31 de outubro de 2021

Divas Pop, Assemble!

Kiss of Life
Kylie Minogue & Jessie Ware


Ouvir a parceria da Kylie Minogue com a Jessie Ware em Kiss of Life para o relançamento do álbum Disco é como ver a reunião dos heróis da Marvel pela primeira vez no cinema: excitante, explosiva e poderosa. E, felizmente, a canção consegue fazer jus aos nomes envolvidos.

Kiss of Life é uma mistura perfeita das sonoridades das duas cantoras em seus últimos álbuns: de um lado, a energética vibe de Kylie e, do outro, o aveludado envolvimento de Jessie. Entretanto, a canção consegue manter intacta a elegância madura que ambas trazem para esse post-disco que marcaram os seus últimos trabalhos. E a produção consegue equilibrar de maneira exemplar as personalidades das cantoras sem deixar ninguém brilhar mais que a outra. E isso é outra qualidade, pois a canção termina como sendo uma parceria de verdade e não apenas um caça níquel barato apenas para ter a canção ter destaque. Resumidamente: Kiss of Life tem a qualidade garantida pela Kylie e Jessie como tudo que as cantoras vêm fazendo nos últimos tempos. E isso é algo para ser celebrado genuinamente.
nota: 8,5

Emotion By Foxes

Dance Magic
Foxes

Depois de seguir a cartilha Body Talk, a Foxes segue reescrevendo a sua história ao caminhar pela mesma estrada que a Carly Rae Jepsen ao lançar a ótima Dance Magic.

Soando como uma canção retirada do E•MO•TION, Dance Magic é uma synth-pop efervescente, doce e divertida que brilha pela forma como a produção entrega um produto redondo e honesto. Sem querer ser mais que apenas uma boa canção pop, o single consegue ter essa deliciosa vibe despretensiosa que deixa espaço para todas as qualidades do pop vim a tona. Letra simples e eficiente, vocais sem firulas e cativantes e composição leve e com a profundidade necessária para não ser fútil. E o mais importante é que a Foxes se banha dessa influência direta de E•MO•TION, mas consegue impor a sua personalidade do começo ao fim. Espero que assim possa seguir o seu próximo álbum, pois estaremos diante de uma verdadeira pérola pop.
nota: 8

Algo de Kate

Giving Into The Love
AURORA


Amadurecendo como artista de maneira realmente surpreendente, a cantora AURORA entrega a sua terceira canção inspirada na sequencia com o lançamento de Giving Into The Love. Dessa vez, a jovem mostra que a sua sonoridade tem raízes em lugares extremamente auspiciosos.

Em vários momentos de Giving Into The Love é possível notar uma forte e recompensadora influência da britânica Kate Bush. Especialmente quando se nota o cuidado da produção em criar uma mistura refinada e complexa de art pop com indie pop que consegue ser complexa devido a seu bem construído e substância arranjo. Sem medo de criar uma canção que não seja exatamente comercialmente viável, a produção encontra o equilíbrio em saber referenciar sem soar como uma cópia ou pretensiosamente artístico. Outro ponto que lembra a Kate Bush são os vocais de AURORA quando a mesma canta as notas mais altas, mas isso não transforma a sua performance em uma imitação no instante que a cantora sabe como mostra a sua distinta personalidade durante toda a canção. Giving Into The Love não é tipo de canção para hitar como o grande público, mas é perfeita para mostrar que a AURORA está se transformando em uma artista realmente magnifica.
nota: 8

Memorias de Um Passado Quase Perdido

If You Say The Word
Radiohead


Devo admitir que não sou um conhecedor profundo da discografia do Radiohead, mas sempre que ouvi a banda tive uma atração genuína pela sonoridade deles. E esse é o caso da sensacional If You Say The Word.

Canção divulgada da compilação Kid A Mnesia que vai reunir canção não lançadas dos álbuns Kid A (2000) e Amnesiac (2001), If You Say The Word é uma soturna e densa indie/ambient rock e experimental que soa exatamente como uma obra feita no comecinho dos anos dois mil. Ao não soar datada, a canção também deixa claro a força da sonoridade da banda que consegue ser atemporal e, ao mesmo tempo, a frente do seu tempo em qualquer momento que se a escute. Acredito que a força principal da canção, porém, vem da sua poética e desconcertantemente direta composição sobre dar mão para alguém com problemas. Obviamente, If You Say The Word não é a melhor canção da banda, mas ainda assim é uma obra sensacional.
nota: 8,5

29 de outubro de 2021

Primeira Impressão

Daddy's Home
St. Vincent



O Mundo Segundo St. Vincent

The Melting of the Sun
Down
St. Vincent


Se a sonoridade da St. Vincent já tinha uma forte sensação de que a cantora vivia em mundo apenas seu, Daddy's Home veio para comprovar de maneira cabal essa teoria. E isso fica bem claro com os sensacionais singles The Melting of the Sun e Down.

The Melting of the Sun é uma psicodélica mistura de rock e blues que se baseia em uma extraordinária guitarra e os vocais ásperos e sensuais de St. Vincent. Climática e elétrica, a canção emoldura com perfeição toda uma sonoridade vinda direto dos anos setenta sem parece estar copiando, mas, sim, prestando uma homenagem/recriação de maneira extremamente respeitosa e revigorante. Tematicamente, a canção é uma homenagem a mulheres que influenciaram a cantora e que de alguma forma resistiram aos seus “fins do mundo” ao longo da história com uma escrita de um refinamento espetacular. The Melting of the Sun é uma canção espetacular, mas Down dá um paço a mais.

Construída como uma funk, art rock com toques de psicodélico e synthpop, Down é organicamente uma explosão que consegue grudar na nossa cabeça como chiclete emaranhado no cabelo. O explosivo, soulful e empoderado arranjo é construído de forma a conseguir expressar toda uma raiva que a performance de St. Vincent apresenta do seu começo ao fim. E também pudera: Down narra a vingança emocional e física de uma mulher abusada/agredida contra o seu agressor. Sem meias palavras ou com medo de soar politicamente incorreta, a cantora se mantem contida em uma letra surpreendentemente direta, mas com um soco no estomago guardado na sua significação final. E assim embarcar no mundo de St. Vincent é uma aventura sem volta que realmente compensa a jornada.
notas
The Melting of the Sun: 8,5
Down: 9



26 de outubro de 2021

Bem Acima Da Expectativa

Moth To A Flame
The Weeknd & Swedish House Mafia


Quando vi a notícia que o The Weeknd iria lançar uma parceria com o trio sueco Swedish House Mafia tive duas perguntas:

1°: o Swedish House Mafia não tinha acabado?
2°: o The Weeknd vai se associar ao um eletrônico farofa?

E eis que que surge a ótima Moth To A Flame para provar que Swedish House Mafia ainda está na ativa e que o The Weeknd não se envolveu com farofada.

O single é uma synth-pop/EDM que não chega a se render a clichês devido a ótima produção do trio que consegue dar para a canção um refinamento e, principalmente, um toque sombrio que consegue criar uma atmosfera madura e substancial. É interessante notar que a sonoridade segue os caminhos da sonoridade de The Weeknd, mas com personalidade suficiente para se sustentar por si e tendo nuances diferentes que já ouvidos na voz do cantor. Entoando de maneira envolvente e levemente triste, o cantor entrega uma performance realmente suculenta e inspirada que se torna a cereja em cima do bolo. Uma pena que Moth To A Flame não tenha um refrão linear demais para uma canção que deveria ser esse momento o seu ponto alto. De qualquer forma, a canção é um trabalho que excede todas as expectativas de maneira a não deixar perguntas no ar.
nota: 7,5

A Lenda ABBA

Just a Notion
ABBA

Continuando a divulgação do seu comeback lendário, o ABBA lançou mais uma canção como single de Voyage: Just a Notion. Apesar da canção soar como um filler em comparação as duas canções já lançadas, o single ainda mostra a força do quarteto sueco.

Escrito originalmente para o álbum Voulez-Vous de 1979, a canção é uma leve, alegre e esperançosa balada mid-tempo europop/disco que consegue tirar um sorriso sincero do nosso rosto enquanto escutamos. Não irei colocar a canção como o suprassumo do ABBA, mas Just a Notion mostra o quanto relevante e atemporal é a sonoridade da banda. Com vocais originais, mas com uma instrumentalização gravada recentemente, a canção é uma pequena aula de como fazer pop mesmo que não seja o melhor é sempre inspirada e inspiradora.
nota: 7,5