9 de outubro de 2017

Uma Música Para Salvar 2 - Despacito, A Vingança Continua

Mi Gente (feat. Beyoncé)
J Balvin & Willy William

O mundo vive um momento muito difícil em vários cenários e, infelizmente, parece que essa atmosfera pesada e sombria deve demorar muito a passar. Caso realmente passe. Entretanto, é sempre bom ver que ainda existe esperança no mundo e para aqueles que estão precisando. Depois do furacão que literalmente destruiu Porto Rico e afetou várias ilhas caribenhas e, também, o terremoto do México, alguns artistas se reuniram para tentar amenizar o sofrimento dessas populações com o lançamento de alguns projetos. O mais curioso deles foi o remix de Mi Gente com a participação da Beyoncé.

Vamos aos fatos: a canção não se transformou em um trabalho genial, mas a presença marcante de Beyoncé ajudou a mesma a melhorar, pois a cantora realmente participa da canção. Ao contrário de outros artistas que quando fazem alguma participação em regravação/remix de uma canção e fica parecendo algo completamente deslocado, Beyoncé consegue se envolver de verdade em Mi Gente. A presença de Queen B muda drasticamente boa parte do single, acrescentando muito mais substância para essa "latin pop/reggaeton com mais fusão de outros gêneros, principalmente elementos africanos e eletrônicos". Com mais substância sonora e com composição bem mais interessante devido a inserção dos versos de Bey. Além, claro, do vocais da cantora que, como dito anteriormente, não apenas canta um pouco e some, mas, sim, participa ativamente de todo o remix. Gostando ou não, o importante é o bem de verdade que a canção irar fazer para pessoas que precisam.
nota
Original: 5,5
Remix: 7

7 de outubro de 2017

Fé, Paloma, Fé!

Crybaby
Paloma Faith

Alguns artistas são tão talentosos que ganham a minha torcida para entregarem um trabalho que possa estar a altura do seu dom. A Paloma Faith é um desses artistas, mesmo que a britânica já tenhas ótimos trabalhos como Picking Up the Pieces de 2012 e Only Love Can Hurt Like This de 2014, mas até o momento não tenha entregado um álbum que faz jus ao seu potencial. E acredito que o seu próximo álbum (The Architect) não será esse o trabalho que fará isso, pois o mesmo já começou de forma um pouco decepcionante com o single Crybaby.

É necessário dizer que a canção não é ruim, pelo contrário, pois Crybaby é uma boa e original canção. O que falta aqui, assim como na maioria das canções da cantora, não alcança o mesmo nível que o talento da cantora. Em Crybaby acontece a mesma coisa, pois a canção parece amarradas nas suas boas ideias. Começa pelo fato que o single segue por um interessante e bem vindo caminho ao ser uma bom trabalho soul/funk com toques de disco music. Quem atualmente está fazendo esse tipo de canção? Poucas pessoas. Entretanto, a produção parece não dar o sustento sonoro do começo a fim para fazer a cantora brilhar como poderia, pois Crybaby decola de verdade a partir do bom refrão. Até mesmo a sempre poderosa Palona parece despida de seu brilho, mesmo que entregue um ótimo trabalho. O grande trunfo da canção é a sua excelente composição que fala de um assunto pouco falando em canções: o machismo, ou melhor, a quebra de estereótipos que nesse caso é a famoso que "homem não chora". Bem elaborada e, dentro do seu propósito, emocionante, a produção de Crybaby perde uma incrível oportunidade de ser um musicão ao não usar todo o seu potencial.
nota: 7

4 de outubro de 2017

Cachorros Velhos Não Sabem Novos Truques?

You’re The Best Thing About Me
U2

Com mais de quarenta anos de carreira o U2 não precisaria fazer mais nada a não ser o que a banda já faz com maestria, isto é, grandes e memoráveis turnês ao redor do mundo. Entretanto, os quase sessentões ainda não se aposentaram do estúdio e ainda não desistiram de investir em novidades na sonoridade da banda. Preparando o décimo e quarto álbum da carreira deles (Songs of Experience), a banda tenta algo de novo com o lançamento do single You’re The Best Thing About Me.

Vamos aos fatos: não espere que a banda tenha feito um revolução própria e mudou completamente o som deles. You’re The Best Thing About Me é, indiscutivelmente, uma canção rock com toques de pop que o U2 sempre fez ao longo das décadas, uma das suas principais características da banda. Todavia, a canção apresenta algo de novo no reino da Irlanda, pois a atmosfera tem algo de contemporâneo e refrescante. Muito provavelmente isso acontece devido a co-produção de Ryan Tedder, mas também da necessidade da banda de soar jovial e demonstrando uma vontade de ainda mostrar que os mesmo ainda podem ser relevantes. O resultado é meio duvidoso, pois, ao mesmo tempo, acerta da atmosfera e erra na execução geral já que You’re The Best Thing About Me acaba como uma canção levemente arrastada e com pouca força, principalmente da sua metade para frente depois de ter um começo promissor. Com vocais sóbrios e bem executados de Bono, o single também erra em uma letra romântica nada marcante, passando longe daquela sensação de ter sido feita para milhares de pessoas cantarem em suas turnês. Esses erros, porém, não apagam o fato que o U2 ainda tem bastante material para queimar e, não, apenas viver do passado.
nota: 6,5  

3 de outubro de 2017

Um Giro Country

Craving You (feat. Maren Morris)
Thomas Rhett

No Such Thing as a Broken Heart
Old Dominion

Small Town Boy
Dustin Lynch

When Someone Stops Loving You
Little Big Town

Apesar de não chegar com a mesma intensidade em outros mercados que não seja o norte americano, o country é ainda um dos gêneros que maior vendagem nos Estados Unidos. Prova disso é só olhar o atual ITunes e contar quantas canções do gênero estão entre as 100 mais baixadas. Devido a esse grande mercado é quase impossível acompanhar o mesmo de perto o ano todo. Então, resolvi criar esse mini especial para dar uma rápida passada em algumas das canções do gênero lançadas como single. Começo com um dos atuais queridinho do country Thomas Rhett.

Craving You, primeiro single do seu novo álbum Life Changes, mostra que Thomas Rhett em uma vertente mais pop do que country, sabendo criar uma canção razoavelmente boa e com um senso comercial impecável. Sem usar grandes arrombos criativos, Craving You é uma honesta e inofensiva balada country pop que poderia ser melhor se usasse a parceria com a novata Maren Morris melhor, pois a cantora parece mais uma backvocal de luxo do que um verdadeiro featuring. Com um arranjo certinho e bem executado, Craving You erra em não dar para a canção uma identidade própria, pois, assim como várias canções de vocalistas masculinos ultimamente, possui a mesma vibe sonora e uma composição romântica que parece saída do mesmo lugar. De qualquer forma, Thomas Rhett soa um pouco acima da média em comparação a outras canções como é o caso de No Such Thing as a Broken Heart da banda Old Dominion.

A canção se diferencia devido a sua sonoridade mais country com leves toques de rock, mas não vai além do que uma correta canção country contemporânea. Talvez esse seja o problema do country atual: sempre muito correto no quesito comercial, mas falta senso estético mais old school e, principalmente, grandes vocalistas. No caso de No Such Thing as a Broken Heart, o vocalista do Old Dominion é tecnicamente correto e até possui alguma personalidade, mas entrega uma performance segura demais e, principalmente, massificada. Parece que cantores de country possuem uma forma emocional em que todas as canções soam vocalmente quase igual, mudando de vez em quando o timbre. Bem feito a canção pode até ser, mas é completamente carente de emoção. Mesmo repetindo alguns erros, Dustin Lynch consegue entregar em Small Town Boy alguma emoção de verdade.


O grande acerto de Small Town Boy é a presença marcante de Dustin e o seu timbre mais grave e marcante, mesmo que a performance geral não seja exatamente excelente. Small Town Boy possui, porém, o maior defeito do atual country contemporâneo, principalmente aquele feito por homens: a composição romântica rasa e que reflete de maneira pobre sobre relações amorosas que sempre segue o modelo de garoto do interior se apaixona por bela garota. Obviamente, esse é o tema mais antigo do mundo, mas a maneira que as canções country vem fazendo é basicamente a mesma. Em Small Town Boy, felizmente, existe um cuidado técnico interessante, resultando em uma canção clichê e até carismática. A boa noticia é que ainda existem bons exemplos como é o caso de When Someone Stops Loving You da banda Little Big Town.

Primeiramente, a canção tem uma produção que sai desse lugar comum para criar uma bonita e triste balada country que não recria a roda, mas mostra o verdadeiro alcance do poder do bom country. When Someone Stops Loving You é sobre a sensação que todos sentimos quando terminamos um relacionamento e precisamos continuar a nossa vida mesmo vivendo com uma dor quase insuportável. Simples, honesta e bem escrita, o single emociona de forma verdadeira, ainda mais com a interpretação contida e segura dos vocalistas, sendo que aqui ganha um dos vocalistas masculinos da banda. Sem precisar ser genial, o Little Big Town ainda consegue resultar em algo que vá além do lugar comum instituído, mas o cenário do atual country pode até ser promissor comercialmente, não impedindo que a qualidade artista seja muito duvidosa.


notas
Craving You: 6,5
No Such Thing as a Broken Heart: 6
Small Town Boy: 7
When Someone Stops Loving You: 7,5