7 de maio de 2014

Um DJ, Uma Banda e Uma Canção Nem Lá, Nem Cá

A Sky Full of Stars
Coldplay


O que pretende o Coldplay com o seu sexto álbum Ghost Stories? Mesmo sem ouvi-lo por inteiro já é
possível ter uma ideia do que podemos esperar: um álbum que possa atrair os fãs do grupo, mas que também possa ser atrativo para outros públicos. Isso fica bem claro com o lançamento do segundo single oficial do álbum, A Sky Full of Stars.

Nem precisei ouvir a canção para tirar minhas conclusões, pois apenas sabendo que o DJ e atual queridinho do mundo da música Avicii era um dos produtores da canção já captei a ideia central da banda que também assina a produção ao lado de Paul Epworth. O que a canção ganhou com essa mistura? A Sky Full of Stars é um excelente single comercial que consegue dar um pouco da sonoridade da banda, mas sem também atualiza a atmosfera do grupo buscando algo mais contemporâneo e atrativo unindo o rock alternativo com a pegada mais eletrônica do DJ. Mesmo sendo uma mistura bem dosada e ter um bonito arranjo, a canção não chega a um ponto que a união dos "dois mundos" ultrapasse as barreiras e entrega algo novo e excitante. Também não ajuda a composição bonitinha, mas bobinha e um pouco sem graça. Ao menos, Chris Martin entrega uma performance sólida em A Sky Full of Stars dando mais importância para a letra. Agora é esperar e saber como o álbum vai soar como um todo dando liga ou ficar nem lá, nem cá.
nota: 6,5

6 de maio de 2014

Faixa Por Faixa

CD: Let's Talk About Love
Artista: Céline Dion
Gênero: Pop, adult contemporary, soft rock.
Vendagem: Cerca de 31 milhões de cópias
Singles/Peak na Billboard: Tell Him (Duet With Barbra Streisand) (US: -/ UK: 3°), Be the Man (lançado apenas no Japão), The Reason (UK: 11°), My Heart Will Go On (US: 1°), Immortality (UK: 5°), When I Need You (lançado apenas no Brasil), I Hate You Then I Love You (Duet With Luciano Pavarotti) (lançado apenas na Itália), Miles to Go (Before I Sleep) (lançado apenas no Canadá) e Treat Her Like a Lady (UK: 29°)

Grammy
Vitórias

1999

Record of the Year / Best Female Pop Vocal Performance / Song of the Year / Best Song Written for a Motion Picture, Television or Other Visual Media (My Heart Will Go On)

Indicações
1998


Best Pop Collaboration with Vocals (Tell Him)

1999

Best Pop Album

Ano: 1997


Poucos artistas podem dizer que tem dois álbuns lançados com a diferença de apenas um ano que conseguiram entrar na lista de maiores vendagens de todos os tempos. Céline Dion pode se gabar com louvor. Depois do mega sucesso de seu quarto álbum em inglês Falling Into You que abocanhou o cobiçado Grammy de Álbum do Ano na cerimônia de 1997 e tem como vendagem mundial incríveis 32 milhões de cópias, Dion lançou Let's Talk About Love em Novembro de 1997. Só que não bastasse o sucesso de seu antecessor, o novo álbum teve como carro chefe o tema do filme que se tornaria a maior bilheteria de todos os tempos até então, Titanic. E, claro, estou me referindo a canção My Heart Will Go On que levou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Canção. Com isso tudo, Let's Talk About Love vendei mais outros 30 milhões de cópias até hoje entrando na listas de mais bem vendidos de todos os tempos. 


5 de maio de 2014

Forever King

Love Never Felt So Good (feat. Justin Timberlake)
Michael Jackson

Sempre fico com os dois pés atrás quando ouço que vão lançar um álbum póstumo de qualquer artista. Se o trabalho não é um projeto que o artista estava trabalhando antes da morte, o cheiro de safadeza e aproveitamento chega forte para mim e me dá náuseas. Se estivermos falando do Michael Jackson a situação complica quase infinitamente. Depois da aberração de Michael (primeiro CD lançado após a morte do cantor), seria difícil algo de bom sair das mentes de quem cuida do legado do Rei do Pop. Só que, ás vezes, eu posso me enganar. 

Xscape foi o nome escolhido para ser o título do segundo álbum póstumo do Michael Jackson. E ao contrario do anterior há um equipe bem mais interessante cuidando da modernização das demos deixadas pelo cantor. Xscape vai reunir, basicamente, o mesmo time que cuida da carreira do herdeiro direto de Michael: Justin Timberlake. Liderados por Timbaland, o trabalho também terá a produção de Jerome J-Roc Harmon e Rodney "Darkchild" Jerkins com a adição de StarGate e as participações de Mary J. Blige, Questlove, D'Angelo e Justin Timberlake. Esse último está ligado ao primeiro e surpreendente primeiro single lançado intitulado Love Never Felt So Good.

Surpreendente, pois Love Never Felt So Good é realmente uma boa canção. Longe dos grande momentos da carreira de Michel, o single parece vindo direto da época em que ele lançou Off the Wall em 1979. Então, espere uma sonoridade R&B com generosas doses de disco e uma deliciosa atmosfera convidativa para dançar fazendo passinhos como se estive em uma pista de danças nos anos setenta. Ponto positivo para a produção que não tentou "modernizar", mas apenas aveludou o que já era bom. Outro ponto de elogios é que em Love Never Felt So Good conseguimos realmente ouvir Michael do começo ao fim já que nos outros trabalhos póstumos parece que o cantor foi substituído por alguém com uma voz parecida. Obviamente para dar um up na canção comercialmente a versão lançada como single é um "remix" com o Justin Timberlake. O encontro de gerações que acontece tarde demais, mas que ao menos aconteceu. Mesmo a versão com o Presidente do Pop não fazer grandes alterações e o próprio featuirng estar muito bem, a versão original ganha pontos a mais por tem uma vibe mais gingada e gostosa de se ouvir. Em outras palavras: Rei uma vez, Rei para sempre. Só precisa de bons súditos para cuidar bem do tesouro deixado.
nota
Versão Original: 8
Versão Remix: 7,5

4 de maio de 2014

Primeira Impressão

Sheezus
Lily Allen


O mundo pop na música é um complexo emaranhado de cordas de diferentes tamanhos, cores e, o mais importante, resistências. Tudo isso sustenta boa parte da indústria fonográfica atual e garante o "leite" de milhares de crianças. Mesmo com a existência de uma variedade imensa de tipos de cordas que compõem essa teia há sempre uma corda tão especifica que sua falta é uma perde quase irreparável. Uma dessas cordas é a que representa a inglesa Lily Allen. E o que me faz pensar dessa maneira? Simples: Allen voltou de um período sabático com o álbum Sheezus mostrando que continua a mesma. Ou seja: continua sendo sensacional.

Cinco anos depois do lançamento do seu segundo álbum (It's Not Me, It's You de 2009), Allen resolveu lançar seu terceiro trabalho quase que para provar que ela é ainda é necessária para o mundo da música, em especial para o competitivo e barulhento pop. A principal razão para isso é que até pode existir igual, mas não nenhuma compositora no atual pop tão boa como Lily Allen. 

Em Sheezus, Lily demonstra que não perdeu nada do seu distinto olhar sobre tudo e todos. Allen ficou conhecida por saber como discorrer sobre um assunto de maneira extremamente critica e ácida sem perder em nenhum momento o tom irônico e engraçado que marcou ela em seus primeiros trabalhos. Basicamente, as composições em seu novo trabalho se dividem em dois temas: reflexões sobre sua vida particular e sobre a fama. Nesse segundo quesito, Lily se coloca de duas maneiras: como uma simples observadora e como sendo parte dessa "instituição". É nessa parte que a cantora faz as suas melhores e mais pungente criticas ao falar sobre o atual cenário do mundo das celebridades & CIA, sobre o obsessivo fascínio da mídia e do público, a exposição, as trocas de valores e até mesmo sobre si mesma. Sempre direta do começo ao fim sem mandar recados "escondidos", Allen mantém outra grande qualidade em suas composições: toda critica não parece algo forçado, mas soa natural, principalmente, com a ajuda do seu sempre humor refinado. E Allen não espera muito para começar a "descer a lenha": a abertura já têm a mortal faixa Sheezus (resenha a seguir) que além de reapresentar a cantora ao mundo da música faz analise sobre o atual mundo das divas pop. E ela continua seu desfile com Insincerely Yours um soco no estômago sobre o vicio em saber da vida dos famosos e com um toque pessoal desconcertante. Claro, ainda tem a sensacional Hand Out Here que se destaca como a melhor faixa de Sheezus. Com os cinco anos "fora" sendo esposa e mãe, Allen também pode ter tempo para poder analisar a vida normal de uma pessoa como na boa Life for Me que mostra as delicias de ser mãe e dona de casa, na declaração para marido em L8 Cmmr e nas deliciosas As Long as I Got You e Close Your Eyes. Resumidamente: não importa qual seja o objeto de sua critica, Lily entregou o seu doce veneno feito para deliciar quem estava com abstinência. A cantora Lily Allen continua com sua deliciosa voz e completamente carismática com seu sotaque britânico compensando pela falta de alcance e, ás vezes, a falta de versatilidade. O que há para ser critica em Sheezus é que a cantora ao lado dos produtores (principalmente Greg Kurstin) não se arriscam na sonoridade. Novamente, Allen faz novamente um seguro e bem amarrado pop/synthpop, mas que não passa disso mesmo com algumas influências diferentes. Mesmo assim, Sheezus é um álbum que precisa ser ouvido, pois é a luz que brilha no fim do túnel da mesmice e da falta de personalidade que assola o pop e a música de uma maneira geral. E Lily Allen faça o favor de não sumir por muito tempo que precisamos de você!

Abram Alas

Sheezus
Lily Allen

Não há meias palavras em Sheezus, próximo single do homônimo álbum de Lily Allen. E por isso, a canção é um perfeito carro chefe para mostrar quem é a Lily Allen.

Com uma produção e uma sonoridade um pouco diferente do resto do álbum devido ao produtor DJ Dahi, a canção Sheezus mostra uma Lily mais urban com toque de hip hop em uma batida mais low e cadenciada bem produzida. Lily está perfeita em sua performance contida e carismática. Só que o ponto alto de Sheezus é sua composição em que cita alguns nomes do panteão do pop. O tema centra, e muito bem desenvolvido, é sobra a volta da cantora ao cenário musical e como ela lida com a toda a pressão em volta. E se Lily está de volta, ela precisa "lidar" com a concorrência. Assim sendo, Sheezus mostra qual a visão da inglesa com os nomes mais "quentes" com as suas observações ácidas de sempre:

RiRi não tem medo do rugido de Katy Perry
A Rainha B vai ter que recomeçar
Lorde sente cheiro de sangue, ela está prestes a te arrasar
Não se brinca com essa menina, e ela acabou de começar

Estamos assistindo à Gaga, rindo muito, ha-ha
Morrendo pela arte, então, ela é um mártir
Ficar em segundo não é o bastante para as divas
Me dê a coroa, vadia
Quero ser a Deusa


Para bom entendedor, um pingo é letra. Só que para quem não entendeu bem vamos ao uma explicação bem detalhada do que Lily está querendo falar:

Rihanna e Katy Perry: duas cantoras com grandes sucessos comercias. Allen afirma que Rihanna não tem medo do poder de Katy, pois ela é bem mais poderosa em questão de sucesso.

Beyoncé: referencia direta ao último álbum da cantora em que ela voltou para uma sonoridade mais crua e original.

Lorde: Allen afirma que acredita no potencial da novata para ser uma grande artista capaz de "matar" a concorrência com suas músicas. Além disso, essa parte também se refere ao quanto Lorde é "creepy" em suas apresentações.

Lady GaGa: uma some simple: ARTpop + flop = gozação.

Enquanto isso, Lily Allen voltou dando tapa na cara da sociedade melhor do que nunca.
nota: 8

3 de maio de 2014

Que Gracinha!

Best Day of My Life
American Authors


Tem músicas que são boas. Tem músicas que são ruins. E tem músicas que são uma gracinha. Esse último é o caso da música Best Day of My Life da banda de rock American Authors.

Lançada em Março do ano passado, a canção só conseguiu destaque depois que apareceu em um comercial veiculado no SuperBowl desse ano e em outros comerciais. Com o destaque adquirido Best Day of My Life chegou ao 11° lugar da Billboard e teve bons resultados em vários outros mercados. Esse sucesso é até merecido, pois, mesmo sem ser um canção inesquecível, é um trabalho bastante simpático. A produção acerta em construir um arranjo bem amarradinho tendo como base uma junção de rock com folk e umas pitadas de pop que se casaram muito bem. Com um clima "alto-astral", a composição até cai em clichês de autoajuda, mas como ela é divertida e tem o fator "cantar junto" esse defeito é ate relevado. Best Day of My Life é inofensiva, divertida e uma gracinha. 
nota: 7

2 de maio de 2014

Le Freak, C'est Chic

Calling All Hearts (feat. Robin Thicke & Jessie J)
DJ Cassidy


Ser retrô não é ser velho, mas é preciso saber como expressar para não ficar parecendo algo realmente ultrapassado. É nessa pegada que o DJ Cassidy quer entrar no mainstream da música. E ele começou com classe com o single Calling All Heart.

Descoberto pelo P.Diddy, Cassidy se tornou o DJ queridinho dos poderosos americanos se apresentando para nomes como Beyoncé, Jennifer Lopez, Oprah Winfrey, Anna Wintour e o presidente Obama. Inclusive, além de tocar no aniversário de Michelle Obama, o DJ foi o responsável pela música na posse de Obama em 2009. Esse ano, Cassidy vai lançar seu primeiro álbum intitulado Paradise Royale que, segundo o próprio, será uma volta ao passado, mais precisamente a sonoridade em voga entre 1978-1982 contando com um elenco de featuring estrelar como Mary J. Blidge, Usher, CeeLo Green, só para citar alguns. Como primeiro single foi lançada a canção Calling All Hearts com a participação da inglesa Jessie J e do americano Robin Thicke.

Se era para emoldurar a sonoridade disco/dance da época já citada, Cassidy acertou em cheio com Calling All Hearts. A canção tem aquela vibe dos sucessos da banda Chic como Le Freak e Good Times. E não é nenhuma coincidência, pois o DJ cita o grupo como uma das suas influências e terá o guitarrista da mesma em seu álbum, o lendário Nile Rodgers. Mesmo com essa grande semelhança, Calling All Hearts consegue ser um trabalho sólido conseguindo caminhas por conta própria com uma batida deliciosa e um trabalho de instrumentalização perfeita. A sensação "curtindo um vibe boa" é mantida intacta e isso ajuda a fazer de Calling All Hearts uma canção com carisma. Outro acerto é a escolha dos featuring: tanto Jessie quanto Robin entregam performances cativantes e bem produzidas. Jessie, em especial, está bem controlada em seus maneirismos sabendo dosá-los para transmitir a sua personalidade. Até mesmo as "intervenções" de Cassidy com algumas partes faladas não atrapalham, mas ajuda a criar o clima da canção. A composição não precisaria ser a reinvenção da roda, mas ser um trabalho bom e viciante e esse requisito Calling All Hearts cumpre com louvor especialmente o seu refrão. O único defeito seria que a canção termina de forma muito anticlímax, mas nada que afete o resultado final. DJ Cassidy é o futuro do passado no presente. Quem sabe assim não voltamos a ter os "velhos bons tempos"?
nota: 8

1 de maio de 2014

This Is The Rhythm of the Night

Hideaway
Kiesza

No atual cenário da música eletrônica em que um monte de artista se apropriou do estilo para fazer (na maioria das vezes) um pop farofa sem vergonha parece que a solução é voltar ao começo. Não exatamente ao inicio, mas retroceder alguns anos. Um bom exemplo do que estou tentando mostrar é o single debut da cantora canadense Kiesza, a surpreendente Hideaway.

Quando você começar a ouvir Hideaway vai ter a impressão de já ter ouvido a canção em algum lugar. eurodance? Então, Hideaway é basicamente isso, mas feita em 2014. 
Mesmo sendo uma produção completamente inédita esse sentimento não é de todo errado: Hideaway é uma canção perdida no tempo. Explico: Kiesza simplesmente "voltou" uns vinte anos atrás e fez uma canção como se fosse 1992. Quem não se lembra de canções como The Rhythm of the Night do Corona, Rhythm Is a Dancer do Snap!, Pump Up the Jam do Technotronic, entre outros que estouraram no começo da década retrasada misturando pop, dance music, hip hop e, claro, eletrônico ajudando a difundir o

O trunfo de Hideaway, que poderia soar como datado ou/e sem criatividade, é entregar uma canção que não apenas "reedita" perfeitamente o estilo do eurodance, mas que também entrega um produto com qualidade impecável. Kiesza (que também produz) a canção consegue colocar em Hideaway os melhores atributos do estilo "copiado": dançante só com classe, elegante, carismática e completamente viciante. A composição também segue os moldes do eurodance, mas consegue um resultado muito bem amarradinho. Sem ter a voz poderosa de muitas das cantoras que emprestaram suas vozes para os hits do passado, Kiesza consegue segurar a canção dando o toque mais moderno para a canção. O único erro aqui é uns "ohs uhs" entre o refrão e os versos que poderia ter sido eliminado que não faria nenhuma falta. Atualmente no topo da parada inglesa, Hideaway é uma candidata fortíssima para ser um dos hits do ano. Em 2014, mas com jeitinho de 1992.
nota: 8