30 de maio de 2021

Primeira Impressão

Chemtrails Over the Country Club
Lana Del Rey

Um Lapso

White Dress
Lana Del Rey


White Dress, terceiro single de Chemtrails over the Country Club, é um verdadeiro lapso dentro da discografia recente da Lana Del Rey. Completamente diferente da maioria das canções lançadas pela cantora, o single deixa claro que uma pitada de pimenta pode elevar todo um material.

A grande qualidade da canção é a performance vocal avassaladora de Lana. Ao trabalha em um registro agudo da sua voz por quase toda a duração da música, a cantora entrega uma performance de uma carga emocional pesadíssima. Essa ousadia é o tipo de toque que Lana precisaria para sempre soar refrescante sem alterar de fato a sua consagrada persona artística. Entretanto, White Dress não funciona apenas devido a presença da cantora, pois a produção acerta ao adicionar um verniz de americana na já sólida sonoridade indie rock/pop. Uma pena que a canção parece como um acerto quase solitário dentro de um amontoado de canções que seguem uma formula preestabelecida.
nota: 8

29 de maio de 2021

Metamorfose Ambulante

t r a n s p a r e n t s o u l  (feat. Travis Barker)
Willow

Desde que fez a sua estreia meteórica aos nove anos de idade com o sucesso Whip My Hair, Willow Smith vem se transformando em uma artista multifacetada e extremamente corajosa ao navegar por diversas facetas sonoras. Dessa vez, a cantora mostra o seu roqueira com a boa t r a n s p a r e n t s o u l, estilização de Transparent Soul.

A canção é melhor que poderia ser imaginada, apesar de alguns defeitos. Entregando um rock mais tradicional misturado como punk e pop, a cantora se mostra uma camaleoa ao segurar graciosamente os vocais e entregar personalidade suficiente, lembrando até mesmo os áureos tempos da Avril Lavigne. Com a participação do musico Travis Barker do Blink 182 na bateria deixa claro a intenção de emoldurar a sonoridade do final dos anos noventa e começo dos anos dois mil. Sonoramente, o problema de t r a n s p a r e n t s o u l é  terminar de maneira abrupta sem alcançar o clímax que seria ideal para elevar o resultado final. Sem maiores pretensões do que fazer música que a agrade, Willow vai se tornando uma artista única ao ser dona do seu próprio destino.
nota: 7

New Faces Apresenta: The Kid LAROI

Without You / WITHOUT YOU (Miley Cyrus Remix)
The Kid LAROI & Miley Cyrus

Nos últimos tempos tenho reparado que parece que estamos na mercê do ressurgimento do pop punk ouvido no começo dos anos dois mil como um gênero comercialmente relevante. E um dos nomes a ajudar esse revival é o do novato the Kid Laroi com o sucesso de Without You.

Sem ter vivido a época de ouro do gênero já que nasceu em 2003, Charlton Kenneth Jeffrey Howard, nome de nascimento do cantor, parece ser um herdeiro direto dos artistas da época ao entregar uma decente, mas falha, pop punk de boutique comercial que é construído com todas as qualidades e defeitos do gênero em Without You. Quase acústica, a canção tem a qualidade de ter um arranjo orgânico e perfeito para tocar nas rádios, pois tem um carisma simples, honesto e direto. Entretanto, quem não curte muito esse tipo de pop punk que flerta pesadamente com o emo não vai passar dos defeitos da canção. O principal deles é a sentimentalmente rasa composição que tem o seu pior momento no verso “Can't make a wife out of a hoe, oh”. Além disso, the Kid Laroi não é exatamente o melhor dos cantores, pois em certos momentos parece não saber muito bem usar o seu bom timbre para dar nuances para a canção, deixando a performance achata e levemente irritante. Esse problema, porém, é corrigido com a versão “remix” com a ótima presença da Miley Cyrus. Não só a cantora dá personalidade de verdade para Without You ao ser simplesmente melhor cantora que o novato, mas como também apara pontas soltas ao criar camadas de nuances vocais, especialmente ter química perfeita com o the Kid Laroi durante os momentos juntos. Não sei exatamente se é apenas coincidência, mas a volta do pop punk prova que vivemos realmente uma distopia.
notas
Without You: 6
WITHOUT YOU (Miley Cyrus Remix): 6,5

New Faces Apresenta: Bree Runway

HOT HOT
Bree Runway


Apesar de já ter aparecido aqui em uma parceria, a rapper britânica Bree Runway ainda precisa ser descoberta pelo grande público. Infelizmente, não acho que o single HOT HOT tem essa capacidade, apesar de ser acima da média.

A canção parece um protótipo do que seria uma excelente mistura hip hop, dancehall e pop, mas termina sendo diminuída devido a uma produção que não sabe fazer a canção explodir no momento certo. Linear demais para uma canção que tem a intenção de fazer dançar, HOT HOT se sustenta devida a qualidade da ideia por trás e, principalmente, devido ao talento de Bree Runway. Entregando uma performance divertida e com bastante personalidade, a rapper mostra que consegue segurar esse tipo de canção sem precisar de um featuring desnecessário. Além disso, a composição, mesmo precisando de maior trabalho, apresenta passagens ótimas que deixa claro o tino afiado de compositora de Bree. Uma pena, porém, que HOT HOT fica no campo de promessa do que ser um grande momento que teria tudo para ser.
nota: 7

O Poço BTS

Butter
BTS

Até comecei a achar legal o BTS depois de fazer a resenha de Map of the Soul: 7, principalmente devido a começar a entender melhor a sonoridade do k-pop. Entretanto, não tem como passar a atrocidade pop que a boy band coreana ao entregar a péssima Butter.

Sinceramente, a canção é a representação máxima de todos os clichês que a música ocidental pop apresenta feitos da pior forma possível. Parecendo uma faixa que o Jason Derulo entregaria cinco anos atrás, Butter é uma dance-pop descartável, batida, irritante e, infelizmente, de fazer envergonhar até os mais farofentos. Apesar de uma produção clean, o resultado não passa de um amontoado de ideias que não se conversam direito como, por exemplo, toques de hip hop, EDM e disco. Entretanto, o pior defeito e o que leva a canção ser uma das piores do ano até o momento é a horrível composição. Formada por versos de uma qualidade apodrecida criativamente, os integrantes precisam declamar pérolas como “Oh, when I look in the mirror/ I'll melt your heart into two”, “Ice on my wrist, I'm the nice guy” e, o pior verso de 2021, “Don't need no Usher/ To remind me you got it bad”. Espero de verdade que os próximos trabalhos do BTS possam ser melhores, pois Butter é um fundo do poço que ninguém quer chegar mais de uma vez.
nota: 4,5

26 de maio de 2021

Duas Mulheres e Uma Canção

Like I Used To
Sharon Van Etten & Angel Olsen

Encontros musicais tem apenas dois destinos: a consagração mutua ou a sensação de desperdício de tempo de todos os envolvidos. Em Like I Used To, parceria das cantoras Sharon Van Etten e Angel Olsen, o resultado recaí drasticamente na primeira opção ao ser o tipo de canção que demora um pouco para fazer “efeito” em quem escuta.

Sonoramente, o trabalho é um heartland rock com indie rock e atmosfera dos anos oitenta que tecnicamente é perfeita. Todavia, escutar pela primeira vez a canção é um experiencia um pouco estranha devido a vibe aparentemente off, mas que vai conquistando aos poucos quando a gente percebe a elegância madura e uma atemporalidade luminosa. Ao prestar atenção com um pouquinho de cuidado é notável perceber a graciosidade da construção de Like I Used To e, ao mesmo tempo, uma força emocional palpável. E boa parte dessa sensação vem da incrível parceria das duas cantoras. Donas de vozes diferentes, mas que se complementam de maneira perfeita, entregando uma experiência magistral que poucos duetos conseguem alcançar. A composição poderia ter aquele momento soco no estômago, mas, felizmente, o belíssimo trabalho conquista por criar uma tempestade silenciosa. Mesmo sem ter o destaque do grande público, Like I Used To já pode ser considerada como um dueto histórico.
nota: 8

A Vantagens e Desvantagens de Ser Comercial

Follow You + Cutthroat
Imagine Dragons


A grande característica do Imagine Dragons é sua maior qualidade e, ao mesmo tempo, o pior defeito: ser uma banda de rock comercial. No single duplo Follow You + Cutthroat é possível ver essa dualidade em pleno trabalho.

Apesar de serem sonoramente distintas, ambas as canções apresentam perfeitamente essa qualidade/defeito de serem comerciais. Follow You é um trabalho mais tradicional ao entregar uma mistura azeitada de indie rock com electropop. Entretanto, a canção parece não empolgar como outros momentos explosivos da banda, deixando uma sentida sensação de tédio ao seu final. Em Cutthroat, porém, o resultado é muito mais direto ao ponto devido a sua construção. Misturando rock, metal e toques de electropop, a canção apresenta uma batida perfeitamente climática que parece combinar com a maioria dos filmes de ação descerebrado. Funciona até certo ponto, pois no momento que a gente presta atenção na construção instrumental estranha é possível ver que a canção se torna irritante depois da primeira escutada. As duas canções possuem como cerne principal o poder vocal do vocalista Dan Reynolds. Todavia, a performance de Dan não salva as canções de serem expostas a “maldição” do Imagine Dragons.
notas
Follow You: 5,5
Cutthroat: 5,5