6 de julho de 2024

Uma Aula Magistral

Alibi
Sevdaliza, Pabllo Vittar & Yseult


Existe uma noção que alguns gêneros musicais não podem ser traduzidos em outros línguas, pois perderam a sua essência. E isso é uma bobagem, pois o que falta é na verdade criatividade e inteligência para conseguir unir todas as pontas. E é isso que ensina a sensacional Alibi da Sevdaliza com a participação da Pabllo Vittar e da cantora francesa Yseult.

Na teoria, a canção não deveria funcionar, pois mistura ao mesmo tempo funk brasileiro, latin pop, alt pop e reggaeton. Todavia, a produção da própria Sevdaliza ao lado de Mathias Janmaat consegue ligar todas as pontas com uma mestria genial ao criar uma fusão tão perfeita entre todos os gêneros usados que faz de Alibi uma das canções pop mais interessantes dos últimos tempos. Extremamente marcante, explosiva, épica e com um toque comercial que em nenhum momento a transformar em nada massificada, a canção ainda conta com a presença de quatro idiomas diferentes sendo usado: o inglês da Sevdaliza, o português da Pabllo, o francês da Yseult e o espanhol do refrão que faz referência a canção Rosa de Magín Díaz. Isso poderia soar como uma torre de Babel sem nexo, mas a maneira como é construída a transforma em um trabalho fluido e coeso. Na verdade, essas mudanças sonoras das entonações são um dos pontos fortes da canção já que dá são texturas ricas e bem pensadas. E o que fecha o pacote são as performances classudas e poderosas das três artistas, especialmente a da Pabllo que usa seu tom mais grave de maneira inesperada e incrível. Tenho que admitir que Alibi poderia ainda melhor se fosse um minuto mais longo e tivesse mais versos, mas apesar disso estamos diante de um do grandes momentos de 2024. 
nota: 8,5

Um Novo Som

Tough
Quavo & Lana Del Rey


Uma das criticas que é meio recorrente na discografia da Lana Del Rey é a estaticidade da sua sonoridade. E nos últimos tempos a mesma vem se arriscando mais e isso vem sendo um acerto. Mesmo que Tough, single em parceria com o rapper Quavo, não seja ótima, mostra que a cantora está disposta a mergulhar em novas águas.

É necessário afirma que a canção não é para todos, pois a sua produção não parece especificamente voltada para o publico de nenhum dos dois artistas. Além disso, faltou um toque especial ao produto final para elevar a canção de boa para ótima. De qualquer forma, Tough é interessante ao ser uma fusão de trap, indie pop e country que funciona devido a essa estranheza ser bem azeitada e não cria um ruido pesado e, sim, um ruido meio cativante, meio inusitado, meio desconcertante. É como se a canção fosse comercial ao extremo na mesma medida que fosse experimental. Acho que com algumas cortadas de postas soltas poderia ser algo genial. E o que dá liga para a canção é a presença da Lana que entrega uma performance com a sua marca, mas cm um verniz deliciosamente quente e despretensioso. Isso se soma com a presença boa do Quavo e a sua química com a cantora, resultando em dois performance que funcionam mesmo não parecendo que não na teria não deveriam. Tough não é umas das melhores canções da Lana, mas a exploração que ela mostra aqui é sensacional. 
nota: 7,5



O Retorno Final

JOYRIDE
Kesha

E finalmente a Kesha é livre. Depois de uma batalha de anos, a cantora finalmente está livre da sua antiga gravadora que ainda era ligada a certo produtor para lançar a sua carreira de maneira independente. E como primeira canção da sua nova era foi lançada a divertida Joyride.

Voltado com vontade para o seu começo, a canção é uma elétrica e estranha mistura de EDM, eletropop e polka (!!!) que funciona devido a produção fazer um trabalho polidíssimo ao saber unir as pontas de maneira a fazer sentido sem perder esse lado ousado. Tenho que dizer que a produção poderia ser ainda mais explosiva, pois o clímax de Joyride é um pouco chapado demais, mas isso é um pequeno tropeço para o resultado final. A canção é contemplada com uma composição que acerta o tom entre o humor, deboche e o fator icônico, mostrando que a cantora continua com a sua personalidade conseguindo mostrar amadurecimento. É um começo de era promissor, mas que é mais importante pelo fato de ser realmente uma nova vida artística para a Kesha.
nota: 8

Classudas

Lift You Up
Jessie Ware & Romy


Acredito que a melhor definição de classuda para uma música é o encontro da Jessie Ware com a cantora Romy, integrante do The xx, na excelente Lift You Up.

Possivelmente primeiro single do álbum da Jessie, a canção é uma elétrica e, claro, classuda mistura de house, dance-pop e eurodance que acerta na mosca, mesmo que a sua segunda metade não tenha a mesma força que o seu começo promissor alardeia. Todavia, isso não é problema para a ótima produção de Stuart Price que consegue impregnar a canção com essa sensação de música eletrônica para adultos e completamente imune a farofada. Lindamente instrumentalizada, Lift You U conta com as performances aveludadas e incandescentes das duas artistas, mas é a Jessie que brilha um pouco mais devido ao seu sempre maravilhoso timbre e elegância vocal nata. A composição até poderia ser mais profunda temática, mas isso não atrapalha de ser um trabalho refinado e com um refrão sensacional. E assim parece começar a nova era da Jessie que é sem nenhuma dúvida uma das melhores a artista da atualidade.
nota: 8,5