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24 de outubro de 2018

A Paloma Certa

Loyal
Paloma Faith

A carreira da Paloma Faith parece ser feita de altos e baixo quando o assunto é a qualidade das suas canções. Devido a sua estética e personalidade tão distintas, as canções da cantora estão sempre entre o acerto ou o erro. Não existe quase nada entre esse dois extremos. Felizmente, a cantora tende a acertar mais como é o caso da recém lançada Loyal.

Loyal é uma pop soul que demonstra a melhor faceta da cantora que sempre entregou ótimas canções nesse caminho. Sem precisar de muitos artifícios sonoros, Loyal é uma elegante e bem estruturada balada que tem como principal pilar de sustentação a presença de Paloma. Dona de uma voz tão diferentona do que normalmente se ouve atualmente, a cantora coloca, além de força, uma personalidade impressionante que lembra a "velha guarda" sem precisar, porém, cair na imitação. Melhor ainda é a composição, pois, ao contrário do que se espera, Loyal é sobre um relacionamento  disfuncional em que ambos são infiéis. Sincera e desconcertantemente ácida, a canção mostra que quando acerta, a Paloma Faith é uma artista quase perfeita.
nota: 8


7 de outubro de 2017

Fé, Paloma, Fé!

Crybaby
Paloma Faith

Alguns artistas são tão talentosos que ganham a minha torcida para entregarem um trabalho que possa estar a altura do seu dom. A Paloma Faith é um desses artistas, mesmo que a britânica já tenhas ótimos trabalhos como Picking Up the Pieces de 2012 e Only Love Can Hurt Like This de 2014, mas até o momento não tenha entregado um álbum que faz jus ao seu potencial. E acredito que o seu próximo álbum (The Architect) não será esse o trabalho que fará isso, pois o mesmo já começou de forma um pouco decepcionante com o single Crybaby.

É necessário dizer que a canção não é ruim, pelo contrário, pois Crybaby é uma boa e original canção. O que falta aqui, assim como na maioria das canções da cantora, não alcança o mesmo nível que o talento da cantora. Em Crybaby acontece a mesma coisa, pois a canção parece amarradas nas suas boas ideias. Começa pelo fato que o single segue por um interessante e bem vindo caminho ao ser uma bom trabalho soul/funk com toques de disco music. Quem atualmente está fazendo esse tipo de canção? Poucas pessoas. Entretanto, a produção parece não dar o sustento sonoro do começo a fim para fazer a cantora brilhar como poderia, pois Crybaby decola de verdade a partir do bom refrão. Até mesmo a sempre poderosa Palona parece despida de seu brilho, mesmo que entregue um ótimo trabalho. O grande trunfo da canção é a sua excelente composição que fala de um assunto pouco falando em canções: o machismo, ou melhor, a quebra de estereótipos que nesse caso é a famoso que "homem não chora". Bem elaborada e, dentro do seu propósito, emocionante, a produção de Crybaby perde uma incrível oportunidade de ser um musicão ao não usar todo o seu potencial.
nota: 7

15 de julho de 2014

A Era Depois da Amy

Trouble with My Baby
Paloma Faith

Desde que a Amy Winehouse ajudou a revitalizar e reviver o soul buscando as influências dos "originadores", outros artistas seguiram o mesmo caminho. Só que sem atingir o mesmo patamar. Uma pena, pois, nomes como a Paloma Faith, teriam tudo para conseguir. Apesar de entregar trabalhos decentes como
Trouble with My Baby.

A canção, terceiro single de A Perfect Contradiction, bebe direto da fonte do soul dos anos '50 e '60. Porém, ao invés de criar algo mais "moderno" e criativo, a produção entrega uma canção certinha e careta. Não que isso seja ruim, ainda mais que Trouble with My Baby é um trabalho muito bem feito, mas não ir além do arroz com o feijão tendo em mãos um talento como Paloma é um desperdício. Mesmo assim, a inglesa sabe como se portar diante de uma canção com essa pegada usando seu tom para dar um ar original na canção que peca exatamente por isso. Não que eu ache que vá surgir alguém como a Amy, mas certos ensinamentos delas deveria ser seguidos mais à risca.
nota: 7

17 de maio de 2014

Não é Apenas Mais Uma de Soul

Only Love Can Hurt Like This
Paloma Faith


Mesmo não sendo um trabalho inovador, Paloma Faith conseguiu tirar momentos marcantes do seu terceiro álbum, A Perfect Contradiction. Esse é o cado do segundo single, a boa Only Love Can Hurt Like This.

A canção é um volta com tudo para a sonoridade soul dos anos sessenta, em especial, das The Supremes. Mesmo com uma produção um pouco burocrática, Only Love Can Hurt Like This consegue passar a
emoção necessária com uma instrumentalização bem amarradinha que ajuda a emoldurar o estilo/época de maneira perfeita. A composição é da famosa compositora Diana Warren é boa, apesar de dar uma abusadinha no água com açúcar. O grande destaque da canção é a performance de Paloma que usa da força de sua interpretação e o seu tom natural para dar personalidade para Only Love Can Hurt Like This. Não é sensacional, mas também não é apenas mais uma de soul.
nota: 7,5

31 de janeiro de 2014

Quase Lá

Can't Rely On You
Paloma Faith

Às vezes quando a expectativa é alta demais sobre uma música podemos quebrar a cara mesmo que ela nem seja realmente ruim. Quando vi que a inglesa Paloma Faith iria lançar o primeiro single do seu novo álbum (A Perfect Contradiction) e teria a produção do multi platinado Pharrell Williams já imaginei a maravilha que está por vim. Infelizmente, isso foi um lindo sonho de uma noite de verão. Ou quase. A parceria dos dois artistas resultou na morna Can't Rely On You.

O single tem tudo o que deveria ter para ser genial: a visão de Pharrell sobre R&B, a voz de Paloma mostrando toda a sua versatilidade e a mistura dos estilos em uma letra acima da média. Só que tudo isso não é misturado como deveria e Can't Rely On You fica uma colcha de retalhos, quase caído no histérico. Mesmo assim ainda é bom ouvir uma cantora tão interessante como Faith que carrega tanta personalidade em sua voz e, aqui, mostra uma faceta mais soul music. Pharrell faz uma de suas produções características misturando R&B com toques generosos de funk music, mas a construção do arranjo parece uma mistura sem direção de instrumentos que tentam tocar um mais alto que o outro e todos "querem" ficarem mais altos que a voz da cantora. A composição é legal e tem algumas ideias interessantes como o poema em italiano no começo, mas não reflete o talento de Faith e Pharrell que já entregaram obras bem mais contundentes. Resumidamente: a canção ficou quase lá.
nota: 6,5

19 de abril de 2013

Os Sentimentos Que Não Falamos

Just Be
Paloma Faith

As vezes o amor não apenas flores e chocolates. Ele pode ser flores e chocolate bem amargo. É disso que fala a ótima Just Be da Paloma Faith.

A simples balada com o esquema de "voz e piano" pode até parecer conservadora, presa dentro de uma já
batida elaboração de melodia mesmo sendo um trabalho sólido e bem orquestrado, mas a grande diferença que faz Just Be distinta e uma grande canção é a sua verdade desconcertante. Paloma já abre dizendo isso:

Vamos envelhecer juntos
Vamos ser infelizes para sempre
Porque não há mais ninguém neste mundo
Com quem eu preferiria ser infeliz


Quando se está apaixonado ninguém pensa que vai passar por momentos tristes ou vai perguntar se é aquilo que quer. Ninguém pensa nos baixos quando os altos são bem mais agradáveis. Ninguém imagina que vai enfrentar desafios. Ninguém pensa em brigas. Ninguém pensa que é nos momentos "baixos" que se faz realmente a base para sustentar os momentos de "altos". Nisso se baseia a linda composição de Just Be. Esses sentimentos nos recusamos a sentir, viver e até mesmo falar. A performance inspirada de Paloma sabendo onde exatamente "colocar" as emoções certas ao lado da técnica vocal perfeita amarra qualquer ponta solta que a música poderia ter. E pode ter certeza que Just Be não tem nenhuma.
nota: 8,5

24 de janeiro de 2013

Para Uma Nova Geração

Never Tear Us Apart
Paloma Faith


Regravar um clássico  é sempre uma atitude perigosa e corajosa. As vezes é melhor seguir o caminho seguro e não ousar demais para estragar o que já está perfeito. Esse foi o caso da cantora Paloma Faith com a canção Never Tear Us Apart.

Clássico do grupo INXS, Paloma resolveu não mexer no que já estava bom demais. A produção manteve a mesma base da versão original apenas acrescentando uma pitadas de soul para melhor de adequar ao estilo da britânica. Para segurar a linda e melancólica composição, Paloma entrega uma performance na medida certa sem exageros, mas conseguindo se expressar perfeitamente. Um trabalho correto para apresentar para uma nova geração um clássico moderno.
nota: 7,5

27 de outubro de 2012

Um Momento no Tempo

30 Minute Love Affair
Paloma Faith

Quanto tempo dura o amor? Um mês? Um ano? Uma década? Ou para uma vida toda? Ou quem sabe por um momento no tempo? Para Paloma Faith pode durar trinta minutos.


30 Minute Love Affair, segundo single do álbum Fall to Grace, é uma historia verdadeira sobre quando Paloma encontrou um artista de rua e cantou com ele durante algum tempo e depois nunca mais o viu. Ela afirma que durante aquele rápido período se apaixonou por ele. A composição é primorosa na transmissão desse sentimento principalmente pelo acachapante refrão que consegue imprimir toda a atmosfera de quase um sonho real. Seguindo um caminho mais soul/eletropop como forte influência de Annie Lennox, a produção entregou uma canção delicada e cheia de alma, mas que tem como defeito não finalizar em melhor estilo com algo de maior impacto. Mesmo com vocais precisos, acolhedores e com sentimento Paloma fica presa na elaboração do arranjo que não a ajuda crescer também. No final das contas, 30 Minute Love Affair mostra que é o amor é amor em qualquer momento.
nota: 8

14 de agosto de 2012

A Balada Para um Coração Renegado

Picking Up the Pieces
Paloma Faith

Você se anularia por um amor? Se transformaria em um ser clemente por um amor que não é seu? Tentaria ser o objeto de desejo de alguém sabendo que essa pessoa deseja algo que você não é? Aceitaria se essa pessoa viesse para você amando outra? Deitaria feliz e satisfeito ao ver essa pessoa chorar por outro? Tentaria curar essa pessoa desse sofrimento? Responder sim para essas perguntas parece loucura, mas isso acontece com mais frequência que podemos imaginar. O amor pode ser tão cruel que uma pessoa pode se autodestruir para conseguir uma gota de amor. Em Picking Up the Pieces tudo isso é mostrado com uma mordaz poesia pela Paloma Faith.

Porque ela se foi,
Em sua sombra, sou eu quem você vê?
Porque tudo o que resta é você e eu
E eu estou pegando os pedaços
Que ela deixou para trás


Esse trecho tirado do refrão da canção é uma faca no coração para qualquer um que, por amor, aceitou essa pessoa de volta ou mais uma vez. A exatidão de como Paloma descreve esse tipo de relação é simplesmente acachapante. A verdade expressa em cada palavra nua e crua é como uma precisa, mas dolorida cirurgia que arranca os mais profundos sentimentos em poucos e intermináveis segundos. Está o amor quase doentio, a aceitação de ser posto em segundo, o conhecimento da tragédia emocional que a própria pessoa se preta a fazer. O arranjo pop/rock/soul completamente diferente de uma balada normal marca perfeitamente o tom da canção. Bem estilizada e com uma batida delicadamente cadenciada, mas com certa dose de dramaticidade necessária para acompanhar o desempenho impecável e memorável de Paloma. Entre momentos doces e poderosos, Faith domina Picking Up the Pieces com unhas e dentes de uma pessoa que já passou por isso. E quem não passou, provavelmente vai passar. É ciclo do amor.
nota: 9