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7 de abril de 2023

Simples, Bela e Emocional

Nothing's Free
Angel Olsen


Apesar de já conhecer a Angel Olsen e o que a mesma é capaz de entregar fiquei realmente surpreendido com a lindíssima Nothing's Free.

Single do ainda não lançado EP Forever Means, a canção é uma aula como fazer uma canção simples e emocionante. A composição é substancialmente contida, mas é perfeita ao expor os mais profundos sentimentos ao narrar o momento que se percebe o fim de um relacionamento. Alcançar isso é algo que pode parecer fácil aos olhos menos cuidadosos, sendo, na verdade, um exercício complexo para não ser simplistas demais ou abusar de frases feitas. E isso está longe de Nothing's Free que também apresenta uma impressionante produção ao misturar indie folk com toques deliciosos de jazz e big band, criando uma nova faceta para a discografia da Angel sem a mesma perder o seu charme único. Nothing's Free é um verdadeiro milagre sonoro que facilmente ampliar a minha já ótima visão sobre a Angel Olsen.
nota: 8,5



5 de abril de 2022

On The Rocks

All The Good Times
Angel Olsen


Uma música sempre faz a gente sentir algum tipo de emoção. Ás vezes, várias emoções de uma vez só em um fluxo constante. Entretanto, poucas músicas são capazes de fazer a gente ter uma sensação real de querer fazer determinada ação que parece estar ligada com um sentimento. Ouvir All The Good Times da Angel Olsen inspira na minha pessoa a vontade de ao final do dia sentar na soleira da minha porta, tomar um whiskey com duas pedras de gelo e um coração quebrado.

Single do seu próximo álbum intitulado Big Time, All The Good Times é uma comovente e sóbria indie rock/folk/country que apresenta uma excepcional instrumentalização. Conseguindo recriar uma sonoridade tradicional que remete aos grandes momentos dos gêneros citados, especialmente do country/folk, a cantora entrega um trabalho que parece emoldurar os trabalhos de lendas como Pasty Cline e Loretta Lynn com uma dose de modernidade classudo, elegante e encorpado. A performance de Angel é de uma força emocional impressionante sem precisar de cair em lugares comuns ou exageros vocais. A cantora parece entoar All The Good Times em uma performance ao vivo em um pub vazio, mas cheio de memorias doloridas e densa fumaça de cigarros. E a composição é o tiro no coração que faz arrancar uma lágrima sincera dos corações mais gelados. E com tudo isso correndo ao seu favor, All The Good Times deve tirar outras emoções de cada um que escuta e é por isso que o seu resultado é extremamente precioso.
nota: 8,5

27 de julho de 2021

O Cover do Cover

Gloria
Angel Olsen


Nem sempre encontramos toda a força de uma canção apenas durante os seus minutos de duração, mas, sim, no contexto que a envolve. Em Gloria, a cantora Angel Olsen entrega um cover envolvido em vários contextos diferentes para alcançar o seu verdadeiro poder.


Primeiro single de um EP com regravações de canções dos anos oitenta, Gloria é a releitura do sucesso de 1982 da cantora Laura Branigan que já tinha sido uma regravação do original do italiano Umberto Tozzi de 1979. Liricamente, a canção apresenta dois versões distintas, apesar de ter a mesma personagem principal. A original, o protagonista sonha com a tal Gloria e promete encontra-la na realidade para a livrar de todos os problemas. Já na regravação, a narradora adverte a personagem que tem problemas pessoais a tomar cuidado com os sentimentos das outras pessoas, pois o final da história sempre é o da solidão. Nessa segunda versão, o tom é mais sombrio e melancólico, indo na direção contrária da produção que entrega uma cativante e vibrante mistura de disco, synthpop e pop rock. E é dessa contradição que regravação de Laura Branigan ganha um lugar especial no panteão da cultura pop. Com Angel Olsen, Gloria ganhar contornos sonoros que acompanham de maneira alinhada a composição em inglês.

A produção dessa versão cria uma densa, madura e realmente sombria indie rock com toque de arte rock e leves pinceladas do synthpop original, criando uma base perfeita para a composição melancólica. Mesmo que perca esse interessante atrito entre forma e conteúdo, Angel Olsen consegue preencher essa lacuna devido a espetacular instrumentalização que aposta na utilização de instrumentos como, por exemplo, violinos para dar força a construção da atmosfera. Enquanto isso, a tocante performance da cantora é aprimorada pelo uso sábio de efeitos vocais que auxiliam a cantora a dar ainda mais sentido para a sua belíssima interpretação que transita entre o contido para o épico no seu clímax. Obviamente, ouvir Gloria na voz de Angel Olsen sem conhecer todo o seu contexto é uma experiencia única, mas tudo muda de patamar ao ter o conhecimento de como as coisas chegaram aqui.
nota: 8,5

26 de maio de 2021

Duas Mulheres e Uma Canção

Like I Used To
Sharon Van Etten & Angel Olsen

Encontros musicais tem apenas dois destinos: a consagração mutua ou a sensação de desperdício de tempo de todos os envolvidos. Em Like I Used To, parceria das cantoras Sharon Van Etten e Angel Olsen, o resultado recaí drasticamente na primeira opção ao ser o tipo de canção que demora um pouco para fazer “efeito” em quem escuta.

Sonoramente, o trabalho é um heartland rock com indie rock e atmosfera dos anos oitenta que tecnicamente é perfeita. Todavia, escutar pela primeira vez a canção é um experiencia um pouco estranha devido a vibe aparentemente off, mas que vai conquistando aos poucos quando a gente percebe a elegância madura e uma atemporalidade luminosa. Ao prestar atenção com um pouquinho de cuidado é notável perceber a graciosidade da construção de Like I Used To e, ao mesmo tempo, uma força emocional palpável. E boa parte dessa sensação vem da incrível parceria das duas cantoras. Donas de vozes diferentes, mas que se complementam de maneira perfeita, entregando uma experiência magistral que poucos duetos conseguem alcançar. A composição poderia ter aquele momento soco no estômago, mas, felizmente, o belíssimo trabalho conquista por criar uma tempestade silenciosa. Mesmo sem ter o destaque do grande público, Like I Used To já pode ser considerada como um dueto histórico.
nota: 8