31 de maio de 2015

Quem Será o Próximo?

Kiss Me Quick
Nathan Sykes

A partir de agora começou uma curiosa "corrida" no mundo pop: quem será o próximo Justin Timberlake? Com a saída do Zayn do One Direction e a possível saída de outros integrantes, a expectativa é para saber como serão as carreiras solos dos jovens cantores, ou seja, algum deles terá sucesso que se assimilha ao JT, ex-integrante do N'Sync. Porém, quem saiu na frente foi o ex-The Wanted Nathan Sykes que lançou recentemente o single Kiss Me Quick.

Para a surpresa, Kiss Me Quick é um ótimo começo de carreira solo para Nathan Sykes. O mais talentoso integrante do The Wanted, o cantor já tinha mostrado uma amostra disso ao participar da canção Almost Is Never Enough da Ariana Grande, mas é na sua música solo que o ele mostra que pode ser um artista interessante. Claro, Kiss Me Quick parece uma versão menos de uma música do Justin, porém, felizmente, as melhores qualidades são preservadas. Começa pelo próprio Nathan que mostra talento em uma sólida performance vocal inspirada em grandes cantores de soul moderno. Ainda falta identidade própria para o cantor marca a sua presença e não ser apenas uma versão bem feita. A produção também segue no mesmo caminho, mas o trabalho aqui é muito bem realizada entregando um divertido pop/soul com inspiração de "big band" que não recorre ao batidão para criar uma canção radiofônica. Pode Nathan Sykes até não vencer essa corrida, mas, por enquanto, ele está no frente com grande vantagem.
nota: 7,5

30 de maio de 2015

Feminismo Bonitinho

Dear Future Husband
Meghan Trainor


Mesmo sofrendo das mesmas criticas sobre ser sexista assim como All About That Bass, Dear Future Husband não é nada disso. Na verdade, o último single da Meghan Trainor é o que podemos chamar de nem lá, nem cá: tenta ser moderninha, mas ainda possui sonhos antigos.

Dear Future Husband é uma mensagem de Meghan para o seu "futuro marido" dando dicas de como ele deve se comportar para que o casamento dê certo. Existe uma romantização do que seria o casamento perfeito mostrando como o marido deve cuidar dela ou como ela vai retribui os acertos que é "adocicado" com declarações sobre o fato dela será independente. Não é sexista ou feminista, a composição é um feminismo bonitinho que se torna um sonho em mundo encantado e possível. Dear Future Husband também é fofinho em sua produção que mistura vintage com o moderno para criar um pop deliciosamente descartável, mas dessa vez com uma atmosfera romântica. Dispensável, mas cativante sem nenhuma dúvida.
nota: 6,5

28 de maio de 2015

Tenha Fé, Hilary!

Sparks
Hilary Duff

Não posso negar, mas tenho certo fascínio por pessoas que não desistem nunca de seus ideais. Esse é o caso da atriz/cantora Hilary Duff que está fazendo de tudo para reconquistar o sucesso do começo da carreira. Depois de ser escolhida como protagonista da série Younger (do mesmo criador de Sex and The City), Hilary voltou ao mundo da música com dois singles, mas, ao que parece, agora ela está realmente investindo na sua volta para a carreira musical com o lançamento da canção Sparks que virou o terceiro álbum do seu próximo álbum intitulado Breathe In. Breathe Out.

A divulgação do single começou quando a própria cantora confirmou que estava participando do aplicativo Tinder. Porém, ao que parece, isso foi apenas uma maneira de divulgação da música já que o clipe de Sparks tem cenas em que a cantora cria uma conta e começa a marcar encontro com alguns rapazes. Além disso, Hilary irá cantar a canção em vários programas nos Estados Unidos. Infelizmente, para a cantora, a canção ainda não decolou nas paradas e deve ficar com o título de "flop". Também pudera, pois Sparks é bem mais ou menos.

Apesar de não ser uma bomba, o single é quase entediante mesmo sendo dançante. O grande erro da canção é seguir um caminho seguro e ao mesmo tempo tentar algo diferente. A batida pop dance é construída em uma base interessante mostrando uma influência européia, mas que não se consolidifica na produção final pela falta de criatividade em dar um acabamento tão genérico como visto em Sparks. Genérico também é a melhor definição para a composição de Sparks, mas tem uma pegada viciante que não tem como não guarda na cabeça. Mesmo não sendo sensacional, Sparks ganha pontos pela motivação da Hilary Duff  em fazer a canção dar certo. Vai, Hilary! Não desista, garota!
nota: 6

26 de maio de 2015

Sexo Para Todos

Yoga
Janelle Monáe & Jidenna

Para ser feminista é necessário ser assexuada? Acredito que muitas pessoas pensam assim, pois só assim explica as criticas relacionadas ao novo single da Yoga. 

Sempre com uma imagem "refinada" e classuda e músicas que glorificam a mulher, Janelle Monáe surpreendeu público e critica com o lançamento de Yoga, que abre os trabalhos de um EP colaborativo dela com os artistas da sua gravadora Wondaland Records (a cantora está se transformando em uma pequena titã da música), devido a uma imagem bastante sensual e explorando o seu lado sexual. O foco das criticas foram sobre a sexualização da cantora se aproximando de nomes como Beyoncé e Rihanna devido aos trabalhos anteriores dela. Porém, ao que parece, essas pessoas realmente não compreenderam a composição de Yoga que expõe, na verdade, o desejo de todas as mulheres serem donas da sua própria vida sexual sem precisar ser alvo do preconceito da sociedade. E mais: qual o problema em uma mulher, seja ela qual for, se mostrar sexy e falar de sexo? Só por que, normalmente, Janelle tem uma postura "comportada" ela não pode se expressar sobre sexo? Claro que pode! Outra critica em relação a música é que a produção é um tentativa de fazer Janelle soar comercial. E qual o problema nisso já que Yoga é uma canção sensacional?

Se Yoga é a canção mais comercial de Janelle e não tem o mesmo acabamento estético de outras canções dela, tudo é compensado pela excepcional produção e duas performances deliciosas. Apesar de seguir uma estrutura tradicional de "diva + rapper", a perfeita química entre Janelle e o rapper pouco conhecido Jidenna é a peça central para fazer Yoga funcionar: ambos carismáticos, revestidos de uma atmosfera "sexy sem ser vulgar" e com entregando ótimas performances. A participação ótima de Jidenna mostra que nem todos os versos de rappers em canções de cantoras são desnecessários, mas quando feitas de maneira correta viram partes realmente importantes da canção. A batida bastante cadenciada une o hip hop com o trap em uma atmosfera deliciosamente dançante, envolvente e, obviamente, sensual. Porém, ao contrário de muitas músicas com a alcunha de "comercial", Yoga é um trabalho com substancia de verdade e não apenas uma simples imitação. Alvo principal das criticas, a composição não é só extraordinária por colocar em evidência a defesa do "girl power", mas também por ser divertida e repleta de geniais referencias que vão de Tina Turner até ao Brasil. Yoga é uma obra despretensiosa que deveria ser encarada como a prova da artista completa e versátil que é Janelle Monáe e como a prova que todos tem o direto de serem sexuais.
nota: 8,5

25 de maio de 2015

O Fundador de uma Era

Déjà Vu (feat. Sia)
Giorgio Moroder

Existem grandes artistas. Existem artistas geniais. E existem artistas acima de tudo e todos. Esses artistas carregam consigo uma bagagem que os fazem uma mistura de pioneiros com gênios, ou seja, verdadeiras lendas. Porém, pouquíssimos desses artistas vivos podem levar a alcunha de também de fundadores. Isto quer dizer que, além da sua importância na música, foi ele quem "inaugurou" um gênero. Um deles é produtor lendário Giorgio Moroder que é o pai da música eletrônica.

Pouco conhecido por uma grande parte do público, Giorgio foi responsável por inaugurar a era da música eletrônica quando começou a trabalhar com a cantora Donna Summer nos anos setenta. Dessa parceria, Giorgio produziu hits eternos como Love to Love You Baby, Macarthur Park, Last Dance, Hot Stuff, Bad Girls, entre outras. Porém, foi com a canção I Feel Love de 1975 que a música eletrônica de hoje começou a ganhar raízes e impactando diretamente na direção nos caminhos de outros gêneros. Além disso, Giorgio trabalhou com dezenas de lendas da música nesse tempo como David Bowie, Blodie (a canção Call Me é de sua produção), Freddie Mercury, Pat Benatar e, mais recentemente, o Daft Punk, entre outros. Giorgio na sua carreira já ganhou quatro Grammys e três Oscars (um de trilha sonora pelo filme O Expresso da Meia Noite e dois por canção pelas músicas Flashdance...What a Feeling da Irene Carla do filme Flashdance e Take My Breath Away do grupo Berlin do filme Top Gun). Aos 75 anos de idade e depois de um hiato de trinta anos, Giorgio vai lançar um álbum "só" seu: Déjà Vu será lançado em Junho e terá a participação de nomes como Britney Spears, Kelis, Kylie Minougue, Foxes, Charli XCX e Sia. Com essa última vem a canção homônima do álbum, Déjà Vu.

A canção é uma bem vinda a volta ao passado em que o pop tinha uma cadencia menos "eletrizante" e a produção era bem mais pomposa, mesmo usando a tecnologia para a construção do arranjo. Giorgio mostra que não perdeu o seu toque ao produzir para Déjà Vu uma atmosfera elegante, dançante e deliciosamente vintage que remete aos tempos da disco musica, mas sem perder o toque moderno. Uma pena, porém, Déjà Vu, que começa bem, fica morna bem na sua metade e só volta a empolgar na parte final. A composição da Sia e do próprio Giorgio é o ponto realmente fraco da canção: uma boa ideia que não se cumpre devido a falta de força emocional. Felizmente, Sia segura a canção perfeitamente com a sua interpretação sempre marcante. Defeitos à parte, a volta de Giorgio Moroder é para ser acompanhada de perto, pois não é todo o dia que um dos "fundadores" da música ainda está em plena atividade para ensinar as novas gerações.
nota: 7

24 de maio de 2015

O Terceiro

Hole In My Heart
Luke Friend

Sorte pode ser um fato decisivo para um artista fazer sucesso. Sorte para lançar um single no tempo certo. Sorte para lançar um álbum no momento apropriado. Sorte de conhecer o produtor certo. Sorte para, até mesmo, ganhar um reality musical.

Luke Friend foi o participante da décima temporada do The X Factor UK, mas, apesar do talento, ficou apenas no terceiro lugar. O principal problema do cantor foi enfrentar dois candidatos com apelo popular bem maior já que Luke segue um estilo alternativo. Caso tivesse sido selecionado em uma outra temporada, possivelmente, Luke poderia ter tido muito mais chances. Porém, o jovem de 19 anos está conseguindo continuar a carreira fora do reality. Seu primeiro single foi lançado no final de Março na Inglaterra. 

Hole In My Heart é uma boa canção, apesar de parecer um cover pop de uma banda alternativa. O que faz do single ganhar destaque é a presença marcante de Luke com e a sua voz poderosa de timbre "cru" e , digamos, áspero. Claro, ainda falta experiência, mas o cantor consegue entregar uma performance elogiável pelo sentimento coloca na interpretação. Como escrito anteriormente, Hole In My Heart não prima exatamente pela originalidade da sua sonoridade pop rock/indie, mas é tem uma produção amarradinha e uma composição fofo. Se faltou sorte para Luke estourar no mundo da música, não falta talento para ele continuar tentando.
nota: 6,5

23 de maio de 2015

Taylor: A Nova Princesa do Pop

Bad Blood (feat. Kendrick Lamar)
Taylor Swift

Você pode ou não gostar da Taylor Swift, mas é impossível negar que a cantora é a atual Princesa do Pop. Depois de fazer a total transição do country para o pop com o álbum 1989, Taylor vem provando o seu poder de fogo no quesito sucesso comercial com as vendagens do álbum (cerca de 8 milhões ao redor do mundo) e o lançamento dos seus singles. O último, Bad Blood, foi envolvido com uma das maiores campanhas promocionais para o lançamento do "clipe evento" da canção com a participação de dezenas de artistas do mundo da música, da moda, da TV e do cinema. Todo esse "buzz" está ajudando a canção que tem muitas chances de chegar ao primeiro lugar da Billboard e em outros mercados. E, surpreendente,o sucesso de Bad Blood será até merecido.

A versão original de Bad Blood já era uma das melhores do álbum devido a sua batida demarcada e a composição "bad-ass", mas a nova versão deixou a canção bem mais interessante. Boa parte vem da participação inusitada de Kendrick Lamar: inspiradíssimo e disposto de uma maneira original, o rapper dá um upgrade na canção com sua atitude e presença marcante. Bad Blood acaba, na verdade, quase sendo roubada por Kendrick, mas Taylor ainda consegue ter uma boa participação em uma das suas melhores canções da sua carreira. A batida ganha uma envernizada com um batida ainda mais forte para se encaixar no estilo do rapper e também para dar o efeito radiofônica para a canção. Se eu voltasse uns quatro anos atrás e alguém me falasse que a Taylor Swift iria dominar o pop em 2015, eu teria dado a maior gargalhada da minha vida. Como o mundo dá voltas!
nota: 7