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16 de abril de 2020

2 Por 1 - Frank Ocean

Dear April
Cayendo
Frank Ocean

Desde que começou a sua carreira, Frank Ocean não decepcionou nenhuma vez em seus lançamentos, sendo álbuns, EPs ou canções soltas. E até quando o mesmo parece lançar algo menor, a qualidade ainda é alta como mostra o double single Dear April e Cayendo.

As duas canções levam a marca registrada de Frank Ocean: ótimas produções R&B que são orbitadas por gêneros como indie/pop em uma construção instrumental minimalista, mas com uma força emocional poderosa. Dessa vez, porém, o resultado não bateu tão forte em mim como outros trabalhos do cantor. Acredito que o motivo disso são as composições que não funcionaram como normalmente acontece, especialmente na bilíngue Cayendo. O que não muda, porém, é a performance vocal do cantor. Em Dear April, o cantor entrega uma interpretação delicada, frágil, bela, contida e de uma força emocional inspiradora. Claro, não são nem de perto trabalhos ruins, mas não chegam a serem os melhores da carreira do Frank. E isso já é acima da média.
notas
Dear April: 7,5
Cayendo: 7,5

2 de novembro de 2019

Frank Is Back

DHL
Frank Ocean

Sem precisar necessariamente alcançar grandes vendagens ou hits mundiais, Frank Ocean alcançou um posto dentro da indústria fonográfica que é reservado para poucos, pois qualquer lançamento de alguma música ou mesmo a possibilidade de um álbum já cria um burburinho imenso. E não poderia ser diferente com o lançamento surpresa de DHL.

Provavelmente uma canção "solta" como o cantor tem lançado nos últimos tempos, DHL é um indie R&B/hip hop que não tem a mesma sensibilidade que Frank normalmente demonstra, mas ainda é um trabalho inspirado e de uma construção sonora impressionante. Com uma estrutura nada linear que muda de cadência no meio, DHL parece duas canções que foram fundidas em apenas uma de forma bem equilibrada. Meio áspera nas beiradas e com uma performance de Frank forte e estilizada, a canção é dona de uma composição sobre a sua sexualidade de maneira sóbria e natural. Não é a melhor das suas composições, mas é um trabalho com personalidade e com uma estrutura bem pensada. Ao que parece, DHL é apenas uma das canções que o artista está preparando para ser lançadas. Agora é aguardar ansiosamente.
nota: 8

7 de março de 2018

Reinvenção Clássica

Moon River
Frank Ocean

Alguns artistas tem a capacidade de nos contemplarmos com trabalhos que a gente nem imaginava que precisaria ouvir aquilo até ouvirmos pela primeira vez. Esse é o caso perfeito da sensacional regravação do clássico do cancioneiro estadunidense Moon River pelo Frank Ocean.

Lançada em 1961 como tema do filme Bonequinha de LuxoMoon River foi interpretado originalmente pela lendária atriz Audrey Hepburn e venceu os prêmios de Melhor Canção no Oscar e, também, Gravação e Canção do Ano no Grammy. Desde então,  Moon River virou um dos clássicos do cancioneiro americano, recebendo centenas de regravações. Na sua maior parte, essas regravações foram fieis a versão original ou, no máximo, com algumas modificações. Então, mais de cinquenta anos do seu lançamento, Frank Ocean resolveu dar o seu toque completamente único e a frente do seu tempo para o clássico. 

Nas mãos de Frank, Moon River virou uma surpreendente indie pop que caiu com uma luva na sonoridade do cantor. Usando a simplicidade da sua melodia imortal, o cantor foi capaz de dar uma profundidade que não existia na canção original: melancolia. Sem despir, porém, a canção da sua atmosfera sonhadora e romântica. O resultado final é tão belo que parece que a canção foi feita pelo próprio Frank. Cheio de pequenas nuances ao longo da sua duração, a versão é elevada pela presença quase transcendental dos vocais de Frank que acerta ao usar efeitos em pequenos momentos, deixando a sua encantadora voz aveludada e com timbre tristonho o mais natural possível. Esse pequeno mimo que o Frank Ocean nos presenteou é um verdadeiro afaga para as nossas almas.
nota: 8,5

28 de setembro de 2017

Independente

Provider
Frank Ocean

Nem sempre todas as canções que são gravadas para um álbum entram no corte final. Alguns artistas já chegaram a gravar centenas de canções para depois cortarem para 12 ou 14 faixas. Esse pode ser o caso do Frank Ocean que vem lançando faixa soltas nos últimos tempos depois do lançamento do álbum Blonde. Ou simplesmente o cantor estava inspirado e resolveu lançar Provider simplesmente porque quis. Seja quase for a razão, a canção continua a mostrar todo o imenso do talento do cantor.

Criador exemplar e talentosíssimo de baladas românticas que possuem a capacidade de soarem extremamente descoladas e, ao mesmo tempo, atemporais, Frank Ocean entrega uma das suas melhores composições em Provider ao falar lindamente de um seu possível relacionamento e como esse amor está sendo construindo. Sem medo de falar da sua orientação sexual, Frank sabe como construir as suas metáforas com imagens reais e de uma beleza honesta. Experimentando sonoramente, o cantor faz de Provider uma ótima mistura de R&B experimental com música eletrônica e jazz, mas que, assim como no segundo álbum, parece menos brilhante que as canções lançadas mais no começo da carreira dele. Isso não impede que Provider seja uma música sensacional e muito melhor que a maioria daquelas que estão nas paradas, ficando com o titulo de uma das melhores canções do ano que você não deve ter escutado.
nota: 8

30 de julho de 2013

A Vida Cara Segundo Ocean

Super Rich Kids (feat. Earl Sweatshirt)
Frank Ocean


Falar da qualidade de qualquer faixa do álbum channel ORANGE do Frank Ocean é basicamente chover no molhado. Contudo, não há como fugir da "responsabilidade" de resenha uma obra tão poderosa como
Super Rich Kids.

Quinto single do álbum, a canção é uma critica avassaladora sobre o modo de vida dos "filhos das pessoas ricas". Usando um  humor ácido, honesto e de com um toque sombrio Frank consegue entregar uma composição de uma genialidade ímpar de sem comparações com o atual cenário musical. Uma versão moderna do Stevie Wonder. A simples e linear performance de Frank dá a atmosfera necessária para a canção soar deliberadamente uma critica bem contundente e poderosa: como um jovem rico que tem tudo, mas se entedia tão rapidamente com essas mesmas coisas e ainda sempre com um ar blasé. A participação inesperada do rapper Earl Sweatshirt ajuda a colocar a cereja em cima do bolo. Como a deliciosa cobertura de Super Rich Kids está a produção genial que pega sample das músicas Bennie And The Jets do Elton John e Real Love da Mary J. Blige para fazer um arranjo espetacular misturando uma base old school com sua visão do que é o R&B para ele. Simplesmente um clássico moderno.
nota: 10

19 de julho de 2012

O Poder do Simples

Thinkin Bout You
Frank Ocean

Uma canção grandiosa não precisa ser "épica". Claro, quanto mais requinte na hora de elaborar melhor. Contudo, uma produção minimalista pode resultar em uma canção genial com o primeiro single de channel ORANGE, a sensacional Thinkin Bout You.

Frank Ocean constrói um R&B minimalista, mas de um poder assustador. Thinkin Bout You fala sobre a dor de quando a pessoa que a gente ama não corresponde a esse sentimento. A dor da rejeição impressa na canção é um sentimento tão poderoso que a forma magistral que Frank fez uma composição atemporal capaz de se comunicar com qualquer pessoa de diferentes raças, crenças, sexos, sexualidades, idades. Aqui vemos ele se declarar no primeiro verso ainda meio sem jeito, no segundo ele tenta não transparecer a importância desse sentimento o transformando em algo mais carnal e por fim deixando se levar abrindo o coração de maneira mais aberta imaginável. Porém, a composição vai bem mais longe quando se lê nas entrelinhas. A canção fala sobre o primeiro amor de Frank e no terceiro - e melhor verso - vemos mais claramente:


"Sim, claro
Eu me lembro, como eu poderia esquecer?
Como você se sente?
E se você fosse minha primeira vez
Um novo sentimento
Ele nunca vai ficar velho, não na minha alma
Não em meu espírito, mantenha vivo
Vamos por este caminho
Até que mude a cor para preto e branco
"


Frank conduz a música de maneira cativante com os vocais em estado de perfeição lembrando certos momentos o Price com o seu falseto brilhantemente colocado nos momentos certos e buscando uma interpretação mais "forte" para balancear tudo. A produção da canção se foca em construir uma delicada, simples e sensacional obra de instrumentalização impressionante devido ao seu minimalismo sonoro quando na verdade se mostra bem complexo. Só que é preciso prestar muita atenção deixando de lado o resto da canção. Só que o casamento entre todas as parte envolvidas cria uma sensação de plenitude arrebatadora. Em outras palavras: simple is the new black.
nota: 9,5

O Poder do Grandioso

Pyramids
Frank Ocean


Se de um lado Frank consegue ser genial precisando de pouco do outro ele ultrapassa as barreiras do convencional para fazer a magnífica Pyramids.

Com quase dez minutos de duração, Frank coloca a arte acima do comercial em uma produção avassaladora. A viagem psicodélica entre sonoridades, ritmos, instrumentos, batidas, texturas, cadências alternando do R&B passado pelo pop e o eletrônico mostra a genialidade de um cara em saber como elevar sua arte em outros níveis. Tudo terminando em um solo (não creditado) de guitarra de John Mayer em estado de inspiração pura. A composição é o paraíso para qualquer compositor talentoso. A epopéia sobre um "cafetão" se apaixonando por sua "agenciada" mistura elementos fantásticos associando a amada a Cleópatra e strip clubs com pirâmides. Um delírio milimetricamente fantasioso e arrebatador que envolve em uma narrativa soberda e visceral. Como em um drama, Frank carrega em um performance contida e ao mesmo tempo com uma carga emocional descomunal em sua voz. Algo tão forte que é quase tocável. Frack chega na barreira entre ficar acima do bem e do mal. Se o céu não tem essa trilha, o paraíso deve ser bem chato.
nota: 10

O Poder de Ser Genial

Sweet Life
Frank Ocean

Quando você sabe o tamanho do talento de um artista é quando ele faz uma música que poderia muito bem entrar no disco de lendas da música e mesmo assim a canção tem a personalidade do artista.

Sweet Life, escolhido como terceiro single do channel ORANGE, em uma vibe soul/jazz/Stevie Wonder nos anos setenta que faz qualquer um querer levantar da cadeira e swingar com a batida contagiante. A construção refinada do arranjo com uma instrumentalização perfeita transparece o cuidado da produção em criar uma obra acima do excepcional. E por falar em produção: quem assina, ao lado de Frank, é o produtor/rapper Pharrell Williams subindo mais uns quarenta passos na corrida de "melhor produtor do ano" juntando ao trabalho com Usher e Adam Lambert. Frank tem o desempenho impecável enquanto a critica sobre o lado negro de Beverly Hills é um soco no estômago, mas de forma irônica e poética o que deixa ainda mais pungente. Outro momento genial de um trabalho genial. Valeu Frank!
nota: 9,5