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29 de novembro de 2018

Ideias Mortas na Praia

Baby (feat. Marina and The Diamonds & Luis Fonsi)
Clean Bandit

Boas ideias não são sinônimos de resultados bons. Veja o caso do novo single da banda britânica Clean Bandit: Baby é tem uma excelente ideia por trás, mas a sua realização passa longe de estar na mesma altura.

A grande sacada da canção é ter a participação da ótima Marina and The Diamonds e juntar com um sabor latino com a presença do Luis Fonsi. A mistura pode parecer estranha, mas é ago que na teoria poderia resultar em algo realmente excitante e diferente. Poderia ser um desastre também. O que acontece na verdade não é nenhuma dessas hipóteses, pois Baby resulta em algum morno e quase sem graça. As boas qualidades que já esperadas estão aqui como a presença marcante da voz da Marina e a composição madura e acima da média, mas existem problemas sérios como a presença fraca do Fonsi e o refrão mediano. Além disso, Baby tem um arranjo que parece nunca parece dar ênfase nas melhores partes, deixando a impressão de um trabalho com medo de seguir as próprias ideias de fazer de Baby um despudorado electropop/latin pop. Clean Bandit desperdiça uma ideia de ouro com uma realização bem meia boca.
nota: 6


29 de novembro de 2017

Quase Um Desperdício

I Miss You (feat. Julia Michaels)
Clean Bandit



A equação é simples e deveria ter o mesmo resultado positivo quando dois artistas interessantes se juntam para gravarem uma música, mas, em vários casos, o resultado final é aquém do que poderia ser. Um bom caso disso é a canção I Miss You, parceria dos britânicos do Clean Bandit com a estadunidense Julia Michaels.

De um lado temos uma banda com um estética peculiar e com imensas possibilidades. De outro, temos uma novata promissora e dona de uma capacidade como compositora ainda pouco explorada. Então, o certo seria que I Miss You resultaria em uma canção bem acima da média. Infelizmente, não é isso que acontece, pois o resultado final é literalmente na média. A canção tem todas as boas características dos envolvidos, mas faltou apuro na produção final. A canção é um bom eletropop com um arranjo bem conduzido. Faltou, porém, elevar a construção e não deixar tão linear como foi feito em Tears, pertencente ao próprio Clean Bandit. Como já demonstrou esse ano com a ótima Issues, Julia Michaels é uma compositora bastante talentosa, mas não consegue repetir o mesmo nível aqui. I Miss You tem uma boa letra, errando na verdade no aspecto "pop" e nos seu fraco refrão. A parceria passa bem longe de ser ruim no final das contas. O que acontece é que o resultado está bem longe do que poderia ser de verdade.
nota: 7

22 de julho de 2017

Solidão na Pista

Disconnect (feat. Marina And The Diamonds)
Clean Bandit

Aproveitando o imenso sucesso dos seus três últimos singles fizeram na Inglaterra e em vários outros países, o grupo Clean Bandit aproveitou para lançar mais uma canção como single. Dessa vez, o grupo se juntou com a cantora Marina And The Diamonds para lançar a boa Disconnect.

Disconnect tem suas falhas como, por exemplo, a longa duração que acaba deixando a canção com uma sensação de ser arrastada, quase beirando a chatice, mas o seus pontos positivos conseguem superar esse problema. O principal é a presença única e marcante de Marina com seus vocais aveludados e naturalmente melancólicos que combinam perfeitamente com a atmosfera de Disconnect: uma envolvente e taciturna pós-disco/dance pop indie com uma instrumentalização elegante. Não bastasse isso, Disconnect tem o tipo de letra que entra perfeitamente na definição de "chorando na pista de dança" ao ser uma tocante reflexão sobre a solidão na era da modernidade. Uma pena que a canção não tenha aquele refrão marcante como as canções anteriores do Clean Bandit. E mesmo assim Disconnect  é uma das pequenas perolas de 2017 que ainda dá tempo de ser descoberta.
nota: 7

28 de março de 2017

2 Por 1 - Clean Bandit

Rockabye (feat. Sean Paul & Anne-Marie)
Symphony (feat. Zara Larsson)
Clean Bandit

Quem poderia imaginar que aquela banda Clean Bandit que entregou a insonsa Rather Be poderia entrar em uma fase tão boa como a que eles estão passando. Depois da ótima Tears, o grupo que mistura música clássica com a eletrônica lançou dois ótimos singles: Rockabye e Symphony.

Lançada no final do ano passado, Rockabye conseguiu ficar no primeiro lugar da parada britânica durante nove semanas, chegando, também, a 9° posição na Billboard e vários primeiros lugares ao redor do mundo. Quando ouvi falar da canção não achei que a mesma seria algo que valesse uma nota alta ou coisa parecida, ainda mais com a presença do Sean Paul e a influência do dancehall. Ledo engano meu, pois Rockabye é uma canção surpreendentemente ótima. 

Primeiro, o single tem uma composição completamente fora dos parâmetros do atual cenário pop: Rockabye fala sobre as dificuldades sobre ser uma mãe solteira. Com uma construção sensível e, ao mesmo tempo, comercial em um refrão viciante, Rockabye ajuda a mostrar que existe espaço para sentimentos reais e tocantes nas paradas de sucesso. Quase uma herdeira de She Works Hard for the Money da Donna Summer, o single também tem uma produção exemplar e, até certo ponto, inspirada ao criar uma batida que misture o estilo do grupo com a influência da música tropical sem perder sua personalidade com um arranjo forte e uma melodia leve e dançante. E, a maior, surpresa de todas é que Sean Paul não apenas funciona perfeitamente, mas, também, tem uma química boa com a novata Anne-Marie que rouba a canção. Um pouco inferior, mas ainda mantendo a boa fase está a fofa Symphony.

A parceria com a queridinha do momento Zara Larsson é como fosse uma Rather Be evoluída. A canção tem como principal diferencial em relação a canção que levou o Clean Bandit é o fato da sua instrumentalização soar muito mais encorpada com um trabalho da produção centrado e redondinho.  Enquanto Zara segura bem a canção,  Symphony ainda possui alguns clichês do gênero como, por exemplo, a composição fofa/contemplativa/romântica/auto ajuda, mas, felizmente, mostra que o grupo está evoluindo sonoramente e a largos passos. Agora é torcer para que a boa fase continue por muito tempo para o Clean Bandit.
nota
Rockabye: 8
Symphony: 7

15 de junho de 2016

Reviravoltas

Tears (feat. Louisa Johnson)
Clean Bandit

Sempre é bom ser surpreendido com algo completamente inesperado e que ajuda a quebrar expectativas anteriores. Ás vezes, porém, essa surpresa é tão intensa que ganha ares de reviravoltas de cair o queixo. 

A banda de música eletrônica britânica Clean Bandit que ganhou fama com o sucesso vencedor do Grammy Rather Be chamou Louisa Johnson, a última vencedora do The X Factor UK, para ser a voz na música Tears, primeiro single do novo álbum deles. A minha expectativa ao ouvir sobre a canção era quase nula, pois eu já tinha uma visão clara sobre o que poderia resultar essa união: o mais do mesmo de uma banda repetitiva com a união de um cantora que ainda precisa de muita experiência para tirar a sensação de ser apenas uma voz poderosa. Não posso negar que Tears tem essas características, mas as suas qualidades são bem maiores que os defeitos. 

O principal ponto de destaque na canção é maturidade de produção que Clean Bandit mostra em um trabalho sólido, muito bem construído e que deixa claro o crescimento deles. Ainda com o tônica de misturar música clássica e eletrônica, Clean Bandit entrega uma instrumentalização muito mais rica  e forte que os trabalhos anteriores, elevando a sua sonoridade. Claro, Tears ainda soa em algumas partes como um trabalho massificado e ainda é preciso a banda explorar novos limites dessa sonoridade. Tirando isso, Tears tem potencial para virar o mesmo sucesso que Rather Be e ajudar a recente carreira de Louisa Johnson. A jovem entrega uma performance extremamente eficiente e poderosa, mesmo que ainda falte a cantora aprender a como mostrar as nuances da sua voz para explorar melhor a canção e, não ser apenas, a dona de uma voz potente. Com uma composição bonita, Tears é uma das melhores surpresas do ano, ao menos para mim.
nota: 7,5

18 de abril de 2015

Rather Be 2

Stronger (feat. Olly Alexander)
Clean Bandit


Depois do mega sucesso de Rather Be que rendeu um Grammy, o grupo de eletrônico que mistura
instrumentos clássicos Clean Bandit está a "procura" de um novo arrasa quarteirão. A pedida dessa vez é a canção Stronger.

Parte do relançamento do primeiro álbum deles (New Eyes), a canção é basicamente uma releitura da cação vencedora do Grammy já que tem quase a mesma estrutura e divide a mesma sonoridade. A ideia do grupo é ótima, mas até agora o Clean Bandit não conseguiu dar liga para essa inusitada mistura deixando todas as suas canções com cara de "eu já ouvi isso". Nesse caso, qualquer música deles. Nem a presença do ótimo Olly Alexander, vocalista do Years & Years, ajuda a canção de soar como a cópia do que já não era tão bom assim.
nota: 5,5

21 de setembro de 2014

Sucesso: Seu Nome é Desconhecido

Rather Be (Featuring Jess Glynne)
Clean Bandit


Tentar entender o motivo que uma música faz ou não sucesso é uma tarefa por vezes complicada. Há fórmulas de como fazer uma música com potencial de hit, mas, em vários casos, esses conceitos são quebrados e aparecem anomalias.

Lançada em Janeiro, Rather Be é um dos sucessos inesperados do ano. Os donos da canção é a banda de eletrônico inglesa Clean Bandit que tem como diferencial a inclusão de instrumentos clássicos fundindo os estilos. Não é exatamente novidade, porém, em um momento tão massificado na música, chama bastante atenção do público pelo resultado diferente. Por isso, Rather Be ganha pontos positivos ao fazer uma mistura delicada e bonitinha. Só que a canção é um trabalho rasteiro e quase linear que só empolga de verdade na sua parte final. Ajuda muito a boa presença da desconhecida Jess Glynne que tem um desempenho muito bom nas partes com um tom baixo e também o refrão redondinho. Apesar das suas qualidades, Rather Be é um mistério: como uma música que tenta não ser "mais do mesmo", mas que acaba recorrendo a clichês e resulta em algo tão mediano consegue ser um dos sucessos do ano? Fica a dúvida.
nota: 6