7 de setembro de 2025

Primeira Impressão

BLACK STAR
Amaarae



Funk Pop

Girlie-Pop!
Amaarae

Mesmo não sendo uma das melhores canções de Black Star, Girlie-Pop! mostra toda a reverência e o respeito que a produção dá ao uso do funk na construção da sonoridade da Amaarae.

E a maior delas é ter convidado nomes brasileiros e com experiência para coproduzir a canção: a dupla Deepakz e o produtor Maffalda. Isso não apenas confere originalidade à faixa, como também injeta personalidade verdadeira no uso do gênero. O resultado de Girlie-Pop! não é exatamente ousado, pois parece seguir certa cartilha sobre a introdução do funk a outros gêneros, como o dancehall, house e electropop. Todavia, existe um claro refinamento para que o resultado seja divertidíssimo e carregue a personalidade única da cantora e do álbum. O problema da canção é que, com apenas dois minutos, não há tempo para que a batida estilizada realmente exploda de uma maneira que a eleve a um novo patamar, deixando um gosto de quero muito mais da faixa. De qualquer forma, Girlie-Pop! é um exemplo ideal e perfeito para o futuro do funk no pop mundial. Que assim seja!
nota: 8



Primeira Impressão

Man's Best Friend
Sabrina Carpenter



A Evolução Urias

Deus
Urias & Criolo


Começando a divulgação do seu próximo álbum (CARRANCA), Urias lança como primeiro single a sensacional Deus, ao lado de Criolo, mostrando que sua nova era promete ser a sua elevação artística definitiva.

Já com uma sólida discografia, a cantora dá aqui um passo importante e nítido para chegar a um patamar ainda mais alto. Isso se deve à incrível construção da canção, que consegue ser a continuação do que ela mesma já entregou e, ao mesmo tempo, uma versão mais madura e refinada, resultando em uma estilosa, potente, única e magistral mistura de art pop, afrobeats, post-industrial, hip hop, latin pop, hard rap e música tradicional brasileira. Esse caldeirão poderia facilmente ter dado errado, mas, felizmente, Deus tem uma produção que não apenas liga perfeitamente os pontos como também funde todas essas influências de maneira irretocável e, em diversos momentos, sinceramente brilhante.

Os dois principais momentos ficam por conta do uso inteligentíssimo do sample de Soca Pilão, da lendária Inezita Barroso, que dá a excêntrica e marcante base da canção, e da quebra de expectativa com a ponte entoada em um instrumental acústico por Urias. É interessante notar que, na verdade, Deus poderia ser uma canção com ainda mais substância, já que sua sólida base “aguentaria” novas camadas sem perder qualidade ou soar excessiva. Mesmo sem alcançar grandes notas, Urias entrega uma performance avassaladora, sabendo usar seus atributos da melhor maneira possível e ainda demonstrando uma versatilidade ímpar.

A participação de Criolo poderia ser mais substancial, mas sua presença ainda é outro ponto auspicioso para a canção. Liricamente, a faixa é forte, urgente e ácida ao abordar o apagamento da cultura e religião dos povos africanos durante o período colonial — ainda que pudesse ser, tecnicamente, mais refinada em certos momentos. Todavia, esses pequenos problemas não impedem que Deus seja, com todo louvor, uma das melhores canções brasileiras de 2025.
nota: 8,5

O Single Filler

The Dead Dance
Lady Gaga


Com a já vitoriosa era Mayhem, Gaga lança a versão deluxe do álbum, tendo como single The Dead Dance. Uma canção que é claramente um ótimo filler, mas não tem força para ser single.

Tema da nova temporada da série Wandinha, em que a cantora faz uma participação, a canção segue à risca a cartilha do álbum ao ser uma vistosa, estilizada e dançante synth-pop com influências de nu-disco, dark pop e electropop. A faixa tem todos os elementos dos melhores momentos do lançamento original, mas, infelizmente, fica alguns passos atrás por carregar com mais força essa áurea de ser um filler de qualidade — mas ainda assim um filler.

O principal problema de The Dead Dance é a sua construção depois da abertura. Os primeiros versos são rodeados por uma sonoridade mais densa e sombria, fazendo a gente acreditar que o resto da canção seguirá nesse mesmo caminho, aumentando apenas a grandiosidade. Todavia, o que se segue é a transformação da batida em algo mais rápido, ligeiro e menos impactante, especialmente no morninho refrão. Além disso, a composição também deixa a desejar em sua segunda parte, com um segundo verso de apenas duas linhas. E olha que, tematicamente, a canção poderia estar a par de Abracadabra.

O que se mantém intacto é a performance sempre sólida de Gaga, que injeta personalidade quando a canção vacila. É uma faixa que poderia ser melhor finalizada, mas é um filler com qualidade indiscutível — só não funciona como single.
nota: 7,5