8 de outubro de 2016

Atirando Para Todos os Lados

Company
Tinashe

Segundo single do seu próximo álbum intitulado Joyride, a canção Company mostra que a Tinashe está apostando na diversidade para ajudar a emplacar o trabalho.

Depois da pop despretensioso de Superlove, a nova canção volta a mostrar o lado mais R&B urban da cantora. Todavia, ao contrário da pegada ouvida no seu primeiro álbum AquariusCompany tem uma atmosfera bem comercial e radiofônica parecido com o que está sendo feito por vários nomes atualmente. Essa sensação é graças a presença, novamente, do produtor The Dream que cria uma batida previsível que não é exatamente ruim, mas também não é muito mais que o bom arroz com feijão. Apesar de não ser o supra suma do R&B, Company tem as suas qualidades: a composição que ressalta o poder da mulher em escolher o que ela quer fazer sem precisar se preocupar com opiniões alheias e a boa performance da Tinashe. Agora é esperar para ver se a cantora vai acertar com o resultado final do álbum e ver se essas escolhas foram acertadas.
nota: 7

6 de outubro de 2016

Ego

My Way
Calvin Harris

Decido a não lançar mais álbuns, mas apenas singles, o DJ Calvin Harris lançou a canção My Way. E novamente o trabalho apenas servir para acariciar o seu ego, pois, ao contrário da maioria das suas canções que possuem os vocais de um cantor ou cantora de verdade, a canção tem os vocais do próprio Calvin.

Terceira vez que ele atua como "cantor" (Summer e Feel So Close), Calvin entrega um performance que poderia até ser passável, se não fosse tão linear e pouco inspirada. O DJ pode até ter algumas qualidades em sua voz, mas a de interpretação não é uma delas. My Way também sofre da crônica falta de inspiração de Calvin para escrever qualquer letra que tem alguma força emocional ou alguma construção que não pareça com a poesia escrita por algum jovem de dez anos. Além disso, a batida eletrônica com influência de música caribenha é tão boba e pouco inspirada que nem dá para se divertir ouvindo. My Way deveria se chamar My Ego para combinar com o estilo de Calvin. E tem gente que ainda compra as ideias do DJ.
nota: 4,5

5 de outubro de 2016

Ariana, a Safadinha Feminista!

Side to Side (feat. Nicki Minaj)
Ariana Grande

Side to Side, terceiro single do álbum Dangerous Woman da Ariana Grande, fala quase abertamente e sem pudores sobre sexo. Na verdade, a canção fala sobre fazer tanto sexo que a pessoa vai ficar andando de lado depois. E não se engane: a canção é uma ajuda vital para consolidar o feminismo na música pop.

Vamos aos fatos: ao contrário de muitas músicas cantadas por homens e que tratam o sexo da maneira mais banal possível e que transforma a mulher em apenas um objeto sexual, mas Side to Side é "narrado" do ponto de vista da mulher. Essa mudança ajuda a mostrar uma mulher que, primeiramente, não é um objeto sexual, mas uma participante ativa do ato sexual e, principalmente, anseia por esse ato assim como qualquer homem. Mostrar a mulher como um ser sexual e que não deve ter vergonha desse desejo é primordial para tirar esse ranço de mulher objeto e que ela deve  fazer sexo apenas para satisfazer os desejos dos homens (e, acreditem, ainda existe muitas pessoas que pensam assim). E Side to Side, por mais que seja uma canção pop comercial, é um tijolinho nessa construção diária no feminismo moderno. Além disso, Side to Side é uma ótima canção pop que não tem medo de ousar com um tema tão polêmico.

Produzida por Max Martin e Ilya Salmanzadeh, o single é uma das canções mais divertidas do ano e um dos melhores singles de Ariana até hoje. Side to Side tem uma sonoridade que mistura na medida certa reggae com pop e R&B sem descaracterizar nenhuma dos gêneros, mas tendo a perfeita consciência de criar uma batida comercial e vendável. Dançante e sensual sem soar vulgar ou desesperada, a batida da canção é o veiculo perfeito para Ariana (em performance poderosa e digna de uma diva pop) em a sua terceira colaboração com a  Nicki Minaj (em um desempenho excelente e cheio de personalidade) falarem sobre sexo de maneira sem puderes e bem escrita. Side to Side é um passo pequeno, mas que ajuda a desmistificar o sexo e como uma mulher deve se portar em relação ao mesmo: da maneira que ela quiser.
nota: 8 

4 de outubro de 2016

A Garota Esquecida (Por Mim)

Cool Girl
Tove Lo

Nem sempre é possível aqui blog cobrir todos os novos nomes que aparecem anualmente no cenário pop. Um desses nomes que infelizmente passou batido foi o da cantora sueca Tove Lo. 

A cantora/compositora alcançou a notoriedade em 2014 com o single Habits (Stay High) que teve ótimo desempenho ao redor do mundo e seu debut (Queen of the Clouds) obteve boas criticas da impressa especializada. Além disso, a cantora escreveu e/ou participou de várias canções de sucesso como, por exemplo, Love Me like You Do da Ellie GouldingClose do Nick Jonas e Heroes (We Could Be) do DJ Alesso. Esse ano a cantora irá lançar o segundo álbum (Lady Wood) que conta como primeiro single a canção Cool Girl.

O single mostra logo de cara a grande qualidade de Tove Lo: a sua peculiar maneira de compor. Cool Girl é uma divertida e irônica letra sobre que fala sobre a vontade da narradora em ter um relacionamento aberto. Além de ter um forte apelo de empoderamento feminino, a cantora disse que a letra foi inspirada na personagem central do filme Garota Exemplar e para quem viu o filme sabe o quanto provocativo é o mesmo. Devido a essa característica, Cool Girl ganha pontos positivos o que ajuda a dar personalidade para a batida eletropop redondinho e comercial. Não que seja a melhor cantora atualmente, mas Tove Lo tem um carisma estranhamente convidativo e diferente que termina por selar a canção de maneira satisfatória. Agora que "descobri" a Tove Lo espero que ela continue nesse ótima caminho que vem trilhando.
nota: 7

2 de outubro de 2016

A Voz Interior

Love On the Brain
Rihanna

Quando começou lá em 2005, Rihanna era mais um rosto na multidão de tantas garotas que queriam ser a próxima estrala pop. Com um gerenciamento perfeito da sua carreira, a cantora de Barbados foi crescendo e se tornou uma das maiores estrelas da sua geração. Todavia, ainda havia um problema: Rihanna ainda não tinha mostrado todo o seu potencial vocal. Demorou mais de dez para a cantora conseguisse provar que aquela interprete vacilante e inexperiente de Unfaithful era digna de ser considerada uma ótima cantora. Love On the Brain é a prova cabal de tudo isso.

Lançado como quarto single de Anti, Love On the Brain mostra com clareza a evolução vocal de RiRi ao longo dos anos. Sem nunca ter possuído um grande alcance, a cantora domina essa balada R&B estilo anos 50/60 com uma categoria de uma grande diva, sendo comparada com grandes nomes do soul. Encorpada, cheia de nuances e, principalmente, com uma interpretação visceral, Rihanna entrega em Love On the Brain uma performance que é um marco decisivo na sua carreira. Para quem achava que esses vocais são apenas na versão ao vivo, a cantora mostrou ao vivo que ela realmente está "sambando na cara" de muitas pessoas. Claro, os vocais dela não teriam o mesmo efeito se a canção não correspondesse a altura, mas Love On the Brain é o perfeito veículo com a sua instrumentalização poderosa e a sua composição dramática sobre as idas e vindas de um romance turbulento. Love On the Brain não precisa nem fazer sucesso comercial, pois Rihanna não precisa mais provar mais nada sobre o seu talento.
nota: 8