14 de outubro de 2022

King Kendrick

N95
Kendrick Lamar

Acredito que existem apenas um pequeno número de artistas que consigam fazer de uma profunda critica a sociedade uma canção de sucesso comercial. Esse é caso do Kendrick Lamar com a excepcional N95.

A canção é uma cortante, avassaladora e monumental reflexão acida e honesta sobre a loucura que a sociedade embarcou nos últimos tempos, especialmente na época da pandemia. É incrível que o rapper consiga abordar de tantos “pequenos” assuntos para criar uma crônica sobre a hipocrisia humana. A principal linha de raciocino é o fato que enquanto muitos usavam mascaras para proteção contra a Covid-19 de grife existiam pessoas que não tinham acesso em hospitais aos tanques de oxigênio para sobreviverem. Poderoso e desconcertante, N95 tem essa característica do Lamar de ir fundo em suas letras e ainda entregar algo sonoramente original e, ao mesmo tempo, competitivo comercialmente ao entregar uma refinada, substancial e impressionante batida trap com pinceladas profundas de conscious hip hop. E assim que Kendrick Lamar é considerado uma das mentes mais impressionante da música da atualidade.
nota: 9

Preguiça

Calm Down (Remix)
Rema & Selena Gomez

Devo admitir que dentro de todos os sentimentos possíveis para ter ao ouvir uma canção a preguiça é uma das últimas que penso em ter. Esse é, infelizmente, o caso de Calm Down (Remix) do cantor nigeriano Rema com a Selena Gomez.

A batida afrobeat é até legalzinha devido ao bom trabalho instrumental, mas a sua cadencia e ritmo são completamente anticlimáticos, arrastados e, sinceramente, preguiçosos. Parece que a canção tinha uma batida bem mais rápida, mas foi modificada para ser “slow motion” em uma duração lenta demais para a excitante ideia por trás. E o pior que a performance de Rema remete exatamente essa sensação ao ser uma entrega preguiçosa e sem graça, mesmo tendo tudo a favor como o seu sotaque delicioso. A presença morníssima de Selena não adicionada nada realmente especial, sendo apenas um nome de peso e não uma presença de peso. Preguiça defini muito bem.
nota: 5



Crescendo e Aprendendo

Complete Mess
5 Seconds of Summer

Algumas coisas que aprendi durante os longos anos do blog: a maturidade muda tudo. Um artista que no começo não era exatamente um favorito meu pode amadurecer e se revelar bons artistas. Não seu esse é caso pleno do 5 Seconds of Summer, mas o single Complete Mess é bem melhor que o esperado.

A grande qualidade da canção é exatamente o que apontei no paragrafo anterior: maturidade. Uma pop rock sólida, bem executada e grandiosa que consegue criar uma atmosfera climática que se assemelha a uma nostalgia de grandes baladas rock. Não é nada revolucionário, mas existe uma qualidade quase clássica que deixa o 5 Seconds of Summer parecendo uma banda com muito mais anos de estrada. E isso se reflete na ótima composição que mostra evolução da banda ao entregar algo emocional e substancial. Apesar parece emoldurar uma mistura branda de U2, Coldplay e Paramore, 5 Seconds of Summer entrega em Complete Mess uma boa estreia nessa possível fase de maturidade.
nota: 7,5

11 de outubro de 2022

A Garota Que Deveria Hitar

THAT GIRL
Bree Runway


Depois de entregar uma das minhas canções preferidas de 2022 em Somebody Like You, Bree Runway lança outro acerto na surpreendente THAT GIRL.

A canção dá uma guinada interessante e deliciosa para uma mistura azeitada de dance-pop, electropop e R&B que resultado em uma canção que transita perfeitamente entre o comercial e alternativo. Excitante, carismática e eletrizante, THAT GIRL poderia ter alguma quebra de expectativa para elevar o material para outro parâmetro e um clímax mais explosivo, mas isso não impede que a canção brilhe de verdade. Especialmente, a performance de Bree que casa muito bem o rap com a batida, entregando urgência e personalidade para interpretar uma direta e estilizada composição que funciona apenas devido a entrega como a ouvida aqui. Gostaria muito que a Bree Runway hitasse, pois a cantora está apenas entregando o que a gente queria e nem estava sabendo pedir.
nota: 8

Uma Tema Para Lil Nas X

Star Walkin’
Lil Nas X


Consolidado como um verdadeiro astro pop, a Lil Nas X entrega um passo comum para estrelas em ascensão: a canção temática. Star Walkin’ é uma prova do apelo comercial do rapper ao ser escolhida para ser tema da “copa do mundo” do jogo League of Legends. 

Apesar de não alcançar o ápice dos seus melhores momentos, Star Walkin’ é uma boa pop rap em que o artista pode desfilar o seu imenso carisma em uma canção radiofônica e bem amarrada. Não é exatamente genial, mas a produção de Cirkut e Omer Fedi consegue criar um instrumental que consegue ao mesmo tempo tem toques de temas grandiosos de vídeo games e a personalidade do rapper. Liricamente, a canção transita até bem entre a ironia da escrita de Lil e a pegada inspiradora/edificante. Star Walkin’ é mais um passo na trajetória de sucesso de Lil Nas X que quebra barreiras ao mesmo tempo que segue a cartilha.
nota: 7,5

Um Pagodin' Top

Me Perdoa
Ferrugem & IZA


Acreditem que não sou uma pessoa que goste exatamente de um pagode normalmente, mas, sinceramente, canções como Me Perdoa do Ferrugem com a participação da Iza são sempre muito bem vindas.

A principal qualidade da canção são as ótimas performances de Iza e, principalmente, do Ferrugem. O cantor é um dos exemplos de um vocalista de pagode que tem uma voz muito acima da média, entregando uma performance com personalidade verdadeira e um alcance amplo. Além disso, a química entre os dois é suculenta o suficiente para criar todo a atmosfera perfeita para esse pagode bem amarrado e com uma letra de final de romance ideal para sofrer de amor. Resumidamente: o que é bom é bom independente do gênero, estilo ou envolvidos.
nota: 8

Voz, Violão e Uma Versão

You and Me on the Rock (In the Canyon Haze)
Brandi Carlile

Maior nome comercial da atualidade do gênero americana, Brandi Carlile irá relançar o ótimo In These Silent Days com versões acústicos sob o nome de In the Canyon Haze. Como primeiro single foi lançada You and Me on the Rock.

Normalmente, o resultado desse tipo de canção não acrescenta nada para a canção original, mas em You and Me on the Rock existe uma clara mudança positiva no resultado. A grande diferença que funciona é o fato dessa versão diminuir a batida para entregar uma direta balada folk/americana que deixa a gente prestar atenção a linda composição. Essa qualidade de contar uma história com começo e fim com construções de imagens impressionantes e emocionais ficou perdido na versão original, sendo resgatados nessa regravação devido especialmente a contida e melancólica performance de Brandi. A canção mostra que as vezes é necessário apenas voz e um violão para entregar algo realmente que seja de qualidade.
nota: 8