Chappell Roan
27 de abril de 2025
O Passado é o Seu Presente
Pink Pony Club
Chappell Roan
Chappell Roan
Com o sucesso imenso que Chappell Roan vem alcançando, as canções do seu debut estão sendo "ressuscitadas", e a cantora emplaca outro sucesso do passado com a linda Pink Pony Club.
Primeiro single lançado do álbum ainda em 2020, a canção é uma doce, melancólica e sentimental crônica sobre os grandes sonhos da cantora, que vão contra a maneira como ela foi criada. Tudo é descrito de maneira tão genuína e com uma estética tão refinada que fica claro entender, depois de ser descoberta, o motivo de Pink Pony Club ter se tornado um sucesso comercial. Isso também se deve ao fato de a produção entregar uma excepcional, carismática, madura e grudenta mistura de pop rock com synth-pop, que consegue fazer a cantora se diferenciar da concorrência e, ao mesmo tempo, criar uma perfeita tempestade radiofônica. Afinal, logo após ouvir pela primeira vez, a canção já fica na cabeça. E esse é claramente o fator de sucesso de Chappell Roan.
nota: 8
A Porrada do Ano
2004 (feat. The Gang & Buddy)
YG
YG
Sabe aquelas canções que nos deixam sem ação pelo impacto que causam? 2004, do rapper YG, é exatamente assim.
A música aborda um tema delicado: o abuso sexual que YG sofreu na adolescência. Não é um assunto fácil ou comum no rap, especialmente porque, no caso dele, o abuso foi cometido por uma mulher — algo que ainda é cercado por tabus, machismo e preconceito. YG expõe esse relato com uma honestidade desconcertante, em uma crônica emocionalmente devastadora. Ele descreve como enfrentou a situação na época, a reação de seus amigos e, principalmente, os impactos desse trauma em sua vida adulta. A composição é tão sincera e eloquente que transmite a dor de maneira visceral. O tema, por si só, já seria suficiente para tornar 2004 uma obra marcante, mas a música vai além. A produção mistura west coast hip hop e R&B, evocando o som clássico do início dos anos 2000. Esse contraste entre a melodia envolvente e a intensidade da letra cria um efeito poderoso. A performance de YG é crua e quase apática, como se ele estivesse emocionalmente anestesiado, narrando a história de forma desolada. Esse detalhe adiciona profundidade à canção, reforçando a sensação de vazio e dor. 2004 é uma experiência marcante, um soco emocional que deixa uma impressão duradoura. Bravo, YG!
nota: 9
A Lorde Tá Viva!
What Was That
LordeO antecipado e aguardado retorno de Lorde com o lançamento de What Was That ajuda a mostrar que a cantora não perdeu o prestígio, mesmo após a recepção morníssima da era Solar Power. Além disso, demonstra que ela está de volta aos trilhos, embora a canção ainda careça de algo.
O que falta aqui é o “boom” de um clímax à altura do que a ótima produção promete durante a construção sonora da música. Produzida pela cantora ao lado de Jim-E Stack e Daniel Nigro, What Was That estabelece uma ponte direta com a sonoridade de Melodrama, entregando um alt-pop/electropop requintado, melódico, inteligente e estilizado, que se equilibra perfeitamente entre o artístico e o comercial. É fácil ouvir a canção e associá-la imediatamente ao estilo de Lorde, mas com uma evolução em relação ao que já foi feito anteriormente. Todavia, como já mencionado, o fato de o instrumental construir toda uma atmosfera crescente sem atingir plenamente o clímax esperado impede que o single seja genial, embora seja excepcional. Com uma letra direta, emocional e cortante, Lorde apresenta uma performance inspirada que explora sua persona vocal de maneira primorosa. Não é Lorde em sua forma plena ainda, mas é um retorno certeiro e extremamente bem-vindo.
nota: 8
Seda
Silver Lining
Laufey
Preparando o lançamento do seu terceiro álbum, a sensação do jazz pop Laufey lançou a ótima Silver Lining.
Assim com o toque da mais pura seda, a canção é um deleite para os ouvidos com sua melodia refinada, graciosa, madura e tocante. Um pop tradicional infundido de jazz, Silver Lining não entrega nada de novo na sonoridade da cantora, mas, sim, mostra a continua refinação do seu estilo que consegue ter elementos vintages sem soar datado e, ao mesmo tempo, soar contemporâneo sem perder esse toque bem vindo de nostalgia. Com uma letra esteticamente simples, mas lindamente escrita que consegue ser romântica e “divertida” ao mesmo tempo e uma magistral performance vocal que apenas confirma a Laufey como uma verdadeira joia musical.
nota: 8,5
Guilty Pleasure by Marina
CUNTISSIMO
MARINA
MARINA
Devo dizer que mesmo não sendo perfeito, o retorno da Marina é, no mínimo, o mais divertido do ano. E continua com a prazerosa e brega CUNTISSIMO.
A canção é uma brega, divertida, exagerada, estilosa e carismática crônica sobre empoderamento feminino que consegue ter um forte fator de prazer culposo que a transforma em um trabalho irresistível, amando-a ou odiando-a. E a principal razão é sua composição que consegue cair em lugares comuns ao mesmo tempo que soa datada e também com momentos geniais como, por exemplo, nos versos do refrão: “(Cuntissimo) Salma Hayek in the sun/(Cuntissimo) Louise and Thelma on the run”. A produção caminha no mesmo lugar ao ser uma mistura de synth-pop com tecno-pop que parece estar na linha exata entre o icônico e o irritante, mas que, felizmente, termina pendendo para o primeiro devido a ótima condução da produção. E a presença da Marina em uma performance primorosa é o que dá o tom perfeito para CUNTISSIMO. Na minha visão, a canção é um trabalho que realmente gosto, mesmo tendo alguns problemas que para outros são o prego no caixão.
nota: 8
20 de abril de 2025
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