19 de setembro de 2018

New Faces Apresenta: Stefflon Don

Pretty Girl (feat. Tiggs Da Author)
Stefflon Don

O mercado para rapper mulheres é bem complicado, pois, além das brigas internas que não levam a nada, as artistas precisam lutar contra o machismo que difundido no meio que sempre existiu. Felizmente, o mercado vem abrindo algumas brechas para jovens artistas como é o caso da britânica descendente de jamaicanos Stefflon Don. Construindo uma carreira com algumas participações relevantes ao lado de nomes como Future, J Balvin, Halsey e outros, a jovem é uma promessa que deve ser acompanhada de perto para os próximos anos, mesmo que a rapper ainda não esteja no seu melhor como prova a simpática Pretty Girl.

Lançada como single da sua mixtape Secure, Pretty Girl é uma dançante e agradável dancehall que dá uma boa noção do talento e carisma de Stefflon Don. Transitando bem entre o inglês tradicional o inglês com sotaque jamaicano, a artista domina bem a canção e mostra que existe algo muito interessante que pode ser trabalhado na presença de Stefflon. O problema de Pretty Girl é que a canção é muito certinha na construção da sua batida que poderia se aprofundar melhor em uma sonoridade tão rica e abrangente. Além disso, a composição patina no repetitivo refrão e a presença monotemática de Tiggs Da Author, mas, mesmo assim, a canção é uma boa prévia de uma artista que pode surpreender no futuro.
mota: 6,5

17 de setembro de 2018

A Imaculada Estranheza de Thom Yorke

Suspirium
Thom Yorke

Recentemente falei sobre o estranhamento de ouvir o tema musical que não batia com o filme. Dessa vez, porém, irei falar de estranho tema musical que combina perfeitamente com o filme que foi feito. Chamado para ser o compositor da trilha do remake do terror Suspiria, o vocalista do Radiohead Thom Yorke parece ser o nome perfeito para conseguir explorar/captar/transmitir toda a atmosfera que a história sobre uma bailaria que se encontra em uma escola de dança povoado por bruxas. E essa prova está no lançamento da canção Suspirium.

Para quem conhece um pouco da sonoridade do Radiohead deve ter uma ideia que Suspirium está de ser um típico tema para um filme. E essa concepção está mais do que certa, pois a canção é assombrante indie rock que trabalha para construir uma atmosfera que consegue soar como uma macabra/melancólica canção de ninar com toques atmosférico de uma balada estilo valsa. Apesar da complexidade para explicar as suas características, Suspirium é, na prática, sonoramente bem mais fácil de compreender depois de se ouvir pela primeira vez, ajudando a aumentar o peso sombrio que a canção quer transmitir ao ir de encontro com o tom do filme. Os vocais de Thom aumentar essa sensação que beira a desolação contemplativa devido a sua performance inebriante e imersiva. O problema de Suspirium para não ser a obra de arte moderna que poderia ter se tornado é, principalmente, uma sensação da canção ser maior do que realmente é de verdade e a composição simples demais para embarcar a atmosfera construída. Ainda não vi o filme Suspiria, mas pelas criticas já disponíveis é possível comparar com o trabalho de Thom nessa canção: esteticamente audacioso e poderoso, mas substancialmente carente de força. Todavia, ainda é um projeto que merece ser ouvido/visto
nota: 7,5


16 de setembro de 2018

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

The Blower's Daughter
Damien Rice

Muitas vezes já escrevi aqui no blog sobre a principal razão da música existir que é para fazer o ser humano poder sentir e expressar os sentimentos, pensamentos, dores, prazeres e qualquer emoção que seja inerente ao ser humano. Na verdade, esse é o papel básico de qualquer arte, mas como esse é um blog voltado à música será esse o aspecto abordado, pois hoje irei falar sobre uma das músicas que melhor transmitem a sua função para mim. Essa canção é o curioso sucesso do irlandês Damien Rice, a magistral The Blower's Daughter.

Lançada como primeiro single do álbum debut de Damien Rice (O) em 2001, The Blower's Daughter não foi tecnicamente uma grande sucesso comercial e só começou a ganhar notoriedade com o grande público três anos mais tarde ao fazer parte da trilha do filme Closer - Perto Demais em que quase se tornou um personagem do filme devido ao seu uso assertivo. A partir daí, a canção começou a ganhar destaque, sendo utilizada em outras trilhas de cinema e TV, alcançando algumas posições modestas em paradas internacionais, recebendo covers de vários artistas e, também, uma versão hedionda na voz da Ana Carolina e o Seu Jorge intitulado É Isso Aí. Mesmo sem nunca ter sido um estouro, The Blower's Daughter se tornou uma canção recorrente no panteão do cancioneiro mundial devido a sua história e, principalmente, a sua genial e avassaladora qualidade sem igual.

Damien Rice é teoricamente um artista indie rock, mas que tem uma visão completamente sua sobre o que é o indie rock. Essa visão é retratada perfeitamente na construção de The Blower's Daughter, pois a canção é um trabalho único e incomparável em relação as canções que possam ter essa mesma alcunha. The Blower's Daughter é uma, sem dúvida nenhuma, uma das canções mais tristes, melancólicas e contemplativas que já ouvi em todos os tempos. A sua produção consegue criar uma atmosfera tão imersiva que em poucos acordes o público já está envolvido na nevoa densa de emoção que dá o tom da canção e que vai em uma crescente até o seu final tão triste e, ao mesmo, tempo esperançoso. Buscando a base no folk com a utilização de um constante violão, mas buscando a grandiosidade na inserção de instrumentos como violinos e violoncelos, The Blower's Daughter é uma experiência sem igual ao conseguir fazer uma jornada por sentimentos doloridos e, ao mesmo tempo, tão comuns do ser humano já que a canção fala sobre o fim de amor. 

 The Blower's Daughter fala em poucas, mas muito bem escolhidas palavras, a dor que é perceber que aquele relacionamento que se pensava ser para sempre está chegando no fim. E o pior: que a pessoa mais culpada é aquela que mais se dedicou a dar certo. Poética nas escolhas simples dos versos, mas que funcionam pelo corte cru que dá na alma de quem ouve. Contida em não abusar de complexas formações sintáticas, mas tão profunda na sua simplicidade que chega a deixar uma sensação desconcertante para quem sabe sobre o que aquelas palavras significam e, surpreendentemente, para quem nunca passou por essa situação já que a força emocional aqui é descomunal. Além disso, a canção ainda conta com a performance impressionante e devastadora dos vocais comedidos de Damien que são como a navalha que corta o resto de razão que não deixa quem ouve se entregar aas emoções da canção. E ainda tem mais: na parte final ouvimos apenas dois versos cantados por uma voz feminina que equilibra a canção, colocando a pedra final sobre essa tour de force. The Blower's Daughter é tipo de canção que quem ouve nunca irá esquecer do momento em que se ouviu pela primeira vez e, com certeza, nunca será esquecida por mim.
nota: 10

15 de setembro de 2018

Mariah Sem Mariah

GTFO
Mariah Carey

Apesar de não atingir o mesmo sucesso que nos tempos de glória, ninguém pode dizer que a Mariah Carey desistiu de lutar para voltar ao mainstream da música e, principalmente, que a cantora tenha se vendido sonoramente para alcançar tal objetivo. E, novamente, MC está de volta com o lançamento de GTFO, primeiro single do seu novo álbum. Dessa vez, porém, a cantora parece ter meio perdido algo que é completamente familiar a sua carreira.

GTFO é uma quase volta a sonoridade da era do The Emancipation of Mimi em canções como Shake It Off e, principalmente, Don't Forget About Us ao ser uma R&B contemporâneo com toques de pop em uma atmosfera contida/sensual. Quase uma volta, pois GTFO tem uma pegada um pouco voltada para hip hop devido a sua cadencia mais marcante na instrumentalização. Sonoramente, a canção é o trabalho mais relevante dela em algum tempo, mesmo que não seja exatamente um grande trabalho criativo. O principal erro da canção é a falta de Mariahrismo. Cantando a maior parte da canção em agudo já conhecido, Mariah entrega uma performance bem linear e esquece daquele poder que normalmente entrega na parte final até de canções como a do tipo de GTFO. Apesar da inteligente composição, GTFO é uma canção da Mariah que parece que falta a Mariah Carey.
nota: 6,5

14 de setembro de 2018

A Hora e a Vez do Benny Blanco

Eastside (feat. Halsey & Khalid)
Benny Blanco

Dono de uma das maiores coleções de sucessos da última década, o produtor Benny Blanco ajudou a moldar o pop/R&B que ouvimos na radio atualmente. Nomes como Katy Perry, Maroon 5, Britney Spears, Ed Sheeran e vários outros tem, ao menos, uma canção que tem a produção assinada pelo produtor de apenas trinta anos. Depois de tantos anos atrás dos holofotes, Benny decidiu colocar a cara no Sol para lançar o seu primeiro single. 

Intitulado Eastside, a canção é uma agradável e muito bem vinda  mistura estilosa e deliciosa de pop com R&B, criando uma viciante batida que consegue fazer a gente ter vontade de dançar no ritmo. Na verdade, a produção de Benny, ao lado de Andrew Watt e Cashmere Cat, é um dos trabalhos mais certeiros do mundo tempo em um bom tempo. Sabendo equilibrar bem aspectos mais comerciais e outros mais autorais, a produção cria uma canção verdadeiramente inspirada que tem apelo maior que poderia ser esperado. Uma batida mid-tempo carismática sem precisar recorrer aos efeitos clichês. Uma atmosfera que transita bem entre o melancólico e o dançante sem precisar escolher um dos dois. Uma finalização redondinha em que tudo soa perfeitamente sem arestas soltas. Tudo isso ajuda Eastside a ser tornar uma cativante canção. Além disso, a composição madura e, por vezes, lindamente tocante fala sobre um amor tumultuado durante o processo de amadurecimento é outro momento de destaque. A presença de Khalid é perfeita para o tipo de canção e, apesar da presença comum, a Halsey presença é bem corrente. Ao fazer o que sabe de melhor, Benny Blanco pode ser uma opção interessante para o cansado atual pop.
nota: 8


Algo de Novo no Reino da Del Rey

Mariners Apartment Complex
Lana Del Rey

Gostando ou não, Lana Del Rey fez o que muitos achavam que seria impossível no começou a ganhar destaque perante o público: a consolidação da sua carreira. E mais: ao chegar ao seu quarto álbum com uma gravadora, a cantora conseguiu o mais improvável ao ter o reconhecimento de boa parte da critica especializada, principalmente devido a sua evolução sonora. Ao ser aproximar do lançamento do seu novo álbum, Lana mostra que quer continua a surpreender o público e critica ao divulgar a intrigante Mariners Apartment Complex.

Primeiro single do álbum ainda sem nome, Mariners Apartment Complex é, sem nenhuma dúvida, a canção mais diferentona que abre os trabalhos de um álbum de Lana. Não que seja uma mudança drástica na sonoridade da cantora, pois estamos diante novamente de uma balada indie pop/rock que exala melancolia do começo ao fim. Entretanto, Mariners Apartment Complex tem uma atmosfera bem diferente do que estamos costumados ao ouvir da cantora ao ter uma composição mais afirmativa, empoderada e bem menos depressiva ao mostrar a força do seu amor para quem ela ama. Nada de amores conturbados ou/e perigosos e/ou trágicos e, da maneira de Lana, um amor com uma verdadeira luz de esperança no final. Outra mudança perceptível é a instrumentalização que se despi quase totalmente da grandiosa atmosférica tipica da sonoridade da cantora para entregar uma canção que flerta com o acústico. Mudança interessante, mas que peca pela simplicidade quando poderia ir em um crescente no mesmo estilo de Ride. Lana mantém os seus vocais que transitam entre o cantar e o sussurrar, mostrando que nem tudo parece ter realmente mudando na sua música. Agora é esperar para saber ser essa mudança irá se manter para todo álbum, confirmando esse novo ruma para a Lana Del Rey.
nota: 7,5