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6 de outubro de 2026

Too Cool For Oscar

On Video
Phoebe Bridgers


Em uma corrida para o Oscar de Melhor Canção que pode fazer história, eis que surge uma azarona: Phoebe Bridgers. A canção que pode fazê-la chegar para disputar uma estatueta é a interessante On Video.

Tema do filme Primetime, em que a cantora faz o debut como atriz, a canção tem toda a atmosfera que pode até conseguir chegar a ter uma indicação, mas é tão descolada que nunca terá chance de vencer. E, sinceramente, isso é uma pena, pois o trabalho é um pungente, distinto e inspirado indie rock/post-punk que consegue captar toda a atmosfera do filme e, ao mesmo tempo, ter plenamente todas as qualidades da persona da artista.

Sombria e cortante, On Video não é sonoramente algo genial, especialmente comparando com outros trabalhos de Phoebe, mas é tão distinta e perfeita para ser o tema de um filme tão peculiar como é Primetime. Além disso, a excepcional composição é um trabalho de uma inteligência grandíssima ao se conectar com o filme de maneira nada clichê e totalmente original, o que faz a sua mensagem ainda mais poderosa. E essa também é a percepção sobre a grandiosa performance da Phoebe, que entrega uma emoção sóbria e desconcertante.

Acredito que, caso consiga, a indicação vai ser a vitória, mas quem sabe não exista um milagre aí no caminho?
nota: 8

2 de julho de 2026

A Volta de Uma Outra Querida

Lost Boys
Phoebe Bridgers


Depois de um hiato de seis anos em sua carreira solo, a Phoebe Bridgers está de volta para lançar o seu terceiro álbum, intitulado Lost Weekend. Como primeira canção, foi lançada a confortável Lost Boys.

O single é o tipo de canção que a gente logo liga à artista, pois tem o seu DNA impregnado do começo ao fim. E o que poderia ser um problema, se essa qualidade refletisse a não evolução da artista, não tem o mesmo efeito devido à qualidade alta da canção. A sua melhor qualidade é a competente, cativante e cativante melodia que mistura bem indie pop/rock com folk rock em uma canção que consegue ser autoral e, ao mesmo tempo, ser de fácil apelo para os mais variados públicos. Gosto, principalmente, do seu clímax final, pois é onde a canção realmente alcança todo o seu potencial instrumental e fecha bem com um raro fade-in.

Liricamente, Bridgers e seus colaboradores acertam o tom nessa crônica sobre amadurecer e se sentir deslocado do resto do mundo, mesmo tendo, de partida, uma metáfora meio batida ao comparar a canção com a história de Peter Pan. A canção também apresenta outra inspirada performance da cantora, entregando perfeitamente o que se espera. E é exatamente isso que Lost Boys transmite ao ser mais um trabalho competente da Phoebe Bridgers.
nota: 8

19 de abril de 2022

Uma Joia Chamada Phoebe

sidelines
Phoebe Bridgers

Existem artistas que possuem um talento tão precioso que dá vontade de guardar em uma caixinha para que seja protegido de todo o mal que pode acontecer. Apesar de ser piegas, a sensação é que tenho ao ouvir a Phoebe Bridgers na recém lançada sidelines.

Música que faz parte da trilha da série Conversations with Friends, sidelines é uma tocante indie pop/folk que conversa bem com a incrível sonoridade apresentada da cantora nos seus últimos trabalhos. Entretanto, a canção mostra um lado mais otimista da lírica da cantora ao ser uma declaração de amor. Phoebe encaminha para essa constatação de maneira incrivelmente dramática, pois afirma que até conhecer a pessoa não tinha medo de nada e, agora, teme devido ao fato da possibilidade de perder. Apesar de ser uma temática batida, Phoebe constrói uma letra tão inteligente e inspirada que parece algo completamente inovador e único. A produção, porém, é o grande acerto de sidelines que vai aos poucos adicionando camadas para conseguir chegar ao clímax de forma robusta para que seja mostrado a força emocional da canção perfeitamente e sem fazer a gente realmente esperar por essa pungência final. E isso torna maior a vontade de guardar a Phoebe Bridgers em potinho para que a mesma não perca essa capacidade de emocionar de maneira tão natural.
nota: 8,5

19 de outubro de 2021

2 Por 1 - Rina & Phoebe

Enter Sandman
Rina Sawayama

Nothing Else Matters
Phoebe Bridgers

Devo admitir: nunca tinha ouvido uma música do Metallica. Provavelmente, devo ter escutado partes aqui e ali, mas parar para ouvir não lembro realmente de ter feito. Todavia, devo admitir que vou mudar essa história devido aos ótimos covers feitos pela Rina Sawayama e pela Phoebe Bridgers.

Parte do álbum comemorativo The Metallica Blacklist que celebra o álbum de maior sucesso da banda intitulado apenas Metallica (conhecido como The Black Album) de 1991, as regravações de ambas artistas são apenas algumas das várias versões de cinquenta e três artistas para as faixas do álbum. E mesmo mergulhadas em uma profusão de artistas e estilos, ambas ganham destaque fácil devido a qualidade de suas versões. Especialmente a ótima Enter Sandman pela Rina Sawayama. Para quem ouviu o seu álbum debut sabe que a britânica é uma artista versátil a ponto de ir do pop comercial ao metal com uma facilidade incrível. E aqui a cantora prova que é capaz se segurar esse tipo de canção de maneira natural e completamente adaptada vocalmente e emocionalmente. Rina consegue manter o espirito da canção original e adicional uma tonelada de personalidade na batida frenética e épica de Enter Sandman. Enquanto isso, Phoebe Bridgers empresta a sua delicadeza melancólica para dar sentimentalismo puro para Nothing Else Matters. Acredito que a aspereza do Metallica pode perder certa força na visão da jovem cantora, mas é repensado pela atmosfera lindamente construída que fica soando como o tema de um conto de fadas sombrio. Acredito que uma das maneiras de um artista mostrar que o seu legado é imortal é manter a sua força mesmo em versões de artistas completamente diferentes da sua essência. E isso é o que acontece com o Metallica.
notas
Enter Sandman: 8
Nothing Else Matters: 8


20 de abril de 2020

Pequena Grande Canção

Kyoto
Phoebe Bridgers

Quase que vinda do nada, a cantora Phoebe Bridgers vai se tornando um nome importante para a música em 2020. Depois de dois singles inspiradíssimos, um solo e outro em parceria, a cantora lançou a também interessante Kyoto.

Apesar de não ter a mesma força dramática distinta de Garden Song, o single é uma slow burn que tem o seu impacto nos pequenos detalhes. Uma falsa alegrinha indie rock com uma relevante influência do rock dos anos sessenta que escode um significado bem mais profundo que se deixa transparecer. Não que isso interfira no resultado, pois, além da instrumentalização muito bem feita, o antagonismo entre conteúdo e estética ajuda a dar importância para Kyoto. Ao falar sobre se decepcionar com alguém que gosta, Phoebe entrega uma composição descolada, mais profunda que as aparências e cheias de ótimas passagens, como por exemplo:

You called me from a payphone
They still got payphones
It costs a dollar a minute
To tell me you're getting sober
And you wrote me a letter
But I don't have to read it

E 2020 é realmente o ano mas estranho que vivemos.
nota: 8

14 de abril de 2020

Um Momento Genial

Jesus Christ 2005 God Bless America
The 1975 & Phoebe Bridgers

Pode ser o momento em que vivemos ou mesmo um sentimento de identificação, mas ouvir Jesus Christ 2005 God Bless America foi um verdadeiro choque emocional. Algo que já fazia um tempo que não acontecia e que não tinha a esperança de sentir esse ano.

Jesus Christ 2005 God Bless America, nome extremamente curioso e significativo para a canção, não tem nada de revolucionário em sua construção, pois o seu cerne é de indie rock/folk com uma base simples de violão que a transforma em uma canção contida e melancólica. Mesmo assim, o efeito que causa é de um verdadeiro soco no estômago. Primeiramente, a canção tem uma composição avassaladora sobre se sentir deslocado do resto de mundo devido a sua condição sexual. Ao narrar uma crise existencial de uma pessoa tem que lidar com sentimentos que vão contra o que a sociedade a sua volta diz ser errado, especialmente em relação a religião e os seus dogmas. Com uma impressionante simples composição, Jesus Christ 2005 God Bless America entrega uma profunda, complexa e tocante letra que emociona verdadeiramente e deixa uma marca profunda em quem ouve. O ponto alto da canção, porém, são as interpretações do vocalista Matty Healy que com a magistral participação de Phoebe Bridgers que sem precisarem de muito conseguem emanar toda as emoções expostas na composição. E é assim que surge um momento genial.
nota: 8,5

15 de março de 2020

A Bela Tristeza

Garden Song
Phoebe Bridgers

Acredito que já tenha discutido esse tema algumas vezes aqui no blog, mas nunca é demais repetir: músicas são feita para expressar sentimentos dos artistas e de quem as escuta. Apesar de vivermos em uma época que parece que as pessoas estão em uma constante tentativa de parecer ser felizes através das redes sociais é imprescindível a gente se poder deixar sentir alguns sentimentos não tão bons como, por exemplo, a tristeza e a melancolia. Isso serve para poder entender e extravasar o que realmente estamos sentido. E nada melhor que uma boa música para nos conectar com esses sentimentos como é o caso da bela Garden Song da cantora Phoebe Bridgers.

Apesar de ter apenas vinte e cinco anos, Phoebe Bridgers já é considerada como uma verdadeira força no meio indie, recebendo aclamação critica do seu primeiro álbum, Stranger in the Alps de 2017. Preparando o seu segundo álbum, a cantora lançou a melancólica Garden Song, mas não espere, porém, uma canção que seja facilmente emocionante. Dona de uma voz delicada e com um timbre angelical, a cantora entrega uma performance sutil que, em uma "ouvida" superficial. parece emanar uma felicidade contida. Todavia, a mesma escode uma coleção de sentimentos bem mais complexa que consegue exprimir o sentido profundo da sua composição. Garden Song é sobre a dor de crescer e deixar o que já conhecemos na nossa juventude para trás, sendo as coisas boas e as ruins. É um processo natural que todos passam, mas é visto de uma maneira adulta, crua e desconcertantemente honesta por Phoebe que exprime de maneira única todos esse sentimento tão comum e, ao mesmo tempo, tão complicado. Sem recorrer a um produção que facilmente poderia gerar lágrimas, Phoebe Bridgers faz de Garden Song uma simpática e doce indie rock que soa como o mar calmo antes da tempestade. É triste, mas é de certa forma reconfortante poder ser capaz de sentir emoções tão importantes em apenas três minutos e quarenta segundos. 
nota: 8,5