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15 de fevereiro de 2026

Bossa Mitski Nova

I’ll Change for You
Mitski

De tempos em tempos, algum artista que considero talentoso tem a capacidade de me surpreender com algo que eu nunca estaria esperando. E é esse o caso da Mitski ao lançar a sublime I’ll Change for You.

Segundo single do seu novo álbum, a canção é simplesmente uma refinadíssima bossa nova que é de cair o queixo devido à sua magistral produção. Respeitando ao máximo o gênero brasileiro, mas adicionando camadas de chamber pop, jazz pop e indie pop que incrementam a canção para levá-la a um outro lugar criativo que liga diretamente com a personalidade artística da cantora. Todavia, o toque de mestre nesse caldeirão é a pitada magistral de samba que arremata I’ll Change for You com chave de ouro.

Felizmente, porém, a canção não tem apenas essas qualidades, pois tudo é construído em uma pequena e complexa “estufa” de vidro para criar uma canção rara e apaixonante. A simples e contida, mas emocional, composição é uma crônica tocante sobre uma pessoa que tenta entender o fim de um romance ao mesmo tempo que tenta descobrir uma maneira de recuperá-lo. Delicada e pungente, a performance de Mitski é um trabalho que vibra nos nossos ouvidos e corações, pois tem uma mistura de melancolia, tristeza e esperança genuína.

E com esse resultado, que contrasta criativamente tanto com o primeiro single (Where's My Phone?), Mitski vai criando uma jornada completamente inesperada para o que promete ser um dos álbuns do ano.
nota: 8,5

1 de fevereiro de 2026

O Retorno Depois do Sucesso

Where's My Phone?
Mitski

Depois do sucesso comercial inesperado de My Love Mine All Mine, Mitski está de volta com o lançamento de Where’s My Phone?, primeiro single de Nothing’s About to Happen to Me.

É fácil perceber que a canção não tem relação direta com seu single de sucesso, mas, felizmente, continua mantendo o nível artístico da cantora bastante elevado. Trata-se de uma faixa reconfortante, madura, graciosa e com forte estética vintage: um noise pop com garage rock que claramente se inspira nos anos setenta, com uma camada noventista, sem, no entanto, soar como um simples exercício de nostalgia. Na verdade, Where’s My Phone? apresenta um trabalho instrumental incrível e complexo, repleto de camadas, que vão se desenrolando gradualmente até alcançar algo muito mais climático e poderoso do que sua primeira metade deixa transparecer. Esse é, sem dúvida, o grande trunfo da canção.

Liricamente, a faixa não é de digestão fácil para quem busca algo mais direto e palatável. Não se trata de uma escrita complexa em sua forma, mas Mitski possui uma capacidade impressionante de expressar sentimentos difíceis de maneira elaborada, sem jamais soar pretensiosa. Aqui, fica claro que a cantora busca traduzir uma angústia existencial típica do mundo contemporâneo, em que estamos constantemente cercados de coisas, mas ainda assim podemos nos sentir vazios e perdidos. Mitski entrega uma performance vocal sólida e poderosa, que se encaixa perfeitamente na proposta da canção; ainda assim, é preciso apontar que a mixagem vocal deixa um pouco a desejar, já que sua voz acaba ficando abaixo do instrumental devido às escolhas de efeitos adotadas.

De qualquer forma, Where’s My Phone? se firma como um dos melhores momentos deste início de ano, que promete ser repleto de destaques como este.
nota: 8

5 de novembro de 2023

Um Hit Para Mitski

My Love Mine All Mine
Mitski


Além do sucesso de critica do álbum, a Mitski ainda conseguiu emplacar comercialmente a ótima My Love Mine All Mine.

Alcançado a 26° posição da Billboard e o 8° na Inlgaterra, a canção é uma das melhores do álbum ao conseguir empacotar todas as qualidades da sonoridade do trabalho. Uma melódica, aveludada e climática soft rock/americana/soul que gruda na gente com perfume francês da melhor qualidade ao nunca ser pungente e, sim, constante. Existe uma My Love Mine All Mine sobriedade estética que não atrapalha a sua atmosfera quase sonhadora. Entretanto, o que faz a ganhar pontos altos é a presença espetacular da Mitski em “uma performance delicada, emocional, contida e atemporal da cantora que entoa cada palavra com uma classe invejável”. E o sucesso da canção é uma das boas facetas de qualquer música ter a capacidade de se transformar um viral.
nota: 8

18 de janeiro de 2022

Neon e Melancolia

Love Me More
Mitski


Acredito que foi nos anos oitenta que o pop ganhou fortemente os contornos da capacidade de ser um gênero popular e ainda poder carregar uma atmosfera sombria. Um efeito que chamo de neon e melancolia. Esse é caso de Love Me More da Mitski.

A canção apresenta uma composição compacta, direta e muito bem escrita que funciona bem como uma peça dentro de uma canção synth-pop, mas a sua grande qualidade é a sua temática. Falando sobre não se sentir amada suficiente e achando que o problema é apenas seu, Mitski entrega uma composição forte sobre um sentimento que muitos podem se relacionar. E o toque maduro e sincero que é coloca aumenta mais o clima melancólico da canção. E o clima neon vem dos sintetizadores e a batida mid-tempo com toques de soft rock direto de alguma rádio FM dos anos oitenta. A delicada e sentimental performance da Mitski arremata Love Me More de forma deliciosamente cativante. Resumidamente, a canção é perfeita para “dançar e chorar na pista de dança”.
nota: 8