Megan Thee Stallion
12 de julho de 2024
Idiossincrasias do Pop
Woman's World
Katy Perry
Katy Perry
Tenho que admitir que pensei bastante antes de fazer essa resenha, pois ao faze-la ia contra umas das regras que institui para o blog ao não falar de nada que tenha sido produzido/escrito por certo produtor por questões morais. Então, abri uma exceção dolorida para falar sobre o comeback da Katy Perry em Woman's World.
Apesar de aguardado e esperado, a que seria o momento triunfal para a cantora tem essa mancha imensa que realmente atrapalha fortemente para todos aqueles que não passam pano. É incompreensível a Katy voltar a trabalhar com esse indivíduo, mesmo sabendo que é dele o alguns dos maiores sucesso da sua carreira. E pergunto: por sucesso é certo vender a sua alma ao capeta? E o pior é que Woman's World é uma canção completamente mediana em todos os sentidos. A produção é genérica ao extremo e completamente datada ao não referenciar o pop do começo dos anos dois mil, mas fazer uma canção que parece ter saído diretamente dessa era com cheiro de naftalina. O pior, porém, é a sua pobre, rasa e sem vergonha composição sobre empoderamento feminino que contradiz com a maneira como a Katy escolheu para seguir nessa nova era. Tenho que admitir que o refrão é eficiente e a cantora entrega uma sólida performance, mas isso não é nem perto o bastante para tirar essa sensação de decepção e tristeza pela decisão da cantora.
nota: 5,5
11 de julho de 2024
As Crônicas de Guerra de Lamar
Like That
Future, Metro Boomin & Kendrick Lamar
Future, Metro Boomin & Kendrick Lamar
euphoria
meet the grahams
Not Like Us
meet the grahams
Not Like Us
Kendrick Lamar
Se você não estiver vivendo debaixo de uma rocha ou simplesmente não ligar para isso de acontecimento é fácil apostar que você ficou sabendo da guerra entre o Kendrick Lamar e o Drake. Quero dizer que esse post não vai explicar nada sobre o que aconteceu, pois é mais fácil fazer uma pesquisar do que resumir toda essa treta. Esse é post é para afirmar que o Lamar venceu de maneira incontestável ao não apenas fazer simples diss tracks, mas, sim, músicas simplesmente geniais uma atrás da outra. Antes de entrar no prato principal é preciso analisar o aperitivo que começou esse banquete para o rapper em Like That.
A canção é menos inspirada que as canções que estavam por vim, pois não é uma canção do Lamar e, sim, do projeto rapper Future com o produtor Metro Boomin em que Lamar é “apenas” um convidado. E, queridos leitores, Lamar com apenas um verso foi capaz de criar uma verdadeira guerra. Por isso mesmo, o rapper é a grande atração da canção com uma performance poderosa e tão marcante que faz a canção ganhar pontos valiosos. Liricamente, a canção realmente ganha vida com o verso do Lamar e o viciante refrão, pois o resto é basicamente mais do mesmo para o padrão de rapper como o Future. E olha que a sua performance em Like That é até bem aceitável. Outro ponto forte da canção é a produção do Metro Boomin que dá substancia para a batida sombria e bem amarrada, mesmo terminando a faixa meio que numa vibe anticlimática. Analisando agora, a canção se torna quase como o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando para a guerra entre o Lamar e o Drake.
Então, entre as respostas do Drake em forma das suas diss traks que incluiu o J.Cole (Lamar também mandou indiretas para o rapper na canção inicial), Lamar começou a lançar suas canções com suas respostas. E longo no começo, o rapper já começou com que considero já o enterro da carreira do Drake: euphoria. Ao ouvir pela primeira vez a canção a minha boca a letra a espetacular e devastadora composição em que Lamar simplesmente eviscera Drake. Não é de longe apenas indiretas ácidas e, sim, uma crônica diretíssima sobre todo o que o Lamar pensa sobre o seu “adversário”. Todavia, o imenso trunfo de euforia é a genialidade em que o rapper escreve toda a grandiosa letra em que passa longe de ser apenas uma coleção de ataques em formas de versos, mas, sim, uma composição com estrutura temática impressionante, uma escolha lírica inteligentíssima e uma genial construção rítmica e de rimas que deixa bem claro o tamanho da capacidade do Lamar. E quando a gente pensou que era apenas isso, pois já era algo devastador, o rapper continua o seu ataque pesadíssimo com outro momento genial: meet the grahams.
Novamente, a construção da composição é simplesmente de uma genialidade ímpar, mas aqui o que chama a atenção é a produção da canção. Seria quase impossível acreditar que um artista poderia ter escrito e produzido uma canção como essa em apenas alguns dias, mas sendo do Lamar isso é facilmente acreditar devido ao imenso talento do rapper. Só que tudo isso é elevado a outro nível pela impressionante produção de The Alchemist que dá para a canção uma vibe totalmente diferente da canção anterior e, principalmente, do que a gente espera de diss track. Aqui é construída uma climática e sombria batida jazz rap misturada com hip hop que é de uma força criativa avassaladora devido a sua quebra de expectativa devastadora. Curiosamente, a melodia de meet the grahams é de uma beleza estética que contrasta com brutalidade da composição que Lamar “conversa” com toda a família do Drake que, por fim, contrasta com a performance contida e passiva agressiva do rapper. Entre as duas canções foi lançada apenas no Instagram 6:16 in LA com produção de Sounwave e Jack Antonoff (!!!). Não irei analisar aqui, pois não foi lançada oficialmente. Para colocar os pregos no caixa do Drake de maneira final, Lamar lançou a extraordinária Not Like Us.
Obviamente, todas as canções lançadas pelo Lamar e, também, o Drake tiveram imenso impacto comercial, mas o estouro de Not Like Us é algo impressionante e que vem para consagrar o rapper não apenas como vencedor da guerra como também solidificar ainda mais o seu status de melhor artista da atualidade. E isso vem do fato da canção ser tão comercial e, ao mesmo tempo, representar bem o lado artístico apurado do Lamar. Acredito que provavelmente a base da canção já estava pronta. Na verdade, todas as canções já estavam sonoramente encaminhadas de alguma maneira. Entretanto, é extremamente louvável e impressionante como as canções foram finalizadas e Not Like Us tem um verniz tão incrível e memorável ao criar uma jornada sonora rica, texturizada, impactante e viciante. Entretanto, o grande trunfo da canção é a performance larger-than-life do Lamar que faz realmente a canção funcionar devido a sua habilidade magnifica e quase sobre-humana. Se não bastasse o imenso sucesso de critica e publico da canção (a mesma alcançou o primeiro lugar da Billboard), a canção ganhou um sensacional clipe que finaliza com chave de ouro e diamantes. E assim o Kendrick Lamar se mostra um gênio inigualável que é quase impossível de ir contra o seu poder.
notas
Like That: 7,5
euphoria: 9,5
meet the grahams: 9
Not Like Us: 9
meet the grahams: 9
Not Like Us: 9
A Amarga Farofada a Kylie
My Oh My
Kylie Minogue, Bebe Rexha & Tove Lo
Kylie Minogue, Bebe Rexha & Tove Lo
Depois de revitalizar novamente com o sucesso de Padam Padam, a Kylie Minougue está pronta para a sua nova era com o lançamento de My Oh My. E infelizmente o tiro saiu pela culatre devido a uma produção equivocada que desperdiça não apenas o talento da Kylie, mas como das convidadas Bebe Rexha e Tove Lo.
É bem claro que a canção quer ser uma Padam Padam 2.0, mas não chega nem perto do fator cativante e, principalmente, da sua produção. A produção entrega uma canção que soa datada e
forçada que parece ter sido feita apenas para surfar em uma onda e, não, ser um trabalho realmente original. Faltou espontaneidade verdadeira para dar razão para dance-pop/EDM realmente funcionar. Entretanto, o grande problema aqui é a péssima produção vocal que simplesmente destrói a voz da Kylie ao dar um efeito que transforma a sua performance em um trabalho estridente e irritante. Além disso, as presenças de Bebe e Tove Lo não geram o peso que seria esperado devido a má utilização das duas, mesmo que a segunda tenha o melhor momento da canção. Infelizmente, My Oh My não bateu com força como os trabalhos recentes da Kylie. Uma pena.
nota: 5
Simpática Referencia
the boy is mine (Remix)
Ariana Grande, Brandy & Monica
Ariana Grande, Brandy & Monica
Quando fiz a resenha de eternal sunshine apontei the boy is mine como um dos destaques do álbum da Ariana Grande devido ao uso do “sample da canção de mesmo nome da Brandy e Monica consegue dar uma cor inusitada e bem vida para o resultado final”. E eis que de maneira justíssima, a cantora chamou as duas cantoras para a versão remix da canção que consegue fazer certa justiça coma a canção sampleada.
Longe de ser originalmente genial, a canção é uma boa e cativante pop/R&B com toques de trap que está bem no reino da intenção do álbum, mas bem longo do potencial da Ariana. A versão remix não muda isso, mas dá apresenta certo brilho especialmente devido a presença sólida da Brandy e da Monica. Ao contrário do remix com a Mariah Carey, essa versão de the boy is mine tem total sentido para existir, pois, presta homenagem a duas cantoras que fazem parte da estrutura sonora da sonoridade da Ariana com as suas carreiras tendo moldado o R&B dos anos noventa. E isso é feito de maneira sólida e digna, dando espaço para as duas de maneira igualitária ao serem integradas muito bem com a canção e sem deixar de ser uma canção da Ariana. O verso em que as três cantam é a cereja em cima do bolo ao lado da mudança nítida para a melodia da canção das duas artistas no último momento. Poderia ser em si uma canção melhor? Facilmente. Só que é louvável que a Ariana Grande tenha feito essa reverencia tão sincera para a Brandy e a Monica.
notas
versão original: 7,5
versão remix: 7,5
O Melhor do Mediano
Fortnight (feat. Post Malone)
Taylor Swift
Taylor Swift
Entre todas as canções medianas de The Tortured Poets Department, o single Fortnight é uma das melhorzinhas. E isso é principalmente devido ao fato da canção ter uma leve injeção de originalidade devido a presença do Post Malone.
Mesmo que o rapper/cantor não tenho um verso apenas seu, a sua adição dá um verniz diferente para a canção. Não é algo que faça a canção estourar, mas é toque interessante que faz Fortnight ter um contorno diferente da massa uniforme que compõe todo o álbum. Mesmo não saindo muito da estética básica synth-pop/alt pop da produção do Jack Antonoff, a canção tem uma construção atmosférica sólida que não vai das linhas da sonoridade pré-fabricada, mas é outro ponto de destaque da canção. É aquela história de ser mais do mesmo, mas pelo menos tenta ser algo diferente.
nota: 7
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