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20 de agosto de 2023

O Maravilhoso Mundo Estanho de Róisín Murphy

You Knew
Fader
Róisín Murphy


Single por single, a Róisín Murphy vai construído a ideia que o seu álbum Hit Parade pode ser facilmente um dos melhores do ano. Isso é alimentado ainda mais pelo lançamento das ótimas You Knew e Fader.

Ambas canções tem a marca dessa nova era da cantora que é produzido pelo DJ Koze: a estranheza. Nenhuma das canções seguem um caminho exatamente fácil ou previsível e, por isso, nunca termina sendo não interessante acompanhar o que vai se desenrolando, mas, também, não é para todos os públicos. Das duas canções, Fader é que tem atmosfera mais deglutível, pois é uma eletrizante trip hop com toques pesados de neo soul e pinceladas de eletrônico aqui e ali. Todavia, a produção adiciona texturas que a vai criando camadas substancias para a canção se torne um trabalho realmente de Murphy. Liricamente, a canção é sobre o fato de apesar de todos os problemas que podemos enfrentar é necessário tirar um tempo para simplesmente se divertir. E isso é feito de maneira tão peculiar devido a estética madura e ousada da composição que o resultado passa longíssimo do clichê que poderia se atrelado a temática dessa natureza. Tenho que admitir que os vocais solos da cantora parecem abafados devido a decisão da produção vocal, mas isso não é algo que atrapalhe o resultado final ainda mais com as inclusões de camadas de vocais que dão base para a canção. Em You Knew, a produção mergulha de cabeça na persona que vem sendo criada para entregar uma espetacular, intricada, encorpada e deslumbrante viagem de mais de sete minutos. Uma slow burn constante, a canção é uma produção de deep house/EDM que perfeitamente cruza o lado do experimental, mas fincado com os dois pés firmes no pop. Longe de ser mainstream, a canção é lindamente instrumentalizada e apresenta uma atmosfera quase hipnótica que, sem nunca explodir, se mantem excitante do começo ao fim. Se os vocais de Fader tem algumas ressalvas, a performance de Murphy e a produção vocal aqui é impressionante, pois adiciona as texturas necessárias para a canção ir para outro patamar devido a maneira criativa que são adicionadas. Gosto particularmente de maneira como a cantora declama versos do refrão em contraste com a parte cantada. E assim Róisín Murphy vai criando um clima maravilho.
notas
You Knew: 8,5
Fader: 8


30 de julho de 2023

O Encontro de Duas Mães

Freak Me Now
Jessie Ware & Róisín Murphy

Poucas artistas vêm entregando tanta qualidade no universo pop como é o caso de Jessie Ware e Róisín Murphy. E é por isso que a parcerias das duas no remix de Freak Me Now é um acontecimento que precisa ser celebrado.

Remix do single de That! Feels Good!, a canção é uma mistura de nu-disco e funk com toques de soul e synth-pop que resultam em uma faixa elétrica, excitante e completamente viciante. Apesar de funcionar ainda melhor dentro do contexto do álbum devido a sua sensacional transição com a faixa Beautiful People, Freak Me Now é um trabalho tão bem pensado e realizado que merece ter esse momento de exposição como single. Sem mudar a base básica da canção, a participação de Murphy adiciona um refinamento gracioso e natural para a canção que parece que a mesma foi criada desde o começo para ter a sua presença. Devo admitir que queria mais da cantora, mas a sua química com Ware é palpável e deliciosa. E assim que fazem duas mães que alimentam sua prole com apenas o melhor.
nota: 8.5

16 de julho de 2023

Um Toque de Surreal

The Universe
Róisín Murphy

Adicionar uma dose de surrealismo em uma música é algo bem difícil, pois, normalmente, o feito é conseguido através de imagens concretas. Entretanto, algumas canções tem essa cabeça sem depender de fatores externos como é o caso da ótima The Universe da Róisín Murphy.

Segundo single do aguardado Hit Parade, a canção é construída de maneira a contar uma história de uma viagem de barco que dá muito errado. Essa imagem é elaborada para ser a condução para a metáfora sobre um romance destinado ao fracasso por vários motivos assim como esse desastre marítimo. E o toque surreal não é pela curiosa composição, mas também pela adição de uma voz off que narra a viagem, pelas mudanças vocais que Murphy passa ao longo da canção e também pela produção da canção. The Universe, assim como todo álbum, é produzido por DJ Koze que cria aqui uma estranha, descolada e única mistura de psicodélica, eletrônico, indie pop e chillwave que parece ir a lugar nenhum, mas que chega sem ser convidado e fica na cabeça da gente desde a primeira vez. E a condutora perfeita para a canção é a presença iluminada e cool de Róisín que faz toda a canção fazer sentido, mesmo que tenha partes de The Universe que realmente não sejam plenamente compreendidas.
nota: 8,5

21 de março de 2023

Slow & Delicioso

CooCool
Róisín Murphy

Depois de ligar a sua máquina disco/pop/house em Róisín Machine, a Róisín Murphy parece pronta para desacelerar e embarcar na suavidade com o lançamento de CooCool.

Primeiro single do seu próximo álbum, a faixa é uma deliciosa, sedosa e elegante mistura de deep house, R&B, downtempo, toques de disco e funk que prefere se apoiar em uma batida mais cadenciada e envolvente do que partir para o batidão. E essa decisão é algo sensacional, pois, além de diferenciar o atual trabalho para o anterior, CooCool é perfeito para mostrar as nuances e texturas que a Róisín é capaz de adicionar com a sua sublime, descolada e magnética performance vocal. CooCool apresenta também um excepcional trabalho instrumental que mesmo não sendo numericamente complexo é de uma refinadíssima e de uma atmosfera layback. CooCool é o começo promissor de mais uma era para a sempre excitante Róisín Murphy.
nota: 8

8 de agosto de 2021

Entra Na Minha Casa Róisín Murphy

Assimilation
Róisín Murphy

Assim como uma enviada dos céus, Róisín Murphy continua a entregar trabalhos que parecem serem feitos nas soldas celestiais. Esse é o caso de Assimilation.

Remix de Simulation, canção que abre Róisín Machine e que defini na resenha como “uma genial e hipnotizante house/techno que funciona com um glorioso abre-alas que trabalha como aquela viagem psicodélica de barco na versão original de A Fantástica Fábrica de Chocolate”, Assimilation desconstrói toda a pomposidade épica da canção para entregar uma acachapante remix/versão em forma de uma mistura de EDM, post-disco, funk e toques da batida original de house/techno. Menor em duração, a canção parece trocar a atmosfera fantástica por algo mais orgânico. A batida que era antes costurada dentro do reino do etéreo passa para o da sensualidade envolvente sem perder, porém, a potencia original. E, novamente, Róisín coloca o seu toque de bruxa pop para entregar uma canção nada comercial, mas que faz a gente querer se levantar para dançar como se não houvesse amanhã. Ao desconstruir a sua própria canção para remonta-la em uma versão que funciona perfeitamente por si só, a cantora apenas continua a sua jornada para escrever as suas próprias leis do pop. E, por isso, eu a agradeço e rezo para que continue assim.
nota: 9

3 de janeiro de 2021

Nirvana Disco

Murphy's Law
Róisín Murphy


Algumas vezes durante a vida desse humilde fui pego por uma sensação que quem estava ali era, em primeiro lugar, o fã de música e não a persona critica que existe em mim. Claro, sempre que isso acontece preciso respirar, recalibrar e repetir a canção para conseguir ter uma visão critica sobre a mesma. Esse foi o caso da genial Murphy's Law em que Róisín Murphy leva o público a uma viagem ao passado na melhor redenção disco de 2020. Felizmente, essa conclusão veio majoritariamente do critico em mim dando uns tapinhas de felicitações no meu lado fã. 

Apesar de ser um trabalho que transita em uma pegada mais alternativa/experimental, Murphy's Law é a canção mais tradicional do álbum, saindo quase que completamente da linha criativa. Entretanto, a canção, além de ser a melhor, ainda guarda pequenas e preciosas nuances que ajudam a elevar o resultado final a um outro patamar. Essas quebras se revelam bem no começo em uma espécie de introdução em que a cantora apenas declama parte do refrão ao som de batidas de palmas para depois dar uma guinada para o instrumental, repetindo na parte final o mesmo mecanismo do começo com algumas diferenças. Pode até parece bobo apontar essas ideias como algo que possa elevar a canção, mas é preciso ouvir Murphy's Law na sua totalidade para entender a genialidade dessas decisões. Especialmente no momento que isso ajuda a canção a dar ainda mais personalidade para a deliciosamente vintage batida disco/post-disco/soul do resto da canção que foi construída para a faixa. Envolvente, carismática, elegante, madura, poderosa, melódica e atemporal, o single ainda se beneficia da brilhante composição que deixa de lado construções de versos complicados por uma linguagem relativamente simples para narrar as aventuras da fatalidade de encontrar o ex em todo o lugar que vai. Usando o trocadilho com a lei de Murphy com o seu próprio, Róisín cria um perfeito exemplo de canção para chorar e dançar na balada. E completando o pacote está a aveludada e marcante performance da cantora arremata a canção de maneira acachapante. E dessa maneira, 2020 teve um dos seus ápices que, infelizmente, não parece ter o devido reconhecimento pelo grande público, mas será tem o seu lugar na minha playlist de melhores do ano. 
nota: 9

25 de agosto de 2020

A Maturidade Pop

Something More
Róisín Murphy

As novas divas pop são ótimas, né? Mas vocês já deram uma chance de verdade para aquelas artistas já bem estabelecidas? Em especial para aquelas fora do mainstream? Se não, você está perdendo verdadeiras pérolas como o novo single irlandesa Róisín Murphy, a sensacional Something More.

Something More é uma post-disco/eletrônica que parece flutuar em campo de papoulas enquanto nos envolve em uma névoa de riqueza, beleza, melancolia e uma elegante nostalgia. Construção de imagem estranha, mas perfeita para traduzir o que senti ao ouvir essa gloriosa canção que faz parte do próximo álbum da vocalista do duo Moloko. Ouvir Something More é como estar de volta aos Studio 54 em pleno 2020 vestido de dourado e cercado pela nata da sociedade underground. Claramente, a batida cadenciada não é nada comercial impossibilitando o sucesso comercial da canção, mas a madura composição sobre ter todas as coisas do mundo e, mesmo assim, sentir que existem coisas mais importantes para se conquistar na vida é um trabalho reluzente. O refrão poderia ser, porém, mais pungente na sua construção, deixando para a parte final o seu grande momento. Um fato curioso é que ao contrário de outras canções, a versão estendida de mais de sete minutos funciona melhor que a versão normal com apenas quatro minutos, pois parece preencher algumas lacunas sonoras ao encorpar a construção instrumental, especialmente o seu avassalador começo. De qualquer forma, Róisín Murphy e a sua maturidade entrega uma canção pop para mostrar que as novas divas pop precisam comer muito arroz com feijão para chegar aos seus pés.
nota: 8,5

4 de abril de 2010

3 por 1-Retornos

Momma's Place
Róisín Murphy


Shine
3 Doors Down


How Low
Ludacris


Em uma só tacada vou falar de três artistas que estão fazendo seu retorno esse ano.A não ser esse fato,nenhum deles não tem nada em comum com o outro.Começo pela cantora Róisín Murphy.

Depois do seu elogiado álbum de 2007 intitulado Overpowered(dele vem o single You Know Me Better,escolhida a 47° melhor música da década)a irlandesa lanço seu novo single Momma's Place mostrando que continua a fazer música de qualidade e com sua marca.
Sem ainda definido o nome do seu próximo álbum,Momma's Place por enquanto não tem muita finalidade como single.Mas isso não quer dizer que ele seja inútil de tudo.Seguindo a linha eletrônico tradicional a música é um ótimo exemplo de seguir a "moda" sem ficar "padronizado".Com uma batida mais clássica e vocais marcantes,Momma's Place tem um certo toque dos anos oitenta.A letra é bem escrita e super divertida.Com álbum ou sem,Róisín acertou de novo.

Marcando a volta da banda 3 Doors Down(dona do sucesso Here Without You) que planeja lançar o quinto álbum ainda esse ano e tem em Shine,tema das Olimpíadas de Inverno,o single para começar a divulgar o CD.
Shine é um rock mais paulera que erra ao ficar em um só tom do começo ao fim.A mesma batida vai desde o começo,passa pelo refrão sem graça e chega ao fim.Ficando tudo cansativo.Com isso junta a letra fraca de conquista e vitória que não combina com a estética da música e os vocais completamente engolidos pelo arranjo.Esse é um retorno que precisa ser reavaliado.
Já o rapper Ludacris parece ser dá melhor.Seu novo álbum(Battle of the Sexes) ficou no primeiro lugar da parada norte americana e o primiro single How Low ficou na 6° posição da parada Billboard.
A música é um hip hop divertido e dançante que acerta ao se apoiar apenas na voz singular de Ludacris e não abusa do featuring.A batida é muito contagiante sendo um hip hop mais orgânico mesmo usando muitos efeitos de voz.A letra é legalzinha,mas eficiente.Com certeza esse começo de ano parecer do Ludacris que parece estar em todos os lugares de uma vez só.Em alguns dias veremos ele por aqui novamente.Isso é voltar por cima da carne seca.



nota
Momma's Place:8
Shine:4
How Low:7

20 de setembro de 2008

Se Joga Na Pista


You Know Me Better
Róisín Murphy


A irlandesa Róisín Murphy é um dos expoentes da música eletronica.Suas musicas misturam além da citada eletronica,pop e disco.Róisín podemos dizer seria a evolução do que a Era Disco do anos '70.Musicas com alma sem deixar o elemento "mexer as cadeiras" de lado como prova a musica You Know Me Better.
Com vocais lembrando Abba,arranjo muito bonito e dançante(palavras quase nunca juntas em uma frase)e letra sensível e bem trabalhada a musica foi feita para dançar em clubes e festa a noite inteira.Alem disso,Róisín tem um estilo próprio e sensacional que vale uma conferida em seus clipes.
nota:8