16 de novembro de 2025

Antes Tarde do Que Nunca

Hard Candy
Madonna



Primeira Impressão

Veronica Electronica
Madonna


2 Por 1 - Charli xcx

House
Charli xcx & John Cale

Chains of Love
Charli xcx

Você estava sabendo que a Charli XCX lançou novo single? Na verdade, lançou dois singles para começar a divulgar o álbum Wuthering Heights, que será a trilha sonora da adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes. E, apesar do pouco interesse do grande público, as duas canções dão uma percepção extremamente auspiciosa para o novo trabalho da cantora.

Acredito que boa parte do não envolvimento do público geral se deve ao fato de que ambos os singles são uma partida bem grande do hyperpop de Brat, partindo para algo mais synthpop, art pop e experimental. E isso, sinceramente, é algo de um frescor imenso, pois dá ainda mais profundidade à carreira da cantora. Entre as duas, o grande destaque fica para a incrível House.


Totalmente diferente de tudo que a cantora já fez, a canção tem como ponto de brilhantismo a genial participação de John Cale, da lendária banda The Velvet Underground. Dono de uma voz forte, marcante e profunda, o artista narra, em forma de poema, um longo verso que tem relações com a obra literária sem inserir trechos do livro. E é revigorante a ideia e a execução, pois criam toda uma atmosfera densa e sombria que vai crescendo até chegar a um clímax poderoso, no qual Charli aparece apenas para ajudar na quebra de expectativa sonora. Essa quebra vem do fato de que, por boa parte de “House”, enquanto temos a presença de Cale, a canção se comporta como uma épica e climática dark ambient com elementos neoclássicos, para terminar com influências de industrial e toques de synthpop. É uma produção ousada e majestosa que não teria razão para ser um sucesso comercial, mas que me deixa extremamente feliz por existir.

Em Chains of Love, porém, acredito que o não sucesso é ainda mais enfático, pois a canção tem uma produção mais acessível e que facilmente poderia ser um viral — especialmente lembrando que a canção que fez a Charli XCX estourar foi “Boom Clap”. Uma refinada, madura, romântica e bem construída power balada synth-pop/alt-pop, ela consegue mostrar um pouco da áurea pop e estilizada que essa nova adaptação do livro de Emily Brontë parece querer seguir. E, sendo bem honesto, o resultado funciona perfeitamente, especialmente devido à ótima construção instrumental e à performance mais tradicional da cantora. Talvez, com uma composição mais marcante — mesmo sendo um trabalho acima da média —, pudesse ter criado um vínculo mais forte com o público. De qualquer forma, Charli XCX já tem em mãos um dos primeiros trabalhos mais aguardados de 2026, que tem chances de ser mais interessante que o filme em que se baseia.
notas
House: 8,5
Chains of Love: 8

Um Oscar Para Miley - Parte 2

Dream As One
Miley Cyrus


Depois de falhar em conquistar uma indicação ao Oscar neste ano, Miley Cyrus está de volta à corrida com a boa, mas clichê, Dream As One.

Tema do filme Avatar: Fire and Ash, a canção é uma balada pop rock que tem cara de tema de filme arrasa-quarteirão, como é a franquia Avatar, com seus prós e contras. Mais comercial e vendável que Beautiful That Way, mas menos inspirada, a canção tem como grande qualidade a performance segura da cantora, que consegue imprimir personalidade por saber usar o seu timbre.

Outra boa qualidade que também ajuda Dream As One a ficar acima da média é uma estética que parece casar a atmosfera de The Climb com a sonoridade mais recente da cantora, dando certa personalidade. O que falta de personalidade é claramente a composição, escrita pela cantora ao lado de Mark Ronson e Andrew Wyatt, que encaixa perfeitamente todos os boxes desse tipo de canção sem adicionar nada interessante.

Se fosse em outros anos, eu até poderia afirmar que Miley estava no caminho certo para uma indicação ao Oscar, mas em um ano tão concorrido ela deve ficar mais na categoria de azarão do que na de concorrente de verdade.
nota: 7,5

9 de novembro de 2025

Primeira Impressão

Pain to Power
Maruja


Primeira Impressão

The Art of Loving
Olivia Dean


A Consagração do Simples

Man I Need
Olivia Dean


É revigorante ver o sucesso comercial de Man I Need, pois é a consagração de que o simples ainda tem espaço no mainstream da música.

Não tomo “simples” como algo ruim, mas, nesse caso, simples é aquilo despido de pretensão, artifícios ou exageros. E é exatamente isso que a canção entrega: um pop soul singelo, honesto, cativante e doce, que conquista pela sua atmosfera iluminada e, claro, pela presença magnética de Olivia. Man I Need possivelmente não seria tão boa sem a performance segura, confortável e deliciosa da cantora, pois é ela quem dá a personalidade final à canção. Além disso, o refrão é tão gratificantemente direto e grudento que contribui — e muito — para a graciosidade do conjunto. Um sucesso raro, mas que merece ser louvado.
nota: 8

Primeira Impressão

DON'T TAP THE GLASS
Tyler, The Creator