15 de fevereiro de 2015

Escolhas

One Last Time
Ariana Grande

Quem administra a carreira da Ariana Grande está de parabéns por vários motivos, mas o principal são as sensacionais escolhas das canções como single. Depois de Love Me Harder, chegou a vez de outro destaque do álbum My Everything: One Last Time.

One Last Time é, até o momento, o melhor desempenho vocal de Ariana. Mostrando doçura e romantismo ao mesmo tempo em que desfila o seu poder vocal, a jovem ajuda a transformar a canção em um trabalho realmente marcante e acima da média. Nas mãos de outra artista novata, One Last Time poderia perder o brilho da ótima produção dance pop romântica com um arranjo deliciosamente viciante, mas Ariana dá vida a uma letra bonitinha sobre arrependimento (detalhe: um dos compositores é o David Guetta, mas ele não assina a produção!). Torço para que Ariana continue desfrutando de ótimas escolhas para o bem da sua carreira e do público.
nota: 8

14 de fevereiro de 2015

Rita Minaj

Doing It (feat. Rita Ora)
Charli XCX

Mesmo sem previsão de lançar o seu segundo álbum, Rita Ora vai se mantendo relevante na música por outros caminhos assumindo o posto de jurado do The Voice UK e participando de canções de artistas que estão no auge. Depois de Black Widow da Iggy Azalea, Rita está presente na versão single de Doing It da Charli XCX.

Laçada como terceiro single de Sucker, Doing It é a escolha perfeita para ser single: divertida, despretensiosa e bem produzida. A mistura de pop e glam rock cria uma batida contagiante com uma atmosfera juvenil e inconsequente que deveria ser a sonoridade da Avril Lavigne caso ela tivesse evoluído de verdade. Mesmo sem alterar em nada a canção, a presença de Rita dá química com Charli sem fazer a canção perder qualidade. Isso não tira o fato que Rita está a ponto de virar arroz de festa.
nota: 7,5

12 de fevereiro de 2015

Primeira Impressão

Rebel Heart
Madonna


O Reverso da Música

I Bet
Ciara

Desde que conseguiu se estabelecer artisticamente com os seus últimos lançamentos, a cantora Ciara
viu a sua carreira perder popularidade. I Bet, o seu mais novo single, atingiu apenas a posição de 96° na Billboard. E nem adiantou a canção ser um trabalho muito bom.

O single, apesar de remeter aos trabalhos iniciais da cantora, mostra um belo amadurecimento da sonoridade dela. Todos sabem que Ciara nunca foi dona de um "vozeirão", mas, como mostra em I Bet, ela conseguiu achar o lugar da sua voz e como usa-la da melhor forma mostrando um performance bastante segura e consistente. Falando sobre o rompimento do ex-marido, o rapper Future, Ciara mostra uma honestidade de partir o coração, pois, ao mesmo tempo em que se mostrar forte, ela deixa escapar parte do sofrimento que está passando. I Bet é um R&B mid-tempo com influência dos anos noventa muito bem conduzido pela produção; Erra, porém, na duração de quase cinco minutos o que deixa a canção com certo ar de ser "arrastada". E, novamente, sucesso está na outra ponta de qualidade.
nota: 7,5

11 de fevereiro de 2015

O Buzz Certo

Sugar
Maroon 5

Sempre foi necessário fazer divulgação quando se lança uma música ou um álbum, porém, as estratégias mudaram com o aparecimento de novas tecnologias. Só que algumas coisas ainda funcionam muito bem quando bem feitas. O vídeo clipe, que era considerado "morto" por muitos, há algum tempo está conseguindo reconquistar a sua importância e ainda influencia o sucesso de um artista. 

Se aproveitando do "burburinho" que o clipe fez em que, supostamente, mostra o Maroon 5 invadindo festas de casamento para tocarem fazendo uma surpresa para os noivos, o single Sugar está tendo bom desempenho nas paradas mesmo com os fatores contra. No caso da música são três esses fatores: primeiro, o fato da canção ser o terceiro single do álbum V o que, normalmente, já não tem a mesma força que os outros, em segundo a distância que foi lançado o último single (Animals foi lançada em Agosto) e, por fim, o fato de Sugar não exatamente a canção mais comercial possível.

O single é uma boa tentativa da banda fazer um soul pop/disco, mas que acaba esbarrando na problema da falta de carisma da uma produção quadrada e pouco imaginativa. Faltou em Sugar uma pimenta na mistura para dar um toque ousado para melhorar o bom arranjo. A canção só querer começar a empolgar do seu terço para frente, mas já tarde demais. O bom mesmo da canção é Adam Levine bem contido e sexy que faz de Sugar um pouco mais interessante. De qualquer forma, o trabalho em cima da canção mostrou que, as vezes, é apenas preciso o markenting certo para o sucesso.
nota: 6,5

10 de fevereiro de 2015

50 Tons de Nada Haver

Love Me Like You Do
Ellie Goulding


Eu gosto muito de ler. Ler qualquer tipo de literatura seja ela um clássico ou de apelo popular. Assim como a música, eu gosto de boa literatura. Só que, as vezes, nem é preciso ler uma obra completa para saber que a mesma não é uma boa pedida. Um desses casos, que me desculpem os fãs, é do fenômeno 50 Tons de Cinza. Não é por causa da sexualidade mostrada no livro, mas a forma como ela é colocada: mostrando uma personagem feminina construída com base em uma visão machista. Não cabe a mim uma investigação da personagem principal, mas é bem fácil perceber o que digo pelas noticias que envolvem o livro e a caracterização da história e dos personagens. Além disso, com base nessas mesmas informações, percebo como a escrita da autora é pobre. Mesmo assim, a trilogia de livros se tornou um sucesso imenso de vendas e está sendo transportada para o cinema em um longa metragem que estreia ainda esse ano.

Claro, como qualquer outro filme de apelo "pop", 50 Tons de Cinza terá uma trilha sonora composta
de vários nomes do mundo pop da música. Uma dessas artistas é a inglesa Ellie Goulding que lançou recentemente a música Love Me Like You Do como single da trilha. O curioso da canção é que a mesma é completamente diferente do que poderia se esperar de um tema do filme que fala sobre sadomasoquismo: romântica e delicada.

Love Me Like You Do mostra que Ellie pode ter encontrado o caminho perfeito para unir a sua estética com um verniz para um público mais abrangente. A produção acerta o tom em uma canção pop romântica longe de ser uma balada repetitiva, mas também não se tornando um batidão farofa sem sentido. A dosagem entre os dois mundo faz Love Me Like You Do uma deliciosa canção synthpop com um arranho pomposo e ao mesmo tempo acolhedor. Ellie mostra uma segurança impressionante em seus vocais "fantasmagoricamente encantadores" conseguindo imprimir a sua personalidade no single. Uma pena, porém, que a composição seja clichê, apesar de ser envolvente e com um refrão perfeito para ser cantado bem alto. Também é uma crueldade desperdiçar uma canção tão boa como trilha de um filme que nasce para ser ruim.
nota: 8

9 de fevereiro de 2015

Um Ano Que Promete

FourFiveSeconds
Rihanna, Kanye West & Paul McCartney


O que esperar de 2015 quando se trata do mundo da música? Apesar de já estarmos no segundo mês do ano, ainda parece um pouco cedo para dar qualquer previsão mais concreta, pois tem muito coisa interessante para acontecer desde o retorno de grandes nomes, a consolidação de novos nomes e, claro, o surgimento de novos artistas. Todavia, o começo do ano já teve algumas surpresas que vão deixar uma marca para o futuro.

FourFiveSeconds é a parceria entre a Rihanna, Kanye West e a lenda Paul McCartney (para quem não sabe, Paul é aquele integrante daquela banda que quase não fez sucesso algumas décadas atrás chamada Beatles kkkkkkk). A união desses três nomes causa certo frenesi, pois são artistas com estilos e imagens bem diferentes, apesar de West e Rihanna já terem trabalho juntos algumas vezes. Só que se a gente olhar em perspectiva podemos notar que não é a primeira que Paul faz uma parceria tão inusitada: no começo dos anos oitenta ele já tinha feito parceira com Stevie Wonder ("Ebony and Ivory") e Michael Jackson ("The Girl is Mine" e "Say Say Say"). Só que isso foi a mais de trinta anos atrás e o mundo deu várias voltas colocando o cenário musical em uma configuração bem diferente. Eu poderia até tecer mais comentário sobre isso, se caso achasse que fosse realmente importante para o resultado de FourFiveSeconds. Isso porque, não importa o que se diga, a canção é realmente boa.

Provavelmente sendo lançada como primeiro single do novo álbum da Rihanna, FourFiveSeconds é uma mudança drástica na sonoridade da cantora: saí do pop/eletrônico/EDM dos seus últimos trabalhos e entra uma mistura inusitada de pop/folk/R&B . Ótima escolha para ajudar a reinventar a cantora que vinha demonstrando que tinha perdido força artística com músicas como Right Now, Pour It Up, Jump What Now (todas dos seu último álbum Unapologetic). A produção quase minimalista com acréscimo de poucos instrumentos usando de base os acordes de violão em estilo acústico tocado por Paul dá a atmosfera perfeita para que FourFiveSeconds seja uma canção sólida, diferente do que toca no mainstream e ao mesmo tempo viciante. A composição da canção segue o mesmo estilo em que o menos é mais, mas, felizmente, o teor pessoal e confessional sobre estar a um passo de "estourar" cria um laço com o público que se reconhece na letra. RiRi entrega uma performance vocal crua e madura conseguindo se adequar ao estilo da canção. Sem prejudicar a canção a presença de Kanye usando a sua faceta de cantor é questionável já que ele não é cantor e usa do auto-tune na canção. Quem sabe não seria legal ver o próprio Paul cantando? De qualquer forma, o lançamento de FourFiveSeconds é o primeiro acontecimento de um ano que parece que promete. Aguardemos.
nota: 8