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27 de abril de 2025

Guilty Pleasure by Marina

CUNTISSIMO
MARINA


Devo dizer que mesmo não sendo perfeito, o retorno da Marina é, no mínimo, o mais divertido do ano. E continua com a prazerosa e brega CUNTISSIMO.

A canção é uma brega, divertida, exagerada, estilosa e carismática crônica sobre empoderamento feminino que consegue ter um forte fator de prazer culposo que a transforma em um trabalho irresistível, amando-a ou odiando-a. E a principal razão é sua composição que consegue cair em lugares comuns ao mesmo tempo que soa datada e também com momentos geniais como, por exemplo, nos versos do refrão: “(Cuntissimo) Salma Hayek in the sun/(Cuntissimo) Louise and Thelma on the run”. A produção caminha no mesmo lugar ao ser uma mistura de synth-pop com tecno-pop que parece estar na linha exata entre o icônico e o irritante, mas que, felizmente, termina pendendo para o primeiro devido a ótima condução da produção. E a presença da Marina em uma performance primorosa é o que dá o tom perfeito para CUNTISSIMO. Na minha visão, a canção é um trabalho que realmente gosto, mesmo tendo alguns problemas que para outros são o prego no caixão.
nota: 8

6 de abril de 2025

Uma Nova Não Tão Nova

CUPID'S GIRL
MARINA

Depois de mostrar algumas das suas peculiaridades com o single anterior, a Marina volta a entrar uma canção com a sua cara em CUPID'S GIRL.

Dessa, porém, a cantora escolheu um caminho mais fácil ao emoldurar a sua própria sonoridade ao buscar influencias da era Electra Heart quando ainda era Marina and the Diamonds. Uma elétrica e carismática synth-pop com toques de dark pop e alt pop que capta perfeita a atmosfera do começo da carreira da artista com perfeição sem soar como nostalgia barata ou uma pastiche rasa. E isso é algo bem difícil de fazer, mas a produção acerta na construção de um instrumental classudo. CUPID'S GIRL também a mesma característica lírica do “material” que é baseado ao ser ácida, chiclete, inteligente e com um fator pop bem grande. Apesar de gostar da entrega da Marina vocalmente, especialmente a mostra da versatilidade ao mudar a voz entre os versos e o refrão, esse último perde certo impacto devido a essa escolha. Felizmente, a canção é uma outra amostra que a Marina acerta quando é ela mesma se medo.
nota: 8

2 de março de 2025

As Peculiaridades da Marina

BUTTERFLY
MARINA


A cantora Marina, ex-and the Diamonds, tem uma carreira que está sempre acertando para uns, errando para outros. E quando erra para o que acertou antes consegue acertar para quem errou. Ao começar a sua nova era não mostra que vai mudar com o lançamento de BUTTERFLY.

Primeiro single do novo álbum, a canção é visivelmente um trabalho que vai dividir o público, pois não é exatamente algo que seja de fácil assimilação. E isso é completamente compreensivo, pois a canção é uma alt pop/synth-pop que transita bem entre o piegas e o pretencioso com sua construção sonora com toques datados e quase irritante. E isso é especialmente ouvido no refrão em que a voz da cantora é distorcida para uma versão infantil. Todavia, BUTTERFLY é deliberadamente todas as essas coisas, pois, ao que parece, a sua razão de existir parecer ser um exercício da própria noção da sonoridade que o publico tem da Marina. Teria eu entendido errado? Pode até ser, mas o fato é que realmente gostei da canção já que entrega de maneira inteligente o que parece ser propor. Além disso, a parte vocal da Marina na “ponte” é simplesmente sublime. Acho que a canção é o perfeito veiculo para mostrar a personalidade peculiar ada cantora. 
nota: 8

12 de novembro de 2021

The Power of Marina

Venus Fly Trap
MARINA


Um dos melhores momentos em Ancient Dreams in a Modern Land, Venus Fly Trap consegue encapsular todas as qualidades do álbum em apenas uma canção de menos de três minutos.

Acredito que a principalmente qualidade do single é a sua produção que consegue manter a mesma sonoridade básica que o álbum segue e ainda adicionar uma camada radiofônica importante. Misturando pop rock com puro pop, Venus Fly Trap é a canção que melhor consegue equilibrar os elementos artísticos de Marina com essa vibe ativista, inclusive na sua ótima composição. Divertida, empolgante, original e com a personalidade da cantora, a canção mostra em toda sua glória o poder da Marina.
nota: 8

1 de junho de 2021

Retomando os Rumos

Ancient Dreams In A Modern Land
MARINA

Com a construção do próximo álbum da Marina através dos seus singles já lançados é possível notar que a cantora está no modo retomando os rumos da sua carreira depois do fiasco do álbum anterior. Em Ancient Dreams In A Modern Land, canção que dá nome ao trabalho, mostra Marina indo para o tudo ou nada em uma canção que poderia dividir o público, mas que acerta na mosca devido a sua imensa personalidade.

Continuando a sua jornada ativista ambiental/social, Mariana entrega novamente uma crônica/critica, mas dessa vez com um toque menos direcionado e mais genérico sobre o quanto o homem fez mal ao planeta terra. Apesar disso, a construção no single é a melhor até o momento, pois o resultado é divertido, inteligente e redondíssimo. Entretanto, o grande destaque da canção é a produção que entrega um pop rock com dance-pop e disco que parece explodir na nossa cara. Sem medo de criar fricção para quem escuta desavisadamente, Ancient Dreams In A Modern Land é o tipo de canção que funciona exatamente por esse motivo ao não ter medo de destruir expectativas em um trabalho épico, excitante e bem acima da média tecnicamente. E é por isso que a Marina faz crescer as expectativas para o lançamento do seu novo álbum ao parecer que está na dianteira de todas as arriscadas decisões.
nota: 7,5



27 de abril de 2021

A Garota Que Queria Salvar o Mundo Com o Pop

Purge The Poison
MARINA


A nova era da Marina, ex and the Diamonds, parece que irá ser sobre a vontade da cantora de querer salvar o mundo do seu pior desastre: a humanidade. Depois de Man's World que já tinha a intenção de falar sobre problemas da sociedade, Purge The Poison mostra um lado ainda mais agressivo em uma canção que não deveria funcionar na teoria, mas que acaba melhor que a encomenda.

Purge The Poison é uma pop rock/electropop que tem uma batida agressiva, marcante e estranha que parece que não vai funcionar, mas que se sustenta bem devido a boa construção instrumental e a atmosfera climática dada pela produtora Jennifer Decilveo. Com um caimento áspero e, ao mesmo tempo, envolvente, a canção consegue conquistar devido a sensação de chutar o balde para querer agradar gregos e troianos. Marina entoa Purge The Poison com uma raiva ruidosa sem perder, porém, o seu timbre aveludado e encorpado que parece funcionar para qualquer tipo de canção. A composição é o calcanhar de Aquiles da canção ao querer abocanhar vários assuntos como, por exemplo, mudança climática, covide-19, feminismo e até o #FreeBritney em um trabalho verborrágico e que beira o pieguismo. Gostar do resultado lírico é o ponto de equilíbrio que fará o público gostar ou não de Purge The Poison. Na minha visão, todo esse caldeirão é a prova que Marina está pronta para se erguer das cinzas seguindo as suas regras.
nota: 7,5



26 de fevereiro de 2021

A Ladra Gentil

Man's World (Empress of Remix) [feat. Pabllo Vittar]
MARINA

Estou pensando seriamente em fazer uma categoria nos Melhores do Ano apenas para contemplar os melhores remixes de 2021, pois a moda parece que não vai ter um descanso tão cedo. A mais recente a aderir foi a britância Marina que lançou o remix para o single Man's World com o subtítulo de Empress of Remix devido ao trabalho da cantora/produtora Empress Of. A grande surpresa dessa versão é que uma das convidadas especiais não apenas rouba a cena, mas, também, ajuda o resultado final ser melhor que o original. E, sim, essa convidada é a Pabllo Vittar.

Sobre a versão original escrevi que “percebo a canção com um indie pop/pop alternativo que fica na beirada exata entre ser pretencioso e descolado”. Na versão remix, o verniz EDM/electropop dado pela Empress Of ajuda a canção a ganhar vida com cores mais forte e divertidas. Não estou falando de uma revolução no resultado final, mas, sim, de uma adição de personalidade que a versão original precisava. Todavia, o grande destaque de Man's World (Empress of Remix) é o belíssimo trabalho vocal da Pabllo e a sua química inusitada e suculenta com a Marina. Existe uma sinergia poderosa entre as duas artistas que, apesar de tão diferentes, parecem se completarem de forma fluida e orgânica. Além disso, algumas passagens entoadas por Pabllo ganham um novo significado que dão ainda mais força para a composição. Mesmo sendo quase roubada por Pabllo, Man's World (Empress of Remix) mostra que é possível um remix ter razão verdadeira de existir.
nota: 7,5

11 de dezembro de 2020

De Volta Para o Passado

Man's World
MARINA

Curioso entender o momento da carreira da Marina (ex and the Diamonds) que depois de se aventurar em novas sonoridades no álbum Love + Fear e receber uma tonelada de críticas bem negativas do seu público, a mesma resolveu voltar ao passado ao resgatar a sonoridade que mais pareceu agradar os seus fãs. Em Man's World, primeiro single do seu quinto trabalho, Marina retoma quase o mesmo caminho que no seu adorado álbum Froot. 

Sinceramente, não sou fã do álbum Froot e, provavelmente, por isso acho Man's World apenas um pouco melhor que a média. Não existe nada de errado de verdade com a canção, mas, assim como a era “frutada” de Marina, percebo a canção com um indie pop/pop alternativo que fica na beirada exata entre ser pretencioso e descolado. Sem pender para nenhum lado, Man's World carece de personalidade que o distingue de outros trabalhos do mesmo estilo, mesmo que a produção instrumental seja impressionante. E deve ser por causa dessa característica que a canção consegue ficar acima de média. A sua composição tem um tom urgente e pertinente em relação ao que vivemos como sociedade que poderia ser mais impactante se não fosse os deslizes cafonas como, por exemplo, "Cheeks are rosy like a Boucher cherub/ I'm a strawberry soda". Felizmente, a bela e madura performance de Marina acerta algumas pontas soltas, deixando a canção com um verniz de personalidade superficial, mas bem vindo. Espero que a cantora não embargue em apenas agradar os fãs e possa entregar algo realmente maduro sonoramente. 
nota: 7

22 de abril de 2019

2 Por 1 - MARINA

Orange Trees
Superstar
MARINA

Existe uma cultura de pensamento que diz que a gente precisa estar aberto para as mudanças nas nossas vidas. Acho válido esse pensamento de forma geral, mas o que não acho válido é o fato que nunca é dito sobre as consequências dessas mudanças podem causar. Infelizmente, essas consequências estão atingindo os novos trabalhos da MARINA, ex The Diamonds, que não estão recebendo uma boa acolhida por parte do público. E acredito que isso seja algo bem injusto.

Lançadas como segundo e terceiro singles do trabalho Love + Fear, Orange Trees e Superstar não são canções geniais, mas apresentam ótimos atributos novo e, claro, já conhecidos da cantora. Com uma pegada solar e um toque de latin music, Orange Trees é um dance-pop delicinha que tem como melhor característica a sua despretensão. Curtindo a vida sob a sobre de um pé de laranja e sem pensar em mais nada que apenas curtir a brisa fresca, MARINa entrega o tipo de canção que não deveria ser motivo para acharem que a cantora não está entregando canções boas ou que esteja perdendo a sua personalidade. A única questão é que a canção mão tem a mesma seriedade que o trabalho anterior da cantora apresentava. E, para aqueles com saudade de uma MARINA mais clássica, Superstar está para aí para agradar esse público ao ser uma elegante e refinada indie pop/electropop. Com uma composição interessante e que, felizmente, não parece carregar certo pedantismo que era na minha opinião o seu maior defeito. Realmente gostaria que as canções fossem melhor recebidas, pois ajudaria a fazer as pessoas entenderem que artistas precisam evoluir em seus ofícios.
notas
Orange Trees: 7
Superstar: 7,5

14 de fevereiro de 2019

Diamonds Are Forever

Handmade Heaven
MARINA

A busca pela famosa verdade de cada um é algo que ajuda a mover aqueles artistas que realmente se importam com o seu oficio. E essa busca acontece de várias formas como, por exemplo, a busca de novos sons em país diferente, a reclusão por anos para se reconectar ou a mudança de rumo artístico. Nessa ultima categoria entra a britânica MARINA que tirou o "and the Diamonds" e entrou em uma nova era na sua carreira com o lançamento de Handmade Heaven.

Depois de lançar o álbum FROOT em 2015 e passar por uma longa turnê (lembrando que a mesma cancelou uma apresentação no Brasil durante o Rock in Rio), Mariana decidiu dar um tempo na carreira musical para se dedicar a diferentes coisas na sua vida. Acredito que essa pressão acontece com a maioria dos artistas, principalmente aqueles mais ligados ao lado artístico do oficio como é caso da cantora que compôs sozinha o seu último álbum. Aos poucos, porém, a cantora foi dando as caras em participações aqui e ali ao lado de outros artistas. Passado esse tempo, além de mudar de nome artístico, a cantora decidiu voltar a trabalhar na sua carreira ao lançar Handmade Heaven que deve abrir os trabalhos para um novo álbum.

Mesmo que a canção não seja uma mudança drástica na sonoridade da cantora, pois ainda continuamos a ouvir um elegante e inteligente indie pop/electropop que a mesma apresentou no último álbum, Handmade Heaven apresenta algumas significativas mudanças. A maior delas e a que dá mais significância para a canção vem da sua atmosfera: o single parece soar como um trabalho menos rebuscado sonoramente, deixando espaço para uma sensação de frescor que a Marina parecia fadada a não alcançar mesmo quando entregava boas canções. Parece que a cantora está em uma fase mais pé no chão e sem algumas das firulas que deixavam o seu trabalho desnecessariamente pretensioso. Assim sendo, o público é capaz de apreciar a delicadeza e melancólica que a instrumentalização passa do começo ao fim de uma forma bastante direta. Além disso, a presença marcante e quase angelical da voz de Marina se encaixa perfeitamente no contexto de Handmade Heaven que apresenta uma poética e linda composição sobre encontrar o seu lugar no mundo. Com certeza, Handmade Heaven é a melhor canção da carreira de Mariana, mostrando que o tempo longe parece ter valido a pena para lapidar o seu talento assim com um bom diamante.
Nota: 8