31 de janeiro de 2019

Pequenos Mimos

Conversation
Lucy Rose

Na minha procura de encontrar artistas que fogem do atual mainstream para trazer aqui para o blog nem sempre é frutífera. Entretanto, ás vezes surgem algumas surpresas que compensam como é o caso da britânica Lucy Rose.

Apesar de já ter algum tempo de carreira e um coleção de fãs, Lucy Rose ainda não alcançou nenhum sucesso comercial expressivo com o lançamento do seus três álbuns até o momento. E, sinceramente, isso não importa, pois a cantora parece mais focada em desenvolver o seu lado artístico do que ter reconhecimento comercial. Isso fica bem claro em Conversation, primeiro single do seu ainda não lançado quarto álbum (No Words Left).

Conversation é uma melancólica, delicada e, por vezes, devastadora balada indie pop sobre as lutas e  as pequenas batalhas de estar um relacionamento. Contida em palavras, mas com com um leque de emoções atrás de cada palavra, Conversation é o tipo de canção que faz a gente ser retirado do chão em transe hipnótico ao ouvir e sentir toda a sua força emocional. E a performance calma, contida e de uma beleza angelical de Lucy parece amplificar essa sensação ao não dar espaço para grandes arrombos emocionais, trabalhando no limite entre passivo e contemplativo. Sonoramente, Conversation não é nada espetacular, mas, felizmente, apresenta um trabalho de produção certeiro e uma parte técnica primorosa que consegue dar corpo para uma música que poderia cair facilmente no esquema "piano e voz". De qualquer forma, Conversation é um dos primeiros mimos que estou apreciando em 2019. Espero que venha mais.
nota: 8

30 de janeiro de 2019

O Nicho Certo

Thursday (feat. H.E.R.)
Jess Glynne

Jess Glynne se firmou com um dos principais nomes do pop britânico nos últimos tempos, mas até agora não entregou nenhum trabalho que estive a altura do seu talento. Felizmente, a cantora tem bela luz ao final do túnel como revela o single Thursday.

Lançada no final do ano passado e alcançando o top 3 da parada britânica, Thursday ganha um "remix" com a participação da cantora americana H.E.R.. Essa versão não muda basicamente quase nada da original, mantendo intacta as qualidades que ajudam a canção ser um trabalho inspirador. Primeiramente, assim como em Don't Be So Hard On Yourself, Thursday tem uma composição que invoca um linha tênue entre a auto ajuda barato e o empoderamento próprio. Felizmente, a canção pende bem mais para o segundo, entregando um emocionante, sincera e bonita letra sobre amar a si próprio em primeiro lugar. Co-escrita ao lado de Ed Sheeran e o produtor Steve Mac, Jess mostra que entregar composições que passam uma mensagem e, ao mesmo tempo, possui aquele fator pop perfeito para virar sucesso comercial. Em segundo lugar, a produção mid-tempo que mistura pop/dance-pop com R&B parece o veículo ideal para sustentar o interessantíssimo timbre de Jess, principalmente devido a performance emocionante que a mesma entrega. A presença da cantora H.E.R. não agregada nada de novo, mas é uma presença sólida e que dá química com a Jess. Uma pena que a cantora só acerta quando está nesse nicho, deixando o resto da sua sonoridade longe do ideal.
nora: 8

Semana Britânica

Dona de uma efervescente e influente cena fonográfica, a Inglaterra será o foco dessa semana especial em que o blog irá dar analisada em vários nomes importantes da atualidade do país. Essa é a Semana Britânica.


29 de janeiro de 2019

Docinho Pop

Lucky Strike
Troye Sivan

Não entendo o quanto os fãs do reclamam que o atual topo das paradas, especialmente dos Estados Unidos, está faltando canções do gênero, pois existe uma dezena de nomes por aí fazendo o que há de melhor e não estão tendo o reconhecimento devido. Um excelente exemplo disso é o Troye Sivan.

Lançado no ano passado, Bloom, segundo álbum da carreira de Troye, é um trabalho de pop praticamente perfeito que tem como melhor qualidade a sua pluralidade sonora. Prova disso está em Lucky Strike que foi divulgada como uma especie de single promocional/oficial, ganhando clipe recentemente. Canção mais comercial do álbum, mas sem perder em nenhum momento a alta qualidade que permeia todo o trabalho, Lucky Strike é um fofo e romântica pop/bubblegum/dance pop que lembra bem várias canções da Britney Spears bem no começo da carreira como, por exemplo, Lucky e Sometimes. O que faz da canção conseguir se destacar é o fato da produção acertar no tom ao saber dosar o lado popular com o mais artístico. Outro diferencial é o fato de Troye contar sobre uma paixonite por um garoto e a boa sensação de se apaixonar em uma composição elegante e deliciosamente pueril, ressaltando ainda mais importância de artistas LGBTQ fazerem músicas sobre ser LGBTQ na felicidade ou na tristeza. Então, com tantas qualidades, qual a desculpa de parte do público para reclamar da falta no mercado do pop?
nota: 8

28 de janeiro de 2019

Em Tempos Difíceis

Land of the Free
The Killers


Algumas das melhores e mais influentes canções da história da música foram feitas durante períodos de intensa ebulição sócio-politico e que, obviamente, tinham como temas o cenário a sua volta. É só olhar o cancioneiro durante, por exemplo, a Ditadura Militar aqui no Brasil e o movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos que já se tem uma ótima ideia sobre o que estou falando. Com o atual cenário que a sociedade como um todo está passando é claro que canções de protesto surgiram como é o caso do novo single do The Killers: Land of the Free não irá se tornar um clássico, mas é importante a sua existência.

Em meio a crise que a sociedade estadunidense vem passado, principalmente, desde que o Trump assumiu a presidência, Land of the Free é uma crônica/critica aos principais problemas atuais como, por exemplo, a crise imigratória, o infame "muro" e o grande problema das armas em tiroteios em massa. Sem medo de soar politizados, The Killers toca na ferida aberta ao se perguntar se esse Estados Unidos é realmente a "terra dos livres" que a história conta? Honesta e atualíssima, a composição erra ao ser direta demais, soando em vários momentos clichê e literal demais, mas isso não tira o peso da importância da sua letra como quando Brandon Flowers (em uma  ótima performance) entoa "But if you're the wrong color skin (I'm standing crying) /You grow up looking over both your shoulders". Outro problema da canção é a sua construção durante a sua primeira metade, pois não passa de uma normal balada pop rock. Entretanto, quando a mesma é incrementada com um forte influência gospel, Land of the Free se eleva e encontra o seu momento emocional para carregar a mensagem, especialmente na sua parte final. Apesar de não ser perfeita, Land of the Free é uma canção de suma importância para o atual momento em que vivemos.
nota: 7,5

O Nome Dela é Gloria

Coisa Boa
Gloria Groove

Depois de ter a melhor música do Carnaval que deveria ter sido o maior sucesso de 2018, a Gloria Groove volta para, possivelmente, repetir o mesmo cenário com a divertida Coisa Boa.

Apesar de menos inspirada que a canção do ano passado, Coisa Boa é uma explosiva e divertida mistura de pop com hip hop e, ao que parece, toques de frevo aqui e ali. Essa característica é a responsável por transformar Coisa Boa em um trabalho perfeito para animar bloquinhos e blocões de carnaval devido a sua batida elétrica, despretensiosa e, especialmente, viciante. A produção parece soar um pouco apressada e sem um acabamento mais refinado, mas, felizmente, esse problema não deixa que a canção perca o seu brilho e potencial. Entregando uma performance sensacional e de uma versatilidade que quase ninguém no pop brasileiro possui, Gloria Groove vai se colocando como uma das melhores "divas" contemporâneas, mostrando uma personalidade própria e sensacionalmente irresistível. Espero que as pessoas possam lembra que o nome que deve ser lembrado nesse Carnaval é o da Gloria.
nota: 7

27 de janeiro de 2019

Água & Óleo

WHEN I WAS OLDER
Billie Eilish


Assim como aprendemos na química que alguns elementos não se misturam entre si, o mundo da música também tem as suas versões de água e óleo. Uma delas é a canção WHEN I WAS OLDER da ascendente Billie Eilish.

WHEN I WAS OLDER faz parte de um projeto que irá trazer canções músicas inspiradas no filme Roma de Afonso Cuarón sobre uma empregada doméstica e a família classe média para quem trabalha durante os anos setenta no México. Forte candidato ao Oscar, o filme é uma linda, melancólica e devastadora crônica familiar que mostra de forma contundente as linhas quase invisíveis que separam as classes sociais. Ouvir, portanto, a sonoridade indie pop/eletrônica de WHEN I WAS OLDER que foi inspirada pelo filme é igual ver água e óleo juntos em um copo: interessante, mas que dá para ver que não se misturam. Claro, a canção é inspirada e, não, um tema propriamente dito, mas, meso assim, as coisas parecem não se encaixarem. E a canção é até boa, mesmo sendo um pouco pretensiosa e com uma duração arrastada. O melhor da canção é a composição que se pega elementos direto de falas do filme para construir alguns versos e, primordialmente, a temática sobre nostalgia. Isso, infelizmente, não impede essa sensação de estranheza entre duas coisas opostas imperar do começo ao fim de WHEN I WAS OLDER.
nota: 7

25 de janeiro de 2019

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

This Love
Maroon 5

Com a aproximação da apresentação do Maroon 5 durante o Super Bowl decidi voltar no tempo para lembrarmos onde tudo começou para a banda que se tornou a maior de pop rock do novo milênio até o momento para o bem ou para o mal. Estou referindo ao momento que a banda ainda não era uma pastiche de si mesmo com o sucesso de This Love.

Depois de lançarem um álbum sob o nome de Kara's Flowers em 1997 que, obviamente, a banda mudou de gravadora e de nomes para lançar o que seria o primeiro álbum do Maroon 5: Songs About Jane. Só que o sucesso ainda demorou para acontecer, pois o álbum foi lançado em 2002 e teve como primeiro single Harder to Breathe que teve um sucesso moderado, principalmente devido o fato de ter sido lançada de forma independente. Só dois depois que com o apoio da gravadora que This Love aconteceu.

A grande sorte da banda é que eles estouraram no momento em que banda com jovens integrantes estavam em voga como, por exemplo, blink-182, Fall Out Boy, Panic! At the Disco e outros que sumiram do mapa. Apesar de terem estilos e sonoridades completamente diferentes, essas bandas surgiram em um momento que parte do público jovem estava carente de novos rostos no rock, mas que não tinham paciência/memória/preferência para banda com uma sonoridade mais pesada/tradicional. Além disso, o Maroon 5 tinham uma arma secreta: Adam Levine. Bom vocalista e com um carisma ímpar, Adam é, sejamos sinceros, uma visão belíssima para os olhos, ajudando a construção da identidade visual da banda. E, para contemplar o pacote inicial, o Maroon 5 tinha em mãos uma canção tão certeira quanto This Love.

Mesmo sem ter alcançado o topo da Billboard, coisa aparentemente fácil para a banda atualmente, This Love é uma das mais viciantes da carreira deles. Sem precisar recorrer para clichês muito escalafobéticos e irritantes, a canção é uma excitante pop rock com influência em funk e algumas pitadas de R&B. This Love é o tipo de canção que parece grudar na cabeça como chiclete velho debaixo do sapato, mas que, ao contrário dos últimos sucessos do Maroon 5, não deixa a gente enlouquecido de vontade de desgrudar o quanto antes. Divertida, despretensiosa e deliciosa. E essa é a melhor combinação para qualquer música que pretende ser um sucesso. Aliando-se a essa característica, a canção tem um refrão matador e uma performance forte e sexy de Adam que ajuda a solidificar This Love como um verdadeiro arrasa quarteirão. O erro da canção é, analisando em retrospectiva, a sua composição com fortes toques de "homem branco chorando as pitangas porque levou pé na bunda", mas, tecnicamente, o trabalho é muito bem feitinho e na medida certa para esse tipo de canção. É bom lembrar o quanto o Maroon 5 pode ser uma banda excitante e rezar para que em algum momentos eles voltem a terem a mesma chama.
nota: 8