31 de janeiro de 2018

A Provável Vencedora do Oscar

This Is Me
Keala Settle/ Kesha

Durante um bom tempo canções indicadas e/ou vencedoras do Oscar faziam, normalmente, sucesso comercial. Então, essa constante mudou lá pelo ano de 2003 em que a maioria das canções passaram batidas nas paradas e perante o grande público. Todo voltou ao normal em 2012 com a vitória da Adele com Skyfall. Até o momento, a favorita desse ano é uma das canções que vem colhendo bons frutos nas paradas mundialmente: This Is Me que faz parte do musical O Rei do Show.

Mesmo antes do bom desempenho nas paradas, ajudando a aumentar o seu hype e, também, a vitória no Globo de Ouro, This Is Me já tinha todos os pré-requisitos que a Academia adora premiar: grande balada com mensagem poderosa saída de um musical. Além disso, a dupla por trás da canção, Benj Pasek & Justin Paul, venceram a categoria no ano passado com City of Stars do filme La La Land. Apesar de abusar de alguns clichês básicos, This Is Me é uma boa canção ao ser exatamente o que precisa ser no contexto do filme: grande balada com mensagem. Ao falar sobre aceitação própria, a canção se transforma em um hino atemporal, pois não é necessário saber em qual momento a canção toca em O Rei do Show já que a sua composição nos toca profundamente fora do contexto. Com um refrão forte, o grande trunfo da canção é a sua voz original: a cantora e atriz Keala Settle em performance de tirar o fôlego e com uma emoção avassaladora. O problema aqui é que o arranjo durante da metade para frente está mais alto que os vocais, deixando a canção um pouco tumultuada. O erro é corrigido pela versão "pop" entoada pela Kesha que prova novamente que é uma cantora de verdade. Apesar do favoritismo, This Is Me pode ser aquela canção que deveria ter vencido na noite da entrega do Oscar. Todavia, não será dificil de descobrir que a mesma será a que vamos lembrar no futuro entre as indicadas.
nota: 7,5

30 de janeiro de 2018

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

The Boy Is Mine
Brandy & Monica

Realizei uma resenha com a mesma intenção de The Boy Is Mine lá em 2009, mas, assim como tudo na vida, o tempo passou e as coisas mudaram na minha percepção da canção da Brandy e Monica. Não a qualidade ou a sua importância e, sim, a forma como eu escrevo sobre os objetos de minhas análises. Então, resolvi revisitar a canção no Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single, ainda mais que o single está completando vinte anos em 2018. 

Lançado em 19 de Maio de 1998, The Boy Is Mine foi na época o encontro de duas jovens estrelas do R&B daquela época: a cantora e atriz Brandy (dezenove anos) e a cantora Monica (dezoito anos), ambas com um álbum no currículo no momento do lançamento da canção. Obviamente, o encontro das duas estrelas em ascensão e, segundo a mídia até então, rivais era um estratagema para impulsionar ainda mais a carreiras das duas, principalmente a de Brandy já que a canção foi o primeiro single do seu segundo álbum (Never Say Never). Entretanto, acredito que o veio depois não foi exatamente esperado: The Boy Is Mine foi um dos maiores sucessos daquele ano, ficando treze semanas em primeiro lugar na Billboard. Além disso, o dueto ajudou a consolidar a carreira das jovens no final daquela década, venceu um Grammy e ajudou a remodelar o R&B para o novo milênio.

O grande trunfo e principal legado de The Boy Is Mine foi ajudar a consolidar a fusão do R&B com uma pegada mais pop na sua construção sonora. A base é claramente de R&B, principalmente, devido a postura vocal de Brandy e Monica, mas é possível ouvir a influência pop na batia e no refrão mais demarcado e destacado. Produzido pela própria Brandy ao lado do Darkchild e Dallas Austin, ambos produtores referências no gênero até hoje, The Boy Is Mine também tem a qualidade de reunir em uma canção outros fatores que ajudaram a canção a torna-se um clássico moderno. Inspirado e sendo composta como uma resposta a The Girl is Mine do Michael Jackson e Paul MaCartney de 1982, a canção foi estruturada para ser uma "briga" das duas cantoras que descobriram que se relacionam com o mesmo homem com uma letra marcante, divertida e com o fator viciante em altíssimo nível. Além disso, donas de vozes marcantes, especialmente a rouca da Brandy, as duas cantora entregam performances tão marcantes que covers da mesma perdem muito significado devido a isso. Ao revisitar a canção vinte anos depois do seu lançamento fica clara a importância na história recente da música, criando um legado que até hoje é refletido em trabalhos de vários artistas.
nota: 9

29 de janeiro de 2018

Amo a Maneira Como Você Mente

River (feat. Ed Sheeran)
Eminem

Escolhida como segundo single de Revival do Eminem, River é uma verdadeira música truqueira, pois tenta vender para o público como sendo uma nova Love the Way You Lie, mas nem chega aos pés do sucesso de 2010.

River quase segue a mesma equação da parceria com a Rihanna ao ser um hip hop comercial com letra honesta sobre a vida do rapper e um refrão viciante. Entretanto, a canção tem uma sonoridade puxada para o rock/indie pop do que para o R&B/pop. Infelizmente, o resultado final fica bem aquém do que poderíamos esperar, pois a batida é mediana e pouco convidativa. É comercial, sim, mas não tem o mesmo impacto que a canção dada como exemplo. Faltou "calor" e emoção na performance do rapper e o refrão cantado pelo Ed Sheeran é bem "pombo". O que realmente salva a canção é a sua boa letra, narrando a história de quando o rapper foi um babaca emocionalmente com um garota. Apesar do bom desempenho comercial ao redor do mundo, River não é toda essa Brastemp toda e engana quem acha que o single será um dos que serão lembrados em um futuro próximo.
nota: 6

27 de janeiro de 2018

Medinho

Supplies
Justin Timberlake

Sabe quando um amigo(a) que você gosta muito vem te apresentar um(a) novo(a) na namorado(o) e você fica com pé atrás sobre o novo amor da pessoa por alguma razão? Então, é essa é a mesma sensação que estou tendo com o novo álbum do Justin Timberlake, pois, depois da ok Filthy, foi lançada a mediana Supplies.

O grande problema da canção é que a mesma deveria ser uma grande música, pois, além de ser do Justin Timberlake, tem como produtores o duo The Neptunes, formado pelo Chad Hugo e pelo Pharrell, voltando a trabalhar juntos desde o primeiro álbum do cantor. A união de tantos talentos seria o bastante, mas Supplies é morna, sem brilho e, em alguns momentos, irritantes Um pop/hip hop/R&B que começa bem com uma batida forte e marcante, mas que, infelizmente, não se sustenta por muito tempo, terminando linear e pouco convidativa. Além disso, o refrão, depois um tempo, é repetitivo e irritante, principalmente o efeito vocal que colocaram na voz de Justin. A letra também não é lá essas coisas, mas Justin segura a maior parte da canção com dignidade de um verdadeiro astro pop. E tem também o fato de que ainda os clipes lançados estão mantendo o bom nível de sempre, ajudando a esperança não morrer. Entretanto, tenho certo medinho do que podemos ouvir no álbum do Justin.
nota: 6

26 de janeiro de 2018

A Garota do Passado

No Drama (feat. Offset)
Tinashe


Quando um artista morre tão jovem, a gente sempre pergunta como estaria esses artistas passado alguns da sua morte. Um bom é o caso da Aaliyah que faleceu aos 22 anos e que, se tivesse viva, teria completando 39 anos recentemente. Talvez, mesmo sem termos exatamente uma resposta exata, Tinashe tenha respondido a essa questão ao lançar o seu novo single No Drama.

Single do seu aguardado álbum Joyride, No Drama sengue bem de perto a sonoridade da cantora ao ser uma bom R&B/pop com verniz de trap music e hip hop, criando uma batida dançante, redondinha e bem comercial. Entretanto, existe algo aqui que consegue conversar com a sonoridade R&B dos anos '90 que, obviamente, teve Aaliyah como um dos principais nomes. Além disso, Tinashe se abastece da mesma fonte ao ter uma voz limitada de alcance, mas com versatilidade e um timbre bem interessante. Uma pena que a composição não é lá grandes coisas e a presença do rapper Offset não faz mais que a obrigação. De qualquer forma, No Drama é uma boa canção que poderia bem ser um trabalho de autoria da Aaliyah. Infelizmente, nunca saberemos.
nota: 7

25 de janeiro de 2018

A Espera de Um Milagre

Don't Play It Safe
Cassie

Falei recentemente que a Cassie devia ganhar mais reconhecimento na sua carreira na música. E parece que a cantora está disposta a mudar essa percepção em 2018. Depois da mediana Love a Loser, a cantora dá uma melhorada na interessante Don't Play It Safe.


Lançada ainda no final de 2017, Don't Play It Safe é uma sexy e melódica R&B/dance mid-tempo que acerta em explorar as principais qualidades da cantora. Direta e bem construída, a canção se beneficia do sex appeal natural de Carrie com a sua voz pequena, aveludada e sensual. Don't Play It Safe é o tipo de canção tão "natural" e gostosa de ouvir que passa tão rápido que a gente quase não sente. E, por isso, o defeito da canção se reside nesse momento, pois, apesar da qualidade, não tem a força necessária para ser inesquecível. Talvez, quando tiver em mãos uma canção que junte a qualidade e fato comercial, Cassie poderá brilhar como ela merece.
nota: 7