30 de setembro de 2016

Uma Rara Segunda Chance

Say You Won't Let Go
James Arthur

Após vencer a nona edição do reality The X Factor, o britânico James Arthur quase perdeu a oportunidade de continuar a sua carreira ao se envolver em várias polêmicas como, por exemplo, o uso de uma palavra homofóbica em uma apresentação e problemas pessoais envolvendo ataques de ansiedade e, provavelmente, um colapso nervoso. As suas atitudes levaram o iTunes a oferecer o reembolso do seu álbum debut. Além disso, o cantor foi dispensado da gravadora Syco de Simon Cowell. Depois de se retirar do olhar público e espero ter repensado a sua vida, o cantor conseguiu um novo contrato com a Columbia Records e lançou o primeiro single do seus segundo álbum Back from the Edge: a balada Say You Won't Let Go.

Surpreendentemente, a canção está fazendo muito sucesso na Inglaterra e já alcançou o segundo lugar da parada por lá, além de ter entrado em outras ao redor do mundo. Com o desempenho tão bom, James foi recontratado por Simon para fazer parte novamente da gravadora Syco. Um fato raro na história do reality e do seu "dono", pois até mesmo Leona Lewis (vencedora da terceira temporada e a mais bem sucedida entre os campeões) não teve a mesma sorte. Felizmente, Say You Won't Let Go é um bom começo para essa nova chance do cantor.

Say You Won't Let Go é uma boa balada estilo Ed Sheeran, tendo uma atmosfera acústica e base de violão. A produção pode até não ser a mais criativa do ano, mas é bem feita e, principalmente, honesta. A canção não quer soar mais do que é ao tentar ser a mais bela canção de amor já feita. Na verdade, a produção confia nessa atmosfera confortavelmente conhecida para deixar outros aspectos brilharem. A composição é fofa e romântica na medida certa ao contar a história de como o narrador se apaixonou da maneira mais trivial possível e o seu desejo de viver para sempre com a pessoa. O que a canção tem de melhor é o performance de James: dono de voz indiscutivelmente única, o cantor consegue entregar uma delicada interpretação e mostra o seu lado mais contido. Espero que James Arthur possa agarrar essa chance como se fosse caso de vida ou morte. E é mesmo: vida e morte da sua carreira.
nota: 7

29 de setembro de 2016

Apostando Alto

Starboy (feat. Daft Punk)
The Weeknd

Depois de conseguir o seu lugar devido lugar no cenário pop com o sucesso do álbum Beauty Behind The Madness e os seus dois principais singles (The HillsCan't Feel My Face), The Weeknd está preparando o seu sucessor. Starboy terá a complicada missão de solidificar a carreira do cantor como um dos principais expoentes do novo R&B. O primeiro single do álbum mostra que o The Weeknd está apostando alto na canção que dá nome ao álbum: Starboy tem a participação do Daft Punk.

Co-produzido pelo duo francês de música eletrônica ao lado de Doc McKinney e Cirkut, Starboy tem um apelo diferente das canções ouvidas no álbum anterior do cantor, mais parecido com os primeiros trabalhos dele em Kiss Land e na mixtape Trilogy. Todavia, a canção tem uma finalização diferente das canções dessa época, mostrando um refinamento diferente e uma consciência sonora mais apurada. Criando uma sonoridade que mescla R&B alternativo com eletropop/synthpop, mas com uma batida que nunca se deixa levar por saídas fáceis ou muito menos recicladas de outras canções. Starboy não é para todos os gostos devido as essas decisões, mas deve encontrar o seu público sem maiores problemas. 

Outra qualidade de Starboy que já intricada com a personalidade do The Weeknd é a qualidade de suas composições. Na canção, o cantor continua a sua jornada em narrar a sua experiência com a fama e as seus desdobramentos. Apesar de estar na posição de participante ativo de tudo o que está a sua volta (dinheiro, drogas, sexo, entre outras coisas), The Weeknd nunca faz exatamente apologia desse estilo de vida. Ele constrói o perfeito quadro ao não apenas falar sobre os prazeres, mas, principalmente, os ônus dessa exposição na sua vida e das pessoas que o cerca. Com essa qualidade de tema, Starboy também se beneficia da qualidade lirica com várias citações pop e um ótimo e viciante refrão. Com o novo single, The Weeknd consegue manter o mesmo nível que vinha apresentando, mas também abre o caminha para uma excitante nora era na sua carreira.
nota: 7,5

28 de setembro de 2016

Onde Está o The Black Eyed Peas?

#Wheresthelove (feat. The World)
The Black Eyed Peas

Um dos mistérios da música pop nos últimos anos é onde está o The Black Eyed Peas? Sejamos sinceros desde o quarteto deu uma pausa lá em 2013, nenhum dos integrantes fez algo realmente relevante nas suas carreiras solos. Então, por que eles não voltam a se reunirem para lançar um novo álbum? Vai saber, mas, para a surpresa de muitos, o grupo lançou uma versão do seu primeiro sucesso deles: Where Is the Love? virou #Wheresthelove com a participação de uma "porrada" de artistas.

#Wheresthelove é tentativa de reavivar We are The World, mas que não tem a mesma força criativa. Com os ganhos da venda destinado para a instituição de caridade, a canção peca por colocar um monte de artistas talentosos e os deixar de lado, principalmente as cantoras e, também, a Fergie. Não sei se a cantora não pode contribuir mais com a regravação, mas a sua participação ao final como uma backvocal de luxo é muito estranha. Além disso, a escolha de deixar will.i.am cantar os primeiros versos no alto de todo o seu poder de usar auto-tune é a pior possível. Se Fergie não podia, que tal usar as várias cantoras inclusas como backvocal: Jessie J, Mary J. Blide e Nicole Scherzinger, apenas para citar algumas. De qualquer maneira, a adição de novos versos que atualizam o sentido da canção são interessantes e o toque mais dramático com uma instrumentalização que vai crescendo ao longo da faixa ajudam a fazer da nova versão um bom trabalho. Porém, a pergunta ainda fica: onde está o The Black Eyed Peas?
nota
Versão Original: 8
Nova Versão: 7

27 de setembro de 2016

Na Espera de Emeli

Hurts
Emeli Sandé

Depois de quatro anos do lançamento do seu avassalador primeiro álbum (Our Version of Events), a britânica Emeli Sandé irá lançar finalmente o seu segundo álbum. Intitulado Long Live the Angels, o álbum tem a responsabilidade que ficar a altura do álbum anterior que só na Inglaterra teve uma vendagem de mais de 2,5 milhões de cópias e recebeu criticas bem positivas da imprensa especializada. Observando apenas pelo primeiro single, a interessante Hurts, Emeli tem todas as chances de repetir o mesmo sucesso.

A canção segue os mesmos passos dos primeiros singles do álbum debut da cantora (Next To MeHeaven): um pop/R&B mid-tempo com cadência e uma batida bem diferente da ouvida no mercado americano. Não é uma escolha fácil para primeiro single, mas Emeli tem a capacidade de fazer funcionar quando todos os aspectos estão juntos. O primeiro é o fato de Hurts conter uma carga emocional pesada, ajudando a criar uma atmosfera completamente absorvente com a sua batida forte e muito bem construída, mesmo que durante a canção ainda tenha faltando aplicar mais nuances para elevar ainda mais o seu suntuoso clímax. Dona das composições mais "heartbreaking" e belas dos últimos anos, Emeli volta a repetir o feito de dar um soco no estômago ao falar sobre o sentimento de ser esquecido por aquela pessoa que um dia foi o seu mundo, mas que parece completamente alheio a dor causada por suas atitudes. Isso tudo acompanhado pela performance poderosa de Emeli. Hurts é um começo extremamente promissor e deixa uma sensação de ser apenas uma pequena dose.
nota: 7,5

25 de setembro de 2016

Antes Tarde do Que Nunca - Grandes Álbuns

Purple Rain
Prince And The Revolution

Desapercebido

Joint (No Sleep)
Cassie

Com um mercado tão grande como o de Hollywood nem todos os filmes lançados anualmente chegam aos cinemas. Muitos deles são já lançados diretamente para o DVD e/ou serviços de streaming. Um desses casos é o filme Honey 3: Dare to Dance, segunda continuação do filme Honey - No Ritmo dos Seus Sonhos estrelado pela Jessica Alba em 2003. Dessa vez quem estrela o filme é a cantora/atriz/modelo Cassie que também canta uma das canções inclusas na trilha sonora, a legal Joint (No Sleep).

A música mostra que Cassie é uma daquelas artistas que mereciam mais reconhecimento do público, pois Joint (No Sleep) é uma canção bem interessante, mesmo que não seja sensacional. A batida é uma gostosa mistura de pop e R&B construído em uma batida contida e quase minimalista. Rápida e rasteira, Joint (No Sleep) poderia ser bem melhor se a sua composição não fosse tão genérica, mas o carisma da Cassie ajuda a amarrar as pontas. Joint (No Sleep) não é um "musicão", mas não deveria passar tão desapercebido como o filme que é tema.
nota: 6,5