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7 de maio de 2020

Primas

Crave
Kiesza

Assim como um cometa passando perto da Terra, o boom da cantora Kiesza durou quase como um piscar de olhos com o hit mundial Hideaway. Felizmente, assim como outros one hit wonders, a cantora vai continuando a sua carreira com dignidade e qualidade. Preparando para lançar o terceiro álbum, a cantora já divulgou o single Crave.

Mudando drasticamente de sonoridade, Kiesza deixa de lado o electropop/eletrônico com pegada dos anos noventa para entregar uma batida synth-pop que lembra muito o que a Carly Rae Jepsen produz como se fossem primas de parte de mãe. Sonoramente, Crave não é necessariamente uma lufada de ar fresco, mas é um trabalho honesto e bem produzido. Mesmo com vocais levemente massificados aqui e ali, Kiesza mostra personalidade no refrão ao deixar claro o distinto timbre vocal. E a leve e romântica composição ajuda a rematar a canção. Poderia ser melhor? Claro que sim. Todavia, acredito que a Kiesza está mais na busca da sua verdade artística do que agradar a todos.
nota: 7

14 de agosto de 2018

A Canção Mais Louca de 2018

Phantom of the Dance Floor (feat. Philippe Sly)
Kiesza

Poucas coisas no mundo pop têm a capacidade de surpreender-me de verdade, mas quando algo assim aparece é necessário dar os créditos necessário para tamanho feito. O último a fazer isso é o lançamento do novo single da Kiesza, intitulado Phantom of the Dance Floor.

Dona do mega hit mundial Hideaway de 2014, Kiesza começa a preparar o seu segundo álbum e como primeiro single foi lançado Phantom of the Dance Floor. A primeira coisa que nota-se ao ouvir a nova canção é que a cantora não está indo muito longe da sonoridade inicial, pois continuamos a ouvir aqui uma explosiva e nostálgica batida EDM/house que se inspira pesadamente na década de '90. O que surpreende é a forma como a cantora constrói Phantom of the Dance Floor.

Aparentemente apenas uma faixa EDM/deep house, Phantom of the Dance Floor dá uma reviravolta quando da sua metade para frente conta a presença do cantor Philippe Sly. O que seria de tão diferente? Já pelo título da canção dá para perceber a grande sacada já que faz referencia ao famoso musical O Fantasma da Ópera, mas ouvir alguém cantar em estilo de operístico em uma canção tão "modernosa" é algo que quase estranheza ao máximo. Apesar de não ser a primeira vez na história da música, Phantom of the Dance Floor é uma quebra genial na atual hegemonia massificada que se encontra o atual pop. E o melhor: a canção funciona perfeitamente. 

Excêntrica do começo ao fim, Phantom of the Dance Floor tem uma produção completamente consciente sobre a ideia geral por trás e por isso não tem medo de colocar o pé do acelerador, indo fundo nessa fusão de secular com clássico. Com um começo que dá a perfeita atmosfera para a canção, imitando os sons de fundo de um teatro, Phantom of the Dance Floor é ridiculamente divertida que parece mais uma brincadeira do que uma canção de verdade. Todavia, essa despretensão é vital para o resultado final da canção ao sentirmos que Kiesza está se divertindo de verdade como mostra a brega/romântica composição que conta uma história de amantes distantes e o desejo de reencontrarem novamente com um refrão afiadíssimo. Vocalmente, Kieza entrega uma performance avassaladora, mostrando versatilidade e uma química sensacional com Philippe Sly. Como dito no titulo, Phantom of the Dance Floor é uma das canções mais loucas de 2018, mas consegue quebrar a monotonia do atual cenário pop de forma apoteótica.
nota: 8,5

2 de outubro de 2014

The Year of Kiesza

No Enemiesz
Kiesza


Com o ano se encaminhando para o seu fim, a canadense Kiesza vai se tornando, se não o maior, mas um dos maiores nomes da nova safra de artistas da nova safra. E o seu novo single confirma isso.

No Enemiesz, mesmo inferior aos dois singles já lançados por ela, é um aula de como fazer uma canção que seja eletrônica/pop atual sem parecer uma farofada. Tudo começa pela presença indiscutivelmente poderosa e vibrante da cantora que domina a canção impondo sua personalidade única e vocais sensacionais. A produção segue o caminho de pegar carona na influência do eletrônico dos anos '90 em arranjo mais quadrado que, por exemplo, Giant In My Heart, mas que não perde a excelência sabendo acrescentar camadas de músicas para enriquecer o trabalho final. No Enemiesz seria perfeita para se tornar o último grande hit comercial de 2014 ajudando Kiesza a estourar de vez. E esperar e torcer.
nota: 8

30 de julho de 2014

A Voz de Amanhã

Giant In My Heart
Kiesza

De tempos em tempos surge uma artista que passa a impressão de que ele pode ser a próxima grande sensação. Durante os anos que o blog está no ar, eu tive essa impressão algumas vezes com a Lady GaGa, Adele, Emeli Sandé, Sam Smith, Frack Ocean e Azealia Banks. Tirando essa última, todas foram apostas certeiras. Quem está ocupando atualmente esse posto é da canadense Kiesza. Depois do bem sucedido debut com a ótima Hideaway, a novata lançou na sensacional Giant In My Heart.

Kiesza mostra claramente que está pronta para remodelar o pop atual. A cantora aposta novamente na retomada do eletrônico dos anos noventa em Giant In My Heart e essa aposta é mais do que certeira. A produção não recicla o estilo pegando as suas principais características, mas, sim, recria o estilo da maneira mais arrebatadora possível: fazendo uma canção espetacular. Está tudo lá: a batida, a construção e até mesmo a composição com um lado mais sentimental. Só que o grande trunfo da canção é dado pela produção que faz Giant In My Heart um trabalho refinado, moderno, instigante, divertido, elegante e viciante. Mesmo sendo uma canção eletrônica, a produção não parte logo para o pancadão, ao contrário, constrói uma atmosfera bem rica para que depois soltar a batida. Essa batida também não é uma farofada comum, mas uma inspirada e delicada instrumentalização que não perde em nenhum segundo a atmosfera dançante. A composição também é outro trunfo da canção, pois trabalha de forma acachapante uma identidade única Kiesza que sabe como misturar profundidade e os aspectos "comerciais" como, por exemplo, o excepcional refrão. Por fim, Kiesza se mostra bem mais interessante que a maioria das cantoras que estão fazendo o mesmo estilo atualmente: com uma voz tão diferente, a cantora foi capaz de tirar uma performance cheia de emoção em Giant In My Heart. E, pelo que eu vi em apresentações ao vivo, Kiesza é realmente uma ótima cantora capaz de segurar apresentações ao vivo com a mesma maestria. Claro, apenas o tempo dirá se o meu "palpite" está correto, mas, como eu mais acertei do que errei, Kiesza deve estourar a qualquer momento.
nota: 9

1 de maio de 2014

This Is The Rhythm of the Night

Hideaway
Kiesza

No atual cenário da música eletrônica em que um monte de artista se apropriou do estilo para fazer (na maioria das vezes) um pop farofa sem vergonha parece que a solução é voltar ao começo. Não exatamente ao inicio, mas retroceder alguns anos. Um bom exemplo do que estou tentando mostrar é o single debut da cantora canadense Kiesza, a surpreendente Hideaway.

Quando você começar a ouvir Hideaway vai ter a impressão de já ter ouvido a canção em algum lugar. eurodance? Então, Hideaway é basicamente isso, mas feita em 2014. 
Mesmo sendo uma produção completamente inédita esse sentimento não é de todo errado: Hideaway é uma canção perdida no tempo. Explico: Kiesza simplesmente "voltou" uns vinte anos atrás e fez uma canção como se fosse 1992. Quem não se lembra de canções como The Rhythm of the Night do Corona, Rhythm Is a Dancer do Snap!, Pump Up the Jam do Technotronic, entre outros que estouraram no começo da década retrasada misturando pop, dance music, hip hop e, claro, eletrônico ajudando a difundir o

O trunfo de Hideaway, que poderia soar como datado ou/e sem criatividade, é entregar uma canção que não apenas "reedita" perfeitamente o estilo do eurodance, mas que também entrega um produto com qualidade impecável. Kiesza (que também produz) a canção consegue colocar em Hideaway os melhores atributos do estilo "copiado": dançante só com classe, elegante, carismática e completamente viciante. A composição também segue os moldes do eurodance, mas consegue um resultado muito bem amarradinho. Sem ter a voz poderosa de muitas das cantoras que emprestaram suas vozes para os hits do passado, Kiesza consegue segurar a canção dando o toque mais moderno para a canção. O único erro aqui é uns "ohs uhs" entre o refrão e os versos que poderia ter sido eliminado que não faria nenhuma falta. Atualmente no topo da parada inglesa, Hideaway é uma candidata fortíssima para ser um dos hits do ano. Em 2014, mas com jeitinho de 1992.
nota: 8