7 de maio de 2020

Primas

Crave
Kiesza

Assim como um cometa passando perto da Terra, o boom da cantora Kiesza durou quase como um piscar de olhos com o hit mundial Hideaway. Felizmente, assim como outros one hit wonders, a cantora vai continuando a sua carreira com dignidade e qualidade. Preparando para lançar o terceiro álbum, a cantora já divulgou o single Crave.

Mudando drasticamente de sonoridade, Kiesza deixa de lado o electropop/eletrônico com pegada dos anos noventa para entregar uma batida synth-pop que lembra muito o que a Carly Rae Jepsen produz como se fossem primas de parte de mãe. Sonoramente, Crave não é necessariamente uma lufada de ar fresco, mas é um trabalho honesto e bem produzido. Mesmo com vocais levemente massificados aqui e ali, Kiesza mostra personalidade no refrão ao deixar claro o distinto timbre vocal. E a leve e romântica composição ajuda a rematar a canção. Poderia ser melhor? Claro que sim. Todavia, acredito que a Kiesza está mais na busca da sua verdade artística do que agradar a todos.
nota: 7

5 de maio de 2020

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Buttons
The Pussycat Dolls

Hoje irei olhar para uma canção que, apesar de ter feito sucesso, terminou meio que ofuscada pelo sucesso anterior da girl band revelação dos meados dos anos dois mil. Essa canção é a explosiva Buttons das The Pussycat Dolls.

Muitos acham que Buttons é apenas uma imitação de Don't Cha, mas a verdade que isso é uma afirmação mais do que correta. Vamos aos fatos: ambas canções são uma fusão bem elaborada de pop com R&B, ambas são o ápice da carreira da girl band, ambas são a tradução do que é ser sexy, ambas são tematicamente parecidas, ambas são perfeitos veículos para a vocalista Nicole brilhar acima das companheiras e ambas não alcançaram o topo da Billboard apesar do imenso sucesso. Então, você deve estar se perguntando: o que faz de Buttons especial? O seu apelo ainda mais pop. Enquanto Don't Cha a pegada dado pelo produtor CeeLo Green é claramente R&B, Buttons parece uma herdeira diretamente de Toxic da Britney Spears. 

Tanto a música da Britoca como a da PCD buscam a sua inspiração e base sonora no oriente para construir uma canção que consegue cruzar os limites do pop ao mesmo tempo que entrega uma canção pop atemporal. Existe uma grandiosidade instrumental em Buttons que faz da canção um trabalho imponente, classudo e maior que quase toda a média do pop e, principalmente, da discografia da girl band. Divertida, dançante, sensual e com apelo viciante ao máximo, Buttons tem na performance poderosa de Nicole a alavanca perfeita para dar o impulso necessário para elevar a canção. O trabalho das outras integrantes aqui é o que mais faz peso para o resultado final, pois dá corpo e substância suficiente para equilibrar a performance da Nicole e fazer o público lembrar que isso é grupo e, não, um solo. Outro ponto importante é começar a canção já pelo refrão, fazendo o público já empolgar com a batida e entrar no clima envolvente. Além disso, o refrão é um dos mais icônicos dos anos dois mil. Espero que Buttons possa ser lembrado com um dos melhores momentos do pop da década passada.
nota: 8,5

Luz na Escuridão

Light Of Love
Florence + The Machine


Em tempos como o que vivemos a arte será voltada de alguma forma para refletir como estamos sentindo ou/e querendo sentir. Obviamente, a esperança de tempos melhores é um desses sentimos que queremos ouvir em canções lançadas nessa época. E é assim que a Florence + The Machine presenteia com a iluminada Light Of Love.

Descarte do último álbum da banda, Light Of Love é, ao mesmo tempo, devastadora e reconfortante. Lançada nesses tempos de angústia, a canção fala sobre os problemas que a vocalista Florence teve com o abuso de drogas e como isso afetou a vida de quem estava a sua volta. Sincera, poética e desconcertante, Light Of Love poderia ser uma canção triste e soturna, mas passa uma mensagem de esperança ao jogar a luz na escuridão que existe esperança no fim do túnel. Melhor que boa parte do álbum que deveria fazer parteLight Of Love é uma delicada, emocionante e iluminada balada indie pop/indie rock que é defendida com clareza pelos vocais límpidos de Florence sem exagerar em nenhum segundo ou, pior, soar blasé. E no final é disso que estamos precisando: esperança.
nota: 8

Sofrência 1996

Do It
Toni Braxton

Grande nome dos anos noventa, Toni Braxton manteve uma carreira prolifera ao longos dos anos sem nunca repetir o mesmo sucesso, mas com uma qualidade alta. Preparando para lançar o lançamento do décimo álbum, a cantora divulgou a boa Do It.

A canção é o bom e velho R&B basicão que a Toni sempre entregou e, por isso, a qualidade da canção é garantida. Dona de uma das vozes mais marcantes do R&B, Toni mostra mais uma vez o seu domínio e carisma em uma performance contida e sentimental. Não tem a mesma força que trabalhos como Un-Break My Heart, mas é uma performance segura e com personalidade. E poucas sabem como entregar uma canção de sofrência como a Toni já Do It é sobre o fim de um relacionamento em forma de conselho de uma amiga. Parece que estamos lá em 1996.
nota: 7

3 de maio de 2020

Primeira Impressão

SAWAYAMA
Rina Sawayama



Uma Garota para Todas as Estações

Chosen Family
Rina Sawayama

Versatilidade. Essa é uma qualidade importante para a construção de uma diva pop desde os tempos do começo da carreira da Cher. Não apenas esteticamente, mas também sonoramente. Depois da ótima Comme des Garçons (Like The Boys)Rina Sawayama lançou a surpreende conservadora Chosen Family em uma amostra da sua imensa versatilidade.

Ao contrário das canções sonoramente ousadas e/ou dançantes que a cantora vinha apresentando, Chosen Family é uma quase tradicional balada pop rock/indie pop que não tem nada de criativo na sua construção, mas mesmo assim é um trabalho inspirado. A qualidade da canção é mostrar para o público a capacidade de emocionar de Rina com uma performance comovente, forte e revelando um timbre encantador, lembrando aquelas baladas que normalmente ficam no final de um álbum de uma diva pop tradicional. Na verdade, a canção lembra muito a estética e sonoridade desse tipo da canção do final dos anos noventa e começo dos dois mil. E o mais importante de Chosen Family é a sua temática: a família do coração que muitos constrói por não terem uma de verdade por diversos motivos. Rina pode até soar sentimental demais para aqueles que queriam bater cabelo, mas a sua metamorfose colabora para dar mais solidez para a persona diva pop em construção.
nota: 8

1 de maio de 2020

New Faces Apresenta: Au/Ra

Ideas
Au/Ra

Sempre gosto de trazer novos nomes para o blog, principalmente aqueles que estão bem longe de alcançarem o status de verdadeira promessa. Nem sempre, porém, o artista realmente cumpre essa profecia de estrelato, mas sempre é bom descobrir novo nomes como é o caso da jovem Au/Ra.

Nascida Jamie Lou Stenzel, a cantora de apenas dezessete anos parece seguir os passos da sua contemporânea Billie Eilish ao enveredar para um pop/electropop distinto. A decisão para a cantora parece normal já que a mesma é filha de um famoso produtor de música eletrônica alemão. Todavia, Au/Ra (a junção de ouro e rádio na tabela periódica) ainda precisa aparar arestas como mostra em Ideas. A canção começa bem interessante ao criar um clima denso que se diluí ao entrar uma batida mais massificada e um refrão fraco. Com uma produção mais inspirada, a canção poderia ser um trabalho refinado e ainda mais promissor. Felizmente, Au/Ra é dona de uma voz grave que parece ser um trunfo para a distinguir entre outras cantoras novatas. Pode ser que a cantora continue na obscuridade, mas isso apenas o tempo irá dizer.
nota: 7

New Faces Apresenta: Gabby Barrett

I Hope
Gabby Barrett

Existiu um tempo em que o Americal Idol era um programa relevante para a TV americana e, claro, para a indústria fonográfica. Do reality saíram nomes como Adam Lambert, Carrie Underwood, Jennifer Hudson, Kelly Clarkson, entre outros. Depois de uma decadência em audiência, o fim e o renascimento com novos jurados, o programa não é de longe o que foi nos tempos de ouro. E, por isso, os seus participantes não tem o mesmo destaque perante o público. Ao que parece, a exceção é a cantora country Gabby Barrett que vem ganhando destaque com o seu primeiro single.

I Hope é uma decente country contemporâneo/country pop que poderia ser mais, mas é bem melhor que o atual cenário country. O ponto alto da canção é a sua ácida, pontual e bem escrita composição sobre desejar o mesmo para o cara que meteu um par de chifres na narradora em uma mistura de Before He Cheats com You Oughta Know. Dona de uma voz firme, Gabby Barrett tem um timbre parecido com a da Miley Cyrus, mas, felizmente, sem algumas características que poderiam atrapalhar. A cantora parece ter talento para conseguir quebrar a maldição doatual  American Idol ao fazer sucesso após o fim do reality. Veremos.
nota: 7