31 de agosto de 2011

Selo de Qualidade do SoSingles

Love You Like A Love Song
Selena Gomez & The Scene

A modéstia me falta nesse momento em que eu afirmo: eu quase nunca erro. Pelo menos o meu "tino" para talentos na música nunca me decepciona. Desde que eu comecei a acompanhar a trajetória da banda Selena Gomez & The Scene eu já sentia que "havia coelho nesse mato". Apesar dos contras que poderia envolver, principalmente a vocalista ser uma das princesinhas da nova geração da Disney que inclui nomes como Demi Lovato e Miley Cyrus, me despi de pré-conceitos e pude analisar mais cuidadosamente comprovando que as aparências realmente enganam. Mesmo assim, ainda faltava um "que" para a banda (tá, eu sei que mesmo sendo um grupo as atenções do grupo são apenas para a Selena) chegar a nível superior. Eu esperava algum tempo para isso acontecer, mas não é que isso já se realizou.

O segundo single do álbum When The Sun Goes Down é a ótima Love You Like a Love Song. A música é balada pop/eletropop com uma vibe anos oitenta tão bem construída e produzida em cada pequeno detalhe que fica quase impossível não se apaixonar. Claro, que a maior parte desse êxito deve-se a dupla de produtores Rock Mafia que deu a canção essa atmosfera deliciosa com um arranjo sofistica, mas simples em seu "DNA" numa versão teen e atualizada de Annie Lennox (sem comparar talentos, mas sim falando de estilos). Eles também são responsáveis pela composição lindinha que acerta na mosca no bom refrão, mas o resultado não seria o mesmo sem a presença de Selena. Ela é alma da canção. Sua voz se encaixa lindamente na canção e contribuir para o resultado final ser tão bom. Ela não é genial, mas sabe como utilizar seu dom de maneira primorosa. Mesmo a banda não sendo um talento nato, mas a sua construção mostra que mesmas as coisas industrializadas podem ser gostosas. É só saber o que tem no recheio e se tem o selo de qualidade. E pelo menos no SoSingles, o Selena Gomez & The Scene já está carimbado.
nota: 8

Realmente Brava

Brave
Kelis

Saber se um álbum foi bem recebido pela própria gravadora é só olhar para o quanto ele "investe" nele, mesmo o álbum sendo um fracasso comercial. Um ótimo exemplo disso é o Flesh Tone da cantora Kelis que conseguiu chegar ao quarto single.

Em Brave, a cantora mostra porque foi uma das primeiras a investir na mudança de estilo e se jogar no eletrpop: o gênero tem possibilidades gigantescas se usado com sabedoria. A canção não é feita apenas para dançar, Brave tem uma mensagem poderosa passada de maneira simples, mas eficiente. A composição reflete o estado de espírito dela após o fim do casamento com o rapper Nas numa mistura de dor, sentimentos confusos e vontade de sobreviver. Kelis está perfeita em seus vocais contidos e sem o uso exagerados de efeitos. Produzida pela DJ Benny Bennassi, Brave peca um pouco devido a falta de originalidade. Porém a maneira elegante com foi elaborada compensa. Queria que todos os flopes fossem assim. Não seria lindo?
nota: 8


I Am Flop

I Am Woman
Jordin Sparks

O pico foi 89° na Billboard. Em outras palavras: flop. E dos grandes. Esse é a história da canção I Am Woman da Jordin Sparks.

Possível primeiro single do terceiro álbum dela (ainda se nome) a canção foi a tentativa de colocar Jordin no meio do popdance. Apesar do fracasso, a canção não é uma total perda de tempo. Seu grande destaque vai para o bom arranjo que se destaque pela batida forte com tambores marcando o tempo. Exemplo que não precisa seguir a mesma cartilha para criar algo relevante. Com produção do Ryan Tedder (veja resenha abaixo), I Am Woman peca pela letra pobre e fútil. Se não bastasse o uso do mesmo assunto já dominado pela Beyoncé (o poder da mulher), a falta de inspiração complica até mesmo a performance de Jordin perdendo o brilho cantando tantos clichês juntos de uma vez só. Querem apostar quanto, assim que Jordin achar um single com mais potencial, I Am Woman vai virar single promocional?
nota: 6,5

Bom Como Picolé de Chuchu

Brighter Than the Sun
Colbie Caillat


Um picolé de chuchu deve ser uma das coisas mais estranhas de "comer". Em um dia de calor pode até ser refrescante, mas não tem gosto de nada. Refresca sem matar a vontade. Assim é a canção Brighter Than the Sun.

Terceiro single do álbum All of You da Colbie Caillat, a canção é bonitinha, gostosinha de ouvir, mas previsível e esquecível. Um pop/folk bem orquestrado com a produção do Ryan Tedder que foge do "balada" que ele se especializou, mas não entrega nada realmente interessante. A letra é comportada e convencional que não convence como história de amor enquanto Colbie entrega uma performance normal e contida sem maiores atrativos. Assim como picolé de chuchu.
nota: 6

29 de agosto de 2011

Ah, Eu Ri!

Don't Stop The Party
Black Eyed Peas

Finalmente um dos singles do Black Eyed Peas flopou. E digo com o maior prazer: eu adorei. Quem sabe assim eles não voltam a ser o velho e bom Black Eyed Peas de antes?

A responsável pelo fato é a canção Don't Stop The Party que alcançou apenas a 86° na Billboard. O curioso é que a canção nem é tão ruim assim. Claro, comparando com os outros single do álbum The Beginning. Don't Stop The Party tem a qualidade de ser menos irritante e isso já uma coisa incrível. O grande problema da música, e da nova fase do BEP, é que o will. I. am se acha a última bolacha do pacote. Mesmo tendo mais de seis minutos (na versão do álbum) o ego do líder do quarteto não cabe. Ao contrário de Kanye West que direciona sua "personalidade" para criar trabalhos complexos, will. I. am se leva pelo fácil, clichê e o que vai render mais depois. A letra de Don't Stop The Party é a comprovação disso: horrível. As rimas pobres e o teor bobo são vergonhosos. Enquanto will. I. am rouba de forma negativa a canção, seus companheiros rappers ficam a deriva e sem rumo. Já a Fergie se afoga em dois versos que qualquer outra cantora poderia fazer. Vou dizer que um flop nunca me causou tanta alegria. Eu ri e muito.
nota: 5,5

28 de agosto de 2011

Em Que Ano Estamos Mesmo?

Smile
Avril Lavigne

Quando ouço o segundo single do álbum Goodbye Lullaby da Avril Lavigne me vem apenas uma pergunta: porra, que ano é esse mesmo?

Smile parece que Avril entrou em uma máquina do tempo e voltou antes de Let Go e trouxe uma Avril de doze anos para compor e cantar a canção. Sério, Smile está longe de ser uma canção gravada por uma mulher de vinte e seis anos e no seu quarto álbum. É infantil com sua letra de "menina mimada rebelde sem causa" que acha que falar palavrão apenas por falar é "cool", mas quer passar uma mensagem bonitinha e fazer coraçãozinho com a mão. Avril soa também como uma menina de doze anos com uma voz histérica e fininha irritante. Completa o quadro do "pop teen feito por uma quase tiazona", um arranjo banal e bobo. Se ela continuar assim, a próxima será música de roda para crianças do jardim de infância.
nota: 5

27 de agosto de 2011

O Renascimento de Uma Era

Yoü And I
Lady GaGa

No mundo pop que é tão mutável e grande, onde vemos ídolos surgirem e sumirem com a mesma rapidez que uma canção chega ao topo das paradas e modas mudam a cada nova estação, poucas coisas pernanecem como são. Uma delas é a balada pop. Um estilo dentro do gênero que consagrou cantores de um sucesso só e fez com que os grandes nomes quase passassem batidos por ele. Pensem em Madonna e Michael Jackson. Quantas baladas de sucesso eles tem? Difícil, né? Tem que pensar bastante até achar You'll See e You Are Not Alone respectivamente. E pense na Bonnie Tyler e na hora vem Total Eclipse Of The Heart. Em três décadas, a balada pop teve seu auge. Dos anos setenta até o final dos anos noventa. As maiores canções do estilo alcançaram o posto de hit durante esse tempo. Desde Your Song, passando por Time After Time, ganhando força em I Will Always Love You e My Heart Will Go On. Quem não se lembra, mesmo só por vídeo, daquela emocionante performance do Queen com Love of My Life aqui no Brasil no Rock in Rio? E indo um pouco mais para o pop rock ainda temos I Still Haven't Found What I'm Looking For do U2 e a versão de Love Hurts do Nazareth. E eu poderia ficar durante muito tempo falando de mais exemplos e a importância das baladas para o pop. Mas aqui o foco é outro.

Apesar da sua importância, a balada pop perdeu muito espaço nos últimos dez anos. Muito pouco foi feito e as duas últimas canções a terem uma faísca do estilo em seus DNA foram A Thousand Miles e I'm With You. As grandes baladas pop foram substituídas em parte pelo R&B contemporâneo, mas em grande parte foi apenas esquecida. O pop virou "dance" apenas enquanto os outros gêneros ganharam força. Porém, ainda esperança. Há ainda esperança de vermos em um festival uma multidão cantar a mesma música que fala de amor com a mesma intensidade que canta hits das pistas de dança. Há ainda esperança de a balada pop renascer e cumprir seu papel de fazer multidões esquecerem ídolos e gostos e apenas cantar. E quem pode fazer isso tudo é a Lady GaGa.

Se você a odeia, continue assim. Continue com suas preferências. Se você detesta a música Yoü And I, não precisa ouvir e continue falando que a pior coisa do mundo. Mas se você sente falta da época que um cantor, cantora ou banda podia fazer uma multidão cantar apenas usando a voz e um piano, torça pelo o sucesso de Yoü And I. Não, melhor: torça para que a música seja a porta para que novos (ou velhos) artistas façam mais baladas pop. Torça para que elas possam ser tão boas que assim como as músicas que eu citei aí em cima daqui a dez, vinte ou trinta anos seus filhos, netos, sobrinhos ou desconhecidos possam ouvir essa canções e verem o quanto bom era nosso tempo. Pois sejamos francos, qual é a herança musical que vamos deixar para a próxima geração? Restart? Justin Bieber? Rebecca Black? Se você não quer a Lady GaGa como herança, então torça para que apareçam essa pessoas e suas músicas possam ser conhecidas. Odeie Yoü And I, mas não odeie o que ela pode fazer mesmo sem ser um sucesso estrondoso. Torça para Yoü And I, Some Like You e California King Bed seja a ponta de um novo futuro onde o pop vai poder voltar ao que foi. Como eu já disse o que você acha da música em si, não faz diferença, apenas se agarre na idéia. E para quem acha isso já pode parar de ler, pois apartir de agora eu vou dar minha opinião pessoa sobre a canção. Valeu pelo tempo perdido e espero que pense sobre o assunto.

Yoü And I já nasce de certa maneira já predestinada a ser uma balada pop épica. GaGa foi extremamente esperta ao fazer apresentações da canção apenas ao piano muito antes do lançamento do Born This Way. Ela testou a resposta da platéia com a canção e viu que "deu liga". Mais a versão em estúdio saiu melhor que a encomenda. GaGa acertou no alvo ao chamar um especialista em "músicas épicas" para dar a forma em Yoü and I: Robert John "Mutt" Lange. O produtor foi reponsável por inúmeros sucessos de nomes como AC/DC, Def Leppard, Foreigner, Bryan Adams e na época que era marido de Shania Twain, foi produtor do sucesso Come on Over. De Mutt a música ganhou uma sofisticada, poderosa e pungente base misturando rock e pop na batida da bateria, no riff da guitarra e nos toques do piano. A grande sacada da música é o uso do sample. Aquela já familiar e quase transcendental batida da música We Will Rock You do Queen. Quem nunca na vida não fez o "tum, tum, tum, bate palmas"? Além do sample, Yoü And I ganhou a participação do guitarrista da banda Brian May. Enquanto a produção está de primeira, GaGa entrega uma performance impecável. Aqui GaGa mostra que é uma cantora ao conseguir carregar a grandeza da música sem precisar de ser a melhor cantora do mundo. Suas apresentações ao vivo são sensacionais, principalmente quando faz a primeira parte apenas no piano. A composição não é a melhor coisa do mundo, mas entrega os três pontos de uma balada pop com perfeição: fácil de cantar e se identificar, refrão avassalador e com pegada pop. Só isso já está de bom tamanho. Deixamos a profundidade para uma próxima. E uma outra vez. E quem sabe milhares de vezes.
nota: 8,5

Semana Pop

Depois da Semana Country, é a vez do blog dedicar a um dos estilos mais populares: o pop.