundo álbum Breakaway. A canção era um emocionante desabafo de Kelly sobre a sua infância quando foi abandonada pelo seu pai e como isso afetou a sua vida adulta. A canção foi um sucesso mundialmente, tornando-se uma das marcas registrada da cantora. Onze anos depois de mostrar suas feridas, Kelly volta a tocar no assunto com o lançamento da canção Piece By Piece como single do álbum homônimo. Dessa vez, porém, a hora é de fechar as feridas abertas e começar um novo ciclo.

Apesar da recepção morna comercialmente ao álbum e os dois singles já lançados, Piece By Piece conseguiu um destaque impressionante após Kelly apresentar na temporada que marca a despedida do American Idol, o programa que a revelou. Em uma performance emocionada e emocionante, Kelly contou a canção apenas acompanhada de um piano. Lágrimas rolaram: Kelly, os jurados, a platéia, os candidatos e muitas pessoas em casa. Não era preciso ter vivido a mesma situação que Kelly para se emocionar, pois a poderosa performance dela já era o suficiente. Como resultado, a canção vendeu mais de 200 mil cópias no iTunes e estreou em oitavo na Billboard. Apenas com o poder da emoção de Kelly, aliado, claro, com o seu talento.

A versão original de Piece By Piece é bem diferente da versão apresentada no American Idol. Um synthpop com uma batida clean e cadência mid-tempo que estranhamente combina com a composição da canção. Claro, a versão acompanhada apenas pelo piano tem mais impacto, pois ressalta a qualidade da composição. Apesar de voltar a falar sobre o que o abandono do pai a causou (a imagem de ver que o pai abandonar a filha e as suas suplicas para quem ele a ame são devastadoras), Piece By Piece é sobre como Kelly superou esse trauma ao se casar com o seu marido e perceber que nem todos os homens são como o seu pai. Triste, mas ao mesmo tempo de emoção genuinamente positiva. E tudo isso é ainda mais representado na performance avassaladora de Kelly. Saber que a emoção ainda tem espaço no mainstream é tão gratificante como ver Kelly mostrar o quanto feliz está hoje em dia.
nota
Verão Original: 7,5
Versão Idol: 8

19 de março de 2016

Desejos Expostos

Desire (feat. Tove Lo)
Years & Years

Desejo é carnal. Amar é de alma. Os podem andar lado a lado, mas quando uma se sobrepõe ao outro, algo está completamente errado. É disso que trata Desire do Years & Years.

Lançada como single em Novembro de 2014, Desire recebeu uma nova gravação com a presença da cantora Tove Lo, provavelmente mirando no mercado internacional. Não houve grandes alteração, pois a instrumentalização continua a mesma, mostrando a capacidade do grupo em cria um pop clean, melódico e atemporal e, ao mesmo tempo, extremamente comercial. A grande atração da canção é, na verdade, a sua ótima composição. Como eu sempre digo, o pop não precisa ser descerebrado, podendo ser, sim, inteligente e criativa. Desire fala sobre a guerra entre os sentimentos quando amar apenas faz sofrer e preferido apenas desejar, ou seja, querer o prazer carnal apenas. Não apenas um tema muito interessante, mas a construção primorosa. A introdução de Tove Lo não afeta verdadeiramente a canção, pois Olly Alexander entrega um trabalho excelente. Entretanto, o dueto dá um contrabalanço entre os sentimentos expostos na canção. Seja o amor ferido ou desejo incontrolado.
nota
Versão Original: 8
Versão Nova: 8

17 de março de 2016

O Destino de Meghan

NO
Meghan Trainor

Para aproveitar o sucesso conquistado no ano passado com o sucesso surpresa de All About That Bass e os ótimos resultados de Dear Future HusbandLike I'm Gonna Lose You, Meghan Trainor vai aproveitar para lançar o seu segundo álbum intitulado Thank You, um pouco de um ano depois do seu debut Title. A primeira música lançado é a surpreendente NO.

Longe da sonoridade pop vintage que foi a base dos primeiros trabalhos da cantora, NO dá um imenso passo adiante para encontrar a sua base no pop/R&B feito nos anos noventa. Trainor ressuscita aquela sonoridade que ajudou a pavimentar as carreiras de nomes como, por exemplo, Britney Spears, N'Sync, Aguilera e, até mesmo, Destiny's Child. Na verdade, apesar do que vários críticos disseram, a canção tem muito mais cara de uma canção feita pela grupo liderado pela Beyoncé. Primeiro, a produção de Ricky Reed aposta em uma batida rápida e cadencia muito parecida com canções do segundo álbum da girl band como Bug a Boo, Bills, Bills, BillsSay My Name. Em segundo, e o mais importante, NO é claramente uma canção feminista e de exaltação ao poder feminino. Depois de sofrer algumas acusações por letras com algum teor machista, a cantora mostra que não é exatamente bem assim. A canção levanta a bandeira de "não é não" quando uma mulher diz para um homem, mais especificamente em uma situação de "balada". A temática é ótima, mas a construção é ainda melhor, pois junta uma- ideia ótima com uma realização divertida e bem pensada. Com uma performance inspirada de Trainor, NO pode até soar "datada". Felizmente, Meghan tem uma ótima oportunidade de solidificar a sua carreira.
nota: 7,5

16 de março de 2016

Ariana Crescidinha

Dangerous Woman
Ariana Grande

A famosa transição de um artista teen para a fase adulta pode ser o ponto decisivo para a carreira do mesmo, pois podem dar muito errado ou muito certo. Não existe uma formula certa, porém, como a história já mostrou, a maioria aposta na sexualização da sua música e visual. Claro, isso não é problema quando a transição é feita de uma maneira que valorize a qualidade sonora e, não apenas, procurando atrair o público pelo apelo sexual. Pensando nessas características, a impressão que fica em relação a transição da Ariana Grande é que foi muito bem pensada e estão sendo realizada de forma tão primorosa. Nada foi muito apressado ou muito lento, conseguindo combinar imagem com a sua música de primeira qualidade. Como o lançamento do single oficial do seu terceiro álbum, Ariana comprova que a sua transição está quase no fim.

Dangerous Woman, que dá nome ao terceiro álbum da cantora, mostra concretamente não apenas a evolução da imagem de Ariana como uma mulher amadurecendo, mas, principalmente, a sua evolução musical. Produzida por Max Martin e Carlsson, a canção continua o trajeto de Ariana pelo R&B/pop, mas com uma estrutura mais encorpada e poderosa que puxa para uma pegada soul/rock. Uma balada vigorosa que tem nos vocais lapidados de Ariano o seu suporte ideal. A cantora entrega uma performance sensual e poderosa sem perder totalmente a sua atmosfera de inocência do começo da carreira, ajudando a criar a sua personalidade atual. A composição também ajuda a estabelecer a sua imagem ao ser adulta, mas sem precisar apelas para imagens explicitas. Talvez, Dangerous Woman não tenha o mesmo apelo comercial que outras músicas já lançadas pela cantora. Entretanto, Ariana consegue ter em mãos uma ótima canção que mostra o seu crescimento como mulher e cantora.
nota: 7,5

14 de março de 2016

New Faces Apresenta: Izzy Bizu

Mad Behaviour
Izzy Bizu

Todos os anos a BBC promove o famoso Sound Of... que escolhe os nomes dos cantores novatos que devem brilhar nos anos seguintes. Sam Smith, Jessie J, Adele, Corinne Bailey Rae e, no último ano, Years & Years são apenas alguns nomes que ficaram em primeiro lugar na lista ao longo de mais de dez anos de existência. Além dos "vencedores", vários outros nomes entregam a lista e, muito deles, conseguiram ganhar destaque. Um dos nomes escolhidos esse ano foi a cantora Izzy Bizu.

Citando nomes com Ella Fitzgerald, James Brown, Adele e Amy Winehouse como suas influências, Izzy já abriu os shows do Sam Smith e Jamie Cullum no passado. Depois de assinar com uma grande gravadora, a cantora prepara para lançar o seu primeiro álbum, A Moment of Madness. A canção Mad Behaviour foi lançada como single. Sem negar o seu background, a cantora mostra toda a sua elegância musical ao entregar uma sólida canção R&B que, apesar de alguns problemas, mostra um pouco da capacidade da jovem. A sua voz tem aquela leve rispidez de grandes cantoras de soul music, mas que também paira uma suavidade irresistível, dominando do começo ao fim da canção. A produção entrega um arranjo um pouco confuso com adição de uma batida de tambores forte demais no corpo da canção que destoa completamente do resto da canção. Além disso, faltou para a composição um verniz que fizesse com que o trabalho mais cativante. Mesmo com os problemas, Mad Behaviour ajuda a mostra uma jovem talentosa que tem uma carreira inteira pela frente.
nota: 7

13 de março de 2016

O DJ Secreto

Get Up (feat. Ciara)
R3hab

Apesar de ter trabalhado com dezenas de artistas do primeiro escalão do pop mundial ao produzir versões remixadas de seus grandes sucessos e ser respeitado no meio, o DJ e produtor holandês R3hab (nascido Fadil El Ghoul) ainda não conseguiu alcançar o mesmo sucesso comercial de seus contemporâneos. Não é por falta de tentativa que isso não aconteceu, pois, desde 2014, R3hab já lançou 16 singles. Um dos últimos é a parceira dele com a Ciara, a boa Get Up.

A grande qualidade da canção é ser um dance pop/eletropop sem precisar pisar fundo do batidão farofa. Com uma produção clean e redondinha, Get Up mostra que o DJ parece ter mais criatividade que outros DJs que apostam em da mesma variação de mesma batida em todas as suas produções. Mostrando que domina muito bem esse tipo de canção, Ciara entrega uma performance sólida e que adiciona sua personalidade na medida para Get Up. Um trabalho que poderia virar sucesso com facilidade, mas de um nome que ainda não encontrou o seu público.
nota: 7