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14 de julho de 2022

Melhor Sozinha

Hot Shit
Cardi B, Kanye West & Lil Durk

Cardi B tem uma personalidade tão grandiosa que, normalmente, é bastante complicado achar artistas que tem química com a rapper. Existem alguns exemplos, mas esse não é o caso de Hot Shit.

A canção é, primeiramente, uma produção preguiçosa e sem muita criatividade que uma batida direta, repetitiva e sem graça. Entretanto, o problema maior é que as participações Kanye West e Lil Durk são completamente dispensáveis e não trazem nada de excitante ou de peso real para o resultado final. A titulo de comparação, I Like It apresenta um J Balvin e Bad Bunny inspirados que dão força para o resultado final da canção. Hot Shit é salvo do total marasmo devido a presença da própria rapper, mas isso só prova que a rapper ainda é melhor solo.
nota: 5,5

4 de dezembro de 2018

Black Mirror

I Love It
Kanye West & Lil Pump

A crise criativa no hip hop atual é tão forte que se uniu a crise pessoal do Kanye West para resultar na horrível I Love It.

Provavelmente pior canção que o rapper já tenha participado/produzido, I Love It tem a participação de um dos piores representantes atuais desse cenário devastador: o terrível Lil Pump, famoso pela execrável Gucci Gang. Ok, a canção não é tão ruim como o primeiro sucesso do Lil Pump, pois tem algumas relances da genialidade de Kanye com a construção de uma batida que parece que teria algo para dizer se não fosse a base tão fraca e repetitiva em apenas dois minutos de cançõa. Além disso, a péssima composição é algo que deveria ser esquecida da discografia do rapper. A coisa é tão ruim, mais tão ruim que acredito que estamos vivendo em um episódio de Black Mirror que parece não ter fim. Que 2019 traga um melhor ano para rap/hip hop.
nota: 4,5

14 de março de 2015

Kanye On Steroids

All Day (feat. Theophilus London, Allan Kingdom & Paul McCartney)
Kanye West

Diz o ditado: quanto mais alto o voo, maior a queda. Isso não se aplica ao Kanye West, pois quanto maior é o ego dele, maior é a qualidade das suas músicas. Porém, toda regra há uma exceção: no caso do rapper a sua exceção é o seu novo single All Day.

All Day é Kanye de volta a sua sonoridade tradicional depois da mudança em Only One, mas, mesmo com a qualidade de produção ainda muito acima da média, o single não funciona especialmente para os padrões do rapper. A música pretende ser uma nova Monster com a sua atmosfera grandiosa, vários featuring (incluindo novamente o da lenda Paul McCartney) e a batida forte com várias nuances ao logo da sua duração. Infelizmente, All Day fica apenas na pretensão, pois a produção (com a mão de nove produtores incluindo Puff Daddy) joga todos os elementos de maneira descuidada apenas injetando mais substância esquecendo da forma, isto é, All Day é um amontoado épico de ótima ideias que não se fundem. A composição também não ajuda devido a sua coleção de clichês e o narcisismo sem graça de Kanye expresso na letra. E nem adiantou ter dezessete nomes creditados como compositores. Há de se louvar, porém, a ótima performance de Kanye, as boas e o final interessante com a participação de McCartney. Mesmo assim, All Day é a pior música de Kanye West em muito tempo e, mesmo assim, ainda é bem melhor que muitas canções.
nota: 7

18 de fevereiro de 2015

Um Parcialmente Novo Kanye

Only One (feat. Paul McCartney)
Kanye West

Eu já escrevi sobre isso, mas tenho que repetir: o tamanho da arrogância e da babaquice do Kanye
West é equivalente à sua genialidade em relação à música. Um pouco dessa genialidade e, surpreendentemente, um pouco de uma faceta diferente é vista no single Only One.

A grande sacada de Only One está na sua emocionante letra: o narrador não é o Kanye, mas, sim, a sua mãe falecida "conversando" sobre a sua neta e o próprio filho. Ao colocar nessa posição, o rapper mostra um lado seu pouco conhecido colocando para fora sentimentos sinceros em uma declaração de amor para sua mãe e pela filha realmente tocante. A presença da lenda Paul McCartney como produtor e featuring dá para a canção uma atmosfera diferente do trabalho de Kanye: uma construção soul minimalista elaborada e delicada. Uma pena que parte da emoção em Only One é tirado pelo uso do auto-tune na voz do rapper tentando cantar. Mesmo assim, Only One é uma canção muito boa. Só Kanye poderia parar de ser um babaca.
nota: 7,5

9 de fevereiro de 2015

Um Ano Que Promete

FourFiveSeconds
Rihanna, Kanye West & Paul McCartney


O que esperar de 2015 quando se trata do mundo da música? Apesar de já estarmos no segundo mês do ano, ainda parece um pouco cedo para dar qualquer previsão mais concreta, pois tem muito coisa interessante para acontecer desde o retorno de grandes nomes, a consolidação de novos nomes e, claro, o surgimento de novos artistas. Todavia, o começo do ano já teve algumas surpresas que vão deixar uma marca para o futuro.

FourFiveSeconds é a parceria entre a Rihanna, Kanye West e a lenda Paul McCartney (para quem não sabe, Paul é aquele integrante daquela banda que quase não fez sucesso algumas décadas atrás chamada Beatles kkkkkkk). A união desses três nomes causa certo frenesi, pois são artistas com estilos e imagens bem diferentes, apesar de West e Rihanna já terem trabalho juntos algumas vezes. Só que se a gente olhar em perspectiva podemos notar que não é a primeira que Paul faz uma parceria tão inusitada: no começo dos anos oitenta ele já tinha feito parceira com Stevie Wonder ("Ebony and Ivory") e Michael Jackson ("The Girl is Mine" e "Say Say Say"). Só que isso foi a mais de trinta anos atrás e o mundo deu várias voltas colocando o cenário musical em uma configuração bem diferente. Eu poderia até tecer mais comentário sobre isso, se caso achasse que fosse realmente importante para o resultado de FourFiveSeconds. Isso porque, não importa o que se diga, a canção é realmente boa.

Provavelmente sendo lançada como primeiro single do novo álbum da Rihanna, FourFiveSeconds é uma mudança drástica na sonoridade da cantora: saí do pop/eletrônico/EDM dos seus últimos trabalhos e entra uma mistura inusitada de pop/folk/R&B . Ótima escolha para ajudar a reinventar a cantora que vinha demonstrando que tinha perdido força artística com músicas como Right Now, Pour It Up, Jump What Now (todas dos seu último álbum Unapologetic). A produção quase minimalista com acréscimo de poucos instrumentos usando de base os acordes de violão em estilo acústico tocado por Paul dá a atmosfera perfeita para que FourFiveSeconds seja uma canção sólida, diferente do que toca no mainstream e ao mesmo tempo viciante. A composição da canção segue o mesmo estilo em que o menos é mais, mas, felizmente, o teor pessoal e confessional sobre estar a um passo de "estourar" cria um laço com o público que se reconhece na letra. RiRi entrega uma performance vocal crua e madura conseguindo se adequar ao estilo da canção. Sem prejudicar a canção a presença de Kanye usando a sua faceta de cantor é questionável já que ele não é cantor e usa do auto-tune na canção. Quem sabe não seria legal ver o próprio Paul cantando? De qualquer forma, o lançamento de FourFiveSeconds é o primeiro acontecimento de um ano que parece que promete. Aguardemos.
nota: 8

20 de agosto de 2013

O Manifesto West

Black Skinhead
Kanye West

Black Skinhead tem um pouco mais de três minutos de duração e é tempo suficiente para que Kanye West faça o single mais impactante do ano.

Escolhido single depois do lançamento do álbum Yeezus, Black Skinhead é um manifesto mais do que aberto é uma manifesto escancarado, visceral e contundente sobre racismo. Bem mais cometido em suas palavras, mas não menos ácido em sua critica social apurada e inteligente. Claro, não bastaria apenas essa consciência para criar uma composição tão poderosa como a de Black Skinhead, mas é necessário muito talento para construir uma letra tão perfeito e magistral. Apesar de ser creditado dez nomes como coautores da canção é nítida a mão de West na canção dando essa sensação de urgência para o single. Nem mesmo a performance acachapante do rapper poderia ajudar se a produção capitaneada pelo duo Daft Punk não transforma-se a canção em uma explosão de uma sonoridade grandiosa que cada segundo é extremamente importante para o magistral final. O que mais posso dizer a não ser que Kanye West fez de novo!
nota: 9,5

12 de novembro de 2012

Dois Reis e Um Pupilo

Clique (feat. Jay-Z)
Big Sean & Kanye West



Como uma da melhores cações do álbum, Clique mostra bem qual a diferença entre quem já é "fodão" e quem ainda pode ser.

Enquanto de um lado West e Jay-Z dominando a arte do rap como realmente lendas fazem, enquanto Big Sean vai crescendo e ganhando além de personalidade um espaço no sol. Como uma das melhores de Cruel Summer, Clique tem características que o chefão Kanye sempre mostra com um arranjo rico e completamente intrigado de influências assim como a composição também no ponto ideal com referências das mais variadas possíveis sempre com um toque mais refinado do que apenas as velha conversa de rappers. Não é exatamente o melhor que poderíamos esperar, mas já é bom o suficiente por enquanto.
nota: 8

7 de setembro de 2012

2 Por 1 - GOOD Music

Cold (feat. Dj Khaled)
Kanye West

New God Flow
Kanye West & Pusha T


Entre aparecer na mídia sendo o novo namorado da socialite Kim Kardashian e ser o possível jurado do American Idol, Kanye West faz música. E o próximo projeto dele é o álbum junto com os companheiros da  gravadora GOOD Music intitulado Cruel Summer que vai se lançado no dia 18 de Setembro. Para promovê-lo foi lançado dois singles. Começo analisando o que atraiu maior polêmica.

Cold basicamente mexe com os defensores dos animais por sustentar a ideia de "usar pele é símbolo de status", mexe com o rapper Wiz Khalifa que está pegando a ex-namorada dele (alias ela está grávida de Wiz), mexe com ex-marido da Kim e fala que está pegando com vontade a socialite e não importa o que falem dele. Com co-autoria dele e do rapper LL Cool J e do lendário DJ/produtor Marlon Williams, a letra é o ponto alto da canção. Trabalho excepcional mostrando a capacidade criativa e de criação acima da persona. Pena que a produção deixa a desejar. Apesar de West estar perfeito o produtor Hit-Boy deixa passar a oportunidade de construir uma batida "matadora". Meio sem graça e arrastada deixando boa parte do impacto morrer na praia. Assim como a participação do Dj Khaled completamente desnecessário.

Um pouco melhor está a canção New God Flow. Em dueto com o rapper Pusha T, a canção tem um arranjo mais encorpado e estilizado. Acontece que a presença de Pusha T na maior parte da canção compromete o resultado final da canção. Não que ele seja ruim, mas está aquém do que a música pedia. É fácil notar quando Kanye "pega" a canção pelos pulsos e domina primorosamente terminando de maneira apoteótica. Mesmo com certas reservas, ainda estou ansioso pelo lançamento de Cruel Summer. Quem saber Kanye não tira um coelho da cartola?

nota
Cold: 7
New God Flow: 7,5

27 de junho de 2012

Os Vingadores

Mercy (feat. Big Sean, Pusha T, 2 Chainz)
Kanye West

Qualquer herói as vezes precisa de uma ajudinha de "amigos" para cumprir uma missão. E nesse pensamento que o Kanye West vai lançar o álbum Cruel Summer que vai ser uma parceria com todos os contratados da sua gravadora, GOOD Music. E abrindo os trabalhos foi lançada a canção Mercy.

Liricamente, Mercy está bem atrás do que o West já fez. Não que chegue a ser ruim, mas certos maneirismos voltam a atacar quando os três featuring estão sob os holofotes. Só quando o patrão pede a palavra que a composição mostra força e a sua marca fica mais do que clara. E marcado com fogo a sua personalidade, Kanye co-produz ao lado de outros três produtores quase desconhecidos um arranjo excepcional usando sample da canção "Dust a Sound Boy" da banda Super Beagle. O estilo dancehall da canção dá muita personalidade para Mercy a elevando como poucas do estilo conseguem. Como em Os Vingadores há muita gente envolvida, mas é o Homem de Ferro é o frontrunner como é o Kanye West. Só que no final importa é o resultado final, todos saem ganhando.
nota: 8

2 de junho de 2012

Para Filmes e Afins

No Church In The Wild (feat. Frank Ocean)
Jay-Z & Kanye West

Serem fodões já não é o bastante para o Jay-Z e o Kanye West. Eles precisam jogar isso na cara do mundo de todos. E jogam de maneira épica justo nas telas grandes de cinema. Explicando: apesar de terem feito a canção No Church In The Wild para o genial Watch The Throne ela vem sendo usada em como trilha de filmes que precisam passar a impressão de "foda" já no trailer com em Safe House e na adaptação de O Grande Gatsby. E, claro, ela acabou de virar single.

O mais curioso é que eu comecei a gostar da música bem depois do lançamento do álbum. É necessário entender a profunda, áspera e quase filosófica critica a sociedade atual na ótima composição que usa de três canções para chegar no resultado. E devo admitir que lição que Kanye e Jay dão para todos os rappers que se prendem aos mesmo clichês. Apesar de fazerem o dever de casa certinho demais em seus versos, os dois mostram porque estão uns des passos adiante do resto do contemporâneos rappers entregando atuações fortes. Quem brilha mesmo é o cantor Frank Ocean que fica com o poderoso refrão tanto na composição como na sua produção. Essa última é outro show a parte. Misturando sintetizadores com uma batida hip hop de trincar os dentes de tão perfeita. No Church In The Wild é tão cinematográfica que deveria virar filme é nãos er apenas trilhas. Iria vira um filme tão fodão como o Jay-Z e o Kanye West.
nota: 8,5

9 de outubro de 2011

No One Knows What it Means, But it's Provocative

Niggas In Paris
Jay-Z & Kanye West

A frase no título define muito bem a canção Niggas In Paris, um dos singles de Watch The Throne. Traduzindo "Ninguém sabe o que significa, mas é provocativo". E é isso mesmo que é Niggas In Paris.

Primeiro vamos explicar da onde a frase foi tirada: no meio da canção ouvimos o ator/comediante Will Ferrell falando. A fala vem do filme Escorregando para a Glória, onde Will interpreta um patinador no gelo fracassado em busca da glória. Então, nada mais similiar que isso ao estilo do West e Jay-Z, né? Mas se tratando dos dois podemos esperar qualquer coisa. Em Niggas In Paris a parceira dos dois encontra um coisa poderosa, pesada e com uma batida dark, mas nunca longe das raízes "gueto" dos dois. Refinada, mas nunca amaciada. Jay-Z e West estão ótimos completando a performance um do outro. Ótima composição completa a canção mostrando a capacidade intelectual dos dois. Apesar de ser difícil de definir, é fácil de admirar.
nota: 8,5

31 de julho de 2011

O Ano Já Pode Acabar?

Otis (feat. Otis Redding)
Jay-Z & Kanye West

Eu não sei vocês, em na minha opinião o ano já pode acabar por aqui mesmo. Já podemos abrir os presentes de Natal e estourar o champagne da virada do ano. E começarmos o 2012, que talvez, seja o último anos da humanidade. Isso tudo porque não há como nada ser melhor do que a canção Otis do Jay-Z e do Kanye West para o álbum em parceria Watch The Throne.

Espantando o começo irregular com o primeiro single H•A•M, a dupla de rappers começou revelando a capa do álbum em alto relevo dourada, quase uma obra de arte para colecionadores. E mais recentemente foi liberado o segundo single, Otis, junto com a capa do single, outra obra de arte feita pelo artista italiano Riccardo Tisci. Mesmo com tantos prazeres visuais, o melhor ainda está na música. Otis, em apenas três minutos exatos, é basicamente magistral. A canção eleva o nível no cenário musical atual, principalmente para o hip hop, em alturas quase alcançáveis. Produzido pelo próprio West, Otis já começa arrebatadora ao usar como base a canção Try a Little Tenderness do cantor Otis Redding. A produção da canção lembra muito que Kanye fez nos dois primeiros álbuns da sua carreira solo e ele mostra que continua mandando mais do que bem. Essa base soul music se mistura perfeitamente com o hip hop em todos os níveis da canção. A construção do arranjo emoldurando todas as nuances da voz do Otis e as batidas da canção para criar algo novo e sensacional. Não há ninguém com a percepção de sonoridade como West hoje em dia e sua incrível capacidade de lapidar o diamante já lapidado sem destruir a beleza anterior. Genial. Como rappers, Jay-Z e West provam que ainda são a nata da nata. Composição perfeita, rimas precisas e o equibrio entre os versos dos dois mostra a superioridade deles. Reis na terra de plebeus. Claro que a música tem defeitos. Para ser exato, apenas um: tem apenas três minutos. Eu quero mais. Muito mais. E se o álbum tiver a mesma qualidade de Otis, pode acabar a década. Exageros a parte, é certo que o ano não será o mesmo depois de Watch The Throne.
nota: 9,5

2 de abril de 2011

A Dupla Dimâmica

H•A•M
Kanye West & Jay-Z

Vamos ser um pouco nerd? No universo dos quadrinhos há uma certa guerra entre os fãs do super heróis assim com é no mundo da música. Cada lado sempre defende seu preferido ressaltando suas qualidades e metendo pau nos outros. Claro, que é tudo em menor escala já que é comum os fãs terem mais de um "ídolo". Porém existe uma forte tendência em não aceitar quando dois heróis independentes se unem em alguma história. O caso mais famoso é do Batman com o Superman. São dois personagens completamente distintos como água e óleo. Enquanto o Batman é o herói humano, sem poderes, cheio de defeitos e que sua principal motivação em virar herói foi por vingança, o Superman é indestrutível, imortal, com poderes extraordinários e, mesmo não sendo humano, é a mais perfeita representação do que seria o homem perfeito. A principal critica quando se trata da união dos dois em alguma aventura é que os dois são tão diferentes que é impossível crer que algum momento os dois poderiam se unir para fazer qualquer coisa. Assim também é a base da união do Kanye West e do Jay-Z.

Normalmente, os dois maiores rappers da atualidade sempre então em lado opostos em uma música. Kanye na produção e Jay-Z a frente da música. Quando os dois estão juntos em uma mesma música, sempre há um terceiro contraponto (um ou mais rapperes)  para equilibrar a equação. Acontece que os dois resolveram lançar um álbum de parceria ainda esse ano intitulado Watch the Throne e como primeiro single foi escolhida a canção H•A•M. A canção é realmente o que poderíamos esperar de uma música entre os dois: épica, classuda e completamente diferente de qualquer coisa que tem por aí. Mas algo não dá certo aqui. Produzida pelo desconhecido Lex Luger, a canção não consegue equilibrar as forças dos dois. Os versos "cantados" pelos dois estão totalmente fora de prumo não se encaixando nem entre si nem com a batida da música. Intencional ou não, acontece que não deu certo. E poderia ter virado uma música genial já o arranjo é fantástico. Uma batida esquisita com atmosfera meio metálica que depois da parte dos dois rappers termina começa numa espiral alucinante envolvendo vozes em estilo lírico em uma quase opera hip hop. Perfeito e de arrepiar. Se tivesse tudo misturado em harmonia teríamos a música de 2011. Uma pena. Mas como os dois são tão fodões, há ainda esperança. Quem sabe eles não chamam a Liga da Justiça do hip hop para balancear os poderes de ambos?
nota:6,5

1 de abril de 2011

Os Holofotes de Kanye

All of the Lights (featuring Rihanna, Alicia Keys, Fergie, The-Dream, Ryan Leslie, Elton John, Charlie Wilson, Kid Cudi, John Legend, Tony Williams & Elly Jackson)
Kanye West


Sabe qual é a coisa que mais me deixa triste em relação da carreira do Kanye West? É que as pessoas não conseguem desassociar a imagem do homem do artista. Como pessoa, o rapper já deu indícios de ser um "mané" várias vezes. Isso é caso encerrado. Mas como artista, ele tem muito para oferecer do que aparenta. E mesmo assim as pessoas preferem criticar as músicas do Kayne apenas por serem dele. Uma pena já que eles perdem a oportunidade de ver o maior defeito dele ganhando vida e ser tornando "ouro" na canção All of the Lights.

Kanye West é megalomaníaco. All of the Lights é a melhor representação disso. Começa por todos envolvidos na construção da canção. Como fiz questão de ressaltar são 11 featurings em uma canção de apenas cinco minutos. Kanye quer mostrar o poder que ele tem em recrutar nomes tão diferentes e importantes como Sir Elton John para fazer uma "pontinha" em uma música. Isso poderia criar uma canção sem direção com cada um tentando mostrar serviço ou sendo ofuscado por outros. Isso não acontece devido a mão forte de Kanye na produção conseguindo unir as pontas perfeitamente. Claro que muitos que participaram da música não fizeram mais do que backvocal e seria muito mais interessante ver o Elton Jonh em parceria solo com o rapper, mas tudo se encaixa perfeitamente que a gente esquece quando ouve a música.

All of the Lights é essencialmente uma canção pop. Mais isso não limita a criação de Kanye. A grande qualidade da canção é a sua instrumentação. Não há ninguém que consiga criar um arranjo tão meticuloso e classudo com o rapper nos dias de hoje. Ele mistura a batida pop com hip hop e coloca na mistura toques de música clássica e muita influência de R&B e do próprio Elton John. Tudo isso é possível ouvir em cada mudança de instrumento e em cada nuance dada a música. Um mistura perfeita e genial. Para provar a genialidade do artista de Kanye, a composição que poderia ser sobre "festejar" como a maiorias dos rappers fazem, fala sobre as dificuldades de quem vive na periferia. Violência domestica, pobreza, criação dos filhos e outros problemas são colocados de forma dramática e poética. Kanye é o principal "cantor" da música seguido pelos competentes vocais da Rihanna cantando o ótimo refrão. Também tem o verso cantado pela Fergie (que foi cortada no clipe), tem o Kid Cudi em outro verso, Sir Elton John no finzinho deixando gosto de quero mais e Alicia soltando uns gritinhos. Tudo muito bem produzido e costurado como disse antes. No final das contas o que deve restar para um artista é o que ele faz "em cima do palco". O que ele faz fora é outra categoria.
nota:8,5

14 de novembro de 2010

2 por 1-Kanye West 2

Monster(feat. Jay-Z,Rick Ross,Bon Iver e Nicki Minaj)
Runaway (feat. Pusha T)
Kanye West

Sabe como sambar lindamente sobre a cara de quem te odeia?Simplesmente seja melhor que ele.Ou melhor seja Kanye West e sambe na cara de Taylor Swift.Se a princesinha do pop vendeu na primeira semana mais de 1 milhão do seu segundo álbum Speak Now,Kanye simplesmente fez o melhor álbum do ano.Não só o melhor álbum do ano,mas tão acima do média do bom que deve entrar na categoria dos melhores de todos os tempos.Só para se ter uma idéia,My Beautiful Dark Twisted Fantasy em suas primeiras avaliações foi,em todas,ovacionado pelo criticos que deram notas máxima.Dessas resenhas está a da Rolling Stone americana que deu 5 estrelas para o álbum fato que aconteceu poucas vezes(uma delas foi para o próprio Kanye em Late Registration de 2005).Nem é preciso ouvir o álbum inteiro para ter uma ideia do que é My Beautiful Dark Twisted Fantasy.É só ouvir os dois últimos singles saídos dele:Monster e Runaway.

Monster seria o primeiro single de um EP que uniria Kanye e Jay-Z,mas o projeto virou um álbum de parceria entre os dois(Watch the Throne) que vai ser lançado ano que vem e a música virou uma faixa de My Beautiful Dark Twisted Fantasy e por consequência o terceiro single.É claro que podemos adivinhar o porque desse aproveitamento:Monster é simplesmente genial.
A canção não é apenas um bom hip hop que mostra o talento de Kanye como produtor,o de Jay-Z como rapper e é uma ponte para a novata Nicki Minaj e para os desconhecidos Rick Ross e Justin Vernon.E muito mais que isso.É uma obra de arte do hip hop que se coloca num novo patamar que eu pessoalmente não consigo listar mais que quatro ou cinco música com esse nível.Começa pela pareceria com o grupo indie Bon Iver.Essa união é um passeio genial entre dois mundos tão diferentes,mas que se fundem de maneira lindíssima sem um brilhar mais que o outro.Kanye como o "maestro" disso tudo mostra força,inteligência e criatividade ao montar um arranjo que reune tudo que ele sabe fazer de melhor.Dark,indie,um pouco sintético e street.A batida consegue unir tudo isso numa montanha russa que tem nuances suaves,mas essenciais que capta a essência de cada participante sem tirar a sua própria.Cada um dos participantes entrega momentos precisos para a composição e execução de Monster memoráveis.A banda Bon Iver fica com as partes mais "cantadas" que ajudam a emoldurar o clima dark/indie da música;Rick coloca sua voz rouca no primeiros versos,mesmo que em pouco tempo;West abre a música com o primeiro solo rap de maneira perfeita e ainda faz o avassalador refrão;Jay-Z faz seu trabalho acima da média como sempre que mesmo rápida é precisa e mostra que ele sabe deixar brilhar os companheiros e Nicki simplesmente "mata a pau".Parece até super proteção aqui do blog,mas fazer o que se ela está em estado de graça.É dela a melhor parte da canção seja a sua inspirada e criativa performance ou a letra.Escrita por ela em uma viagem de avião,Nicki eleva tudo ao novo estagio com rimas sensacionais e referencias pop de tirar o chapéu.A letra que fala "o quanto eles são fodões" mostra que é sim mais que possível sair do circulo vicioso de versos batido e de baixo escalão.São seis minutos de genialidade.

O segundo single é até agora o mais polêmico.Não pela canção,é sim pelo clipe que é na verdade um curta de 35 minutos misturando hip hop com fantasia e cinema arte.Recepções calorosas e outras bem frias foram feita para Runaway que dá nome a música e ao clipe/curta.Aqui está o vídeo completo:



A performance de Runaway só começa lá pelos 14 minutos(uma versão apenas da parte da música também está na rede) e mostra que em meio a tantas imagens e um pouco de pedância,Kanye sabe como se auto criticar em uma canção sensacional.
A canção começa num tom sombrio com um toque de uma nota só em um piano que do nada começa o arranjo.Essa introdução abre o caminho para o trabalho sublime de Kanye.Com uma batida mais etérea e melancólica que o costume ele cria uma atmosfera estranha e perfeita para falar de hipocrisia e pedância.A dele mesmo.Aqui emoldurado num tema romântico com um refrão ótimo ele chega a conclusão que ele é um idiota e não merece que ninguém o ame.Quem hoje em dia pode entregar uma letra tão pessoal e critica assim?Ninguém.E por isso que Kanye,apesar dos pesares,é tão fodão.Sua performance é boa apesar que as vezes esse "cantar" dele em certos momentos quebra um pouco do andamento da música.Mas nada que atrapalhe muito,apenas um detalhe no contexto.

Aprendemos com Kanye West que dar a volta por cima envolve muito mais que apenas dar a volta por cima.Envolve talento e merecimento.
nota
Monster:9,5
Runaway:8,5

18 de julho de 2010

O Retorno do Rejeitado

Power(feat.Dwele)
Kanye West


Ele foi banido.Ele foi criticado.Ele foi massacrado.E mereceu.Depois que o Kanye West fez o favor de mexer com a queridinha do country Taylor Swift naquele vergonhoso MTV Awards,o rapper e produtor se tornou "persona não grata" no meio musical.Mas como qualquer rei que teve a coroa roubada ele se manteve nas sombras esperando sua hora de voltar.E foi o que ele fez.Com uma ajudinha de Chris Brown que se transformou no alvo da vez depois de ter batido na Rihanna,Kanye ficou na dele e nem apareceu para receber seus Grammy's pela música Run This Town.Agora depois da poeira ter abaixado ele prepara seu retorno que promete ser triunfal.
Seu quinto álbum Good Ass Job,que segundo ele é o fechamento da quatrilogia iniciada em The College Dropout, passou por Late Registration e teve a terceira parte em Graduation,vai ser lançado em Setembro próximo já começa a ganhar forma já conta com participações de gente como Lil' Wayne,Jay-Z e Eminem na mesma faixa além de Katy Perry,Nicki Minaj,T.I.,Kid Cudi entre outros.E tem como primeiro single a música Power.E uma coisa eu já tinha certeza antes mesmo de ouvir a música:mesmo a música sendo uma grande merda,Kanye já tinha lançado a capa de single mais foda de eu tenho notícia.E para melhor ainda mais,Power é tão boa como a imagem que a ilustra como single.
Desde os primeiros segundo de Power já dá para perceber que vem coisa muito boa.E vem.Kanye volta ao estilo que o consagrou como rapper e produtor:o hip hop puro e "sem gelo".Com sample da música "21st Century Schizoid Man" ele faz uma música mais visceral com seu arranjo cheio de texturas indo das mais suaves até as mais poderosas emoldurado por um coro estilo aborígene.Mais cadenciado e mais forte Kanye mostra que ainda continua como um dos melhores rappers da sua geração em um performance vigorosa.Sua metralhadora está afiada metendo o pau em meio mundo e mesmo sendo cada vez mais egocêntrico a letra mostra a genialidade de Kanye em falar o que pensa de maneira primorosa.Ele pode ter todos os defeitos que assola os "superstar" e pode ter certeza que ele tem,mas o cara continua foda no que faz e faz o seu melhor.
nota:8,5

21 de junho de 2009

2 por 1-Versão Kanye West

Amazing(Ft. Young Jeezy)
Paranoid(Ft. Mr. Hudson)
Kanye West


O últimos singles oficiais do cd 808's & Heartbreak do Kanye West são Amazing e Paranoid.

Amazing se envereda pelo caminho de Love Lockdown,com batidas de tambores e vocais no sintetizador a toda potência.Mais Kanye vai além ao brincar com efeitos sugerindo uma floresta e sons de animais dando mais destaque a simples e poderosa letra.Em poucas palavras,Kanye mostra porque é tão fodão:

"Eu sou um monstro, com conhecimento
E sei que o mundo está mudando
Nunca cedi, nunca desisti
Eu só tenho medo de mim mesmo"

Além disso a participação,aqui justificável,do reaper Young Jeezy em sua ótima estrofe e de,uma maneira geral,ser a canção que antecede Love Lockdown ainda leva mais crédito a música.













Paranoid até aqui é o single mais fraco saído de 808's e ainda assim é tudo que o Black Eyed Peas queriam ter feito no cd deles:a mistura certa entre o rap e o eletrônico.Dançante e sem muitas loucuras nos efeitos vocais,Kanye entrega uma música empolgante mas muito presa que quase chega a realmente a decolar mas só faz um vôo panorâmico.A letra segue o tema do amor ressentido do álbum.O refrão é o ponto forte da canção com a participação da banda inglesa Mr. Hudson.O clipe brinca tem a participação de Rihanna que teria participação na canção,mas ficou decido que seria lançada a versão do álbum.





Kanye continua sua saga para se tornar o maior artista da nossa era.Seria muita pretenção?Sim.Mas ele tem como chegar lá.
nota
Amazing:8
Paranoid:6,5

17 de março de 2009

Into the Kanye's Mind


See You In My Knightmares(Ft. Lil Wayne)
Kanye West


O não-single de Kayne West,See You In My Knightmares com parceria com Lil Wayne,é a perfeita tradução da nova fase de reaper:estranha,dark e surpreendente.Mesmo não sendo um single See You In My Knightmares conquistou o 21° na Billboard baseado somente nas vendas digitais na primeira semana de vendas de 808's And Heartbreaks.
A canção realmente tem seus méritos.Seu lado obscuro e depressivo toma conta da boa letra de "vá para o diabo que lhe carregue vagaba escrota".Seu arranjo magnifico mistura perfeitamente todos os outros elementos sinistros da canção.Os vocais de Kayne continuam na vibe eletronica que embala todo 808's...,mas ele em certos momentos ele exagere.Mas é nos locais de Lil que a música encontra sua alma em seu tom "diferente" em um otimo trabalho vocal em cima dele.O novo single oficial de Kayne é Amazing.
nota:7,5

9 de dezembro de 2008

Desculpa,Por Eu Ser Tão Bom

Heartless
Kanye West


O reaper Kanye West acabou de lançar o álbum 808's And Heartbreaks,e mesmo vendendo cerca da metade do que o seu último CD(Graduation vendeu na primeira semana 957 mil cópias,enquanto 808's vendeu cerca de 450 mil)já tem gente anunciado que esse seria o melhor o trabalho dele.Então para um cara que concebeu Graduation e Late Registration então 808's é a perfeição.Na minha opinião é por aí.808's não é melhor que os outros trabalhos de Kayne e sim do mesmo nível.Então todos estão a beira da perfeição.Um dos pontos alto no Cd é segundo single,Heartless.
Se em Late Registration West desceu nos mais profundo rio da black music dos anos '60 e '70 e em Graduation flertou com o eletronico,em 808's ele muda de foco e brinca com o R&B romântico.Heartless é uma batida que nos conquista aos pouco e quando estamos dominados já estamos dançando e cantando com a batida a base de piano sensacional.Os vocais de Kayne,mesmo não sendo "apropriado" para algumas partes de cantar estão perfeitos e extremamente bem produzidos no que até agora é sua melhor performance vocal.Porém é na letra que se encontra o ápice da canção.Na mão de qualquer outro poderia cair no lugar comum,mas Kanye inverte todos os clichés possíveis e imagináveis jogando referencias pop e fazendo um refrão genial:

"Na noite eu ouço eles contarem
A mais fria das histórias
Em algum lugar dessa estrada ele perdeu sua alma
Pra uma mulher sem coração... sem coração
Como você pode ser tão sem coração...
Como você pode ser tão sem coração"

Kayne pode ser marremto,brigão,metido e com rei na barriga.Mas por enquanto ele pode ser dá esse luxo.E até mais!
nota:8,5

30 de setembro de 2008

Antes Tarde do Que Nunca Part.14-A Obra de Arte de Kanye

Stronger
Kanye West


Como eu já disse todos aspectos que fazem Kanye West um dos melhores artistas do hip hop atual,fica redundante eu volta e falar de novo.Então vamos ao que interessa e vamos falar sobre o primeiro single do ultimo álbum dele Graduation,o hit Stronger.
Kanye mostra aqui que pode ir além do hip hop dançante com toques da velha guarda do soul music(que ele já faz brilhantemente,por sinal)e colocar musica eletronica na mistura.Stronger tem samples da musica Harder, Better, Faster, Stronger da dupla supra-suma da musica dance Daft Punk.Arranjo arrebatador e super dançante,letra sexy,divertida e sem os machismos que tanto impregna o mercado mainstream americano do rap.Com vocais super divertidos e perfeitos para musica,ela conquistou o numero um da Billboard e o Grammy de Melhor Peformace Solo de Rap.As vezes os "gringos" acertam.
nota:9