11 de maio de 2018

Minhas Regras

Kids in Love (feat. The Night Game)
Kygo

Kids in Love
Maja Francis

Desde que eu criei o blog sempre tive o cuidado em "dar nomes aos bois", isto é, sempre creditar todas as músicas aos seus participantes de fato, sejam eles artistas e/ou compositores ou/e produtores. Pesquiso sempre as informações técnicas para não deixar pontos importantes passarem ou errar alguma coisa em relação a canção resenhada. Então, acredito que em alguns momentos posso tomar certa liberdade para, digamos, mudar as regras para uma música em particular. Esse é caso de Kids in Love do DJ Kygo e explico o por quê a seguir.

Lançada como single do seu álbum de mesmo nome no final do ano passado, Kids in Love é uma comum e quase chata demais EDM com pop rock, devido a participação da banda The Night Game, que parece ter saída de algum b-side de uma banda dos anos oitenta na sua versão remix. Até aí tudo bem, pois seria mais uma na multidão se não fosse pelo fato de conter uma verdadeira pérola escondida. Usada como backvocal para incrementar os vocais, a cantora Maja Francis resolveu lançar a sua versão solo para a canção. Então, Kids in Love é elevada de uma maneira impressionante.

A versão de Maja Francis pega a melodia e a letra apenas para reconstruir em uma eficiente e sensacional dream pop de uma delicadeza emocionante. Bem menos clichê e com uma batida que beira o minimalismo pop, a versão de Kids in Love não poderia ter a mesma força contra a sua original caso não fosse a presença de Maja. Dona de uma das vozes mais únicas que ouvi nos últimos tempos, a cantora é dona de uma timbre agudo e fino, mas que tem uma vibrato e uma presença muito interessantes. É a cantora que dá para a canção a emoção que a letra sobre primeiros amores merece, ajudando a dar mais substância para a canção. Longe de ser genial, a versão de Maja é a que deveria ser considerada a verdadeira versão de Kids in Love. Na verdade, aqui no blog será dessa maneira, pois a de Kygo é, a partir de agora, a "regravação".
notas
Maja Francis: 7,5
Kygo: 5,5


10 de maio de 2018

Lenda

Ashes
Céline Dion

Céline Dion é uma lenda e isso não tem como negar. A canadense chegou a um ponto da carreira que não precisa provar mais nada para ninguém, aproveitando uma solidez na carreira que poucos conseguiram alcançar. Não espere, porém, que a cantora já tenha apagado qualquer fogo que possa ser queimado comercialmente, pois, queridos leitores, Céline ainda é uma força da natureza. E só a mesma poderia ser capaz de ser dar ao luxo de segurar uma canção como Ashes.

Para quem estava debaixo de uma rocha no final de semana é necessário recapitular: Céline lançou o clipe de Ashes que serve como tema do filme Deadpool 2. Todos sabemos que a cantora é uma das rainhas dos temas de filmes, incluindo o seu maior sucesso My Heart Will Go On. Todavia, ouvir Céline cantar uma música para o filme do anti-herói mais zueiro de todos os tempos é algo que não era nada esperado, mas, felizmente, é daí que surgi toda a beleza de Ashes. Querendo zoar, mas sendo uma canção séria e que remete aos trabalhos mais importantes da carreira de Céline, Ashes é uma ótima canção tema para qualquer filme, mas para Deadpool 2 ganha contornos inusitados e geniais. 

Se levando a sério na medida certa, Ashes é uma power pop balada inspiradora e com letra emocionante sobre ter a última esperança em algo, esperando que a mesma renasça mais forte. Simples, mas eficiente, Ashes tem como qualidade a sensação de tentar entender onde a canção se encaixa dentro do filme. É algo estranho e maravilhoso ao mesmo tempo, dando uma áurea que poucas canções temáticas conseguiram alcançar recentemente. Entretanto, a canção não seria a mesma sem a presença magnifica de Céline que, além de entrar na "brincadeira", entrega uma elegante, emocionante e poderosa performance vocal com o selo de qualidade único que vai até o onze. Não duvidem que veremos Céline novamente performando uma canção indicado ao prêmio da Acadêmia na noite de entrega do Oscar em 2019. Seria épico!
nota: 8

8 de maio de 2018

O Que é Isso, Miga?

Accelerate (feat. Ty Dolla $ign & 2 Chainz)
Christina Aguilera

Ouvir o tal aguardado comeback da Christina Aguilera é um misto de emoções: felicidade de ouvir a cantora estar de volta, estranheza em ouvir uma canção tão diferente do que a cantora já fez, tristeza em ouvir que a cantora não deve voltar ao topo dessa vez.

Accelerate, primeiro single do oitavo álbum da cantora Liberation, é uma bagunça que quase deu certo. A intenção de dar para a canção uma sonoridade urbana, quase um hip hop propriamente dito e com arranjo fragmentado e cheio de nuances e texturas é sensacional, principalmente o seu começo que dá marge para algo sensacional. Todavia, a produção que tem incríveis seis nomes, sendo o Kanye West como o principal, deixa escapar a oportunidade de fazer um momento de cair o queixo ao não saber como dar liga nas diversas batidas dentro da música, transformando a canção em um trabalho sem foco e sem nenhum pingo de graça. A canção fosse uma intro dentro do álbum seria até boa, mas como uma canção inteira não funciona em nenhum instancia. Liricamente, Accelerate é outra bomba, pois a fragilidade e pobreza da composição que tenta ser empoderada, mas é apenas um colado de frases de efeito sem muito sentido e com um refrão fraquíssimo. A canção tem um lado bom: os vocais de Aguilera que dá alguma luz para Accelerate. Só que tudo é eclipsado pela presença irritante e constante de Ty Dolla $ign e o verso fraco de 2 Chainz que não acrescentam em nada. Resumidamente, a única coisa que a gente quer saber da Aguilera: o que é isso, miga?
nota: 5,5

6 de maio de 2018

A Nova Onda

Let Me
ZAYN

Nesse quase nicho criado pelos lançamentos de todos os ex-1D nos últimos tempos chegou a hora de um momento importante para os cantores: saber quem irá se consolidar na carreira solo. Ao que parece, o mais empenhado artisticamente é o Zayn, pois o mesmo está construindo o que parece ser uma sonoridade bem sólida como mostra o seu novo single Let Me.

Let Me é uma R&B/pop que conversa diretamente com os outros lançamentos de Zayn na carreira solo, mas assim como Dusk Till Dawn demonstra a evolução do cantor com uma produção amadurecendo aos poucos. Ainda é passos curtos que o cantor vem dando. Isso, porém, não impede de Let Me ter uma atmosfera adulta e com uma sonoridade mais sólida. Outro boa qualidade aqui é poder ouvir Zayn exercitar o seu falsete sem exageros, entregando uma performance acima da média para cantores pop. Todas essas qualidade não impedem que a canção não tenha a mesma força que os outros singles do cantor, ficando mais parecida com um bom filler que um single de verdade. O motivo dessa sensação é a sua batida linear demais e, principalmente, a composição fofa/mediana que culmina em um refrão sem nenhuma graça. Agora é esperar para ver como os outros ex-companheiros de Zayn irão "contra-atacar".
nota: 7

5 de maio de 2018

2 Por 1 - Kacey Musgraves

Space Cowboy
Butterflies
Kacey Musgraves

Enquanto o country masculino vive uma crise criativa já tem algum tempo, aquele feito pelas mulheres continua a sua ótima fase de grandes novas cantoras como é o caso da Kacey Musgraves. Com o lançamento do seu incrível terceiro álbum Golden Hour, a jovem já lançou dois singles de uma vez: Space Cowboy e Butterflies.

Space Cowboy é uma melancólica, nostálgica e linda balada country sobre a hora de dar adeus para alguém que se amou. Sem precisar de uma complicada composição para expressar sentimentos, Kacey manufaturou uma tocante composição em cada palavra é valorizada e enfeitada de delicadas imagens desconcertantemente reais para quem passou por um fim de amor. A produção é outro grande acerto, entregando mais que um country pop acima da média, mas, sim, uma deslumbrante e contida canção atemporal. Menos sofrida e mais tradicional está a romântica Butterflies, falando sobre quando se apaixonou pelo marido. Fofa do começo ao fim, a canção não tem a mesma pegada artística, mas é tão bem feita e tem os doces vocais de Kacey embalando essa pequena pérola country. Acredito que as canções ajudam a provar que Kacey Musgraves é a perfeita tradução do menos é mais.
notas
Space Cowboy: 8
Butterflies: 7,5

3 de maio de 2018

Lições de J.LO

El Anillo
Jennifer Lopez

Sendo fã da Jennifer Lopez desde o começo dos anos dois mil tenho a total autoridade de poder falar que a mesma nunca foi artisticamente revolucionária, mas sempre uma carismática cantora pop com algumas limitações. Entretanto, os anos foram bondosos com J.Lo, amadurecendo-a como um verdadeiro vinho da melhor qualidade. E o que a artista vem mostrando nos últimos tempos é o fruto dessa evolução, dando verdadeiras aulas paras as novatas e algumas experientes. O último ensinamento, porém, parece bem definido para algumas artistas brasileiras, pois El Anillo é uma lição que ninguém poderia esperar.

El Anillo é uma surpreendente e irresistível latin pop com doses cavalares de funk brasileiro. Sim, senhoras e senhores, o mesmo funk que nasceu nos morros cariocas e é um dos principais gêneros contemporâneos no Brasil é o molho delicioso que dá para El Anillo a sua verdadeira alma. A produção acerta em criar uma batida que bebe do funk, principalmente no seu refrão, mas o que dá um upgrade para a canção é o fato dela não ser apenas baseada em uma batida. As nuances e as mudanças de batidas de uma parte para a outra é o ponto nevrálgico para El Anillo ser uma música tão boa, além do fato de ouvirmos J.Lo "cantar" funk. Esse cuidado deveria ser seguido mais de perto por certa cantora brasileira que está tentando fama lá fora, pois a qualidade da canção da americana é exatamente o que falta em toda a carreira da tupiniquim. Com uma das suas melhores performances da carreira, Jennifer Lopez se agiganta como uma cantora pop sem precisar ser a melhor de todas. Letra redondinha e cheia de momentos inteligentes e um clipe de cair o queixo que deveria ser jogado "na cara" de outras artistas são as lições de J.LO.
nota: 8