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15 de fevereiro de 2026

Direto de 1988

Dancing On The Wall
MUNA

Saber como usar a nostalgia é uma dádiva, pois mostra o quão inteligente e criativo é o talento por trás de um trabalho. Em Dancing On The Wall, single da banda Muna, temos o caso perfeito dessa habilidade.

Claramente, a canção é inspirada no synth-pop/pop rock dos anos oitenta, mas em nenhum momento soa datada, clichê ou como uma cópia barata. Existe uma naturalidade latente que confere à canção uma linda e verdadeira força criativa, tornando-a um trabalho irresistível. E a principal razão disso é a sua lapidada, graciosa e precisa produção, que entrega uma faixa com uma construção instrumental relativamente simples, mas extremamente eficiente e cativante.

Dancing On The Wall, porém, também se beneficia de uma composição realmente inspirada. Ao falar sobre uma relação em que não existe reciprocidade, a letra conta uma história com começo, meio e fim, na qual todos os sentimentos são revelados de maneira sentimental, mas sem pieguice barata e com uma estética pop afinadíssima. Há algo na composição que é difícil de explicar, mas que nos dá vontade de cantar cada verso com força, mesmo sem termos passado exatamente pelas mesmas emoções. E, completando o “pacote”, está a presença deliciosa dos vocais de Katie Gavin, que captam perfeitamente toda a aura da canção.

Dancing On The Wall é o que chamo de uma aula sobre como fazer dar certo algo que poderia resultar muito errado.
nota: 8,5

11 de agosto de 2023

Mothers

One That Got Away
MUNA

É bastante raro bandas formadas apenas por mulheres na indústria fonográfica. Por isso que ouvir o trio MUNA é tão satisfatório e ainda mais com a entrega sensacional de One That Got Away.

Primeira vez escutando uma canção do trio formado por Katie Gavin, Josette Maskin e Naomi McPherson e tenho que afirmar que foi um verdadeiro prazer. One That Got Away é um delicioso synth-pop/pop rock que emoldura perfeitamente os anos oitenta, mas passa longe de soar como apenas um caça níquel barato ou/e ter cheiro de naftalina. O que a produção consegue é fazer uma batida refrescante que consegue ainda ficar no limite perfeito entre o alternativo e o comercial, dando ainda mais profundida para a canção. E o trabalho lírico é magistral devido ao fato não recorrer a nenhum momento para saídas fáceis, mas, sim, em construir uma madura, divertida e refinada crônica sobre finalmente se livrar de um relacionamento toxico. Apesar de não terem um reconhecimento muito grande fora do seu nicho, a banda entregou uma verdadeira pérola pop de 2023. 
nota: 8