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21 de junho de 2022

Saudades

Through The Echoes / Lose It
Paolo Nutini


Sem lançar nada novo desde 2014 com o sensacional Caustic Love, o escocês Paolo Nutini está de volta com os preparativos para o álbum Last Night in the Bittersweet. Como primeiros singles foram lançadas as ótimas Through The Echoes e Lose It. Dono de uma das minhas músicas preferidas da década passada em Iron Sky, o musico mostra novamente o seu talento de emocionar verdadeiramente com a capacidade de criar atmosferas densas de sentimentos. E o ponto alto é poderosa Through The Echoes.

O grande trunfo da canção é a presença espetacular de Paolo. Dono de uma voz potente e rouca, o cantor sabe dosar lindamente os momentos de contemplação com os momentos estouros para conseguir entregar todas as nuances da canção para no seu final deixar a emoção falar de maneira irrestrita e na medida certa, construindo uma slow burn edificante e realmente tocante. Essa característica casa perfeitamente com a poderosa composição sobre as diferenças entre duas pessoas em um relacionamento e como isso é capaz de salvar quem se ama. A ótima produção entrega uma indie rock/folk com toques de soul que consegue emoldurar todos os sentimentos da canção de maneira fluida. Em Lose It, porém, o cantor segue o caminho de colocar a estética na frente do conteúdo e, mesmo assim, ainda entrega uma ótima música.

A canção é claramente influenciada pelo rock dos anos setenta com um foco em uma guitarra marcante e a criação de uma atmosfera bastante claustrofóbica e pesada, mas sem perder o foco de uma produção refinada. Explorando esse lado novo, Paolo Nutini se mostra versátil e capaz de se modelar facilmente em canções menos explosivas e bem mais climáticas que emocionais. Vocalmente, a canção usa um efeito para deixar a voz do cantor off, mas, felizmente, isso é uma textura bem pensada para elevar ainda mais a magnética, pesada e certeira performance do cantor. E mesmo que Lose It tenha mais destaque pela sua produção, a composição é um outro trabalho inspirado ao retratar as ansiedades e angustias de Paolo de forma honesta e fácil de se identificar. E com esse começo promissor, Paolo Nutini promete entregar um sucessor a altura do álbum anterior e comeback merecedor de esperar oito anos de hiato.
notas
Through The Echoes: 8,5
Lose It: 8,5

18 de outubro de 2014

O Genial Paolo

Iron Sky
Paolo Nutini


Vivemos em uma sociedade em que cultuamos uma falsa liberdade. Enquanto vivemos a mais avançada era da tecnologia em todos os sentidos, somos, ao mesmo tempo, colocados em um circulo de ódio, segregação e desrespeito quando dos diretos básicos de todas as pessoas são colocados de lado em detrimento dos desejos de alguns líderes sociais, culturais e políticos. E, por isso, músicas como Iron Sky de Paolo Nutini ainda são necessárias para lembrar que ainda vivemos em uma sociedade longe da perfeição.

Iron Sky resgata a tradição de usar a música como forma de protesto e que não quase estranheza vindo de Paolo, pois a sua sonoridade é retirada dos soul/rock que se fazia durante os anos sessenta e setenta em que se proliferou canções com o intuito de contestar a sociedade. Porém, nada nos prepara para o "tour de force" em que Paolo nos leva em Iron Sky. O extraordinário arranjo se transforma em uma especie de mantra poderoso que consegue carregar a consciência de quem ouve em uma viagem acachapante ao arrancar os sentimentos mais viscerais. Não há como não ouvir a canção e não sair mexido em todos os sentidos. Não bastasse a excelência do arranjo, Paolo entrega a performance da sua vida usando todas as qualidade da sua voz para simplesmente ser o grito de quem clama por uma vida melhor. Finalmente, a composição não precisa escolher um alvo especifico para ser um trabalho simplesmente genial ao afirmar que o poder ainda está nas mãos do povo e, apenas ele, tem a capacidade de se erguer contra o "mal" que os domina. Apesar de uma qualidade inigualável, Iron Sky só tem o impacto tão fulminante que possui devido ao uso de um pedaço do discurso feito por Charlie Chaplin em O Grande Ditador colocado estrategicamente antes do "clímax" final. O poder emocional que essa escolha traz é algo avassalador em todos os sentidos e faz a gente abrir os olhos para o quanto não evoluímos em mais de setenta anos quando o filme foi lançado. Iron Sky ainda se faz necessário em um mundo que precisa mudar a partir da revolução pessoal de cada um.
nota: 10

10 de outubro de 2014

O Bom Paolo

Let Me Down Easy
Paolo Nutini


Para quem acompanha o blog sabe que esse ano um dos melhores álbuns que passou por aqui foi Caustic Love do inglês Paolo Nutini. Então, não é de se estranhar a resenha que vem a seguir do seu último single lançado, a ótima Let Me Down Easy.

Let Me Down Easy é um funk rock delicioso sobre a difícil arte de amar. A produção busca inspiração na sonoridade dos anos sessenta/setenta e podemos ouvir nitidamente na ótima instrumentalização e na atmosfera transmitida. Um dos acertos da canção é a alternância dos vocais de Paolo com o sample da canção de mesmo nome cantada por Betty LaVette que é usado como refrão da canção. Essa escolha dá um toque atemporal para a nova canção ajudada pela "química" inesperada entre Paolo e Betty. Let Me Down Easy é uma ótima canção, mas não é ainda é o melhor do cantor. Fica para a próxima resenha.
nota: 8,5

19 de maio de 2014

Aleluia, Irmãos!

Scream (Funk My Life Up)
Paolo Nutini

É um pouquinho mais de três minutos de canção, mas quando você chegar ao final de Scream (Funk My
Life Up), primeiro single de Caustic Love do Paolo Nutini, vai querer glorificar de pé.

Scream (Funk My Life Up) fala sobre a mulher mais sensacional que o narrador conheceu e que faz ele pedir por misericórdia. Tratando o assunto de maneira sexy e sexual, mas sem transformar a mulher em apenas um objeto, Paolo entrega um trabalho revigorante e com uma áurea completamente original. A batida é outro momento de pura genialidade: com forte influência do funk, Paolo Nutini faz um soul rock contagiosamente genial e com uma batida deliciosa que dá vontade de dançar como se fosse 1965. Contudo, o que coloca a cereja em cima do bolo é o próprio Paolo e sua voz rouca e encorpada que é tão "quente" e  saborosa como chocolate derretido. Glorificando aqui já faz tempo! Amém?
nota: 9,5