A construção da girl band não é algo novo, mas para muitos parece que só existem esse tipo de atos musicais e a suas conquistas daqueles que estão no topo do sucesso na atualidade. Obviamente, existe uma grande parcela de girl bands que encontraram sucesso comercial gigantesco desde a década de noventa até a atualidade. Entretanto, gerações antes tiveram esse fenômeno inseridos firmemente no cenário musical, especialmente durante os anos sessenta e setenta. E, por isso, que hoje o As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer irá falar de uma girl band que, apesar de não tão lembrada, é de uma importância chave para a maioria das que surgiram desde a retomada do sucesso desse tipo de grupo. Irei falar sobre...
27 de abril de 2021
Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single
Lady Marmalade
Christina Aguilera, Lil' Kim, Mýa & P!nk
Christina Aguilera, Lil' Kim, Mýa & P!nk
Quando foi lançada a versão de Lady Marmalade para o filme Moulin Rouge! em 2001, a canção já tinha sido regravada oficialmente duas outras vezes a partir da original de 1974 do trio Labelle. Provavelmente, ninguém esperava que essa regravação iria se transformar em um marco para a história pop assim como foi a versão original, pois no papel a nova versão tinha tudo para se transformar em um verdadeiro desastre. Entretanto, apesar da importância das escolhidas para entoar a canção, o grande nome por trás do sucesso é o da Missy Elliott.
Quando produziu Lady Marmalade, a rapper/produtora Missy Elliott tinha produzido e lançado dois álbuns que encontrou aclamação da critica e do público, mas antes disso a artista tinha consolidado o seu nome como um dos nomes mais promissores e talentosos do hip hop/rap/R&B do final dos anos noventa e começo dos dois mil ao produzir para nomes como Aaliyah, Mariah Carey, Whitney Houston, Destiny's Child, entre outros. Todavia, ao produzir Lady Marmalade, Missy entrou em um território novo: o pop. É necessário dizer que a versão ou a original são canções pop, mas no caso da nova versão, Missy precisava entrar em um território que pudesse abranger um público mais amplo ao popularizar a canção para um público completamente diferente. A primeira ajuda é o tom de Moulin Rouge! dirigido por Baz Luhrmann que decidiu fazer um musical com estética de vídeo clipe e recheado de canções que iam do indie rock até o pop, passando pelo tango e o eletrônico. Entretanto, o que faz de Lady Marmalade tão especial é capacidade de Missy de saber atualizar a canção para uma nova geração sem perder, porém, a essência do original.
Produzindo ao lado de Rockwilder, Missy transforma o quer era uma disco/soul em uma eletrizante, explosiva e carismática mistura de pop, hip hop e R&B que consegue manter vivo a essência sensual/envolvente da versão original sem pender em nenhum momento para o vulgar. A produção também foge de transformar a canção em uma pastiche ao seguir por caminhos mais fáceis para transportar toda a atmosfera acetinada de Lady Marmalade. E a força dessa produção é mais do que necessário, pois o grande toque de mestre foi a escolha das interpretes. As quatro envolvidas eram em 2001 eram nomes que começavam a consolidarem suas carreiras, partindo de lugares completamente diferentes e com destinos ainda mais diferentes pela frente. Entretanto, a união da subestimada Mýa, a P!nk em sua transição sonora, Lil’ Kim reinando quase sozinha no rap e, por fim, Aguilera começando de fato o seu reinado de diva pop parece ter sido escrita nos céus musicais, pois tudo parece se encaixar com perfeição absoluta. Devo admitir que a entrada icônica da Aguilera seja inesquecível, Lady Marmalade termina sendo tão poderosa, especialmente como uma mensagem pré-empoderamento, é o épico verso da Lil’ Kim, pois, além da performance avassaladora da rapper, a momento parece dar a liga entre a letra, a produção e as performance. Vencendo VMA de Best Video of the Year e o Grammy de Best Pop Collaboration with Vocals, Lady Marmalade prova que o talento dos envolvidos, especialmente da Missy Elliott, é o equalizador perfeito para entregar momentos de pura genialidade.
nota: 8,5
Um Outro Lado de Jorja Smith
Addicted
Jorja Smith
Jorja Smith
Desde que alcançou bons resultados na parada britânica, especialmente com Be Honest, a Jorja Smith vem transitando entre o lançamento de canções mais comerciais (Come Over) e outras mais artísticas (By Any Means). Em Addicted, porém, a cantora parece querer mostrar um equilíbrio entre essas duas facetas.
Uma mistura contida e leve de R&B, drum bass e pop, Addicted tem a capacidade de soar radiofônica e, ao mesmo tempo, apresentar toques de um cuidado bem mais apurado. A canção peca devido a produção não entender muito bem como juntar de forma eficiente essas duas pontas da sonoridade da cantora, deixando a canção linear demais e sem as nuances necessárias para aprofundar a sua atmosfera climática. O principal momento que evidencia esse erro é a construção do refrão, pois o mesmo se comporta como um outro verso e, não, o coração da canção. De qualquer forma, a performance sedosa e sensual de Jorja ajuda Addicted a não ser uma canção apenas morna. Espero que a cantora consiga melhorar esse equilíbrio entre as suas personas em trabalhos futuros.
nota: 7
Novos Sabores
Be Sweet
Japanese Breakfast
Japanese Breakfast
Continuo a minha caminha na busca de novos artistas que, mesmo já estabelecidos, nunca tive o prazer de ouvir. E a mais recente das minhas descobertas é o projeto solo da cantora Michelle Zauner: o Japanese Breakfast. Com dois álbuns já lançados, a artista prepara para lançar o terceiro (Jubilee) e como single foi lançado a deliciosa Be Sweet.
Funcionando como uma mistura de capsula do tempo com uma canção seguidora de tendências, Be Sweet é uma suculenta, incrivelmente carismática e leve synth-pop com toques de pop rock que lembra pesadamente obras dos anos oitenta. A canção não é o tipo que gruda automaticamente na nossa cabeça como em uma explosão, mas, sim, infiltra aos poucos desde a primeira vez que a gente escuta. Essa sensação é devido a sua leveza sonora e de atmosfera solar e radiante. Liricamente simples, Be Sweet acerta na mosca no tom maduro da composição e na sua construção sem maiores artifícios. Em uma outra canção, a decisão lírica de Japanese Breakfast poderia terminar como rasa ou/e simplista, mas Be Sweet é construída para que cada palavra valesse a pena, especialmente no adorável refrão. Ao entregar Be Sweet de forma tão despretensiosamente interessante, Japanese Breakfast se mostra uma artista muito mais excitante que o esperado.
nota: 8
A Garota Que Queria Salvar o Mundo Com o Pop
Purge The Poison
MARINA
MARINA
A nova era da Marina, ex and the Diamonds, parece que irá ser sobre a vontade da cantora de querer salvar o mundo do seu pior desastre: a humanidade. Depois de Man's World que já tinha a intenção de falar sobre problemas da sociedade, Purge The Poison mostra um lado ainda mais agressivo em uma canção que não deveria funcionar na teoria, mas que acaba melhor que a encomenda.
Purge The Poison é uma pop rock/electropop que tem uma batida agressiva, marcante e estranha que parece que não vai funcionar, mas que se sustenta bem devido a boa construção instrumental e a atmosfera climática dada pela produtora Jennifer Decilveo. Com um caimento áspero e, ao mesmo tempo, envolvente, a canção consegue conquistar devido a sensação de chutar o balde para querer agradar gregos e troianos. Marina entoa Purge The Poison com uma raiva ruidosa sem perder, porém, o seu timbre aveludado e encorpado que parece funcionar para qualquer tipo de canção. A composição é o calcanhar de Aquiles da canção ao querer abocanhar vários assuntos como, por exemplo, mudança climática, covide-19, feminismo e até o #FreeBritney em um trabalho verborrágico e que beira o pieguismo. Gostar do resultado lírico é o ponto de equilíbrio que fará o público gostar ou não de Purge The Poison. Na minha visão, todo esse caldeirão é a prova que Marina está pronta para se erguer das cinzas seguindo as suas regras.
nota: 7,5
24 de abril de 2021
21 de abril de 2021
2 Por 1 - Doja Cat
Kiss Me More (feat. SZA)
Streets
Doja Cat
Streets
Doja Cat
Ainda é complicado para mim analisar as canções da Doja Cat devido a todo o contexto que a cerca. Além das polêmicas que a artista está envolvida nos últimos anos, a carreira de Doja é assombrada pelo fantasma Dr. L#ke que é compositor/produtor de várias canções da artista como é o caso do sucesso Say So. Esse último problema é amenizado com a possibilidade da artista ainda ter que trabalhar com essa pessoa devido aos contratos assinados no começo da carreira. Isso não tira o peso incomode de ouvir Kiss Me More.
Com a participação da SZA, a canção é a aposta da cantora/rapper para ter o mesmo impacto do seu maior sucesso. Em partes, Kiss Me More alcança esse feito ao ser uma envolvente e carismática dance-pop/disco pop que tem personalidade suficiente para se destacar em relação a Say So. O problema, além de ter o dito cujo envolvido como já citado, é que o resultado final da canção parece envolvido em uma película sonolenta. A batida parece não empolgar no nível que poderia, mas, sim, fica entre o caminho entre o sensual/envolvente e o explosivo/dançante. Existe, sim, uma produção bastante redondinha e gostosinha que sabe adicionar nuances interessantes na canção. O que não é existe é um toque de mestre para fazer a canção brilhar inteiramente. Apesar de uma performance adocicada e bem colocada, SZA não consegue dar peso real para o resultado de Kiss Me More. Já Doja mostra carisma sem apresentar nada de novo em uma performance metade cantora, metade rapper. Quando Doja tem um material mais explosivo, porém, a mesmo é capaz de entregar algo como o sucesso viral de Streets.
Ainda parte do álbum Hot Pink, a canção ganhou destaque devido o seu sucesso no Tik Tok para depois ganhar destaque nas paradas e virar single. Sem a presença do inominável na produção ou composição, Streets é a prova da versatilidade de Doja Cat em uma canção sensual, densa e com uma personalidade bastante distinta de tudo que a mesma apresentou até agora. Uma mistura de R&B com hio hop que se assemelha com os trabalhos do The Weeknd, especialmente no seu começo de carreira, Streets mostra a maturidade sonora que Doja pode chegar quando deixa de lado saídas fáceis para construir uma identidade mais aprimorada. Densa e sombria, Streets se beneficia e muito da dualidade entre a cantora e a rapper de Doja que dá ainda mais corpo para a canção. É fato que Doja Cat é um talento, mas ainda precisa aparar o excesso de problemas que estão em volta da sua carreira.
notas
Kiss Me More: 7
Streets: 8
Gwen, Assim Fica Difícil Te Defender!
Slow Clap/ Slow Clap (feat. Saweetie)
Gwen Stefani
Sempre tento dar um desconto nas resenhas da Gwen Stefani, pois a cantora é dona de um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos, a obra de arte pop Love. Angel. Music. Baby. Entretanto, a cantora não vem ajudando em nada com lançamentos como a desastrosa Slow Clap.
Slow Clap é uma clara tentativa de “imitar” a icônica Hollaback Girl, especialmente devido a versão com a participação da rapper Saweetie que entra no lugar da Eve. A ideia é até boa e a produção consegue até tirar leite de pedra com a batida pop/reaggae, mas a formula criado pelo The Neptunes parece ser recriada da maneira mais sem graça possível e, principalmente, sem o magnetismo da canção “original”. O problema central é, na verdade, a péssima composição sobre resiliência e positividade que parece não querer falar nada com nada e cheia de frases de efeito que não tem o único efeito um risinho amarelo. O pior momento é o terrível refrão e a repetição irritante de “Clap, clap/ Clap, clap, clap, clap/Clap de-clap de-clap clap”. A presença da Saweetie não é ruim, mas não altera em nada a estrutura ou a qualidade da canção. Gwen, querida amiga, se continuar assim não vai dá mais para te defender.
notas
Solo: 5,5
Featuring: 5,5
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