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12 de fevereiro de 2024

Um Encontro Nada Memorável

Dance Alone
Sia & Kylie Minogue


Depois do desastre que foi a sua estreia na direção no atroz filme Music acompanhado pela trilha de mesmo nível, a Sia está de volta para lançar um novo álbum intitulado Reasonable Woman. Como single foi lançada a mediana Dance Alone com a presença da Kylie Minogue.

Sabe aquelas canções que não são ruins, mas que a gente esquece completamente da mesma depois de escutar? Então, Dance Alone é exatamente esse tipo de canção. Bem produzido tecnicamente, Dance Alone perde devido a falta de criatividade para criar algo que sai do lugar comum de ser uma dance-pop/disco que já foi feita um milhão de vezes. O instrumental na parte dos versos é até interessante, mas quando parte para o resto se torna massificada e repetitiva. Sia entrega uma performance e a Kylie Minogue é toque refinado para a canção, mas ambas entoam uma composição fraca que não empolga em nenhum momento. Uma canção que nem foi lançada e já foi esquecida.
nota: 6

12 de outubro de 2021

2 Por 1 - Arca

Incendio
Arca

Born Yesterday
Arca & Sia

Apesar de ter apenas trinta e um anos, a DL/produtora/cantora espanhola Arca se tornou um dos nomes de importância única dentro do meio eletrônico devido aos trabalhos ao lado de nomes como Björk, Kanye West, FKA twigs, Kelela e Frank Ocean. Além disso, o lançamento de trabalhos solos também ajudou a artista a se transforma em uma força artística realmente impressionante. Tudo fica claro com os dois singles lançados: Incendio e Born Yesterday.

Acredito que não teria melhor nomes para Incendio, pois a canção é uma verdadeira explosão incendiaria de potencial altíssima. É complicado delimitar qual seria o gênero que melhor se adequa para a canção já que em cerca de dois minutos e quarenta é nítido ouvirmos uma gama grande de influencia que a Arca se utilizou para construir a canção. Provavelmente, o que mais se encaixa aqui é uma desconstrução de eletrônico misturado com house, EDM e electropop com toques poderosos de latin music, mas apesar dessa adjetivação é ainda difícil entender Incendio sem ouvir.

Na verdade, quem ouve ainda tem dificuldades de entender a magnitude sonora que está presenciando devido a inteligência apurada de Arca em produção uma canção cheia de camadas que se interligam de forma fluida e azeitada para criar essa apoteótica peça de arte. A cereja em cima do bolo é a performance acachapante de Arca que ajuda a dar ainda mais personalidade para a canção. Em Born Yesterday, Arca entrega uma canção mais acessível ao remixar uma demo da Sia. O problema aqui está fora das linhas da canção.

Cancelada depois do desastre que foi a recepção de seu filme Music e completamente equivocada representação do autismo, Sia é o tipo de artista que você ama ou odeia, mas deve reconhecer o seu imenso tamanho. Se conseguir superar os recentes eventos de maneira a apreciar o que é ouvido em Born Yesterday irá poder encontrar uma suculenta e pomposa power balada eletrônica com uma produção realmente sofisticada. Ouvir a união das ideias da Arca com os vocais característicos da Sai é a constatação que essa última passou muito tempo trabalhando com produtores/DJs farofentos que não sabiam de fato fazer com a sua voz e, principalmente, as suas composições. E a escolha da canção para abrir os trabalhos do álbum Kick II mostra que Arca é uma artista corajosa também publicamente ao confiar basicamente que a qualidade da canção ser capaz de “esconder” percepções de decisões tomadas pela Sia. E isso é basicamente talento.
notas
Incendio: 9
Born Yesterday: 8,5



13 de outubro de 2020

De Volta ao Paraíso

Let's Love
David Guetta & Sia

Fazem cerca de oitos que publiquei a primeira resenha da parceria entre o David Guetta e a, até então, desconhecida Sia: Titanium foi um marco para o pop. Desde então, porém, a dupla já entregou cinco parcerias junto, mas sem nunca terem chegado aos pés da qualidade da canção "originadora". E eis que chega 2020 e seguindo a roteiro de um ano atípico, a dupla lança a sua melhor parceria desde a canção já citada em Let's Love.


Completamente diferente de todos os trabalhos juntos anteriores, Let's Love é uma inesperada, surpreendente e muito bem feita new wave/dance-pop saído diretamente de algum álbum dos anos oitenta. Ao contrário de várias canções que apenas apresentam influências, o single é completamente construído como se fosse uma canção nascida nos anos oitenta. Desde a atmosfera estilizada que transpira neon, cafonice e laque de cabelo aos sintetizadores na potência máxima, Let's Love é um trabalho que deixa a sensação de nostalgia em níveis perigosíssimos, mas que consegue se sobressair devido ao nítido respeito entre os envolvidos e uma qualidade técnica impecável. Mesmo não sendo o melhor trabalho lírico que a Sia já esteve envolvida é notável que a canção tem o seu toque de genialidade em vários momentos. Além disso, a poderosa performance da cantora dá o toque de personalidade que falta para amarar as poucas pontas soltas. E 2020 ataca novamente. Ao menos, o retorno de Guetta e Sia aos velhos tempos é muito bem vinda.
nota: 8

26 de janeiro de 2020

Outro Tema Para Sia

Original
Sia

Mesmo sendo uma das compositoras mais requisitadas e talentosas da última década, a Sia até agora não conseguiu entregar nenhum tema para filme que fosse digno do seu talento. O mais novo nessa lista é a mediana Original.

Original tem todas as qualidades da artista, mas, infelizmente, não consegue usar disso para entregar uma música realmente boa. A composição tem a estética dos bons trabalhos da Sia, mas termina de forma pouco inspirada e nada inspiradora como era a sua intenção. Performando de forma automática, a cantora deixa de lado suas poderosas interpretações para entregar uma morna interpretação. O pior, porém, é a produção que faz de Original um pop tão arrastado que ao seu final da vontade de tirar um cochilo. E o mais surpreendente é saber que a canção é ainda melhor que o filme que é tema já que Dolittle, estrelado pelo Robert Downey Jr., é uma verdadeira bomba atômica.
nota: 5,5


2 de outubro de 2018

Encontros Para a Juventude

Here I Am
Dolly Parton & Sia

Dolly Parton é um dos principais nomes do cancioneiro estadunidense de todos os tempos e, nos altos dos seus 72 anos de idade, a cantora não precisaria se preocupar mais em surpreender o público com novos lançamentos. Felizmente, não é isso que a artista deve pensar, pois ela continua a entregar novos trabalhos regularmente. Dessa vez, Dolly volta a cuidar de uma trilha sonora de um filme ao ser responsável pelas músicas do longa Dumplin'. Como primeiro single foi lançada a surpreende regravação de Here I Am ao lado da Sia.

Regravação de uma canção lançada pela própria Dolly em 1971, a nova versão de Here I Am consegue abarcar as personalidades das duas cantoras ao ser uma inspirada balada country pop/ gospel, dando espaço para as duas cantoras brilharem. E é muito surpreender e auspicioso que duas artistas que são tão diferentes conseguiam ter uma química tão grande, entregando performances sensacionais ao seus estilos e, principalmente, sem tentar ofuscar a outra. Caso não fosse uma regravação, a canção teria boas chances de concorrer ao Oscar de Melhor Canção. Uma pena. Apesar de ser liricamente simples e com uma sonoridade pouco imaginativa, Here I Am é um trabalho comovente e de uma beleza perfeita para sustentar o talento das suas interpretes.
nota: 8

20 de junho de 2018

Latão

Flames
David Guetta & Sia

Chegando a incrível marca de sexta colaboração, David Guetta e a Sia lançaram a canção Flames, mostrando que a parceria começa a mostrar certo desgaste.

A produção é acerta, pois cria algo diferente para a parceria de Sia e David ao ser uma clean e contagiosa pop/electro pop com toques de R&B. Entretanto, a canção não consegue se sustentar plenamente ao longo da sua duração, resultado em uma batida arrastada e enfraquecida da sua metade para o final. Sia segura bem a canção, mas sem muito o que fazer vocalmente já que Flames não tem espaço ao ser uma canção bem linear e redondinha demais, passando longe do impacto de uma Titanium. Quem sabe a próxima parceria os dois artistas não reencontrem o toque de Midas.
nota: 6

12 de julho de 2017

A Simples Beleza

Free Me
Sia

Nos últimos tempos, a Sia vem se consolidando como não apenas uma grande artista, mas, principalmente, como um dos nomes que deveram ser responsáveis por influenciar as próxima gerações. E uma prova cabal disso é a canção Free Me,

Lançada como forma de angariar recursos para uma fundação que busca a cura da AIDS, Free Me é uma power balada pop com base de piano. Até aí tudo bem, pois existem milhares de canções com a mesma estrutura. O que diferencia Free Me e a transforma em um momento único e emocionante é a presença avassaladora da performance da Sia. Poucas cantoras conseguiram elevar tanto uma canção apenas com a voz e a força da sua interpretação como a cantora faz em Free Me. Emocionante do começo ao fim, Free Me ainda se beneficia da belíssima composição sobre clamar para ser liberto das amarras que a vida nos impõe, o que combina bastante com a intenção da canção. Um trabalho de uma beleza grandiosa e por uma ótima causa que, infelizmente, não fará o sucesso que merece.
nota: 8 

5 de junho de 2017

A Rainha das Trilhas

To Be Human (feat. Labrinth)
Sia

Recentemente, a Sia tem virado a rainha das trilhas sonoras: de tempos em tempos, a cantora lança uma canção que faz parte de algum filme. Não importa o tipo de filme ou o destaque do mesmo em relação ao seu lançamento, Sia é, basicamente, pau para toda a obra. O seu mais recente lançamento é a canção To Be Human, tema do filme da Mulher-Maravilha.

A canção tem todas as características de um trabalho da cantora: pop contemporâneo com uma atmosfera épica e vocais avassaladores que, aqui, conta com a modesta e efetiva participação do cantor britânico Labrinth. O problema da canção é que ela só realmente decola na sua parte final, mostrando toda a força que uma canção tema do filme da principal heroína de todos os tempos deve ter. Mesmo assim, To Be Human acerta na composição delicada sobre o que faz de uma pessoa um ser humano de verdade. Ainda é cedo para falar e não deve ser essa canção que vai ser a responsável por isso, mas Sia está se encaminhando para futuramente levar para casa um certo troféu dourado de melhor música.
nota: 6,5

13 de setembro de 2016

O Cativeiro da Sia

The Greatest (feat. Kendrick Lamar)
Sia

Existe uma brincadeira recorrente entre parte do público brasileiro que a Sia vive um cativeiro e a sua algoz é a Beyoncé, obrigando a australiana a escrever a suas músicas. Brincadeiras a parte, a Sia realmente parece viver em uma prisão, mas uma feita por ela mesma. Explico: Sia se prendeu em um cativeiro da suas próprias ideias. Esse é caso de seu mais novo single The Greatest.

A canção que deve ser o primeiro single do seu próximo álbum (We Are Your Children) tem todas as qualidades de uma boa música da cantora, mas que também não mostra nada de novo em sua sonoridade. Produzida Greg Kurstin, The Greatest é um bom pop dance/pop alternativo que conquista pela batida envolvente e limpa de recursos clichês. Entretanto, a mesma atmosfera já foi ouvida em outras canções da cantora como é o caso de Cheap Thrills e Elastic Heart. Ao falar sobre se libertar das amarras que nos prendem de sermos felizes, Sia continua mostrando como passar uma mensagem otimista de maneira sincera e adulta, continuando o mesmo tema de músicas passadas defendidas por ela e outros artistas. O ponto alto da canção é o seu refrão viciante, defendido com louvor pela Sia. A participação de Kendrick Lamar não é genial, mas inusitada e dá um toque especial para a canção. The Greatest poderia se beneficiar de uma possível fuga de Sia do seu próprio cativeiro, mas ainda é melhor que as canções de muitas cantoras que estão por aí livres, leves e soltas.
nota: 7

1 de março de 2016

Pedido Atendido

Cheap Thrills (feat. Sean Paul)
Sia

Quando eu fiz a resenha do álbum This Is Acting escrevi: "Cheap Thrills que clama para ser single." Então, o meu pedido foi atendido e a Sia lançou a canção como single, mas com um detalhe a diferente: a participação do rapper Sean Paul.

A inclusão do rapper que fez muito sucesso no começo dos anos dois mil está gerando alguma polêmica, pois Sean Paul não é exatamente o queridinho de muitos. Apesar do seu ressurreição no mainstream soar "meio mofado", a presença dele não altera em nada a qualidade da canção. Na verdade, esse é o toque que faltava para que Cheap Thrills ficasse ainda mais comercial. Misturando eletropop com influência de ritmos caribenhos, a canção resulta em uma deliciosa e dançante faixa que segue o mesmo caminho do hit Lean On. Sia mostra como fazer uma canção sobre "festejar" de maneira inteligente e carismática, além da sua ótima performance. Agora, falta Cheap Thrills fazer sucesso. Atende esse pedido aí, Sia!
nota: 8

14 de janeiro de 2016

As Grandes Sobras

Bird Set Free
Sia

Como vocês já devem saber, a Sia vai lançar o seu próximo álbum This Is Acting com músicas que ela escreveu, mas que foram rejeitadas por outras cantoras como Rihanna e a Adele. Uma delas é o single promocional Bird Set Free.

Escrita para a Adele, a canção é outro grande acerto para a Sia depois de Alive. Novamente, Sia mostra todo o seu poder vocal, mas, ao contrário da música anterior, a cantora se destaque mais interpretação primorosa do que pelo alcance. Bird Set Free também é outro ótimo exemplo da qualidade de compositora da artista: a letra fala lindamente sobe tomar consciência do seu poder de libertações das coisas que fazem mal. O defeito da canção é não ser uma baladona de verdade para aproveitar todo o potencial dramático da canção. Entretanto, a produção de Greg Kurtin acerta o tom em arranjo mid-tempo com a cara da cantora. O melhor é saber que a Sia está aproveitando tantas "sobras" para fazer músicas tão boas.
nota: 8

28 de setembro de 2015

A Sia Certa

Alive
Sia

A cantora Sia já não é nenhuma ilustra desconhecida mais, apesar de ainda de estar na fase de esconder o rosto em aparições públicas. Depois do imenso sucesso do single Chandelier que ajudou nas vendas do 1000 Forms Of Fear, Sia tornou-se uma dos principais nome no mainstream atualmente com o seu talento vocal e como compositora sendo reconhecida quase unanimemente pela critica especializada. Na minha visão, Sia é, sim, uma força da natureza como artista, mas o seu último álbum não esteve a altura do talento dela ao ser cheios de altos e médios momentos. Porém, não será preciso esperar muito tempo para saber se a cantora vai continuar em alta, pois a cantora deve lançar o seu novo álbum This Is Acting ainda esse ano e já conta com um single: a ótima Alive.

A canção, na verdade, seria destinado para Adele que a co-escreveu ao lado de Sia e de Tobias Jesso Jr., mas a inglesa decidiu "passar adiante" a faixa. Alive, então, foi recusada pela Rihanna e, por fim, Sia decidiu gravar a música e lançar como single. E não poderia ser uma melhor ideia: Alive é o perfeito veiculo para a australiana continuar a onde de sucesso. Começa pelo fato da composição ser tudo o que poderíamos esperar da união de duas compositoras tão talentosas: de um lado temos a forção emocional de Adele do outro temos a refinada visão linguística e com um apuro em lapidar emoções para na cair em algo piegas da Sia. Por causa dessa mistura, Alive passa uma poderosa mensagem de superação de maneira austera e com um refrão simples e avassalador. Apesar de alguns exageros vocais da Sia no final da canção, não há como negar que a cantora simplesmente está acachapante usando todo o seu potencial vocal mostrando o motivo por ter conseguido o seu statos como uma das grandes cantoras da atualidade. A produção de Jesse Shatkin não entrega nenhuma grande ousadia, mas faz com louvor uma power balada com uma quebra de expectativa na parte final que ajuda a canção a ganhar uma estética bem própria da Sia. Por enquanto, a Sia acertou em cheio. Esperamos as próximas músicas.
nota: 8  

3 de abril de 2014

Uma Canção para Sia

Chandelier
Sia

Se tem uma pessoa que pode dizer que trabalhou com mais da metade da indústria fonográfica, essa pessoa é a australiana Sia. Mesmo com uma carreira bem longa, Sia só ganhou notoriedade no mainstream quando escreveu e cantou a canção Titanium do DJ David Guetta. Depois esteve em outro mega hit como coautora e featuring: Wild Ones do rapper Flo Rida. Com a exposição recente, Sia começou a emplacar composições para Deus e o mundo (Beyoncé, Rihanna, Eminem, Katy Perry e Christina Aguilera são apenas alguns nomes). Então, após tanto sucesso nada mais justo que Sia voltar a investir na sua carreira solo. Para tanto ela lançou o single Chandelier, o primeiro solo dela desde 2010.

Chandelier é, como eu classifico, como uma canção "quase": quase é um trabalho brilhante, mas ficou no meio do caminho. O caminho seguido pelo produtor Greg Kurstin é muito parecido com a sonoridade pop que nomes como Beyoncé (Pretty Hurts) e Shakira (Empire) estão fazendo ultimamente. A canção tem uma produção bem amarradinha que a transforma em uma balada power pop com uma batida diferente. Mesmo sendo uma música interessante, Chandelier tem um que de "eu já ouvi isso antes". Sia ao lado de Jesse Shatkin compõe uma letra muito boa falando sobre solidão o que consegue seguir na contramão do atual cenário pop, mas falta algo para dar a liga para que o trabalho seja inesquecível. O maior problema aqui são os vocais de Sia. Não que ela esteja ruim, pelo contrario, ela mostra ser capaz de estar entre as melhores cantoras da atualidade. Contudo, ela comete alguns exageros, em especial, no refrão que quase fica "fora do controle" o uso do seu potente falsete. Ainda acredito que a Sia seja capaz de entregar algo realmente brilhante. Agora é esperar.
nota: 6,5