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6 de outubro de 2026

Uma Balada de Respeito

I Won't Cry
Remi Wolf


A arte de fazer uma boa balada romântica meio que está perdida atualmente, infelizmente. Todavia, de tempos em tempos, surge uma canção que ocupa esse lugar com mérito. Esse é o caso de I Won't Cry, da Remi Wolf.

Single do seu próximo álbum (Mud), a canção é uma devastadora, melancólica, épica, poderosa e soft rock/pop rock que consegue manter a essência sonora da cantora e, ao mesmo tempo, nos contemplar com uma abordagem mais tradicional de uma canção balada. E isso é sensacional, pois estamos diante de um trabalho realmente acachapante em todos os sentidos, partindo do espetacular instrumental até a sua emocional, crua e cortante composição.

Em I Won't Cry, Remi entrega uma composição que é, basicamente, sobre implorar para ser amada quando quem se ama decide seguir em frente sem olhar para o que foi deixado para trás. Um trabalho que poderia partir para um sentimentalismo piegas, mas que, felizmente, é salvo por uma letra honesta, verdadeira e que tem uma inteligência de construção exemplar ao ser simples e, ao mesmo tempo, explorar sentimentos complexos. E o ponto alto está no ótimo refrão: “Pull me from the shelf and dust me off/Shower me with selfish love/Play me like you want me back around again”. A canção é ainda contemplada por uma performance realmente inspirada e magistral de Remi, que imprime toda a força emocional sem pesar vocalmente ou deixar a desejar.

Uma canção de respeito que faz jus ao talento da artista e ao título de balada, com louvor.
nota: 8,5

3 de setembro de 2026

A Voz Que Faz A a Diferença

Bottle
Remi Wolf


É preciso de muito talento vocal para dar vida a uma canção que poderia facilmente se tornar apenas boa, mas se torna ótima devido a uma poderosa performance. Esse é o caso de Bottle, da Remi Wolf.

Single do seu segundo álbum (Mud), a cantora preenche todos os espaços da canção de maneira primorosa, sem precisar recorrer a estereótipos vocais como, por exemplo, grandes agudos. Com um timbre elegante e melancólico, a cantora mistura contemplação e força na medida certa para carregar essa forte crônica sobre depressão e estar emocionalmente “drenada”. Todavia, a cantora decide seguir um caminho mais sóbrio e menos sentimental, dando a Bottle uma personalidade distinta e muito bem moldada pela sua presença. Sonoramente, a canção é um competente pop rock/soft rock que é elevada devido à presença da sua intérprete, que dá à canção toda uma distinta atmosfera.

E essa é outra prova de que talento sempre é o ingrediente principal de uma boa música.
nota: 8

21 de abril de 2024

Groovy

Cinderella
Remi Wolf


Uma das traduções para o adjetivo groovy é descolado. E isso se encaixa perfeitamente para o single Cinderella da cantora Remi Wolf.

Apesar de não ser tão boa como Prescription, a cantora entrega uma festa suingada, leve, divertida e, claro, descolada em uma canção que parece parada no tempo sem ter gosto de naftalina. Cinderella é uma synth-funky com pegada dos anos ’70 que poderia facilmente ter sido feita no auge do Rufus e Chaka Khan, mas que ganha personalidade distinta devido a presença luminosa da Remi Wolf e a seu timbre áspero e cativante. Além disso, existe uma inteligência radiante na construção da composição que consegue ser modernosa e, ao mesmo tempo, casar com toda a vibe da canção. E que vibe maravilhosa, querido leitores, que faz a gente dançar como se não houvesse amanhã.
nota: 8



10 de novembro de 2023

New Faces Apresenta: Remi Wolf

Prescription
Remi Wolf


Já falei dezenas de vezes sobre o artificio de usar a nostalgia para conseguir fazer uma canção ter melhor recepção do público. Todavia, nem todas conseguem alcançar isso, pois falta estofo em suas tentativas vazias de repetir o passado para mirar no futuro. Esse não é o caso da excelente Prescription da cantora Remi Wolf.

A canção é uma mistura de várias nostalgias que se fundem em uma enorme, suculenta e divertidíssima canção que consegue fazer isso ao não querer copiar e, sim, se inspirar no passado. Começa pelo fato de a produção criar uma explosiva e envolvente que mistura funk, neo-soul, synth-pop, rock e R&B para criar uma batida inspirada nos anos setenta, mas sem nunca parecer mofada. Existe força vital e, principalmente, criativa por trás da criação da sensacional instrumentalização. Além disso, Prescription também se beneficia da grandiosa e marcante performance da Remi Wolf que lembra o timbre da Janis Joplin em alguns momentos sem nunca, porém, procurar imitar a lendária cantora ao encontrar o seu espaço devido as suas outras influencias. Existe uma versão estendida da canção que adiciona ainda mais sabor e consistência para a canção que apenas complementa a versão original. Prescription é sem dúvidas um dos pontos brilhantes de 2023.
nota: 8,5