9 de novembro de 2025

E Lá Vamos Nós...

bandaids
Katy Perry


Depois de “sobreviver” ao que deve ter sido o massacre mais justificável do pop em décadas, Katy Perry pode estar iniciando uma nova fase com o lançamento da sólida bandaids. 

Muito superior ao que a cantora entregou nos últimos tempos — o que, convenhamos, não seria exatamente difícil — o trabalho ainda está longe do pop que ela já mostrou ser capaz de fazer. Todavia, a canção é um pop/pop rock redondinho, bem estruturado e com alguns pontos realmente interessantes. O melhor deles é a boa e sentimental composição, que reflete claramente sobre o fim do casamento da cantora com o ator Orlando Bloom, mostrando que, com um pouco de verdade e criatividade, Katy ainda tem algo real para apresentar. O maior problema aqui é que o refrão não tem força suficiente, fazendo parecer mais um verso do que o ponto central de uma canção pop. Vocalmente, bandaids é o melhor trabalho da cantora em tempos, especialmente pelo toque emocional que ela imprime à interpretação. Ainda é um trabalho morno, mas é melhor do que uma bomba atômica musical.
nota: 6,5

2 de novembro de 2025

Primeira Impressão

CARRANCA
Urias


Primeira Impressão

Vie
Doja Cat


Primeira Impressão

I Said I Love You First
Selena Gomez & benny blanco


A Imensidade

Berghain
ROSALÍA, Björk & Yves Tumor


Já faz algum tempo que não havia dúvida do imenso talento da Rosalía, mas, sinceramente, nada poderia alertar para ouvir a magistral Berghain.

Primeiro single do álbum LUX, a canção é uma desconcertante, impressionante e magnífica experiência sonora em que a cantora resolve ir com toda força, sem olhar para trás, ao entregar a canção mais “de cair o queixo” da sua carreira e, sem nenhuma dúvida, dos últimos anos.

Deixando de lado algumas influências dos seus trabalhos anteriores, mas continuando a explorar os limites da sua sonoridade, Berghain é um trabalho inesquecível que mistura, de maneira genial, art pop, música clássica, avant-garde, orquestral, operático e barroco para criar uma verdadeira pièce de résistance na carreira da cantora. Mostra não apenas a sua capacidade, mas também a clara noção de que o “pop” pode ser muito mais amplo e profundo do que algumas cantoras fazem.

Pode ser experimental, cativante, estranho, nada comercial, revolucionário, grandioso, contemplativo e único — e isso em uma canção de dois minutos e cinquenta e oito segundos. Quando a ouvi pela primeira vez, achei que essa duração curta, especialmente diante da imensidão criativa colocada na canção, seria um grande problema, fazendo-a perder alguma força. De certa forma, isso acontece, pois, se Berghain fosse um minuto ou um minuto e meio maior, poderia explorar ainda melhor seus melhores pontos sem deixar nada a desejar. Todavia, os “pontos” que isso faz a canção perder não são suficientes para que ela deixe de ser considerada uma genialidade magistral.

Com um instrumental irretocável, que dá a base perfeita para toda a força da produção, o maior trunfo da canção é a presença da Rosalía em todos os “cantos”: começando com a sua atuação como produtora, passando por sua marca de compositora e chegando, claro, à sua magistral performance vocal. Sério — sabíamos que a formação clássica dava à cantora um imenso passo de vantagem em comparação com outros artistas, mas aqui tudo é elevado a um novo patamar, com sua dilacerante performance ao misturar a força do canto operístico com sua vertente mais pop.

Todavia, o que dá a liga aqui é a magistral passagem da presença descomunal da Björk, que entrega apenas um verso repetido, mas adiciona uma tonelada de personalidade e significância à canção. Queria algo mais profundo na presença de Yves Tumor, mas seu surgimento final ajuda a manter o toque de imprevisibilidade da faixa intacto.

Por fim, a composição é um triunfo que consegue transitar por três línguas (espanhol, inglês e alemão) sem perder força, mantendo essa deliciosa estranheza temática e de significação sem comprometer a impecável estética. E o mais fascinante é que, possivelmente, o álbum nem seguirá exatamente esse mesmo caminho, o que mostra ainda mais a genialidade da Rosalía.
nota: 9

Hard

CRANK
Slayyyter


Ninguém vem entregando uma sequência mais “foda” de singles melhor do que a Slayyyter. Dessa vez, a escolhida foi CRANK.

Antes de elogiar, é melhor colocar de lado o aspecto mais negativo: o clímax final do single poderia ser mais explosivo, fazendo a construção sonora do resto da canção encontrar o escape final perfeito. Apesar disso, CRANK é uma sofisticada, borbulhante, barulhenta e potente faixa de industrial pop/electrocash/eletro hip hop que adiciona uma nova camada à construção sonora atual da cantora, mas sem perder o rumo artístico que a mesma vem seguindo. Divertida ao extremo, a composição é um trabalho tão especial e inteligente que a gente deixa de lado até mesmo algumas falhas aqui e ali, especialmente o refrão, que não é tão icônico. E Slayyyter entrega novamente uma performance extraordinária, com uma dose cavalar de personalidade. Assim é o que a gente chama de "servir horrores".
nota: 8

O Embrião de Uma Música

PIXELATED KISSES
Joji

Tinha esquecido completamente da existência do Joji, dono da sensacional Glimpse of Us de 2022, mas fui lembrado ao ver que ele havia lançado uma nova canção intitulada PIXELATED KISSES.

O novo single é o tipo de canção que tinha tudo para ser genial, mas termina sendo apenas uma promessa. E uma canção que é apenas promessa fica literalmente no meio do caminho. Isso se deve às escolhas feitas para a faixa ao ter apenas um minuto e cinquenta segundos e, principalmente, por apresentar somente a repetição do refrão e do pós-refrão, fazendo-a cair em um lugar criativamente raso.

E olha que o teor lírico em si não é nada ruim, mas a sua construção não reflete em nada a produção inspirada e ousada. PIXELATED KISSES é uma canção forte, estilizada, cativante e pesada, uma mistura de R&B alternativo com toques de industrial, wave e rage, criando uma batida realmente poderosa e impressionante. Além disso, a performance contida de Joji, que contrasta com a produção, adiciona mais substância ao resultado final.

Todavia, por mais inspirada que seja, a canção carece de execução, atrapalhando fortemente o resultado final que poderia facilmente ser genial. Uma pena de verdade que a faixa seja apenas o embrião de uma grande canção.
nota: 7