7 de setembro de 2016

Stranger Things

Dream Too Much
Amy Lee

Era uma vez uma jovem cantora, vocalista de uma banda de rock, que nos começo dos anos dois mil se tornou uma das maiores divas da comunidade gótica de butique/adolescente. Anos passados, a mesma jovem, agora na casa dos trinta e com um criança para chamar de sua, a cantora resolveu lançar um álbum em carreira solo dedicado ao seu grande público alvo: a tradicional família brasileira, ou melhor, mundial. Brincadeiras a parte, a Amy Lee do Evanescence resolveu lançar o álbum Dream Too Much com músicas infantis originais. O single lançado para a divulgação foi a homônima Dream Too Much.

Por incrível que parecer, a canção não é a bomba atômica que eu estava esperando, apesar de não estar esperando nada realmente. Dream Too Much é um bonitinho indie pop, construído como se fosse uma canção de ninar. A produção acerta bem no tom, mas erra ao dar uma batida mais acelerada para o refrão. Amy Lee entrega bons vocais que mostram que ela continua com a mesma qualidade vocal de antes. O problema, porém, é que a cantora parece um pouco deslocada, pois a sua voz não se encaixa muito bem nesse tipo de canção. O trunfo de Dream Too Much é a sua lúdica e fofa composição sobre acreditar no poder de sonhar. Nessa nova fase Amy Lee Para Baixinhos, a cantora pode conquistar um novo público: os filhos dos seus fãs.
nota: 7

6 de setembro de 2016

Pop Bublé

Nobody but Me (featuring Black Thought)
Michael Bublé

Conhecido como o principal representante moderno do estilo fundando por Frank Sinatra e Tony Bennett, o canadense Michael Bublé construiu sua carreira baseado nas regravações de canções importantes para cancioneiro estadunidense. Todavia, Bublé também lançou, com sucesso, músicas inéditas como, por exemplo, Haven't Met You Yet e Home. Então, não é novidade que o primeiro single do seu próximo álbum Nobody but Me seja uma original: a homônima Nobody but Me. O curioso é que a canção é a mais pop da carreira do cantor.

Nobody but Me é um inofensivo e fofo pop de despretensioso que não está a altura do talento Bublé, mas que não arranha a imagem do cantor. Com a co-produção do próprio Bublé, a canção tem uma batida leve, cadenciada e animada que puxa bem para uma atmosfera deliciosamente brega. Assim como a letra romântica/clichê, defendia com elegância pelo cantor. A surpresa em Nobody but Me fica por conta da participação do Black Thought, líder do The Roots, que faz uma espécie de rap/canto até legal. Essa versão pop de Bublé não tem o mesmo impacto que as suas versões de clássicos, mas ajuda a manter o carisma descolado do cantor intacto.
nota: 7

5 de setembro de 2016

Direto da Broadway

I See You
Idina Menzel

Recentemente a atriz Idina Menzel ganhou fama mundial ao ser a dubladora da personagem Elsa no mega sucesso da Disney Frozen de 2013 e, claro, cantar o sucesso número um de 9 entre 10 crianças Let it Go. Entretanto, Idina não é nenhum novata que acabou de surgir, pois já tem uma carreira longuíssima na Broadway onde estrelou versões de Hair e Rent. 

O maior sucesso dela veio em 2003 com a estreia do clássico moderno Wicked em que ela interpretou Elphaba Thropp, uma versão da Bruxa Má do Oeste de O Mágico de Oz. Pela performance, Idina venceu o Tony de melhor atriz em musical, além de ter estabelecido seu nome como uma das divas modernas da Broadway. Desde então, a atriz participou de vários outras peças, pequenos papeis em filmes e algumas séries de TV como, por exemplo, o seriado Glee. Também lançou álbuns em um total cinco até hoje. Esse ano será lançado o sexto, intitulado idina. que já tem o seu primeiro single I See You já divulgado.

A canção é o veículo perfeito para Idina mostrar todo o seu poder e controle vocal, além do timbre anasalado inconfundível. Na mãos de Idina, I See You ganha uma atmosfera dramática perfeita para expressar toda a força emocional da composição sobre a cantora reconhecer o sofrimento de outros pessoas e demonstrar que existe uma luz no fundo do túnel. Clichê? Sim, mas existe certos momentos que esse tipo de música é muito bem vinda, especialmente para quem gosta de musicais e grandes vozes. O problema dessa power balada pop é que falta uma grande explosão no seu final para colocar a cereja em cima do bolo, o que deixa o final um pouco anticlimático. De qualquer forma, Idina Menzel é uma das melhores da sua geração de artistas da Broadway e não há como negar essa verdade.
nota: 6,5

3 de setembro de 2016

Uma Chance para Victoria

Do You Like It
Victoria Monét

Nem sempre as primeiras impressões são suficientes para se criar uma visão completa de um artista. Um pouco de tempo e uma nova "olhada" pode ser responsável em alterar a percepção de algumas ideias preestabelecidas. Esse é o caso da novata Victoria Monét que não tinha convencido com Better Days, mas que ganha uma segunda chance com a música Do You Like It.

Não que a canção seja o supra-sumo do R&B, mas consegue ser bastante decente mostrar muito mais do talento dela como cantora. Victoria segura bem essa mistura de dance pop com R&B dançante, exaltando um lado sensual e envolvente de cantar. A batida de Do You Like It pode até não ser o mais criativo do ano, porém, dentro das suas limitações, consegue ser divertido e dançante na medida. O grande problema em Do You Like It é a sua composição: co-autora de uma dezena de canções de qualidade para outros artistas, Victoria entrega uma letra sem criatividade e nenhum substância. De qualquer forma, a canção ajuda a mostrar um futuro de possibilidades para Victoria Monét. Agora é esperar para conferir.
nota: 6,5

Pancadão Classudo

Prolly (feat. Gucci Mane)
Sevyn Streeter

Com uma carreira já extensa com passagens em duas girl bands, dezenas de composições para outros artistas e um moderado hit, Sevyn Streeter precisa apenas de um grande sucesso para deslanchar de vez. A canção Prolly poderia ser a grande responsável por isso, caso o grande público a descobrisse.

Prolly, single do seu debut álbum que deve ser lançado no começo do ano que vem, é um sólido R&B/hip hop com um apelo radiofônico irresistível. Não que a produção entrega uma batida que seja diferente da maioria das canções do gênero, mas consegue ter um resultado acima da média com as pequenas ousadias inseridas aqui como a inusitada introdução e a presença do rapper Gucci Mane no meio da canção e não ao final como é de praxe. Além disso, o rapper entrega uma boa performance assim como a de Sevyn. Quem sabe Prolly não se torne um sleeper hit nos próximos tempos?
nota: 7

1 de setembro de 2016

Nomes Não Importam

The Legend of
Diana Gordon

Apesar de ser a primeira vez que o nome Diana Gordon aparece aqui no blog, a cantora não é nenhuma estranha. Diana Gordon na verdade é o nome verdadeiro de Wynter Gordon que resolveu lançar a canção The Legend of sob esse nome.

Diana/Wynter não é nenhuma novata, mas, nos últimos tempos, a cantora tem começado a chamar mais atenção ao atuar como compositora. A artista é co-autora de três músicas do Lemonade (Don't Hurt Yourself, Sorry e Daddy Lessons) da Beyoncé, além de assinar canções para Ciara, Jennifer Lopez e Mary J. Blide. Além da carreira como cantora, lançando um álbum (With the Music I Die em 2011) e vários EPs (inclusive o ótimo Five Needle de 2015). Sem precisar de provar o seu talento, a cantora lança a boa e interessante The Legend of.

O single mostra que a cantora não está buscando a facilidade para criar a sua sonoridade na busca pelo mainstream, pois o caminho escolhido foi do R&B urban/indie. The Legend of tem uma batida "suja", pesada e sexy que ajuda a ganhar personalidade e uma atmosfera envolvente. Talvez algumas aparadas de arestas para ter deixado a canção mais redonda seria muito bem vinda, mas o problema da canção é a sua composição. Bem escrita e com alguns momentos ótimos (I just got a fat chip from Beyoncé), mas faltou substância para encorpar e dar vida. Felizmente, a cantora entrega uma performance boa e confiante. Seja como Diana ou Wynter, a jovem é uma daquelas artistas que apenas precisa de um verdadeiro "breakthrough" para brilhar realmente.
nota: 7,5