Tove Lo
30 de outubro de 2022
28 de outubro de 2022
Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single
The Roof (Back in Time)
Mariah Carey
Acredito que parte do público esquece o quanto influente a Mariah Carey foi para a música pop não apenas em números, mas, também, artisticamente. A artista foi responsável por moldar toda a sonoridade pop/R&B dos anos noventa depois de ter mais liberdade criativa com o lançamento de Daydream de 1995. E isso foi consolidado com o seu trabalho seguinte Butterfly de 1997 que está completando vinte e cinco anos. Livre artisticamente e pessoalmente, Mariah foi capaz de explorar novos sons ao buscar influencias mais pesadas no hip hop/soul sem perder o seu apelo clássico de grande diva. Uma das melhores músicas dessa época é a excepcional The Roof (Back in Time).
Na época do seu lançamento, The Roof (Back in Time) não fez sucesso comercial e nem entrou para a parada oficial da Billboard, sendo ofuscada pelos sucessos de Honey e My All. Entretanto, a canção em perspectiva é um dos trabalhos que melhor envelheceram e que mostra perfeitamente a revolução que a Mariah fez na sua carreira e na música da época. Apesar de já tenha iniciado os seus experimentos com a mistura do pop/R&B com hip hop, a canção é dos momentos do mais intensos dessa jornada até então recente da cantora que mudaria os rumos do pop na década. A produção aposta em uma contida, mas marcante batida que transita perfeitamente entre a delicadeza de uma balada romântica e a força da batida hip hop sem que se perca as qualidades de nenhuma parte. Na verdade, a fusão é que eleva The Roof (Back in Time) para outro parâmetro devido a intrigada construção que faz de mais de cinco minutos não perder o interessante em nenhum momento. E, obviamente, a persona de Mariah tem uma diferença ao estar mais contida e sexy, mas ainda deixa o claro que ainda é a cantora com todos os seus rifes e mudanças vocais. E a composição da canção é provavelmente o trabalho mais apurado na questão lírica da cantora ao ser a perfeita tradução sentimental e fisicamente de um encontro passional entre duas pessoas com uma bagagem emocional complicada, mostrando toda o potencial da verborragia da escrita da Mariah com um senso estético ainda mais apurado que dosa romantismo, tristeza, sensualidade e melancólica. Mesmo sendo uma canção não tão conhecida pelo grande público, The Roof (Back in Time) é uma das canções que realmente a ajudar a mudar a cara da música para todas as gerações que vieram depois e merece esse reconhecimento.
nota: 8,5
Um Oscar para Rihanna
Lift Me Up
Rihanna
Depois de oito anos de hiatos, a Rihanna está de volta com o lançamento de Lift Me Up para a trilha do filme Black Panther: Wakanda Forever. Apesar de bons chances da canção ser ao menos indicada ao Oscar, o resultado é bem aquém do esperado.
Homenagem para o ator Chadwick Boseman, Lift Me Up é uma balada pop/R&B emocionante e tocante, mas que nunca chega de verdade a decolar. A produção de Ludwig Göransson que também é compositor da trilha incidental e venceu o Oscar pelo trabalho no primeiro filme entrega um instrumental contido, melancólico e com uma construção instrumental belíssima, mas, infelizmente, perde boa parte da força por não saber como criar um clímax eficiente e poderoso suficiente para elevar o material, resultando em uma canção quase arrastada. Outro problema é a sua a composição que, apesar de bem escrita, navega por águas clichês e não entrega o momento de catarse que esse tipo de tributo deveria ter. Rihanna entrega uma performance sólida, especialmente na primeira parte da canção, mostrando a evolução e maturidade conquistada aos longos dos anos. É bom ouvir a Rihanna novamente, mas Lift Me Up soa mais como um aquecimento do que pode estar por vir.
nota: 7
25 de outubro de 2022
Drag Explosion Brasil
AMEIANOITE
Gloria Groove & Pabllo VittarAcredito que fazer a previsão do que um álbum irá entregar com o lançamento de apenas dois singles, mas tenho uma certa impressão que o próximo álbum da Pabllo Vittar irá ser não apenas o seu melhor, mas, principalmente, aquele que irá finalmente fazer a artista explorar todo o seu poder artístico. Depois da falha, mas ainda divertida e bem pensada Descontrolada chegou a vez da realmente ótima AMEIANOITE ao lado da Gloria Groove.
De longe, a canção é a melhor da carreira de ambas artistas ao entregar algo que venho sempre citando aqui para o pop no Brasil ao pegar um ritmo nacional (funk) e misturar com um elemento pop (house) e criar uma explosiva, divertida, elétrica e simplesmente viciante que se sustenta perfeitamente do começo ao fim. Obvio, essa decisão de produção já foi feita em várias outras canções brasileiras, mas em AMEIANOITE mostra o quanto o atual cenário pop nacional precisa desse tipo de canção, especialmente devido a qualidade por trás da construção da ótima qualidade. E, felizmente, os outros elementos não desapontam em nenhum momento. A composição é clichê, campy, tem personalidade e com um refrão perfeito e redondinho. Pabllo e Gloria entregam ótimas performances, mesmo que ainda a canção poderia ter uma terceira participante para se tornar a nossa Bang Bang. De qualquer forma, AMEIANOITE é o futuro do pop brasileiro e assim espero ter mais exemplos em breve.
nota: 8
O Sem Refrão
Mel Made Me Do It
Stormzy
Stormzy
Existem algumas regras para a construção de música que parecem imóveis como, por exemplo, o uso de refrões na sua estrutura. E é por isso que quando uma canção “quebra” uma regra como essa é algo no mínimo interessante, especialmente quando feita como é o caso de Mel Made Me Do It do rapper Stormzy.
Expoente britânico, o rapper lançou o single como primeiro single do seu próximo álbum (This Is What I Mean) é uma corajosa, potente, grandiosa e excepcional rap/hip hop que tem apenas um imenso e incrível verso único que cobre basicamente os mais de sete minutos de canção. Sem refrão, hooks ou pontes, a composição poderia fazer a canção explodir de maneira espetacular, mas, felizmente, o genial trabalho temático e lírico não apenas impede esse destino como também é o fator principal da canção ser tão espetacular. Cheio de rimas sensacionais, imagens elaboradas e citações pop de primeira, Mel Made Me Do It é um monologo cativante e de tirar o folego que faz quem escuto preso a cada novo verso, esperando a próxima quebra de expectativa que adiciona a cereja em cima do bolo. E a performance de Stormzy é no mesmo nível da entrega da composição, pois adiciona personalidade com o seu sotaque distinto, timbre rouco/gutural da sua voz e uma acidez deliciosa. Sonoramente, Mel Made Me Do It poderia ser mais aventureira na construção instrumental, mas o resultado é ainda sensacional com a batida contida e crua que adiciona boas nuances aqui e ali. Fazendo algo difícil parecer fácil, Stormzy entra facilmente na lista de melhores do ano.
nota: 8,5
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