29 de abril de 2018

As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer

O cenário musical brasileiro está intrinsecamente ligado com o mundo televisivo. Em especial, as novelas foram responsáveis pelo sucesso de centenas de músicas ao serem temas recorrentes em folhetins de grande sucesso. Apesar de atualmente as novelas terem perdido parte do seu papel de fenômeno cultural de massa, as novelas continuam a exercer esse papel de vitrine musical para várias músicas de cantores consagrados ou novatos. Em 9 de Dezembro de 2000 aconteceu um verdadeiro momento histórico na nossa TV, mas que seria completamente diferente caso não tivesse essa música de hoje no especial como tema de fundo. O especial de hoje de As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer irá falar sobre...




28 de abril de 2018

A Falta de Saber Lidar

One Kiss
Calvin Harris & Dua Lipa

Calvin Harris é o DJ/produtor de maior força no pop nos últimos tempos, trabalhando com uma quantidade grade dos nomes que estão dentro do livro de quem é quem da música comercial. Entretanto, tirando alguns momentos, Calvin ainda não sabe como usar o melhor dos seus contatinhos como comprova a mediana One Kiss com a estrela em ascensão Dua Lipa.

O single, provável primeiro do próximo álbum de Calvin, é um bem concebido e preguiçosamente produzido deep house comercial que não usa a sua principal qualidade a seu favor: capaz de entregar performances classudas e diferentes do resto nicho pop, Dua Lipa está tão morna como sopa depois de esfriar meia hora. Lá está o seu timbre aveludado meio Cher/meio cantora indie/meio cantora dos anos oitenta, mas isso não é o bastante para melhor a batida regular e linear que Calvin deu para a canção. Comercial, sim, mas sem nenhuma graça verdadeira. Já ouvimos essa batida centenas de vezes em outras canções. O que ajuda, além da voz de Dua, é o fato da qualidade técnica da canção sempre ser acima da média nas produções desse tipo. Falta, então, Calvin Harris aprender a lidar não só apenas com o talento dele, mas, principalmente, com daqueles que com ele trabalha seja quem for.
nota: 6

26 de abril de 2018

Mudanças no Céu de Florence

Sky Full Of Song
Florence + The Machine

Meio que do nada começaram a sair lançamentos de vários nomes importantes quase de uma vez só. O que teve menos destaque, mas que precisar ser descoberto pelos mais desavisados é a volta do Florence + The Machine que prepara o lançamento do quarto álbum da banda (High As Hope). O primeiro single é singela e emocionante Sky Full Of Song.

Para quem conhece um pouco da sonoridade da banda liderada pela Florence Welch irá achar bem diferente Sky Full Of Song, mesma que a canção tenha as características únicas da banda. A canção é a canção menos rebuscada e grandiosa da carreira da banda até comparando com as baladas que a banda já lançou como, por exemplo, St JudeWish That You Were Here. Sky Full Of Song é uma bela balada indie pop que se construí em uma instrumentalização contida, quase linear e de uma beleza simples. A atmosfera resultada é de uma fragilidade emocional quase tocável que tem na inconfundível poderosa voz de Florence a sua perfeita interprete. Entretanto, a canção parece não ir aos lugares que merecia ir, ficando meio perdida na sua própria realização. Esse defeito é ainda mais sentido quando prestamos atenção na sua composição que cria uma coleção de belas e comoventes imagens para falar sobre a sensação de solidão que bate quando a gente não tem certeza das pessoas a nossa volta e as suas verdadeiras intenções. Felizmente, Sky Full Of Song é um trabalho com a qualidade estética do Florence + The Machine e tudo termina muito bem.
nota: 8

25 de abril de 2018

La Creme Drake

Nice For What
Drake

De tempos em tempos, o Drake decide lançar uma música que excede qualquer expectativa. Dessa vez, a escolhida é a impressionante Nice For What.

Nice For What poderia ganhar no lugar comum ao ser mais uma hip hop/trap/bounce no mar de canções com as mesmas características. Entretanto, a produção é de uma maestria tão grande que o single se torna um verdadeiro artesanato musical. A construção dessa milagrosa batida dançante é feita através de introduções de ideias preciosas e com acabamento de luxo, sendo a principal delas a utilização do sample de Ex-Factor da Lauryn Hill como principal base e, também, o refrão central. Além disso, a inclusão do lendário rapper Big Freedia com algumas frases, aquele mesmo do clipe de Formation, e a batida meticulosamente refinada vai criando uma canção tão interessante quanto as suas ideias. Algo que é difícil de ouvir em várias canções do Drake. Aqui, porém, o rapper realmente se supera em todos os quesito, entregando uma performance sólida e esbanjando seu carisma nato. E a composição também é acima da média, mesmo não sendo liricamente genial, Nice For What é uma bem-vinda canção de empoderamento feminino ao "narrar" a história de milhões de mulheres que batalham todo dia para pagar as contas e sobreviver e, nos finais de semana, apenas querem sair para se divertir. Nice For What é um do melhores momentos da carreira do Drake e pode ser o começo de uma nova era para o rapper. Veremos.
nota: 8,5

24 de abril de 2018

A Falsa Rasa

No Tears Left to Cry
Ariana Grande

Acredito que poucos realmente acreditaram que aquela jovem de rabo de cavalo que tinha ganhado fama em programas voltados para o público teen iria se transformar em uma das artistas pop mais sólidas e interessantes da atualidade. Então, Ariana Grande é a prova viva da sua imprevisibilidade do pop ao conquistar um espaço cada vez maior no mainstream musical, mas mostrando uma qualidade surpreendente como é o caso do seu novo single No Tears Left to Cry.

Primeiro trabalho dela lançado depois do atentado em seu show em Manchester no ano passado, No Tears Left to Cry é um inesperado dance pop com uma mensagem positiva e relevante com produção de Max Martin e Ilya, mesma dupla pro trás da melhor canção da cantora I'm Into You. Apesar de não ter a mesma qualidade, No Tears Left to Cry está longe de ser uma canção pop comum, pois a sua construção guarda algumas "quebras" de expectativas ao ter uma dinâmica diferenciada na criação da sua batida. Lembrando muito a sonoridade dos anos noventa em que se ainda experimentava o dance pop com gêneros como o R&B e o hip hop, a canção tem uma excelente atmosfera elegante em uma batida madura e longe de chiches bobos, lindamente tecida em nuances melódicas e fugindo de qualquer comparação com outras canções atualmente no topo das paradas, mesmo que muitos irão dizer ao contrário. Todavia, esse é o diferencial de No Tears Left to Cry ao parecer menos profunda do que é realmente. Entregando uma performance vocal linda em que é ressaltada o beleza do seu timbre, mostrando o quanto diferente é uma canção dance pop que tem como destaque o vocal e, não, somente a batida, Ariana Grande canta de forma inspirada sobre não desistir e o mundo melhor que deve estar por vim. Longe de ser a melhor canção de Ariana, pois falta um grande momento de transição o que deixa a canção um pouco linear, No Tears Left to Cry é um momento de constatação da sua evolução artística e o começo da sua maturidade na carreira.
nota: 7,5 

23 de abril de 2018

2 Por 1 - Nicki Minaj

Chun-Li
Barbie Tingz
Nicki Minaj

Parece que finalmente a Nicki Minaj irá fazer a sua volta a música de forma concreta depois de ensaiar no ano passado, mas sem maiores repercussões. Dessa, porém, Nicki terá uma concorrente a altura com a Cardi B, mas pelos dois primeiros singles do seu próximo álbum já lançados Onika está pronta para a batalha.

As duas canções mostram que Nicki pode está preparando um álbum cru na sua essência, mirando diretamente na sonoridade hip hop/rap dos meados dos anos oitenta e começo dos anos noventa com influência de house music de raiz. Ambas possuem resultados semelhantes, apesar de produções diferentes, ajudando a corroborar essa minha teoria. Entretanto, o resultado entra as duas diferem um pouco, pois Chun-Li é levemente melhor que Barbie Tingz.

Chun-Li é um maduro e eficiente hip hop com uma atmosfera tensa e uma batida radiofônica. Não é o tipo de primeiro single arrasa quarteirão que a rapper normalmente lança, mas é o começo promissor e diferente. Sem precisar de nenhuma participação especial, Nicki entrega uma performance que apenas ela poderia segurar com mudanças de entonação, sotaques e de com um flow impecável. Disparando a sua metralhadora contra os haters online, construindo uma composição cirúrgica e cheia de boas sacadas como, por exemplo, o nome retirado da famosa personagem do game Street Fight. Já Barbie Tingz perde força na sonoridade menos pungente, mas tem uma ótima influência dos anos oitenta com a mistura promissora de hip hop e electropop. Além disso, a composição tem uma pegada mais carismática e uma estrutura comercial apurada, ressaltando o poder de Nicki e relevando que a mesma está pronta para o ataque. Um bom começo para o retorno de Nicki Minaj.
Chun-Li: 7,5
Barbie Tingz: 7