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11 de dezembro de 2022

Uma Canção Simples de Amor

All I Need To Hear
The 1975

A mudança na sonoridade do The 1975 foi responsável para que a banda entregasse a sua mais simples canção romântica até o momento: All I Need To Hear. E isso não é nenhum problema.

A base de piano e instrumentalmente contido, All I Need To Hear é de uma simplicidade comovente que toca fundo de maneira natural e genuína. Com toques de soul, o single é uma delicada indie pop/pop rock que deixa bem clara que por trás de toda a fumaça e espelho existe uma banda classuda e capaz de sustentar de forma competente uma canção que poderia deixar exposto seus defeitos facilmente. A performance sensível de Matty Healy é cereja em cima do bolo, mas não pense que All I Need To Hear ainda não tenha o toque divisível da banda, se mostrando-se em vários momentos na ótima composição. E assim o The 1975 fez a canção romântica que a gente nunca esperaria que seriam capaz.
nota: 8

30 de agosto de 2022

Fofo Dançante

Happiness
The 1975


O lançamento de Being Funny in a Foreign Language parece que vai marcar a transição da sonoridade do The 1975 ou um ponto fora da curva como deixa claro a carismática Happiness.

Segundo single do álbum, a canção é uma fofíssima, leve, dançante e climática mistura de synth-pop, funk e pop rock que mostra um lado menos pomposo da banda para dar lugar a versão despretensiosa. Apesar de não um trabalho memorável, Happiness tem personalidade suficiente para se destacar dentro da discografia da banda, especialmente devido a sua sensacional instrumentalização que alcança o ápice na parte final em que tem espaço para brilhar sozinha. E aqui está o único problema da canção é a sua boa, mas levemente pasteurizada composição que não entrega o suficiente para poder estar altura da ótima produção. Isso não impede que Happiness seja uma canção que faça a gente ficar realmente feliz.
nota: 8


5 de agosto de 2022

Uma Esquisitice Adorável

Part of the Band
The 1975


O The 1975 é provavelmente a banda mais interessantes surgidas na última década ao não ser para todos os gostos, mas atraindo uma legião de fãs apaixonados. Preparando o lançamento do quinto álbum (Being Funny in a Foreign Language), a banda está passando por um momento de mudança como parece mostrar o single Part of the Band.

Provavelmente a canção mais diferente deles até o momento, o single é uma mistura esquisita, mas bem construída e surpreendente de indie rock, folk pop e toques de art pop que gera um resultado inesperado e realmente refrescante para a sonoridade da banda. Ao contrário da pomposidade das canções que estamos acostumados vindo da banda, a canção apresenta uma aspereza e uma certa economia instrumental que consegue criar uma expectativa bem diferente para o álbum. O vocalista Matthew Healy se adapta ao estilo da canção de maneira natural e entrega uma performance inspirada e com nuances. O único problema da canção é a sua composição confusa sobre sentido e pretenciosa, mas cheia de ótimas passagens como, por exemplo, “And I fell in love with a boy, it was kinda lamê/ I was Rimbaud and he was Paul Verlaine”. Part of the Band ainda não será a canção que irá unir todas as tribos para amar o The !975, mas deve fazer quem gosta aumentar o hype pelo novo álbum.
nota: 8

17 de abril de 2021

Entre Lá e Cá

Spinning
No Rome, Charli XCX & The 1975


Quando vi que tinha sido lançado uma canção que tinha a participação da Charli XCX e da banda The 1975 fiquei realmente excitando sobre qual seria o resultado dessa união. Ao ouvir Spinning que é, na verdade, do DJ No Rome com participação dos dois citados fiquei realmente dividido.

Spinning não é uma música ruim, mas passa bem longe de ser o que a minha mente pensou que seria uma canção com a presença de Charli XCX e o The 1975. Todavia, a canção também não é algo que eu não pensaria que seria o resultado da união de um DJ de indietronica, uma cantora indie pop/electropop e uma banda de synth-pop/indie rock. Spinning é uma bem modelada EDM/dance-pop que consegue mostrar as personalidades de todos os envolvidos, mas sem dar um passo adiante para entregar algo realmente poderoso. Simpática e dançante, a canção também poderia dar mais chances para Charli e o The 1975 terem mais destaque e não terminarem de forma bagunçada em um refrão final quase esquizofrênico de cacofonias de todos os lados. Esse final, porém, também dá certa liga para canção não terminar sendo linear demais, pois injeta um clímax verdadeiro. Confusa e divertida, Spinning termina no meio do caminho entre a bomba e a genialidade.
nota: 7

18 de maio de 2020

O Ano é De 1975

If You’re Too Shy (Let Me Know)
The 1975

Firmando-se como um dos maiores nomes de 2020, The 1975 lança mais outro grande acerto do álbum Notes On a Conditional Form com a oitentista e sensacional If You’re Too Shy (Let Me Know).

Completamente diferente de todas as canções lançadas até agora, If You’re Too Shy (Let Me Know) é uma nostálgica, inspirada e deliciosa pop rock com toques fortes de new wave que nos transporta diretamente para uma trilha de um filme dos John Hughes lançado na metade dos anos oitenta. É como se estivéssemos ouvindo o single dentro de maquina do tempo, caindo em um quarto de uma adolescente ouvindo a canção em seu novos toca fitas. Tirando as referências sobre tecnologia moderna, a composição da canção narra uma típica, clichê e ainda extremamente eficiente historia de amor teen em que garoto tímido se apaixona por garota descolada e vivem "tremendas aventuras". Sem em nenhum momento ter cheiro de naftalina,  If You’re Too Shy (Let Me Know) apenas consolida o The 1975 como sendo donos e proprietários do ano. Espero que o álbum seja assim por inteiro, pois se não seria um verdadeiro banho de água fria.
nota: 8,5

14 de abril de 2020

Um Momento Genial

Jesus Christ 2005 God Bless America
The 1975 & Phoebe Bridgers

Pode ser o momento em que vivemos ou mesmo um sentimento de identificação, mas ouvir Jesus Christ 2005 God Bless America foi um verdadeiro choque emocional. Algo que já fazia um tempo que não acontecia e que não tinha a esperança de sentir esse ano.

Jesus Christ 2005 God Bless America, nome extremamente curioso e significativo para a canção, não tem nada de revolucionário em sua construção, pois o seu cerne é de indie rock/folk com uma base simples de violão que a transforma em uma canção contida e melancólica. Mesmo assim, o efeito que causa é de um verdadeiro soco no estômago. Primeiramente, a canção tem uma composição avassaladora sobre se sentir deslocado do resto de mundo devido a sua condição sexual. Ao narrar uma crise existencial de uma pessoa tem que lidar com sentimentos que vão contra o que a sociedade a sua volta diz ser errado, especialmente em relação a religião e os seus dogmas. Com uma impressionante simples composição, Jesus Christ 2005 God Bless America entrega uma profunda, complexa e tocante letra que emociona verdadeiramente e deixa uma marca profunda em quem ouve. O ponto alto da canção, porém, são as interpretações do vocalista Matty Healy que com a magistral participação de Phoebe Bridgers que sem precisarem de muito conseguem emanar toda as emoções expostas na composição. E é assim que surge um momento genial.
nota: 8,5

8 de fevereiro de 2020

De Volta ao Passado

Me & You Together Song
The 1975

Continuando a divulgação do novo álbum, a banda The 1975 está demonstrando que pode entregar o seu melhor trabalho até o momento. E se isso não se concretizar, ao menos será o álbum mais surpreendente deles como deixa claro a simpática Me & You Together Song.

Depois de entregar singles que foram do electropop ao punk, a banda faz do novo single uma nostálgica mistura de indie pop com dream pop e britpop que remete diretamente a uma sonoridade dos anos noventa de bandas de rock contemporâneo. E é dessa nostalgia que Me & You Together Song consegue sustentar a canção, criando um trabalho fofo, divertido e com uma pitada de cafona. A composição também é outro acerto ao ser romântica e, ao mesmo tempos, descolada e com uma doce pitada de ironia. O único problema na canção é a produção vocal que deixa o instrumental mais alto, criando um ruído um pouco irritante. Mesmo assim, Me & You Together é uma deliciosa volta ao passado deliciosa, ajudando ao aumentar a expectativa pelo álbum do The 1975.
nota: 7,5

27 de setembro de 2019

Plot Twist

People
The 1975

Um artista resolver mudar a sua sonoridade pode ser algo bom, mas é preciso sabedoria para mudar sem parece algo desesperado ou artificial. Felizmente, esse não é o caso da banda The 1975 que surpreende com o lançamento de People.

Normalmente conhecidos pela sonoridade electropop/indie pop/rock, a banda britânica tem em People a sua canção mais diferente da carreira ao lançar uma dance punk/punk rock. Surpreende ao extremo, a canção poderia ser uma tentativa desesperada de mudar a sonoridade da banda, errando miseravelmente em todos os requisitos. Isso, felizmente, passa longe de ser a realidade, pois People é eletrizante, bem construída e orgânica faixa que resulta em um trabalho realmente orgânico para o The 1975. Lembrando a urgência dos trabalhos do Green Day em seu ápice, People é uma cortante, ácida e inteligente reflexão sobre a geração millennial que ajuda a dar uma ideia sobre como deve ser o álbum Notes on a Conditional Form. Ainda é cedo, todavia, para afirmar se o álbum em si irá seguir a mesma pegada de People ou irá flertar com outros gêneros ou a canção foi apenas uma curva fora da reta, mas a mesma cria uma ótima expectativa para a gente descobrir. Aguardemos.
nota: 8