31 de março de 2012

Primeira Impressão

Pink Friday: Roman Reloaded
Nicki Minaj

Com alguns anos de blog nas costas, já posso me orgulhar de ver carreiras nascerem e depois prosperar ou morrer. Uma delas que o blog acompanha desde o comecinho é o da Nicki Minaj bem antes dela estourar e virar um dos nomes ou o nome mais importante da nova geração de artistas americanos. Já tinha reparado no talento dessa rapper muito antes dela virar mainstream. Posso me orgulhar de não ter sido "arrebatado" não apenas por que ela está no topo, mas por ter reconhecido uma artista competente atrás da persona que ela foi criando para si. Com o lançamento do primeiro álbum dela, Pink Friday, ela foi promovida "a coisa mais quente do pedaço" e vi ela se tornando multifacetada misturando hip hop com pop em um álbum "com resultado abaixo do esperado, mas bem além da média"  parafraseando eu mesmo no Primeira Impressão do álbum. Um ano e quase meio depois, Nicki consolidou sua carreira e vai lançar seu segundo álbum continuação de PF que foi intitulado Pink Friday: Roman Reloaded. E como resultado posso dizer que o trabalho ficou com resultado acima do esperado, mas na média de outros trabalhos.

Explicando: Pink Friday: Roman Reloaded é bem melhor no resultado final que seu antecessor, mas fica na média se compararmos com outros trabalhos do estilo. Acontece que, apesar de colocar sua marca bem distinta com rapper/cantora de múltiplas personalidades, toda a produção fica presa a formulas já usadas tanto do lado hip hop, do R&B e do pop. Aqui, bem mais que no PF, a divisão entre estilos está muito bem definida. Começa com hip hop, passa pelo R&B e termina no pop/dance.  Então, nada mais justo que dividir cada segmento para avaliar melhor o álbum.


Hip Hop (Das faixa 1 até a 6 e com influência pesada na 7)

O começo o álbum mostra Nicki no seu campo original misturando batidas mais marcadas e momentos mais estilizados. Algumas canções parecem pré-fabricadas em sua construção de arranjo. Esse hip hop mais street pode ser encontrado em vários contemporâneos de Nicki. Ela vai de Roman até a Nicki verdadeira com poucos momentos geniais, mas sempre mantendo o nível alto. O que chama atenção é que a maioria dos featurings se encontram nessa parte fazendo em certos momento ela quase ser eclipsada por alguns pesos pesados. As composições mostram em sua maioria uma Nicki que acerta nas partes mais sérias e se diverte nas de conotação mais despreocupada. E daqui que vem a melhor canção do álbum: Champion, com os pesos pesados Nas, Drake e Young Jeezy. Uma batida mais tradicional, mas elevada com a ótima letra e o trabalho inspirado de todos os envolvidos. Também de destaca Roman Reloaded (resenhada a seguir) e a esquizofrênica Roman Holiday que a versão para o álbum é melhor que podia se esperar depois da apresentação no Grammy.


R&B (Com certa influência na faixa 7 que é Champion e na 8 e 9)

Falando das duas com maior influência no estilo que são a 8 e a 9, temos o pior momento do álbum. Seja na "romântica" Right By My Side com o Chris Brown e na estranha Sex In The Lounge com cara de faixa do álbum do Lil' Wayne que não por acaso ele faz o featuring a lado de Bobby V. Falando dessa última, ela simplesmente deixa para escanteio a "dona" da canção. Completamente dispensável.

Pop (Da faixa 10 até a versão Deluxe)

A parte mais coesa do álbum mostrando a melhor faceta do trabalho. Comandado principalmente por RedOne, o lado pop do trabalho é um dos melhores pop/dance chiclete do últimos tempos. Todas as canções são feitas para tocar nas rádios do mundo inteiro, dançantes ao extremo, boas composições mesmo sem fugir do arroz com feijão, com interpretações que apenas Nicki consegue dá ao misturar cantar com o rap. Então, qual o problema? A questão é: será essa faceta um desejo de Nicki ou a gravadora vendo o potencial dela com o estilo a fez ir por esse caminho? Essa dúvida e a sensação que as músicas se parecem muito uma com as outras, ainda mais colocadas uma atrás da outra, dá uma prejudicada no resultado final. Aqui a melhor faixa sem dúvida nenhuma é a ótima Beautiful Sinner. Uma mistura de dubstep com dance resgatando as origens de Nicki. A segunecia de Starships, Pound the Alarm e Whip It e acertada. Enquanto Marilyn Monroe é uma balada pop diferente, mas bem legal. Tem a interessante parceria com o rei do dacehall Beenie Man em Gun Shot. O erro aqui está em Fire Burns que não mostra nada e faz o ritmo caí antes do final. O mais curioso é ver Stupid Hoe fechando a versão normal já que apesar da pegada  mais "violenta" seria a canção que mais chegou perto da mistura hip hop, pop e o "estilo Nicki" que ela já fez.

Nicki Minaj ainda consegue se destacar e Pink Friday: Roman Reloaded mostra uma artista mais madura, mas ainda falta entregar o "álbum". Quem sabe na próxima?

Roman Em Estado Bruto

Roman Reloaded (feat. Lil Wayne)
Nicki Minaj

Se pudermos citar apenas uma canção que traz à tona a Roman interior de Nicki, essa é o single promocional Roman Reloaded.

Aqui Nicki e Wayne fazem o seu melhor encontro em uma canção com uma batida poderosa, mais crua que o esperado e mesmo assim com um refinamento na produção impressionante. Vemos uma Nicki mais animalesca enquanto o seu padrinho entrega dois versos perfeitos em uma performance invejável e cativante. Talvez uma lapidada na composição poderia ter garantido mais qualidade, mas o resultado final é impressionante de qualquer maneira.
nota: 8

30 de março de 2012

A Próxima Ingelsa?

Want U Back (feat. Astro)
Cher Lloyd

É fato: a Inglaterra invadiu os Estados Unidos. Pelo menos as cantoras inglesas fizeram isso. Começou com a já lendária Amy Winehouse, passou rapidamente por Duffy, atingiu o apice com a Adele e em menores escalas com a Jessie J e a Florence Welsh. Agora, a promessa que nova inglesa a chegar nas paradas americanas é a rapper /cantora Cher Lloyd. O poderoso L.A Reid assinou com ela um contrato com a gravadora Epic Records para lançar a inglesinha no país em breve. E a canção escolhida foi Want U Back.

Devo admitir que a canção é a melhor pedida para um single nos EUA: comercial ao máximo. Um pop divertido onde Cher, sem papas na língua,  avisa para o ex-namorado que vai voltar com ele, querendo ou não. Além de soltar alguns cachorros sobre a atual do ex, a canção é comportadinha conseguindo só um sorriso maroto. Cher é uma gracinha cantando segurando bem a canção misturando com um rapop (rap + pop) para americano ver. O curioso da canção é que a versão para a Inglaterra e analisada aqui é a versão com o rapper adolescente Astro, que fez parte da versão americana do The X Factor (Cher participou da inglesa, mas a versão a ser lançada nos EUA será a versão do álbum sem o featuring. Esquisito, né? De qualquer forma a canção não ganha nem perde nada. Agora é ver se Cher vai invadir ou vai ficar na porta da casa do tio Sam.
nota: 6,5

29 de março de 2012

2 Por 1 - Tyga

Rack City
Faded (feat. Lil' Wayne)
Tyga


Se a gente pode escolher um artista que dá espaço para novos talentos, esse é o Lil' Wayne. Você pode não gostar dele, mas deve reconhecer que ele é consciente em mostrar para o público uma nova geração de artistas que sem a sua ajuda não teriam nenhuma chance. Se Nicki Minaj já é uma estrela, o rapper Tyga vem chamando atenção. Protegido do Weezy (apelido de Wayne) conseguiu emplacar uma música solo nas paradas mostrando a força da Young Money (gravadora de Wayne).

Rack City ficou em sétimo lugar na Billboard mostrando um rapper mais maduro e centrado. Uma batida mais "street" e pontuada por um toque mais focado no desenvolvimento de Tyga como rapper. Apesar disso, o arranjo não deixa de ser o melhor da canção com uma pegada poderosa e classuda, mesmo que contida. Tyga tem uma voz forte e com personalidade, mesmo que ainda precise de mais experiência. Rack City não perde suas qualidades de hit não comercial.

Com a parceria do padrinho, Tyga lançou mais recentemente a boa Faded. Também faixa do álbum de Tyga Careless World: Rise of the Last King, a música mostra dois rapper compositores cheios de pequenas surpresas como várias e citações interessantes e uma noção de rimas e expressões fonéticas ótimas. Assim como na canção anterior mesmo sendo um coadjuvante, rouba a cena devido a sua personalidade própria e forte. Mais animado que Rack City, mas sem perder o seu lado "cru". E assim Lil" Wayne vai criando uma nova geração de artistas. Ser padrinho é isso: não basta apadrinhar, tem que é ser paizão.
nota
Rack City: 7,5
Faded: 8

25 de março de 2012

As 50 Maiores Cantoras de Todos os Tempos

Part. I
Part. II
Part. III
Part. IV
Part.V

Part. VI

25.Alicia Keys
Ela ajudou a dar a nova cara para o soul e apresentou para uma nova geração que divas da músicas podem ser mais que apenas uma voz. Multi-instrumentista, compositora, produtora e atriz. Songs in A Minor é considerado um dos clássicos modernos e canções como No One, Fallin' e If I Ain't Got You já estão gravadas na história da música.

24.Kylie Minogue
Quem diria que uma australiana que ficou conhecida com duas músicas no final da década de oitenta teria uma das mais importante e longínqua carreira do pop. O fato é que ela só não ultrapassa a própria Rainha do Pop. Indispensável para quem realmente curte pop e não só modinhas, músicas como Slow, Come Into My World , I Should Be So Lucky, The Loco-Motion e All the Lovers ficaram gravados no panteão das grandes músicas do estilo. E lá no topo estará Can't Get You Out of My Head.

23.Beyoncé
O que podemos falar da artista que redefiniu o conceito de estrela na última década? A mais importe cantora abaixo dos quarenta elevou o patamar para um nível onde poucas estão. Respeitada pela classe, elogiada pela crítica e amada por milhões de pessoas de todo o mundo quebrando barreiras de raça, credo e idade. Ela é o pacote mais do que completo que um artista pode ser. Crazy in Love, Irreplaceable e Single Ladies (Put a Ring On It) são só a nata de uma carreira que ainda promete muito.

22.Sade Adu
O belo rosto e a bela voz por trás do grupo que leva seu nome, a britânica que arrasta uma legião de fãs desde os meados dos anos oitenta com seu estilo soul/jazz. Não há como duvidar que mesmo se mantendo longe dos holofotes durantes grandes hiatos ela sempre consegue se manter um degrau acima da maioria das cantoras com seu charme, classe e talento. No coração de milhões ficaram Smooth Operator, No Ordinary Love, By Your Side e The Moon And The Sky.

21.Céline Dion
Uma das rainhas que dominaram os anos noventa, a canadense de descendência francesa se tornou uma das maiores vendedoras de CD's de todos os tempos, mas não por acaso. Juntando um sequência de sucessos arrasa quarteirões e uma voz incomparável ela foi lançada ao Olímpio das grandes estrelas mundiais onde sempre vai ficar. Assim como My Heart Will Go On (para o bem ou para o mal), Because You Loved Me, Beauty and the Beast e suas versões para Beauty and the Beast e The Power of Love.

A Invasão do Alternativo

Cough Syrup
Young the Giant

Já disse recentemente sobre a tendência de artistas alternativos ganharem destaque no mainstream. Pode ser apenas uma onda, mas pelo menos é um sinal que existe público para todos. E melhor: há um público que está sofisticando seu "paladar" auditivo.

A banda Young the Giant é um desses expoentes mais promissores do gênero e é fácil saber por quê. Em Cough Syrup, lançado por eles como segundo single do álbum debut homônimo e cantado em um dos episódios de Glee, o grupo faça uma canção fiel ao conceito do alternativo, mas ao mesmo tempo uma ode delicada sobre mudar de vida, sair da mesmice. O trabalho instrumental é impecável dando atenção a construção de uma atmosfera graciosa que gruda na cabeça. Outro momento perfeito são os vocais de Sameer Gadhia dando vida para uma canção tão cheia de pequenas emoções, mas catalisador de uma sensação de satisfação ao final que preenche cada espaço vazio de quem ouve a música. E cada vez mais tem gente ouvindo.
nota: 8

24 de março de 2012

Primeira Impressão

MDNA
Madonna

"Madonna não fez um ótimo álbum pop, ela fez um ótimo álbum da Madonna"


Nick Levine, BBC Online. 




Essa é a melhor definição para descrever décimo segundo álbum de inéditas da Rainha do Pop. MDNA foi "vazado" essa semana e já está causando o que um trabalho da Madonna merece. Não só pelo fato de ser apenas um trabalho da Madonna, mas ser um álbum digno dos melhores elogios possíveis.


Mais uma vez, a mulher mais importante do mundo da música, se reinventou. Dessa vez, ela encarna a "adolescente de 53 anos querendo desabafar sobre o ex-marido". Contudo, ela deixa de lado aquele pop chiclete farofa sem falar nada com nada que fez em Hard Candy para uma sonoridade mais sombria, estilizada e pop de verdade. A escolha pelo time limitado de produtores faz com que MDNA tem uma coerência centralizada em um plano sequência de sonoridade começando por um tom mais dark, passado aos poucos para pop mais despretensioso, depois chegando um eletropop moderno mais cadenciado para dar espaço para as baladas pop e terminando em um pop mais tradicional com mistura de R&B na versão deluxe. Uma colcha de retalhos extremamente bem costurado sem deixar as remendas amostra devido ao fato de produções precisas e inspiradas em quase todas as faixas. Não é o álbum mais comercial dela, mesmo assim é um álbum pop genuíno. Madonna volta aos bons tempos onde ela realmente consegue enganar quem ouve achando que ela tem uma voz poderosa. Sabendo equilibrar efeitos e a voz natural dela durante todo o álbum, ela ganha destaque ao voltar a entoar baladas feitas para sua voz com a mesma maestria dos anos oitenta e devo admitir que é aqui seus melhores momentos vocais. Como já disse. o tema do álbum é basicamente sobre seu ex-marido, o cineasta Guy Ritchie. Finalmente, Madonna parece exorcizar ele de sua vida em letras muitos pessoais. Talvez sobre a luz de Adele, Madonna faz sua versão pop para o fim de um relacionamento. Nada muito genial, mas tem momentos ótimos e de puro "madonnisse". Isso fica claro em genial Gang Bang, a melhor música dela em anos. Na faixa ela dispara que quer atirar na cabeça dele e mandá-lo para o inferno. E só foi eu que percebei, mas o "bicth" que ela fala tanto na música seria quase o nome do ex-marido disfarçado? Já que "bitch" e "Ritchie" tem o mesmo som ao falar. De qualquer forma, uma produção inspiradíssima com uma sonoridade ousada e original fecha o pacote apenas como a Madonna consegue fazer. Em I Don't Give A, ela finca os pés em um pop mais chiclete sem perder o clima de vamos malhar o "Judas" e desabafar mais um pouco. A batida leve, descártavel e dançante conquista desde o primeiro segundo. E o que falar de Nicki Minaj entregando um verso genial e finalizando com a frase do ano: "There's only one queen, and that's Madonna/ Bitch!". E a canção ainda termina apoteótica com um coral evocando a supremacia da Rainha do Pop. Em Turn Up The Radio é feito o "hino de estádio" do álbum. Já consigo ver uma multidão em um estádio cantando a canção em um só coro. Apesar de ssas três músicas serem os pilares, outros momentos inspirados ajudam a elevar o álbum: os divertidos singles Girl Gone Wild e Give Me All Your Luvin', Some Girls com inspiração da cantora Robyn e a cinica I'm a Sinner. Nas baladas tenho que reconhecer que Masterpiece é bonitinha, Love Spent é honesta enquanto Falling Free é lindamente grandiosa. Contudo, é na R&B/pop I Fucked Up sua melhor canção romântica mostrando sua culpa e pedindo desculpa pelo fim do casamento. Infelizmente, existe alguns tropeços. A chatinha Superstar parece saído do álbum da Katy Perry, I'm Addicted não convence, Beautiful Killer é dispensável e B-Day Song é o disperdicio do talento da M.I.A. A pior é o remix do LMFAO para Give Me All Your Luvin'. Graças a Deus é apenas um bônus na versão deluxe e não chega atrapalhar o álbum. Enfim, Madonna voltou como ela é: sendo a Madonna que o mundo conhece.

19 de março de 2012

E o EUA Que Se Dane!

Troublemaker
Taio Cruz

Vocês sabiam que o Taio Cruz lançou um novo álbum? Não? Então, não se preocupe! Além dele nem ser tão relevante, Taio resolver lançar TY.O só no mercado europeu. Parece até que se um artista não lançar algo nos Estados Unidos é um afronta, um pecado. Não. Porém, para um artista que faz a farofa do eletropop deixar passar o maior mercado é no mínimo muito estranho e arriscado. Para não dizer burrice.

Troublemaker, segundo single do CD, foi lançado oficialmente no começo do ano é a melhor canção lançada por ele desde que sua carreira estourou. Não que seja uma arrebatadora obra de arte, mas um trabalho mais decente em termos de "farofada". Mais divertida na elaboração do arranjo dando uma quebrada no batidão do eletropop tradicional, mas volta ao "normal" em um refrão passável. Com uma produção menos histérica para os vocais e composição que consegue ser até divertida, Taio Cruz faz uma farofa comivel. E que os EUA vai demorar para experimentar.
nota: 6,5